
MENEZES COSTA
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- A Simbiose do Mal
Não é de um anti-herói ou vilão dos quadrinhos que pretendo escrever, embora a natureza da personagem seja naturalmente ligada ao que será abordado, não se trata de uma ficção a simbiose em questão. O conceito de simbiose é a coexistência entre dois seres vivos de espécies diferentes com benefícios, ao menos aparentes, para ambos os seres, também é chamada de mutualismo, por pressupor uma reciprocidade, ainda que em desequilíbrio, entre ambos. Há de se falar de associações entre seres vivos que são denominadas de formas diversas justamente em razão dos benefícios das partes envolvidas, a saber, o comensalismo, no qual apenas um dos lados obtém vantagens, sem causar prejuízos ao seu coabitante, e o parasitismo, em que uma parte se locupleta da outra. A simbiose pode se transformar facilmente em uma das uniões citadas, mas ainda que não o faça, o mutualismo pode ter os piores fins possíveis, tornando-se um mal de grandes proporções, ainda que conserve sua natureza, bastando, para tanto, que seja a associação essencialmente vil. Sendo possível uma simbiose com um fim espúrio, poder-se-ia imaginar que ambos os seres que dela fazem parte se beneficiam para causar o mal, o que é a mais triste verdade, entretanto, como cita um amigo, “sempre haverá um entretanto”, se a associação entre dois parasitas poderia ser boa para ambos, alguém lhes servirá de alimento. Tratando da famosa simbiose dos quadrinhos, vislumbra-se a união de forças para os fins errados em um dos antagonistas do enredo, denominado Carnificina (nome original Carnage), posto que, comunga um ser alienígena desprovido de moral e o psicopata Cletus Kassady, logo, duas forças malignas que se somam. Voltando ao mundo real, pena que tal simbiose não ocorra apenas na ficção, podemos espiar inúmeros casos em que seres se unem com o fim de se beneficiar mutuamente, mas fazendo o mal a alguém que servirá de “hospedeiro”, o termo correto seria vítima, de tal união. Algumas associações podem aparentar fins justos, outras deixam claro que seus objetivos não são nobres e, há aquelas que não podem ser declaradas abertamente, pois sua natureza é tão abjeta que devem viver nas sombras, ao menos até que tenha a força de se sustentar mesmo ante da ojeriza por parte daqueles que podem ver sua verdadeira face. Com os ditos fins justos, preciso voltar a ficção para me fazer entender, poder-se-ia imaginar uma associação supranacional que tem por fim a paz entre os povos, mas que gradualmente subtrai-lhes a soberania tornando-os reféns de uma elite central. Claro que somente em livros e filmes podemos experimentar tais figuras. Uma outra possibilidade, trazida à luz pelo, à época, Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, seria o uso do Poder Judiciário por partidos políticos para obter resultados que não conseguiram nas urnas, e por consequência, nas casas legislativas, in verbis: “ De início, é dado presumir, não estou afirmando que isso ocorra, que esses partidos não são da sustentação do Governo, que esses partidos são de oposição e utilizam o Supremo como instrumento para fustigar, a partir de n presunções, a partir de verdadeiro ranço, no que se tem a origem da Agência Brasileira de Inteligência – Abin, o SNI, o Serviço Nacional de Informações, o Governo – de direita ”. (STF: Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.529 DF). Onde podemos perceber que pode ocorrer a simbiose entre partidos e o judiciário, ou entre estes e o Ministério Público, fazendo que o povo acredite em ações que na verdade são jogadas ensaiadas, uma vez que, o autor da ação sabe o que esperar dos julgadores. Estaríamos diante, não apenas da judicialização da política, mas de julgamentos preordenados, já que conhece-se a postura dos magistrados antes mesmo de se ajuizar a ação, de maneira que, participando ativamente de embates políticos e exteriorizando suas posições antes mesmo de provocados, alguns julgadores dão pistas de quais decisões tomariam em determinados casos, deixando assim o autor da ação confortável em recorrer ao Poder Judiciário e sustentar suas teses, sabendo que aquele que julgará a ação comunga de suas pautas e não faz questão de esconder seu amor ideológico por elas. Para entender as uniões por motivos não tão nobres pode-se ver, no mundo real, a trágica proximidade entre o Talibã e o Partido Comunista Chinês que garante ao primeiro, claro que com a complacência dos Estados Unidos da América, total ingerência sobre o povo do Afeganistão e ao segundo a liberdade para “reeducar” uigures em seu território. A hipótese mais sinistra (termo que está em Português, mas serviria muito bem se estivesse em italiano) de simbiose é aquela que não se revela até ter certo poder que lhe garanta a subsistência apesar do mal que se traduz nela. Um fatídico exemplo é o Foro de São Paulo, cuja existência era negada pela esquerda latino-americana, entretanto, após se permear nas estruturas de poder, saiu das sombras por saber-se protegida em razão de sua força política. A simbiose do mal existe em inúmeros casos, mas não deve ser confundida com a ramificação do mal, pois tem a natureza de juntar mais de um artífice da destruição, como sindicatos que se unem aos governos e a pior espécie de empresários para fazer um baile que parece uma luta. Enquanto expectadores assistem o que acreditam ser uma batalha, em verdade, contemplam uma dança bem ensaiada entre amantes que, regrados ao melhor que há, encenam de forma convincente para direcionar os menos perspicazes ao destino trágico rumo ao abate. As lideranças revolucionárias são capazes de se unir para manter-se no poder, mas se há uma justiça natural, e há, elas se autodestruirão buscando aumentar seu poder em relação ao hospedeiro, a simbiose do mal levará, inevitavelmente, os parasitas que se associam ao enfrentamento quanto um deles, ou ambos, se julgar capaz de engolir todo o hospedeiro, considerando que seu assecla ou par já não lhe é mais útil, tendo servido ao propósito para o qual se aglutinaram, tal qual Josef Stalin fizera com Leon Trotsky. A nação asiática já mencionada nutri uma relação de simbiose com uma elite metacapitalista que, por um lado alavancava o crescimento do país e por outro permitia altas margens de lucro aos empresários. O resultado, uma dependência recíproca em que um grupo tolera os arroubos do outro, ao menos, até poder fincar-lhe um punhal nas costas e jogar aos leões. Trata-se de uma inevitável ruptura, mais fica a dúvida de qual dos simbiontes sairá mais ferido dela. Há muitas simbioses que poderiam ser exploradas, contudo, é importante salientar que a característica fundamental é que a união seja entre seres diversos e não do fruto, ou ramificação, da própria criatura e a mesma, o que é ainda mais comum. Os seres simbióticos têm origem diversa e vão se unir por interesse mutuo, podendo a aliança ser duradoura ou momentânea, pode ser ainda homogênea ou heterogênea, no primeiro caso temos o Eixo na Segunda Grande Guerra, em que todos tinham o mesmo fim repugnante, bem como, a Internacional Socialista ou o Foro de São Paulo, mas sendo heterogênea pode unir forças com fins diversos como os Aliados e Soviéticos que deram-se as mão contra o nazifascismo, mas, por óbvio, qualquer aliança heterogênea deve ser momentânea e não deveria gerar simbioses, mesclar os seres em si. Decorre de tal constatação algo que deve ser refletido e pode não ter uma resposta simples, a aliança entre metacapitalistas e um país socialista não deveria ocorrer, e ocorrendo, deveria se dissolver rapidamente, sem que a membrana de ambos permitisse a união entre eles, ou, estaríamos diante de uma união homogênea em que ambos, ao seu modo buscam o controle sobre as massas e se fizeram juras matrimoniais com o fito e subtrair a autodeterminação dos povos, ou ainda pior, o livre arbítrio de qualquer um que não pertença à oligarquia dominante. A relação entre seres abissais gerará uma criatura forte porém faminta, já que as pretensões daqueles que se aglutinam com propósitos nefastos somam-se para criar uma vontade não tão única mas de força colossal, logo, uma vez retirada a abundância de alimento, no caso se vassalos, aqueles que outrora se uniram para vilipendiar aqueles que serviam de hospedeiros, buscarão alimentos em seus pares, digladiando-se até que um seja engolido ou morto. Fácil constatar que o destino das partes que se unem pelo mal é se destruírem, sendo pela fome, na falta de quem expropriar, ou pela empáfia de um ou mais de seus criadores, a simbiose do mal é sempre parasitária e precisa de alguém para se alimentar, mas tem um caráter de metástase, tentará avançar até que seu hospedeiro esteja morto ou que seja confrontada. Neste diapasão é imperioso observar que tal monstro manterá defesas caso venha a ser confrontada, podendo se insurgir contra aquele que busca se livrar dela, por vezes se vitimizando, por outras usando a força para atacar cada vez mais. Qualquer semelhança com a realidade em que vivemos é mera coincidência. Libertar-se do parasita é essencial, mas não é algo simples, pois, como mencionado, alguns desses seres só se manifestam quando já possuem raízes em órgãos vitais, não podendo ser simplesmente arrancados. Lembrando que cortar-lhes a nutrição fará com que tentem abocanhar ainda mais, tornando-os agressivos. A primeira coisa que deve ser liberta é a consciência, pois sem saber que as forças malignas estão atuando em sintonia, há o grande risco de se combater uma alimentando a outra, de maneira que não surtirá efeito lutar. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 12 edição de Maio de 2022 – ISSN 2764-3867
- A filosofia do outono
No dia 20 de março deste ano, celebramos a chegada do outono, a terceira estação do ano, sucede o verão e antecede o inverno. Um momento marcado pelo início da queda da temperatura e pelo amarelar e queda das folhas, mas o que há por trás desse movimento físico do planeta, e que lições podemos tirar dele? A filosofia pré socrática foi marcada pelo comportamento de característica esotérica dos filósofos da época; isso porque eles pautavam seus estudos no “por quê”, e não no “como as coisas aconteciam”. Com esse conceito, verificaram as causas e não os fenômenos. De lá pra cá, a visão mudou; agora a ciência ocupa-se no, como as coisas acontecem, investindo seus esforços nos fenômenos, o que promoveu cada vez mais o materialismo. Com tudo, ainda podemos aproveitar algumas lições daquele tempo, (que ainda é muito atual) trazendo para nosso cotidiano a inteligência que há nas forças da natureza para pautarem nossos comportamentos e nos alinharmos a elas, pois é para isso que as leis da natureza existem: Para nos servir de referência. Na tradição cristã, Jesus, é chamado de " Sol da justiça" ou " A brilhante estrela da manhã" Tinham o sol como referência, pois assim como o sol, o que Jesus emanava, fazia bem a todos, e assim como o sol, nada nem ninguém poderia pará-lo, e nele estava a vida. Nessa linha de pensamento o outono vem nos ensinar alguma coisa que, se soubermos interpretar, com certeza, nossas ações darão mais e melhores frutos no futuro. Vou descrever o esquema das estações do ano e relacioná-las às nossas ações diárias. A primavera é uma estação que promove uma energia de começo, nela há um impulso de vida fazendo com que cores e formas comecem a mostrar que " algo novo virá". Por isso vemos as folhas, flores e todo o ser vivo com um brilho diferente, com muita beleza nessa época. Podemos relacionar a primavera com nosso impulso de querer fazer algo novo, melhorar nossas ações e ambientes; teremos aí uma força para recomeçar a vida com toda a beleza que isso implica. Quem nunca achou belíssimo ver a transformação de vida de pessoas que outrora numa condição deplorável, decide retomar suas vidas fazendo florescer tudo à sua volta e dos que a acompanham? Já o verão é o fruto, o resultado de toda aquela energia da primavera que foi devidamente absorvida pela natureza e agora das flores vem o fruto, e sabemos que quanto mais melhores e belas as flores, melhores e mais belos os frutos. Quem de nós não ficou feliz em ver os projetos, planos,sonhos de pessoas próximas ou não, que com a força de uma começo ou recomeço colheu o fruto do seu esforço? O outono, estação que agora estamos, é o momento para reflexão, análise ou crítica de tudo o que fizemos, pois assim como as estações do ano, essa fase vai passar e logo virá um novo começo, com a intenção de evoluirmos, sempre. Claro que já vimos muitos amigos que após conquistarem um objetivo, agora se ocupam em planejar o futuro baseado nas suas conquistas. Por exemplo: após conquistar o emprego dos sonhos, a tarefa agora é refletir sobre tudo o que fez, quem o ajudou, tudo o que investiu... Tendo agora o amadurecimento das ideias, é hora de pensar e repensar a vida. Por fim, o inverno é o momento em que se não houver a maturidade do outono, podem surgir perguntas como: eu conquistei o que queria, mas é só isso? Não é como eu pensava. Por que apesar de tudo eu não estou feliz? Enfim, é hora de interiorizar a vida e saber que algo tem que morrer, ficar para trás e preservar as sementes que ao chegar a nova primavera, irão brotar. Claro que já vimos pessoas depressivas e insatisfeitas com suas vidas, pois após tanto esforço não estão felizes com tudo o que conquistaram, e fica a sensação de que não valeu a pena, mas o inverno tem a função de nos levar a um cenário onde veremos que precisamos recomeçar, renovar nosso ânimo, nossas ideias e convidar a primavera para um encher de vida o cenário que ao fim de um ciclo, mostra que precisamos continuar. Imaginemos uma sociedade em que um povo idealista que tem como meta um mundo melhor e logo luta por isso, vendo alguns os frutos desse idealismo, ficam ainda mais animados com a ideia, porém chegado o momento de planejar o futuro, não o fazem e quando chega o inverno, todos desanimam pois o cenário, frio, quase sem vida e com poucos recursos, parece mostrar que toda aquela animação das estações anteriores não valeram a pena, é aí que a natureza os ensina que logo virá a primavera, e com ela uma nova oportunidade, com mais maturidade, experiência e força para a nova fase de lutas por um mundo melhor, pois o futuro nos aguarda. Se não desfalecermos, colheremos os frutos de um verão melhor, vindo as reflexões que o novo outono propõe, nosso inverno será melhor aproveitado com planos que nos farão dar mais um passo em direção ao que almejamos, pois a primavera logo chegará. Que Deus abençoe nossa jornada! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 52 edição de Março de 2025 – ISSN 2764-3867
- Desprezíveis e desprezados
A constante busca por privilégios mascarada de luta por igualdade é a energia dos chamados grupos identitários, notadamente, as lideranças de movimentos organizados que alegam representar grupos de indivíduos rotulados conforme os interesses de um centro nervosos ou daqueles que aspiram poder, usam sua suposta representação para angariar apoio e se apossarem de bandeiras como meio de se estabelecer no cenário político, buscando, na superfície, impor sua agenda a toda sociedade, ao passo que, nas entrelinhas, garante poderes de açoitar qualquer um que tente se opor a sua escalada. O Superior Tribunal de Justiça em decisão inédita, mas não inesperada, considerou que não há como considerar criminosa uma conduta que tenha como base a ofensa a outrem por sua cor de pele quando o alvo da injúria for um indivíduo branco . Não fazendo críticas à corte ou a sua decisão, posto que, na democracia atual, qualquer cidadão que ouse fazê-lo é considerado um conspirador que pretendo derrubar o Estado Democrático de Direito e ameaça as instituições, mesmo que com palavras, pois bolas de gudes seriam, quem sabe, consideradas como armas de uso restrito, o que pretendemos analisar são as possíveis consequências de tal decisão judicial. Em um primeiro momento, faz-se necessário explicar o quão abrangente é uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, órgão que figura no topo da chamada justiça comum, de forma que, tem como missão central o julgamento de recursos advindos da Justiça Federal e da Justiça Estadual, sendo, portanto, um tribunal único para todo o Brasil, por mais que existam subdivisões em seu corpo, as chamadas turmas. O Judiciário à exceção do Supremo Tribunal Federal, divide-se em justiça comum e justiça especializada, de forma que, os processos de cunho eleitoral, trabalhista e militares, somente nos casos das Forças Armadas, não correm o risco de serem analisados pelo STJ, pois, como órgão da chamada justiça comum, está afetos aos processos que não tramitam na justiça especial, composta pela Justiça Eleitoral, Trabalhista e Militar, as quais possuem seus próprios tribunais superiores. O Supremo Tribunal Federal é, portanto, a única corte que pode receber processos de qualquer natureza, desde que arguida violação à Constituição e o interesse geral. O STJ, por sua vez, pode ser considerado o topo, quando não há questões constitucionais em jogo e, o que merece especial atenção, pode rever as decisões dos tribunais federais e estaduais. Um ponto importante a ser mencionado é a impossibilidade das decisões do aludido tribunal superior em editar as chamadas súmulas vinculantes, que, a despeito das críticas em relação ao instituto, prometem dar maior segurança jurídica e celeridade aos processos que tratem de assuntos já enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que, exercendo uma força análoga à lei, vinculam as decisões dos juízes e tribunais de todo o Brasil a reconhecerem um posicionamento da Corte Constitucional como preceito legal, julgando em consonância ao entendimento do STF. O Superior Tribunal de Justiça não possui tal prerrogativa, entretanto, é capaz de editar súmulas sem o efeito vinculante e orientações judiciais, sendo necessário pontuar que, diante da segurança jurídica, se é que o Brasil ainda possui alguma, as decisões do STJ devem ser observadas no âmbito da análise jurisprudencial, podendo ser invocadas por partes, pelo Ministério Público, em seus pedidos, ou pelos magistrados quando emitirem seu julgamento. Ao considerar que não há injúria racial quando a ofensa for direcionada a um branco, o Superior Tribunal de Justiça reconhece a famigerada tese que não há “racismo reverso”, termo que deveria ser rejeitado, acolhendo uma narrativa que o racismo é algo estrutural e só pode ser aplicado quando, em uma determinada sociedade, há uma relação de poder e opressão histórica entre uma “raça” e outra. Sendo assim, o branco não seria merecedor da proteção estatal, pois sua “vantagem” natural não permite que seja vítima de uma ação movida pelo ódio. O termo racismo reverso não merece aceitação, pois, assume que o racismo tem um curso natural e que o sentido contrário é uma exceção tolerável, como se fosse uma espécie de revanche permitida, uma visão complexa que colocaria todas as pessoas em profundo risco, uma vez que, justificaria inúmeras guerras, face às ocorrências históricas que se um determinado grupo poderia reaquecer no intuito de expropriar ou mesmo dizimar outro. Ao assumir que somente um grupo merece a proteção legal quando é vítima de um ataque desprezível por conta de sua cor de pele, etnia, religião ou qualquer outro fator, dar-se a tal grupo o poder de vilipendiar os demais em sua busca por vingança histórica, único termo adequado a uma revanche baseada em capítulos ultrapassados, desconsiderando o cenário atual e, em boa parte dos casos, a participação de ancestrais daqueles que se tornaram objeto de ódio na mudança alcançada para libertar aqueles que deram origem às alegadas vítimas. Se por um lado, havia brancos que mantinham negros na qualidade de escravos, também existiram brancos que lutaram avidamente pela abolição, assim como, houve negros que mantinham ou comercializavam escravos, de maneira que, açoitar os descendentes dos brancos que em nada participaram no processo de escravidão ou, ainda pior, daqueles que lutaram para o fim de tão nefasta prática , é uma revanche doentia contra destinatários errados, bem como, dar aos descendentes dos negros que outrora se valeram da escravidão é de uma injustiça abissal. Há quem argumente, em favor do alegado racismo estrutural, que a herança histórica de negros e brancos não está ligada a descendência, mas da forma com que a sociedade trata os indivíduos, no cenário atual, pela cor de pele, o que jamais justificaria as chamadas políticas afirmativas, uma vez que, ao impor regras que beneficiam uma alegada minoria em detrimento daqueles que não se enquadram naquela, acentua-se a diferença entre os indivíduos, evidenciando-as ainda mais, o que, por óbvio, aumenta a divisão entre os indivíduos e a categorização destes. A decisão do Superior Tribunal de Justiça, inserindo um sentimento na norma que não é possível perceber através de sua leitura, pois há uma visão ideológica por trás de tal hermenêutica, resulta na descriminalização da injúria racial quando a ofensa se direcionar àqueles que o Estado decidiu, através da convicção de magistrados, relegar ao abandono, sem, contudo, deixar de se alimentar de seu suor ou libertá-lo do chamado contrato social, impedindo a autotutela ao passo que os nega a tutela estatal. Se em um primeiro momento, o racismo é visto, com toda razão, como algo a ser combatido, não há como permitir ou, até mesmo, incentivar que determinado grupo seja alvo de uma ação tão abjeta, portanto, não faz sentido descobrir quem quer que seja da proteção em relação a tal prática, exceto se o objetivo for, justamente, permitir que aqueles, que outrora se diziam vítimas de tais crimes, possam se valer da proteção estatal para promover o seu próprio racismo em uma jornada doentia na qual a vítima foi condenada por sua cor de pele. Podemos concluir que o Estado permitiria um confronto no qual exige-se de um dos lados abstenha-se de usar armas, mesmo ciente de que seu adversário as usará, fazendo com que, em um movimento natural de autodefesa, aquele que está proibido de se opor a qualquer ação do agressor busque evitá-lo, segregando ainda mais os grupos. Isso significaria que o Estado decidiu que um grupo de pessoas, o qual a narrativa rotulou como naturalmente favorecido, não merece proteção contra a ofensa e demais agressões em razão do ódio racial. Aos que, por ventura, acreditam que a decisão do Superior Tribunal de Justiça se restringe ao caso concreto, far-se-á necessário um exercício simples de lógica, pois, se o tribunal que pode reformar decisões advindas dos juízes e tribunais que apreciam as acusações em relação aos crimes de injúria racial, agasalhou a tese que não protege um determinado grupo, naturalmente, o cidadão médio, e os juristas, assumirão que quaisquer condenações de igual natureza serão reformadas em sede de recurso, extinguindo assim a proteção do grupo o qual o Judiciário perece não nutrir a preocupação. No mesmo sentido, se o conceito de injúria racial, retorcido pelo STJ não se aplica quando o destinatário da ofensa for indivíduo branco, igualmente, o crime de racismo passa pela mesma alteração, de forma que, não só a ofensa, mas qualquer tipo de prática abjeta em razão da cor da pele contra aqueles que o Estado decidiu não mais resguardar, tornar-se-á legítima e, portanto, passível de incentivo. Não sendo crime a prática do racismo uma vez dirigida aos brancos, como impedir que atuação de uma organização que dissemine ou patrocine o ódio. Resta evidente o risco de que a decisão resulte na autorização para que qualquer um sofra aberta discriminação em razão de sua cor da pele, desde que seja banco, algo que, como mencionado, não era inesperado, posto que, além da política de cotas raciais, que possuem um condão discriminatório e busca igualar, artificialmente, as condições de acesso à educação e, invertendo valores, a cargos públicos, por mecanismos que subvertem o processo de seleção, criando atalhos para, supostamente, compensar um desequilíbrio que não é factual, sendo considerada apenas a cor da pele. As políticas que alegam defender minorias apenas agravam o distanciamento entre os grupos intitulados pela narrativa como antagônicos, fazendo com que os tocadores de berrante, que se declaram representantes destas minorias se invistam de poderes e imunidades cada vez maiores. O reconhecimento dos movimentos identitários e os privilégios que lhes são conferidos permitem que desequilibrem ao seu favor a balança da justiça, fazendo com que suas lideranças tenham meios de subjugar qualquer um que considerem como alvos e exijam a gratidão de seus vassalos, afirmando que conquistaram algo para o grupo. O flagrante desequilíbrio trazido pela Lei Maria da Penha fez com que muitas mulheres abusassem de seus privilégios para promover vinganças passionais e expropriações , entretanto, resultou no surgimento do movimento autointitulado como Red Pill que, segundo seus membros, prega o desapego da relação como forma de se defender das mulheres que, influenciadas pelo feminismo, usam de sua suposta desvantagem para constranger seus parceiros das mais diversas formas. Ao se afastarem de relações estáveis, os membros do Red Pill, buscariam a proteção através do distanciamento, haja vista que, se não constroem um relacionamento não podem ser alvo de normas feministas que tratam os homens como um lado da relação que deve ser combatido. De fato, as políticas implantadas através da Lei Maria da Penha causam a natural impressão de que o objetivo estatal é criminalizar o homem toda vez que se relaciona com uma mulher. Não por acaso há todo um sistema penal feminista como delegacias e juizados especializados, o que gera constantes alertas, de profissionais do Direito, quanto a subnotificação, ou mesmo, a inércia total quando se trata de notícia falsa de crime. Não obstante, em um episódio no qual uma empresa ofertava vagas de emprego apenas para negros , a estrutura estatal considerou que se tratava de ação afirmativa válida, o que é justo uma vez que o próprio Estado, através de sua política de cotas, segrega pessoas pela cor de pela, entretanto, ninguém seria louco de propor o contrário, pois, ao ofertar vagas apenas para brancos, fatalmente os órgão estatais agiriam com considerável rigor, além de uma possível comoção social. Frise-se que tal proceder, provavelmente, seria reprovado pela maior parte dos indivíduos de pela branca, logo, dever-se-ia esperar que a recíproca fosse verdadeira, mas tudo indica que não é. Avançando ainda mais, convidamos o leitor a um exercício de futurologia com base lógica, portanto, necessário, tendo em mente que, recentemente, uma conhecida cantora decidiu alterar a letra de sua própria música por uma possível conversão ou qualquer outro motivo, substituindo o nome de uma divindade de religião de “matriz africana” por Yeshua, a versão em hebraico do nome Jesus, o que resultou na insatisfação de praticantes da religião de “matriz africana”, o que é um lamento compreensível, mas, de forma aterradora, o Ministério Público do Estado da Bahia recebeu uma reclamação e decidiu investigar a alteração da letra por parte de sua intérprete. O aparato estatal partiu da premissa que a atitude da cantora poderia ser considerada uma ofensa religiosa e, ainda mais grave, a mídia mainstream aproveitou a oportunidade para emplacar a narrativa do racismo religioso , termo que é utilizado até na página da Agência do Senado, de forma preocupante, associando religiões de “matriz africana” aos negros. Não é difícil imaginar os próximos passos da agenda, que, ao que tudo indica, autorizará, ainda mais, o vilipêndio religioso quando o alvo se tratar de uma religião que seja associada às pessoas de pele branca, logo, permitir-se-á a destruição de templos cristãos e judeus, bem como, ataques diretos a tais crenças (que já são ignorados) e seus praticantes em razão de sua fé. Se religiões de “matriz africana” podem ser associadas aos negros, em que pese muitos brancos as pratiquem, o que é totalmente válido, e as religiões como o judaísmo e o cristianismo, seja o catolicismo ou protestantismo, são associadas aos brancos, ignorando o considerável número de negros que as professam, podemos, por analogia, assumir que ataques às religiões “brancas” serão solenemente ignorados pelo Estado, o que leva a crer que a estrutura estatal, a despeito da vontade popular, poderia decidir que a República Federativa do Brasil, outrora disfarçada de laica, não verifica empecilhos para que se revele como um Estado que não abriga os brancos, tampouco as religiões a eles associadas, portanto, uma nação “racista”, mas só contra os brancos, e anticristã. Os desdobramentos da decisão, que não podemos criticar, permitiria ao Brasil alcançar o que atualmente está em curso na África do Sul, país em que o famigerado regime de Apartheid perdurou até 1994, fazendo com que o ressentimento dos negros para com os brancos seja recente e, por isso, mais fácil de ser explorados por lideranças políticas, o que levou a uma explosão de ódio racial em que o Estado pretendia expropriar os brancos , houve um recuo diante de ameaças dos EUA, e movimentos racistas alimentam o ódio com discursos que exigem uma reparação histórica ainda que violenta, dando origem ao mote “mate um fazendeiro branco”, frase encarada com normalidade, em que pese o dito “fazendeiro branco” seja cidadão sul-africano e, nem todos tenham participado ativamente das segregações da era do Apartheid. O ditador Robert Mugabe, do Zimbábue, pregando o mesmo discurso de expropriação dos brancos , destruiu a economia do país e o transformou em um dos lugares mais inóspitos do mundo, entretanto, apesar de as ações da ditadura zimbabuense tiveram início na penúltima década do século passado, a África do Sul parece não ter aprendido com seus erros e promove ações de ódio aos brancos, pois, seu governo aponta um grupo como culpado pelas mazelas que, na verdade, o socialismo africano é o único responsável. Não por acaso, o Zimbábue é governado pela União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU), partido fundado por Mugabe, até os dias atuais, enquanto a África do Sul, desde o final do período do regime de Apartheid, é governada pelo Congresso Nacional Africano, sendo comum a ambos o socialismo africano e o chamado anti-imperialismo. O socialismo africano aproveitou-se do sentimento de revanche em relação ao período colonial para assumir o poder em diversos países daquele continente, por tal razão, precisa manter tal sentimento aflorado na população negra, de maneira que, sempre que possível, os líderes socialistas na África atribuirão aos brancos e as forças externas as mazelas que se abatem sobre suas nações, iludindo e surrupiando o povo, mantendo-o na pobreza para que não sejam depostos do poder e possam suplicar por ajuda estrangeira, mesmo que seja daqueles países que alegam odiar, em especial os EUA. A desumanização de um grupo, atribuindo-lhe culpa pelas mazelas sociais e direcionando a ira popular contra ele, foi o método adotado pelo Nacional-socialismo para expropriar e dizimar os judeus, ódio que parece muito vivo no discurso atual da esquerda pró-Jihad, ávida defensora de grupos como o Hamas e o Hezbollah. O antissemitismo ainda é reprovado pela maioria do ocidente, talvez pelas memórias do holocausto, contudo, a agenda anticristã avança a passos largos e pode alcançar o seu ápice com a descriminalização da intolerância religiosa em relação às religiões trazidas pelos europeus para o continente americano, de maneira que, ataques, como os que ocorrem na África subsaariana, atualmente encoberto pela mídia mainstream, contra os cristão, nos quais ocorrer assassinatos, estupros e raptos de meninas para se tornem escravas sexuais sejam incentivados no Brasil, pois, se podemos tolerar o ódio racial contra brancos e “sua fé”, podemos admitir promoção e até a prática de agressões a tais grupos. O povo brasileiro ainda poderia ter a esperança de que o Suprem Tribunal Federal tenha um entendimento diverso do Superior Tribunal de Justiça, haja vista que, trata-se de uma questão que pode ser discutida à luz dos direitos fundamentais, entretanto, acreditar em algo em tal sentido é quase um delírio, justamente, por conta das constantes manifestações dos Ministros do STF em relações à temas políticos, deixando evidente o posicionamento da corte. Não há como ignorar que as posturas adotadas pelo Estado podem naturalizar práticas de racismo e intolerância religiosa de forma unilateral, sendo importante ressaltar que a Lei Maria da Penha e a criação judicial dos crimes de homofobia e transfobia, já se prestam a proteção unilateral de grupos, não os responsabilizando caso assumam a postura que a não podem ser alvos contra outros grupos ditos privilegiados, de maneira que, a lei e a “norma” editada pelo STF, faculta aos seus protegidos perpetrarem condutas que contra eles próprios, o Estado considera gravemente reprovável. Ao final, políticas desprezíveis, que buscam segregar indivíduos para readaptar a luta de classes, acabam por desprezar parte da humanidade tão somente para que seus líderes alcancem e se mantenham no poder. A proteção unilateral tem como consequência inevitável o abuso da lei por parte dos privilegiados, o avanço do autoritarismo estatal e a segregação daqueles que se rotulou como alvos da revolução. Aos que se consideram oprimidos é prometida a chance, não de se libertarem, mas de se vingarem dos supostos opressores. Aos que são acusados de serem os opressores, será imposto o martírio ou que se dobrem diante das lideranças políticas para que tenham proteção. Aos tiranos interessa o caos que o Estado promove prometendo solucionar, pois assim as promessas nunca cumpridas os garantirá a permanência no poder. Ao fustigar o ódio sem reprimendas, o Estado acabará por aumentar a segregação, fazendo com que movimentos análogos ao Red Pill tornem-se uma regra, de maneira que, brancos evitaram manter relações de quaisquer tipos com negros e heterossexuais façam o mesmo com homossexuais e outros, não por ódio, mas por receio de acusações e agressões que não serão punidas, adotando uma postura defensiva radical por medo de perseguições estatais alimentadas por lideranças que prometeram apoio político em troca da destruição de seus opositores. Atualmente, o STF decidiu estender a proteção da Lei Maria da Penha para homens gays, bissexuais, transexuais e intersexuais, o que leva a crer, ao menos em uma leitura superficial, que o Estado decidiu, pela via judicial de forma a suprimir os representantes do povo eleitos, que apenas homens heterossexuais devem ser desprezados, pois, trata-se de um grupo que não merece a proteção legal, mesmo que a Lei Maria da Penha, que errou ao restringir a proteção apenas às mulheres, tenha excluído qualquer homem de seu alcance, entretanto, o Judiciário, escolheu que somente os homens heterossexuais são seres que merecem o abandono por parte do aparato estatal, sem, contudo, deixar de cobrar-lhes os devidos tributos. Assumindo tal premissa, poder-se-ia concluir que Estado, para aqueles que despreza, se tornou uma divindade que exige tributos e adoração e promete tão somente açoites e humilhações, um divino crápula que odeia parte de seu próprio povo. Aos que não gozam do “amor estatal”, restará lutar pela mudança ou uma vaga em um campo de concentração, reeducações ou qualquer nome que desejem rebatizá-lo. Resta saber se as políticas públicas seguem tal rumo por erro ou se há um plano para que animosidades aflorem e os líderes revolucionários se aproveitem do caos que plantaram. Tal conclusão fica por conta do leitor. Ao final, por mais que o Estado e a sociedade, por força de uma ideologia desprezível deseje abandonar aqueles que considera como alvos, e ainda, causar-lhes mal, guardemos a fé e nunca seremos, de verdade, desprezados. “ Coragem! E sede fortes. Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha à vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará” . Deuteronômio, 31:6 . Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867
- Meu pãozinho de cada dia
O glúten, uma proteína presente no trigo, centeio e cevada, tem sido uma parte essencial da dieta humana por milênios. O pão, em particular, é um alimento sagrado em várias culturas, especialmente no cristianismo, onde simboliza o corpo de Cristo na Eucaristia. Contudo, nas últimas décadas, o glúten passou a ser visto como um vilão, culpado por uma série de problemas de saúde. Uma das teorias sugeridas é que o glúten foi modificado geneticamente, o que aumentou sua toxicidade e sua capacidade de causar doenças como a sensibilidade ao glúten não celíaca e a doença celíaca. Estudos indicam que as práticas agrícolas modernas e a produção de trigo de alta produtividade resultaram em um aumento nos níveis de glúten em nossos alimentos. Mas por que essa mudança? Há quem acredite que a modificação genética do trigo foi simplesmente uma resposta à crescente demanda global por alimentos, buscando grãos mais resistentes e produtivos. No entanto, essa manipulação também pode ter alterado a estrutura do glúten, tornando-o mais difícil de digerir para algumas pessoas. Aqui, a narrativa adquire um toque intrigante. Será que essas mudanças foram puramente acidentais ou houve algum propósito oculto? A ideia de que há uma conspiração para desacreditar um alimento tão central ao cristianismo pode parecer fantasiosa, mas não deixa de adicionar uma camada de mistério à história. O pão, um símbolo de vida e sacralidade, agora é visto por muitos como uma ameaça à saúde. Seria isso um golpe intencional contra um símbolo religioso tão poderoso? Ou estamos apenas lidando com as consequências não intencionais de avanços tecnológicos na agricultura? Pão em Diversas Culturas e Religiões O pão tem uma presença marcante e significativa em várias culturas e religiões ao redor do mundo. Vamos explorar algumas delas: – Judaísmo: No judaísmo, o pão também é um alimento fundamental e sagrado. Durante o Shabat, os judeus tradicionalmente partem dois pães chamados challah. O Matzá, um pão sem fermento, é comido durante a Páscoa judaica para lembrar a fuga apressada dos judeus do Egito, onde não houve tempo para o pão levedar. – Islamismo : No Islã, o pão é um alimento básico e possui um profundo respeito. Em muitas sociedades muçulmanas, é considerado um símbolo de sustento e generosidade. O pão é frequentemente compartilhado durante o Ramadã, o mês sagrado do jejum, e outros eventos religiosos. – Hinduísmo : Na cultura hindu, o pão na forma de chapati ou roti é um componente essencial das refeições diárias. Esses pães são feitos sem fermento e simbolizam simplicidade e nutrição. Além disso, na tradição hindu, oferecer alimentos, incluindo pão, aos deuses durante rituais é uma prática comum. – Budismo : Embora o budismo não tenha um símbolo específico associado ao pão, alimentos simples como o pão têm um papel importante nos mosteiros e templos budistas, onde a vida é marcada por práticas de simplicidade, meditação e autossuficiência. Os monges muitas vezes dependem de doações de alimentos, incluindo pão, da comunidade local. – Culturas Ocidentais Laicas : Nas culturas ocidentais laicas, o pão ainda mantém uma presença forte e simbólica. Ele é frequentemente associado a hospitalidade e conforto. Frases como “ganhar o pão de cada dia” sublinham a importância do pão como símbolo de trabalho e sustento. – Culturas Indígenas da América do Sul : Em algumas culturas indígenas da América do Sul, pão feito de farinha de mandioca, como a tapioca, tem um papel significativo na dieta. Embora a mandioca seja diferente do trigo, o conceito de um alimento básico à base de grãos se mantém. Enquanto cientistas e nutricionistas continuam a debater as causas exatas dos problemas relacionados ao glúten, a realidade é que ele continua a ser um tema controverso e fascinante. Seja pelo impacto das modificações genéticas ou por um mistério maior, o glúten e sua relação com a saúde humana permanecem uma saga em evolução. Assim, o pão, em toda a sua santidade e controvérsia, continua a ser um alimento que alimenta não apenas o corpo, mas também a mente, suscitando questões sobre tradição, ciência e fé. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867
- A trama da redução populacional – Parte 2
No artigo anterior falamos sobre como se deu a disseminação de ideias de redução populacional, começando com Thomas Malthus e atravessando toda a história através de intelectuais eugenistas, feministas e afins. Hoje, apresentarei ao leitor documentos de conferências climáticas que comprovam o que já falamos: o homem é o “carbono” que eles querem eliminar. Tratar de redução populacional pura e simplesmente assusta; embora frases como “pobres não devem ter filhos” fossem comuns até o fim da Segunda Guerra, a ideia nunca deixou de existir. Contudo, as atrocidades cometidas pelo Partido Nazista fizeram com que o discurso adquirisse uma nova roupagem: devemos ter menos filhos para proteger o planeta. Isso começou com o Relatório Iron Mountain, um documento publicado em 1967 que dizia que a guerra desempenhou funções fundamentais na nossa sociedade, permitindo coesão social e conferiu ao governo uma forte influência sobre a economia; contudo, a guerra cumpriu seu papel, não sendo mais possível a sua utilização. É aí que entra a militância verde. Conferência de Estocolmo O primeiro encontro ambiental foi a Conferência de Estocolmo , em 1972. Logo no início, percebe-se que vidas humanas valem menos do que a natureza: “Assim, os países em desenvolvimento devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento, tendo presente suas prioridades e a necessidade de salvaguardar e melhorar o meio ambiente.” “O crescimento natural da população coloca continuamente, problemas relativos à preservação do meio ambiente, e devem-se adotar as normas e medidas apropriadas para enfrentar esses problemas.” “A defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu na meta imperiosa da humanidade…” Um dos principais objetivos da Conferência é a instituição de uma Nova Ordem Econômica Internacional, inclusive com abertura de fronteira de países desenvolvidos (com o fim da soberania nacional). No mesmo ano, um relatório intitulado “Limite ao crescimento?” , patrocinado pelo Clube de Roma . Embora hoje esteja totalmente desacreditado, foram vendidas 12 milhões de cópias e traduzido para 30 línguas na época, causando um estrago, difundindo ideias de que o crescimento populacional destrói a produção agrícola. E com isso, alimentando a ideia de redução populacional ao dizer “A humanidade não pode continuar a proliferar” . ECO 92 Vinte anos depois, foi a vez do Rio de Janeiro sediar sua própria conferência, que ficou popularmente conhecida como Eco 92. Esta produziu documentos que mostram escancaradamente que o homem deve deixar espaço para a natureza. Vamos a alguns de seus “princípios” : PRINCÍPIO 1 : “(Os seres humanos) Têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza.” PRINCÍPIO 8 : “… os Estados devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e consumo, e promover políticas demográficas adequadas.” (o Estado decide o que você irá consumir). PRINCÍPIO 11 : “Os Estados adotarão legislação ambiental eficaz.” PRINCÍPIO 12 : “Devem ser evitadas ações unilaterais para o tratamento dos desafios internacionais fora da jurisdição do país importador” (ou seja, adiós soberania). PRINCÍPIO 16 : “As autoridades nacionais devem procurar promover a internacionalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos” (problemas “globais”, responsabilidade e custos globais). PRINCÍPIO 17 : “A avaliação do impacto ambiental, como instrumento nacional, será efetuada para as atividades planejadas que possam vir a ter um impacto adverso significativo sobre o meio ambiente e estejam sujeitas à decisão de uma autoridade nacional competente.” (centralização de poder). PRINCÍPIO 26 : “A paz, o desenvolvimento e a proteção ambiental são interdependentes e indivisíveis.” O culto a natureza É possível que o leitor pergunte: qual a ligação destes relatórios com um combate contra o crescimento populacional? A princípio, parece uma manobra inofensiva, onde a ONU e seus tentáculos tentam proteger o meio ambiente, mas quando colocamos uma “lupa” por cima, vemos como que uma marca d’água sob o ambientalismo: o culto a natureza. “ Mas isso é coisa dos tempos dos celtas” , pode questionar o leitor; infelizmente, não. O culto a Gaia, a Mae-Terra é algo que está profundamente entrelaçado na política ambiental. E com o culto a Terra, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, torna-se algo abjeto e digno de ser eliminado. Vários documentos destacam que problemas concernentes ao meio ambiente só serão resolvidos se houver uma “espiritualidade global”, desde que o cristianismo não atrapalhe o processo. Vejam trechos de alguns documentos que tratam do assunto: “...o encontro entre as religiões terá como resultado as suas próprias mudanças, modificações ne reconsiderações. Não quer dizer que cada fé tentará se justificar junto às outras, mas desse engajamento nascerá uma nova fé (...) é preciso, ao menos, temporariamente, aceitar fazer uma abstração (negação) de suas próprias crenças.” (Conferencia de Copenhague). “ Mais que seus mestres, somos os servidores da natureza, pois é ela que alimenta, ao mesmo tempo, nossos corpos e nossos espíritos, que irriga nossas veias e nosso imaginário” (Federico Mayor, diretor geral da Unesco). “ O teólogo católico Teilhard de Chardin havia destacado: ‘O destino da humanidade, bem como o da religião, depende da emergência de uma nova fé no futuro’” (Al Gore, “Salvar o planeta Terra). “ A vitória do cristianismo sobre o pagamismo constitui a maior revolução física da história da nossa cultura (…) Particularmente na sua forma ocidental, o cristianismo é a religião mais antropocêntrica que apareceu (…) Mais ciência e tecnologia não nos fará escapar da crise atual, a menos que encontremos uma nova religião ou repensemos a antiga (…) a crise ecológica, portanto, agravar-se-á, enquanto não pudermos rejeitar o axioma cristão, segundo o qual a frazão de ser da natureza é a de servir ao homem” (Revista Science). “ Seria preciso dar prioridade ao não-material e mudar a escala de valores. Foi-se o tempo em que as igrejas comandavam as necessidades espirituais e faziam reinar uma moral específica” (Clube de Roma). “ A cultura judaico-cristã, assim como as bases indo-germânicas sobre as quais ela se funda, devem ser remodeladas (…) é-nos preciso uma nova ordem de beneditinos” (Bahro). “ Seria uma religião sque comportaria uma missão naciona: salvar o planeta, civilizar a terra, efetivar a unidade humana e salvaguardar sua diversidade (…) Seria uam religião sem deus, mas onde a falta de deus revelaria a onipresença do mistério (Edgar Morin, Anne Brigitte Kern). “ O conceito de floresta sagrada é totalmente estranho ao cristianismo e à ética ocidental. Durante aproximadamente dois milênios, os missionários cristãos derrubaram as florestas sagradas, idólatras, pressupondo que lá estavam os espíritos da natureza” (Revista Sience). É importante saber contra quem estamos lutando; não me refiro a homens engravatados do mais alto escalão da elite mundial; refiro-me aos espíritos malignos que atuam neste mundo (incluindo nestes mesmos engravatados), induzindo a humanidade a fazer o mesmo que Eva: negar a soberania de Deus para satisfazer seus próprios caprichos e devaneios. Quando se retira Deus da equação, o fracasso é certo; mas parece que, desde a queda, ainda não aprendemos. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867
- O roubo de nossas riquezas naturais
Há uma grande discussão e para além disso um grande movimento nacional sobre o roubo de nossas riquezas naturais. De um lado pessoas reclamando que nossos maiores tesouros estão sendo tirados do seu lugar próprio e levados para proveitos outros. De outro, pessoas querendo esconder por seu interesse pessoal os prejuízos de sermos lesados em nossas riquezas naturais, pois são elas que nos dão sustento e poder como, país, estado e nação. Mas surge uma pergunta: Quais seriam nossas riquezas naturais? Aquelas que nos permite expressar nosso poder máximo em tudo que somos. Se perguntarmos para maioria dos Brasileiros nós teremos vários níveis de resposta. Uns dirão que são nossos minérios – sejam quais forem – outros dirão que é nossa terra, história, fauna, flora, nossas descobertas na área da botânica, em fim, de fato todos esses itens têm sua importância e valor. Sabemos que a explicação desses itens materiais são um fato, mas o que nos trouxe até aqui? Um exemplo é a família; o que faria uma pessoa não valorizar tamanha riqueza como a família? Seu trabalho, religião, amigos… Sabemos que esses são elementos de valor inestimável, mas, por que não se dá o devido valor? Podemos pensar que para se enxergar os reais valores dos elementos de nossas riquezas naturais é preciso ter no mínimo nível intelectual e também moral. Um belo exemplo é o fato que só quem recebeu formação para um determinado Campo do conhecimento pode dar o devido valor. Após esta exposição do nosso momento histórico, quero lançar uma reflexão, pois há um erro de consideração importante nessa linha decadente da lei dos ciclos e é o que de fato nos leva a ser uma sociedade tão materialista que nem se quer consegue enxergar nossas verdadeiras riquezas naturais, pois riqueza natural é aquela riqueza que nos é própria. Esse texto traz uma pequena reflexão sobre o que pode causar um erro de conceito. Por sermos tão materialistas nós não nos damos conta de que o que vivemos agora é um sintoma de algo mais profundo e que reside em que, se perdemos nossas riquezas materiais é por que antes perdemos nossas riquezas espirituais e aí está a raiz do problema; aí está o porquê de alguns grupos trazerem propostas que nos afastem cada vez mais dos nossos valores mais sutis. Penso que até essas linhas já é possível perceber que o que chamamos de nossas riquezas naturais, na verdade não são. Então, o que seriam estas riquezas? Estariam realmente nos roubando? Seria isso possível? Quando citei os itens escritos no início do artigo, eu quis na verdade apresentar as riquezas de nossa terra, nosso país e não como sendo nossas aquelas riquezas pois delas só temos algum conhecimento, e se usamos, devemos fazê-lo de acordo com nossas reais necessidades e não pô-las a serviço de nossos interesses. Resgatemos então, nossas reais riquezas naturais? Pois, se ricos formos de elementos naturais, tudo a nossa volta será acrescido de sua própria riqueza devidamente. (Mat. 6:33) Minério, fauna, flora, etc... São coisas que a terra nós dá como elemento que vem de dentro, de sua natureza ou essência. E quanto a nós, quais elementos nós oferecemos ao mundo? Creio que já dá pra concluir que escrevo a respeito de nossas virtudes, pois são elas que constituem nossa verdadeira natureza, nossa essência. Em vias de conclusão, deixo claro que não será possível termos este tão sonhado mundo novo e melhor se antes não resgatarmos o que nos foi tirado ou foi por nós negociado, e antes de termos, sermos portadores dos elementos que promoverão este mundo novo e melhor. Está claro que nossa sociedade está cada vez pior pela falta desses elementos morais, éticos, estéticos e metafísicos. Há que focar em estabelecermos primeiro em nós e promover ao próximo esta consciência humana que irá reger nossa caminhada no rumo do nosso feliz destino. Se entregarmos este país nas mãos de homens e mulheres com o caráter espiritual devidamente formado, estaremos livres de todas as ameaças que sofremos hoje. “ Levantemos templos as virtudes, pois elas serão o sol que lança fora toda a treva da ignorância e por fim da decadência”. Que Deus abençoe nossa jornada! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 12 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867
- O exacerbo da depressão e ansiedade
Ambas as doenças psicológicas sempre foram presentes na sociedade, visto que podem ser causadas por problemas bioquímicos no cérebro, em neurotransmissores e afins, sendo uma doença “comum”, algo no corpo deixando de funcionar como deveria. Entretanto, são doenças que hodiernamente estão mais presentes, com causas majoritariamente psicológicas, e não pela má produção de algum hormônio. Dito isto, excluindo os casos meramente corporais, os quais sempre acontecerão, pois imprevistos e mal funcionamentos em nossas células sempre ocorrerão, visamos os casos cujo se concretizam através do indivíduo. No primeiro momento, lidamos com a responsabilidade, este que é um dos maiores fatores para o produto depressão, quando não é dada da forma adequada. Para falar disto, devemos falar primeiro da geração anterior ao que será usada como referencial, ou seja, classificarei a minha geração (entre seus dezessete e vinte anos) como terceira, os pais desta como segunda e assim sucessivamente para a primeira. A primeira geração e seus antepassados, eram uma sociedade baseada em valores, os quais jamais teriam vergonha de ser “privilegiado”, e sim, orgulho dos seus pais, avós, bisavós, que se dedicaram tanto para criar algo sólido para a família, tendo o dever de, no mínimo, manter o legado para a próxima geração, portanto, tinha-se a compreensão que nada vem de graça, e que nem todo sucesso foi conquistado às custas do fracasso de outrem, não era uma vergonha se esforçar, almejar algo adiante, não podendo ser confundido ambição com ganância. Destes, criaram-se a segunda geração, a qual por já ter influência de progressistas na escola, fora do círculo familiar, agendas superlotadas, as quais diminuíam o contato dos pais com seus filhos, estes perderam tais valores, iniciando uma mentalidade de que o mundo deveria ser perfeito para ele, sendo uma geração frustrada, a qual passou isto adiante, de uma forma contraria. Quando a segunda geração teve filhos, os quais as escolas já estavam, basicamente, tomadas por esquerdopatas, o sentimento de que o mundo deveria ser perfeito para o indivíduo apenas aumentava, os pais comungavam do mesmo ânimo, estes que pensavam “Como assim meu pai não me deu um carro quando fiz dezoito anos? Que absurdo, é um ultraje passar por isso”, partindo disto, davam para os filhos tudo aquilo que não receberam na infância, em forma de lidar com a frustração. O produto destes fatores, nada mais é, do que uma geração a qual não sabe a dificuldade de consolidar algo, como mencionado no meu texto exclusivo da Revista Edição Especial 1 , acreditam em uma chave para tudo aquilo que querem simplesmente cair do céu, basta virá-la na fechadura. Partindo deste princípio podemos abordar a responsabilidade mencionada, visto que, alguém que não necessariamente tinha condições para suas cobiças, muitas vezes seus pais entravam em dívidas para bancar os “sonhos” de seus filhos, pois estes se viam frustrados e não queriam passar este “trauma” adiante, fazem com que este jovem não saiba abdicar nada, muito menos ter sapiência do que é realmente responsabilidade. E onde a depressão e ansiedade entram? Simples, seus pais não são eternos, e com um jovem deste, nem mesmo seu legado será – caso estes em algum momento tenham criado algum – portanto, o mundo visto pelo indivíduo mimado, é um mar de rosas, rosas as quais o ser não faz-se hábil para vislumbrar os espinhos perante vossas ondas, entranhando-se nestas. De forma mais prática, ao sair da aba de seus pais, tanto por casar-se e ir morar com seu cônjuge, ou pela morte dos genitores, o indivíduo se vê de frente à barreira chama responsabilidade, pois este agora deverá abanar seu próprio carvão – como dizem os mais sábios – isto é uma grande causa da depressão, uma vez que antes o sujeito poderia até trabalhar, mas não detinha em suas costas problemas sem soluções, pois mesmo que houvessem adversidades, teria alguém para resolvê-los em seu lugar. Abdicar do lazer, ou daquilo que almejava, para dedicar-se à resolução de algo, tanto o tempo, quanto monetariamente, era algo que não ocorria, todavia, tornou-se necessário, o que diminui a produção de serotonina, pois não terás o fim de semana para lazer, nem poderá gastar 80% do seu salário como bem entender, as rédeas de uma família precisa ser tomada, o que agrava o problema quando a pessoa já tem filhos, pois estes precisam sim de responsabilidade, mas de forma gradual, pais que não tomem as rédeas dos problemas criaram um problema similar ou que os pais cujo tomavam as rédeas até demais, também criaram. Isto é, retornando a segunda geração, alguns não enfrentavam o “trauma” de não ter recebido tudo na infância dando o do bom e do melhor para seus filhos, mas apenas, não lidam com as consequências de seus atos, deixam apenas um dos pais para criar da criança, deixam com os avós, e em casos mais torpes, a criança desde nova receberá uma enorme responsabilidade, o que pode criar alguém forte, ou desestabilizar completamente o infanto, e mesmo que não o faça, ainda deixará sequelas, ou ao menos sem um norte de como restituir uma família. Tendo o lado da responsabilidade explícito, vale aprofundar-se em como a escola e a necessidade de “títulos” afasta o filho de seus pais, problema mencionado na diferenciação da terceira para segunda geração. Atualmente, faz-se necessário mais do que apenas um ensino médio, muitas vezes, nem pessoas com ensino superior conseguem emprego, precisando de um vasto currículo para um emprego bom, ou contatos, os quais normalmente só serão apresentados ao indivíduo caso esta naturalmente esteja numa “casta” alta da sociedade. Isto é, a criança vai para a escola e passa a tarde em casa, provavelmente longe de seus pais, visto que estes trabalham, mas o problema acentua-se na adolescência, idade esta a qual o caráter se forma. Dominando-se a academia, é vantajoso ocupar o máximo do jovem neste local predominante, ou seja, das sete horas até às treze, mantêm-se na escola, retorna para casa ou come fora mesmo, para de tarde ir a um curso de inglês, informática, elétrica, mecânica, design, muitas vezes, fazendo mais do que um, ocupando a semana inteira do indivíduo. Ao chegar em casa depois de receber muita informação, já se esquece da primeira, então faz-se necessário revisar a matéria da escola, e por fim, interagir com sua família, que muitas das vezes todos estarão cansados e ocupados, pois o filho preocupa-se com suas notas, os pais que provavelmente não lidam bem com problemas e possivelmente passam adiante, em forma de descontar, fazendo tempestade em copo d’água pois estará convivendo com uma responsabilidade a qual não consegue lidar, tornando tudo um alvoroço, o que é uma das causas pela falta de serotonina. Partindo deste princípio, pais que não sabem lidar com problemas, somados com jovens que passam mais tempo com doutrinadores acadêmicos do que com seus genitores, têm-se famílias deturpadas, e, por sua vez, pessoas deprimidas e ansiosas. Uma vez que não tem-se familiares para dividir os problemas – muita atenção na palavra dividir, pois ninguém deve resolver os problemas de outrem, mas dar um apoio, um conselho, ou até mesmo apenas dizer sua opinião, para fazer com que o indivíduo pense por outro prisma, é o papel de uma família – portanto, a pessoa se vê sem rumo, nem esperança, tornando-se uma casca vazia. O que vira alguém cujo odeia os pais, mesmo que não mencione diretamente, diz ter repulsa de heterossexuais, alguém o qual diz odiar crianças, por isto jamais teria filhos, indivíduo este em que busca apenas poder momentâneo, e não um legado para deixar adiante, este cujo diz que a religião é um ópio, mas que sua maconha é medicinal. Resta meramente uma casca, a qual não tem apreço por nada, além de si próprio. Como enfrentar um mundo nefasto, em épocas as quais lutar pelo direito de uma criança nascer é motivo para ser visto como um sub ser, mundo este o qual defende-se cracolândias enquanto atacam igrejas, sendo que você não tem nada maior para sustentar-se. Diferente da ganância hodierna vista, onde muitos fazem de tudo pela fama, pela monetização, gravam-se agindo como animais – literalmente – antigamente, tinha-se como normal uma ambição de tradição, isto é, “o que deixarei para o meu filho?” o rapaz almejava-se ser como seu pai, a moça tinha como motivação, ser tenaz da forma que sua mãe sempre fora. Para chegar em seus momentos finais, e perguntar-se sobre esta meta, o que nos dias de hoje, é completamente deturpado. Atualmente, tem-se como normal, o filho dizer que tem vergonha dos pais, por serem tradicionais, ou por coisas triviais, como não comungar do mesmo gosto musical, ou de roupas. É natural que estas coisas mudem, até pela época em que cada um nasceu, mas os valores são algo que tem sido deixado de lado, pelo motivo mais fútil possível. Conclui-se que, o adulto depressivo, é aquele cujo teve severos problemas para lidar com suas responsabilidades, o que diferencia-se um pouco do jovem depressivo, cujo provavelmente nunca lidara com a respectiva adversidade, pois, assim como nos alimentos, onde você não pode comer proteína, mas também não pode viver de carboidratos, na vida, não é viável viver de lazer em boas memórias, sem ter dificuldades a serem enfrentadas, estas que devem ser crescente, conforme sua maturidade chega. Não é válido uma criança de oito anos trabalhar para sustentar sua família, assim como não é válido que um adulto de quarenta anos viva às custas dos pais. É como uma balança, ao crescer e ganhar direitos, receberá deveres, ao poder andar na rua sozinho após atingir certa idade, começará a comprar coisas que te pedirem, mesmo que fúteis como comprar um fio, que mais tarde fora percebido que não era necessário, mas isto é para criar um sentimento de responsabilidade no indivíduo desde novo, para que mais tarde, não se frustre quando pedirem para fazer determinado serviço numa empresa, que demande uma semana de trabalho árduo, para no fim, não ser utilizado. A depressão nada mais é, do que o produto de uma superproteção, do sentimento de que você não precisa ter sacrifícios para ter benefícios, e a ansiedade, por sua vez, é o sentimento da falta de preparo, ou ao menos, que você tenha na sua mente uma falta de preparo, por mais que esta afirmação não seja verdadeira. Sofrer de ansiedade, nada mais é, do que sofrer de antemão por um problema, o qual você ainda não precisa enfrentar. Supor através de si próprio, que será uma barreira de três quilômetros, a qual deve ser escalada em uma dezena de segundos, sendo que esta chega sendo um quebra mola, basta notar, que não te dará tamanha dor de cabeça quanto fora imaginado. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 12 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867
- A reedição do Plano Cohen em 2023
A história brasileira é marcada por momentos em que a manipulação de informações e a criação de narrativas falsas causaram danos graves e duradouros ao país. O Plano Cohen, uma fraude arquitetada em 1937 durante o governo de Getúlio Vargas, é um exemplo emblemático disso. Esse suposto plano comunista, que nunca existiu, foi utilizado como pretexto para a instauração do Estado Novo, uma ditadura que perdurou até 1945. Quase um século depois, os eventos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, também envoltos em narrativas distorcidas e acusações de tentativa de golpe, levantam preocupações sobre a possibilidade de um novo ciclo autoritário no país. Este artigo busca traçar um paralelo entre esses dois momentos históricos, analisando como a manipulação de fatos pode abrir caminho para a erosão da democracia. Em setembro de 1937, o governo de Getúlio Vargas anunciou a descoberta de um suposto plano comunista, batizado de Plano Cohen, que previa a derrubada do governo por meio de greves, incêndios e assassinatos de autoridades. O documento, apresentado como uma ameaça iminente, foi divulgado pelo general Góis Monteiro na edição de 30 de setembro do programa de rádio Hora do Brasil, gerando pânico na população e justificando a decretação do estado de guerra. No entanto, o Plano Cohen era uma fraude. Ele havia sido elaborado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, membro da Ação Integralista Brasileira (AIB), como um exercício teórico para simular uma insurreição comunista. A cúpula militar, no entanto, utilizou o documento para legitimar o golpe de Estado que instaurou o Estado Novo em 10 de novembro de 1937. O Congresso foi fechado, os partidos políticos foram extintos, e Vargas concentrou poderes absolutos, governando sob uma Constituição autoritária, outorgada por ele no mesmo dia em que instaurou o Estado Novo. Essa constituição, conhecida como “Polaca” por sua inspiração no modelo semifascista polonês, foi elaborada pelo jurista Francisco Campos e marcou o início de um regime autoritário no Brasil. Ela concentrou amplos poderes nas mãos do presidente, extinguiu o Legislativo, suspendeu direitos individuais e estabeleceu um governo centralizado e ditatorial, que durou até 1945. A farsa só foi revelada em 1945, quando o Estado Novo já estava em crise. Góis Monteiro admitiu que o Plano Cohen era falso, mas o estrago já estava feito: o Brasil havia vivido oito anos sob uma ditadura que restringiu liberdades individuais e consolidou o autoritarismo como uma ferramenta política. Na ausência de recursos de mídia descentralizada como temos na atualidade, a população contava com meios de informação de massa, como o rádio e os jornais. As informações circulavam de forma muito mais lenta, o que facilitava a manipulação e adulteração dos fatos. Quase 90 anos depois, o Brasil se viu diante de outro evento marcado por narrativas controversas. No dia 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram os prédios dos Três Poderes em Brasília, supostamente em protesto contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. O episódio foi rapidamente classificado como uma tentativa de golpe de Estado, com ampla cobertura midiática e repercussão internacional. Naquele momento, o Brasil já testemunhava o avanço de arbitrariedades e excrescências judiciais que visavam dirigir a política e a sociedade brasileira. A marcha rumo à regulamentação das redes sociais, que representavam e representam um forte entrave à manipulação e adulteração dos fatos, carecia de um alicerce legal, ainda que aparentemente os responsáveis pelas ditas excrescências não demonstrassem precisar de qualquer respaldo para seguir na desconstrução da democracia que alegavam defender. Uma crise provocada por uma tentativa de golpe de estado seria tão útil quanto qualquer documento redigido a título de exercício teórico na era Vargas. No entanto, diferentemente do Plano Cohen, surgiram questionamentos sobre a veracidade das acusações. Alguns analistas argumentaram que os eventos foram inflados para justificar medidas autoritárias, como a intervenção no Distrito Federal e a criminalização de movimentos políticos opositores. A narrativa de uma “ameaça à democracia” estaria sendo utilizada para fortalecer o aparato de segurança do Estado e justificar a supressão de direitos civis. Tudo isso com forte suporte midiático. Os paralelos entre o Plano Cohen e o 8 de janeiro são evidentes. Em ambos os casos, uma narrativa falsa ou distorcida foi utilizada para criar um clima de medo e justificar a concentração de poderes. Até mesmo a utilização de documentos para dar base concreta aos planos aproxima os dois eventos históricos. Nas páginas do Plano Cohen e na suposta “Minuta do Golpe” encontrada em 2023, revela-se um padrão: a utilização de documentos falsos ou distorcidos para justificar medidas excepcionais. Ambos os casos destacam como a manipulação de informações pode abrir caminho para a erosão da democracia, reforçando a necessidade de vigilância constante contra estratégias autoritárias. No período de Vargas, a suposta ameaça comunista serviu para legitimar o fechamento do Congresso e a instauração de uma ditadura. Já em 2023, a acusação de tentativa de Golpe de Estado pode ser utilizada para ampliar o controle do próprio Estado sobre a sociedade e silenciar vozes dissidentes, mediante a regulamentação das redes sociais e, quem sabe, outras medidas mais contundentes de aprofundamento de um novo “Estado Novo”. Outro ponto em comum é o papel das Forças Armadas e de segurança. No Plano Cohen, a cúpula militar foi fundamental para a divulgação da fraude e a execução do golpe. Em 2023, a anuência das forças de segurança e a desmilitarização das áreas de segurança estratégica no entorno dos prédios da Esplanada, STF e Palácio do Planalto, facilitaram muito a ação de pequenos grupos infiltrados que, tendo invadido as dependências, dirigiram a massa de manifestantes incautos e curiosos. Os relatos sobre infiltrados que agiram para provocar um “estouro da boiada” durante os eventos de 8 de janeiro em Brasília, ganharam força entre apoiadores de Jair Bolsonaro e analistas políticos. Não apenas relatos de testemunhas, mas alguns vídeos que puderam ser salvos da misteriosa “perda acidental” das imagens daquele dia, mostram cenas de um verdadeiro tour guiado pelas dependências dos prédios. Outros vídeos e depoimentos divulgados nas redes sociais mostram manifestantes tentando impedir pessoas de depredar o patrimônio público, sugerindo que esses indivíduos poderiam ser “agentes do caos” infiltrados. A tese ganhou ainda mais relevância com a publicação de imagens que mostram pessoas agindo de forma isolada, mas com um impacto desproporcional, incitando a destruição e criando um cenário de confusão. Manifestantes pacíficos teriam sido levados ao ceio de um clima de vandalismo por indivíduos que não representavam os interesses do movimento, mas buscavam desacreditá-lo. Além disso, a omissão das forças de segurança durante os atos de vandalismo levantou suspeitas sobre uma possível conivência ou até mesmo uma estratégia premeditada. Imagens de câmeras de segurança mostram que a Força Nacional, subordinada ao Ministério da Justiça, permaneceu inerte por horas, mesmo diante da destruição em curso. Essa inação foi interpretada por alguns como um sinal de que o governo federal poderia ter se omitido ou até mesmo permitido o caos para justificar medidas repressivas posteriores. A analogia com o “estouro da boiada” é particularmente relevante. Assim como uma manada de bois pode ser levada ao descontrole por um pequeno estímulo, os manifestantes pacíficos foram arrastados por ações pontuais de vandalismo, criando uma narrativa de que todo o movimento era violento. Essa estratégia teve como objetivo deslegitimar as reivindicações dos manifestantes e justificar a criminalização do movimento como um todo, transformando-o em tentativa de golpe de estado e de abolição do estado democrático de direito. Vargas regozijaria ao observar o desenrolar das cenas. A história do Plano Cohen nos ensina que a manipulação de fatos e a criação de narrativas falsas podem ter consequências devastadoras para a democracia. O Estado Novo, instaurado com base em uma fraude, deixou um legado de autoritarismo que ainda ressoa na política brasileira. Em 1937 a Voz do Brasil foi usada para manipular a opinião pública propagando desinformação. Nas décadas posteriores, meios de comunicação usaram suas concessões para desinformar e deformar a opinião pública, utilizando como estratégia: ‘pague pela informação que te interessa ou te ofereceremos gratuitamente a informação que nos interessa’. Os eventos de 8 de janeiro de 2023, embora distintos em seu contexto, seguem uma lógica semelhante. A utilização de uma narrativa de “ameaça à democracia” para justificar medidas autoritárias que abrem caminho para a instauração de um regime ditatorial. Cabe à sociedade brasileira estar atenta e resistir a qualquer tentativa de erosão das liberdades democráticas, que passa pela regulamentação das redes sociais e pelo controle estatal da liberdade de expressão e de manifestação, para que a história não se repita, da mesma forma que fora denunciada por Carlos Lacerda em 1953, nos estertores do governo Vargas: “ Meus amigos, nós partimos para o que parecia ser uma cruzada pela liberdade de imprensa e acabou sendo uma cruzada pela libertação nacional. E isso não se deu por acaso, é que quando se quer envenenar uma nação, começa-se por envenenar as fontes do conhecimento público. Começa-se por envenenar as fontes de informação, sem as quais o povo não sabe o que se passa, ou pior ainda, só sabe errado aquilo que se passa certo. É através da corrupção da imprensa, é através da intimidação da imprensa que se acaba por corromper e intimidar a própria opinião do povo. O que se montou no Brasil não foi apenas um negócio para um grupo de afiliados do poder, não foi somente um negócio feito à custa da miséria e do esfomeamento do povo. Foi também um negócio para destruir no povo a confiança na democracia foi um negócio feito para fazer o povo descrer de si mesmo. Para fazer com que o povo pensasse que de nada valia protestar em praça pública porque os homens do poder pensariam por ele e por ele agiriam desde o começo até o fim” . Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867
- A chaga da escravidão
Subjugar outro ser humano para qualquer fim é execrável, em qualquer contexto ter a posse de um indivíduo o reduz ao status de coisa, retirando-lhe o livre arbítrio, sua essência. Nenhum outro homem deve ser senhor outro homem, pois são semelhantes como criação de Deus, só devendo obediência incondicional ao seu criador. Não há como apontar uma origem histórica precisa da escravidão, sabendo-se que é uma prática conhecida desde a idade antiga, mas nada descarta que na era pré-histórica alguns indivíduos fossem tratados com tal, havendo relatos de que alguns escravos eram usados para trabalhos agrícolas. Para compreender a relação da escravidão é preciso, portanto, acompanhar sua evolução histórica. A idade antiga Naquele tempo, diversas civilizações usavam da mão de obra escrava, sejam mesopotâmicos, hebreus, babilônicos e outras tantas, contudo, as que mais foram difundidas foram os casos do Egito, Grécia e Roma. No caso do Egito, o grande destaque deve-se ao episódio conhecido como Êxodo, no qual o povo hebreu, conduzido por Moisés, liberta-se do julgo do Faraó. Os escravos do antigo Egito era pessoas que não tinham sua liberdade e executavam as mais diversas tarefas, de serviços públicos aos domésticos, do artesanato à mão de obra pesada. Mas há uma romantização da escravidão daquela época que parece ser fruto da intenção de reduzir tal mal a um único episódio de toda sua história, fazendo com que, uma das espécies de escravidão pareça mais grave que outras. Relatos apontam que no antigo Egito era permitido ao escravo constituir família e propriedade, entretanto, podemos afirmar que à época tais conceitos, que nós herdamos dos romanos, ainda era perfunctório, contudo a ideia de constituir família e o chamado “ animus domini ” decorrem do direito natural, não sendo uma criação do Estado egípcio e sim homologado por qualquer que seja ordenamento jurídico. Qualquer que seja o arcabouço jurídico, elementos como liberdade, sobrevivência, família, propriedade e fé estarão presentes, cabendo o Estado reconhecê-los, ou, perversamente buscar subtraí-los, mas sua criação não pode ser creditada as normas. As diferentes condições de vidas dos escravizados far-se-ão presentes em toda a história, posto que, advém da tarefa da qual é incumbido, no período colonial havia escravos reclusos às senzalas e aqueles que tinham acesso a “casa grande”. Um artesão não seria tratado como um capataz e este também não teria a mesma sorte que uma cuidadora dos filhos do senhor. No aspecto da conquista da liberdade pode-se observar um fator que sofrera considerável recrudescimento, haja vista que, no antigo Egito bem como na Roma e Grécia, era mais factível ao escravizado alcançar sua liberdade, não somente pela graça do seu senhor, mas também pela compra. Mas é possível que a quantidade de escravos libertos, na idade antiga muitos eram remunerados, pode ter alterado tais regras, em que pese, tudo apontar para o fato de que, com o passar do tempo, escravos passaram a ser mais identificados por grupos étnicos. No Egito os hebreus foram escravizados, na Grécia a maior parte advinha de derrotados em batalhas na Ásia, assim, era fácil identificá-los entre os cidadãos, destacando-os se necessários, em Atenas podiam exercer mão de obra até mesmo na defesa da cidade, o que lhes permitia uma vida ainda melhores que a de seus homólogos do Egito. No caso de Esparta, os escravos eram de propriedade do Estado, não podiam ter proprietários, entretanto, o emprego de tais indivíduos era em atividades de maior risco ou que exigisse grande esforço. Os romanos, por sua vez, mantinham como escravos pessoas de diversas etnias, sendo chamados à época de servus , que podiam exercer as mais diversas funções e, por vezes, conquistavam sua liberdade, seja pela graça ou comprando-a. Cabe ressaltar que na idade antiga a escravidão poderia ser decorrente da chamada servidão voluntária, ocasião em que o indivíduo tornava-se servo como forma de saldar uma dívida existente. A submissão de um indivíduo a outrem tinha como origem uma dívida ou mesmo a derrota em uma batalha, contudo, poderia ser a consequência de um malfeito, ou seja, a responsabilização por um ato reprovável. A idade média Com o fim do Império Romano, os descendentes dos servos tornaram-se semilivres, por isso o termo servo passou a indicar aqueles que estavam subordinados a um senhor, mas não eram sua propriedade, tratava-se de uma relação de obediência entre dois sujeitos de direito, os servos não estavam reduzidos à condição de objeto. A escravidão não acabaria com o fim da Roma antiga, tal suplício ainda era o destino daqueles que se viram vencidos em guerras, em sua maioria o povo eslavo, os ancestrais dos atuais poloneses, russos e tchecos, do nome eslavo originou-se a palavra escravo , no latim, slavus. Nota-se que a identidade étnica tornou-se mais evidente nesta era. Assim como na idade antiga, trabalhos forçados e castigos eram aplicados aos escravos e havia distinção entre estes conforme a atividade que desempenhavam. Aqueles considerados mais habilidosos, capazes de desempenhar tarefas mais complexas o de maior valor, bem como, os mais próximos dos senhores, não enfrentavam as mesmas mazelas dos que se ocupavam das atividades que exigiam força ou risco. Um ponto que deve ser observado, similar ao que ocorrera na idade antiga, é que a maioria dos escravos eram do povo eslavo, mas nada impedia que outros tivessem igual destino, posto que, ainda que pertencente a outra etnia, um indivíduo poderia ser privado de sua liberdade, não havendo a expressa vedação quanto à submissão de alguém à condição de escravo em razão de sua origem. A escravidão estava ligada a submissão, não sendo o elemento étnico preponderante, em que pese, a maior parte dos que viviam em tal situação era sim de uma origem determinada, todavia, foram as derrotas em campo de batalha que os relegara ao infortúnio. No mundo árabe a regra não era outra, ao menos até o advento do islamismo, o qual vedava, e ainda veda, que um muçulmano fizesse de seus pares escravos. Levando aqueles que tinham a pretensão de ter tal tipo de mão de obra a subjugar os chamados infiéis, isso fortaleceu a ideia de comércio de escravos. Tanto europeu, sendo cristão ou não, quanto povos da África subsaariana serviam aos propósitos dos muçulmanos, fossem eles capturados em batalhas ou comprados através de traficantes. A vedação da castração, também imposta pela fé islâmica, não permitia que seguidores daquela fé se ternassem eunucos, inviabilizando que um seguidor dos ensinamentos de Maomé atendesse tal requisito, por isso, era necessário comprar escravos e castrá-los, o que incentivou a prática de mutilações forçadas por parte dos senhores de escravos e traficantes, tendo vista a valorização dos eunucos como mercadorias, pois estes poderiam ser alocados nos haréns, uma vez que, não poderiam manter relações com as mulheres de seus senhores, algumas das mulheres dos haréns também eram escravas. Aponta o autor do livro O genocídio oculto , que muitos dos negros eram castrados, não para servirem como eunucos em haréns, mas para que não reproduzissem ainda que fossem escravos comuns, isso resultava em um número elevado de mortes de adultos e crianças do sexo masculino e impedia que determinados grupos étnicos perdurassem. A castração com tal finalidade é uma forma de praticar o genocídio. Tal prática de castração também era repreendida pela cristandade, por outro lado, converter-se ao Islã forçava que um senhor, praticante daquela religião, concedesse a liberdade ao recém-convertido. Está era uma forma pela qual poder-se-ia perder escravos, fazendo com que a opção por indivíduos sem a predisposição para tal conversão fosse cada vez maior. Neste diapasão, a procura pelos negros crescia cada vez mais, os principais fatores eram a não aceitação dos chamados subsaarianos entre os islâmicos, a união entre os cristãos contra os seguidores de Maomé e a maior facilidade que traficantes encontravam no continente africano, posto que, as diversas tribos daquela região não viam quaisquer empecilhos em vender escravos capturados em confrontos tribais, como outrora ocorrera entre os europeus e com os próprios árabes antes do advento do Islã. Tal relação resultou no crescimento do comércio de escravos no continente africano, tendo como maiores clientes os árabes. Cabe indicar que muitos europeus também se viram escravizados pelos muçulmanos. A expulsão dos mouros da Península Ibérica, que deu origem a Portugal e aos reinos que posteriormente seriam anexados à atual Espanha, libertou o povo daquela região do julgo dos muçulmanos. Antes da chamada Reconquista, a escravidão existia na localidade, iniciada, ao menos historicamente, durante a ocupação romana, permanecera sobre a égide dos visigodos e até pelos cristãos, estes últimos eram proibidos, como os muçulmanos, de manter seus pares na malfadada condição. Cada vez mais o interesse direcionava a busca por escravos para a África subsaariana, o que alimentou a ganância de líderes tribais e, até mesmo, reinos daquele continente. A era das navegações e o período colonial Com o avanço das expedições marítimas, navegações que definiram novas rotas comerciais e, ao mesmo tempo, fizeram com que os reinos europeus e os povos africanos estreitassem o contato, os reinos de Portugal e do Congo mantiveram uma relação bem próxima, na qual o comércio de escravos era um dos fatores essenciais. Os indivíduos vendidos pelos próprios africanos aos europeus eram, em sua maioria os capturados, derrotados em batalhas, e os criminosos. Assim como na idade antiga, o principal fator que fazia alguém ser privado de sua liberdade não era sua etnia ou crença, mas, ter sido subjugado em uma guerra, o que acontecia mesmo com os líderes tribais. O Reino do Congo, por exemplo, era poderoso o suficiente para sobrepujar diversos inimigos, tanto que dispunha de uma fonte capaz de alimentar os anseios dos portugueses. Os Estados Unidos da América também foram o destino de diversos negros, restando evidente que o continente o abjeto comércio praticado no continente africano não se restringia a suprir a demanda de Portugal, alimentando diversas colônias nas Américas. O que se constata é que a escravidão no período colonial nada tem a ver com o racismo, posto que, tinha direta participação de povos negros na cadeia de comércio, não figurando somente na qualidade de objeto da relação, mas, sendo ator direto e principal fornecedor. Poder-se-ia admitir que os negros eram aqueles que suprimiam a liberdade do outro, tornando-o escravo, de maneira que, os europeus adquiriam aqueles que já estavam na lastimável condição. A economia das colônias do novo mundo era dependente da produção agraria, sendo a mão de obra escrava a responsável por tal sistema, os engenhos de açúcar e a mineração eram dependentes do regime escravagista e alimentavam o comércio. Os nada saudosos navios negreiros eram responsáveis por abastecer as colônias europeias nas Américas com escravos o suficiente para manter a produção das fazendas. Como europeus e os índios tinham características que facilmente os distinguia dos negros trazidos em tais navios e estes, não podendo fazer a travessia do Atlântico por conta própria, quando presentes no novo mundo, aqui chegaram já na condição de não livres, era fácil identificar os escravos pelas características étnicas dos negros. De tal sorte, para os colonizadores, bastava reduzi-los a uma “subespécie” humana, como se animais fosse, assim, na visão do povo em geral, estes não eram dignos das graças que recaiam sobre os demais. O racismo, no ocidente, é um resultado de tal nefasta prática. Desumanizar o negro era necessário para que fosse este identificado como objeto, bem como, para que castigos aplicados fossem encarados com naturalidade pelos populares. Todavia, aqueles mais próximos dos senhores acabavam por conquistar a simpatias de alguns. Conclui-se que o racismo é resultado da escravidão, não o contrário, pois ele nasce do fato dos negros serem os escravos ora trazidos para o continente americano. Por sua vez, a origem da escravidão é o exacerbado poder de um homem sobre outro. Os negros que fugiam para a liberdade se organizavam nos chamados quilombos, que era aldeias resistentes à influência dos brancos, entretanto, é sabido que líderes quilombolas, inclusive o mais conhecido deles, Zumbi dos Palmares, mantinham negros escravos, o que corrobora ainda mais o fato que a escravidão e o racismo estavam dissociados, em que pese, um tenha sido usado, à posteriori, para justificar o outro. O movimento abolicionista A busca pela liberdade era o combustível dos abolicionistas, não se tratava de uma questão “racial”, a intenção do movimento era tornar todo homem livre, como a natureza o fizera. O texto da Décima Terceira Emenda à Constituição do EUA aponta que “não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” . Evidente que a vontade expressa no mesmo é a liberdade para todos, sem distinção étnica ou racial. Cabe lembrar que a chamada Guerra de Secessão nos Estados Unidos da América tinha em ambos os lado vertentes contrárias no que diz respeito ao fim da escravidão naquele país. No Brasil a norma denominada Lei Áurea, assinada pela Princesa Regente Isabel também estende seus efeitos a todos, “ art. 1º - É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brazil ” (Lei nº 3.353 de 13 de maio de 1888). Tal norma deu a Princesa Isabel a honrosa alcunha de A Redentora, pois estava limpando uma mancha que o Brasil carregava. Um exemplo de abolicionistas negros são Luiz Gama, José do Patrocínio e André Rebouças, que tiveram grandes papéis na luta elo fim da escravidão em nosso país. Com o passar do tempo, a herança da associação entre as características dos negros e a condição de escravos manteve o racismo apesar da abolição, mas este seria uma impressão abjeta individual, que deve sim ser combatido, mas que não permeia o convívio de toda sociedade como buscam incutir na mente dos mais incautos. Ao mesmo tempo que os escravos tinham reconhecida a liberdade, a relação entre estes e seus senhores fora desfeita, o que levou ao colapso alguns que exploravam tal tipo de mão de obra, mas como revés aos recém-libertos, estes foram relegados a uma sorte desconhecida. Sem patrimônio e, por vezes, sem profissão, não eram absorvidos pela indústria, como os trabalhadores na Europa, o Brasil não estava se industrializando como o velho mundo e os EUA, aqueles que tinham sido escravos por toda sua vida, tiveram sim uma dificuldade em se adaptar à liberdade. A esquerda progressista e a escravidão Normalmente acusando seus opositores de racistas, a esquerda foi que lutou pala manutenção da escravidão nos EUA, sendo a Décima Terceira Emenda aprovada com total apoio do Partido Republicano e a minoria dos membros do Partido Democrata, partido este que tinha os proprietários de escravos em suas fileiras e, para alguns criou e para outros se associou à asquerosa organização racista chamada Ku Klux Klan , que chegou a fazer ataques contra políticos republicanos brancos, o que mais uma vez comprova nem sempre ser o ódio racial puro que move determinadas ações. Para quem alegar que a KKK, o fascismo e o nazismo se adaptam conforme a necessidade, a resposta mais simples é a seguinte, a relativização, não só da moral, mas da própria realidade é uma característica indispensável à esquerda, pois ela afirma-se tão democrata quanto possa retorcer tal termo para perseguir pessoas livres em nome da democracia. A reviravolta se dá quando o Pastor Martin Luther King é assassinado e o Pastor Jesse Jackson assume a liderança dos movimentos negros. Diverso do que defendia King, a igualdade entre todos, Jackson tinha uma visão revanchista, que buscando, na verdade, uma supremacia negra. Nos moldes dos movimentos de ativismo negro dos dias atuais, a segregação sempre foi a marca dos autointitulados progressistas. Jackson era um membro do partido democrata, tendo concorrida à presidência de seu país, mas como naturalmente fazem, pregou por medidas que favoreceriam os negros. Era um preludio para os Panteras Negras e o Black Live Matters, este último ainda em atividade, nada mais é que um parasita daqueles que consideram-se injustiçados como uma minoria . As revoluções do século passado também fizeram seus escravos, enviando milhões para campos de trabalhos forçados, como os GULAG da extinta União Soviética, bem como, suas versões nazista e da China. A ditadura chinesa ainda mantém lugares com tal finalidade , o que também ocorre na Coreia do Norte. Algo que chama atenção é o fato de que os campos de reeducação chineses , é um eufemismo para campos de concentração, parecem não chocar a mídia mainstream , que parece omitir deliberadamente a dramática situação. Na África atual, incluindo países como Mauritânia, Níger, Mali, Chade e Sudão , a escravidão ainda é algo comum e a doentia prática baseia-se em fatores não raciais, haja vista que, os negros figuram, como maioria dos comerciantes, senhores e escravos. A maioria das vítimas da escravidão atual é cristã e e animistas . Mas a intolerância religiosa que se fala em as religiões de origem africana, na mente da mídia progressista é a divergência que ocorre no Brasil, ignorando, de forma descarada a escravidão imposta pelos muçulmanos no outro lado do atlântico. O antissemitismo também foi uma engrenagem usada pelo Partido Nazista para “justificar” o genocídio que tentara contra o povo judeu, observando que a fé daquela gente impediria que os mesmos aceitassem a ideologia revolucionária do partido como única coisa sagrada, os nazistas passaram a perseguir e matar aqueles cuja crença não lhes permitia submeter-se à abjeta doutrina do Terceiro Reich. Revolucionários exterminam tudo aquilo que obsta sua recriação de mundo, sempre fracassarão por tal motivo, mas no caminho de sua queda, tentam destruir a fé daqueles que não se curvam. Foi o que fizeram buscaram fazer com os judeus e atualmente tentam aplicar ao cristianismo. A dívida histórica Pedindo licença ao mais sensíveis, pode-se afirmar que a chamada “dívida histórica”, principalmente no Brasil, é uma criação de déspotas doentios engolida por ignorantes gananciosos. Como apresentado, a escravidão faz parte de toda a história da humanidade, surgindo talvez antes da idade antiga e persistindo, ainda que sendo uma moléstia, até os dias atuais, delimitar somente uma fase para definir quem deve reparação ou quem deve ser reparado, é descartar todos os desdobramentos e culpar as gerações atuais por um passado manchado de toda a humanidade. Se diversos povos foram vítimas e algozes da escravidão, não seria verdadeiro acusar determinado descendente para vilipendiar sua existência em nome de uma falsa reparação, quando o que se pretende é um revanchismo falaciosos que tem como fim subjugar para dominar os outros. Se o conceito de dívida histórica fizesse algum sentido, como seria possível determinar credor e devedor, se alguns brasileiros descendem de europeu que foram escravizados e outros de africanos que nunca o foram, sendo que, a maioria tem seus ancestrais em nas posições oposta de tais relações e talvez por mais de uma só vez. A melhor forma de curar-se da chaga da escravidão é lutar sempre por liberdade, assim como fizeram os abolicionistas que não editaram uma lei para se libertar e aprisionar quem se encontrava sem correntes. Os três grandes abolicionistas negros que foram aqui citados são exemplos de conquista sem revolução, sem revanchismo, de vitória e sabedoria. Não por acaso acusaram de rábula o Advogado Luiz Gonzaga Pinto da Gama , o objetivo era, de fato, diminuir sua história, pois servia como exemplo digno e civilizado aos negros, por isso, foi substituído no imaginário por Zumbi dos Palmares , pois sua figura assemelha-se muito mais a um guerrilheiro revolucionário, criando a máxima de um “herói” negro que enfrenta o mal, quando na verdade é um indivíduo que possuía escravos e tinha um comportamento violento. Zumbi reflete o ideário do lumpemproletariado , servindo como inspiração negativa mas útil aos anseios revolucionário, enquanto Luiz Gama, reflete a sabedoria de quem aprende com a realidade que se impõe e ajuda-a no processo de evolução, sendo um artífice da construção e não da revolução. Os autointitulados progressistas precisam macular a imagem daquele que deixou um legado realmente libertador para escrever sua utopia de mundo disfuncional, mas felizmente, as pessoas cada vez mais se soltam de suas teias de mentiras. Os grilhões que te prendem são aqueles que encontram abrigo na sua imaginação, liberta-te e sigas em frente. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 11 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867
- O pedantismo do homem ocidental e suas consequências
O excesso de conhecimento inútil ou, pelo menos, volúvel lançou o homem pós-moderno ocidental em uma espiral involutiva e autodestrutiva de contornos patéticos. Ao se afastar dos princípios elementares da verdade, representados pela Sabedoria Criadora do Eterno, o Verbo, por assim dizer, o Logos , e absorver como dogmas socioculturais devaneios urdidos em cercanias pagãs e protoprogressistas, formatadas pelos herdeiros das ancestrais tradições satânicas babilônicas, egípcias e gregas, vendidas a esse Ocidente como a gnose fundamental, a alquimia do bem ou o alicerce do saber, de onde deveríamos retirar nossos balizadores éticos e morais, o homem ocidental cavou a própria sepultura existencial, deferiu um tiro mortal em sua identidade como criatura divina e abriu caminho para que a desordem global – a qual convencionamos chamar em algum momento de Nova Ordem Mundial – se assenhorasse dos seus sentidos e se impusesse de tal forma que, tal qual previsto nas Sagradas Escrituras Judaico-Cristãs, o mundo inteiro chegasse ao estado de “jaz no maligno” ( I João 5:19 ). Tudo era um encantamento. Lógica e metafísica. Sofismas e política. E o Apóstolo Paulo, pelo Espírito, alertando: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos!” ( Romanos 1:22 ). No contexto em que Paulo diz isso, escrevendo para um contexto greco-romano, ele imediatamente alerta acerca da degeneração moral que acompanhava, inevitavelmente, o afastamento de Deus e de sua Palavra. E descreve em detalhes as abominações e imundícias que podemos ver hoje nos meios de comunicação, nas mídias, no marketing, nos negócios, nas artes, sendo impostas como normatização de um mundo que simplesmente não sabe como lidar com a situação e perde seu tempo fazendo perguntas vazias e insípidas como: “Eles estão loucos?” ou “O que eles pensam que vão ganhar com isso?”. E o motivo de não saberem responder a esses questionamentos? É simples: eles, os “sábios”, não têm as “ferramentas intelectuais” necessárias para interpretar esses sinais, porque para eles, essas “ferramentas” ou não existem, ou não têm mais validade, ou são frutos de mentes supersticiosas ou fundamentalistas. Não sabendo eles que aquilo que insistem que não existe ou não faz parte da equação, avança cada vez mais sobre suas vidas. O pedantismo ocidental tem vários pais. Descartes é um dos seus principais. Ele é a cara do pensador ocidental pós-moderno, dotado de um pragmatismo conveniente e superficial, que se perde diante do transcendental/sobrenatural que governa o mundo através do que aprendemos a chamar - erroneamente – de “ideologias”. Ninguém o descreve melhor do que o – esse sim – genial Pascal: “Não posso perdoar Descartes; bem quisera ele, em toda a sua filosofia, passar sem Deus, mas não pôde evitar de fazê-lo dar um piparote para pôr o mundo em movimento; depois do quê não precisa mais de Deus” (Pensamentos, Artigo II, 77). O formador de opinião ocidental é “inteligente” demais para “admitir” Deus além daquilo que lhe é protocolar. Ele – o homem – age como se dissesse ao Eterno: “Eu sei que você existe, mas fique aí, quietinho no seu trono, porque o meu conhecimento é suficiente para administrar a minha vida e o mundo que me cerca!” . Pois é, estamos vendo como o homem é ótimo em administrar o mundo que o cerca, que é exatamente esse mundo, essa realidade, que dia após dia, lhe escapa entre os dedos e é transmutada em um pesadelo progressista de cores hediondas, sobre o que ele, o sabichão pragmático, não pode fazer absolutamente nada, porque ele sequer admite um conceito básico que é respeitado desde que o homem aprendeu a falar: o invisível governa o visível. Sua fé ou, aquilo que entende ser uma, é submissa a tudo aquilo que é menor do que ela: filosofias, escolas de pensamento e ideia pré-concebidas de mundo baseadas no meio em que vivem, subvertendo a inevitável imanência humana e atirando-a aos pés de delírios freudianos, marxistas e Rousseaunianos, entre outros, que estenderam o tapete da desordem humana ao Ocidente e foram recebidos com festa pelo status quo dos séculos que seguiram. Por isso o homem ocidental, o conservador ocidental, não tem como frear a degradação ética e moral que engole o mundo. Embora forte em palavras, convicto em ideais e repleto de conhecimento humano, lhe falta o fundamental: a nobreza espiritual de um guerreiro de Deus. E ela só é possível quando o homem compreende suas limitações intelectuais e deixa de tentar explicar o que é gerado de forma espiritual usando uma linguagem material. Ou alguém acha que o fato de todos os grandes pensadores progressistas/socialistas terem escolhido a fé judaico-cristã como sua grande adversária foi por acaso? A parte realmente ridícula: todos os conservadores sabem disso, mas o que fazem a respeito? Caem na armadilha dialética de Marx, Freud, Gramsci e outros e, orgulhosos de seus conhecimentos sobre estética e neoplatonismo, dão com a cara na ponta da bota da realidade, que é ter que aceitar goela abaixo um mundo que só existe em distopias histéricas, com aquele ar melancólico de quem passa horas olhando para os livros na estante e não sabe a melhor forma de queimá-los. O sistema ri de tudo isso. Ele encontrou enfim o alvo que sempre quis: o homem sem Deus. Um Descartes semimundano, ritualístico, supersticioso, desprovido de dogmas e em franca rejeição ao mundo espiritual. Que pensa, pensa e pensa, mas não pode fazer mais do que isso, pois está preso às amarras “regimentais” de um pragmatismo ilusório que irão sufocá-lo gradativamente. Um arremedo de homem, desprovido do poder do alto, de identidade ancestral, de profundidade espiritual. O tipo que até fala em ética e moral, desde que elas não se imponham aos sistemas humanos que eles foram adestrados a obedecer. É esse homem, pedante, e que tem a alienação espiritual como fator estrutural, o grande responsável pelo desastre que se avizinha no horizonte profético da humanidade. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 11 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867
- A importante contribuição do renascimento italiano na religião
Nesta edição, quero compartilhar um momento histórico que deveria ter mais exposição em nossa sociedade; quero compartilhar um pouco do movimento renascentista, especificamente a influência das ideias do renascimento na religião. O objetivo é elevar a impressão que se tem da religião nos dias de hoje, já que tem sofrido um ataque constante de alguns interessados em denegrir a imagem de um aspecto tão importante para o resgate dos verdadeiros interesses do ser humano. Para tanto, trago um pouco da influência da Academia neoplatônica de Florença e do movimento renascentista que fluíram entre os séculos XV e XVI. A Academia de Florença, sendo essencialmente fruto do pensamento renascentista, influenciou inevitavelmente através de seus membros, todas as áreas da atuação humana, inclusive a religião. A aspiração ao poder caracteriza a igreja e o papado nos finais do século XV e XVI. O papa Nicolau quinto, exigia o uso de imagens que reforçassem essa aspiração. Necessitavam de espetáculos grandiosos, na mesma medida a arquitetura deveria expressar a autoridade eclesiástica com seus edifícios de grandeza igual aos da antiguidade, mas esta aspiração ao poder e sua representação terrena provocaram a oposição de muitos fiéis. A ilimitada ambição de poder e a ostentação nociva dos papas, produziram nos finais daquele século, a primeira crise profunda na igreja e as reformas religiosas fundamentais. Já a perspectiva renascentista promovia o afastamento dos dogmas da igreja, mas não excluía de forma alguma os temas fundamentais da religião para a evolução humana; o papel da academia, foi dar um caráter humano a apresentação das histórias religiosas principalmente através das artes. Academia de Florença trouxe através do antropocentrismo a ideia de que o homem era o centro do universo e não mais, Deus, como pregava a igreja através do teocentrismo; contudo, o trabalho da academia era trazer harmonia a esses temas enriquecendo o caminho religioso incorporando ideias filosóficas de todas as tradições. Uma prova disso foi o florescer das artes com total apoio da igreja, pois haviam compreendido a mensagem dos renascentistas levada à religião. A questão, é que os artistas e cientistas trabalhavam em áreas dominadas pelos dogmas da igreja, e agora buscavam na natureza e na razão as respostas para os anseios humanos, isto afetou fortemente a igreja que pregava total submissão a seus dogmas. Com o inevitável crescimento das ideias renascentistas, a academia com seu trabalho escolástico, promoveu uma forte corrente humanista despertando o homem, que deixava para trás a passividade promovida pelos dogmas católicos da época. Neste contexto surgem grandes nomes que ajudaram diretamente na promoção do antropocentrismo e do ecletismo, ideias, fruto da filosofia renascentista na religião, entre eles estão: Giovanni Pico Della Mirandola (1463/1494) - Embora tenha vivido apenas 31 anos sua genialidade sobrevive até os dias de hoje, dedicou sua vida a conhecer todas as tradições do ocidente e oriente que lhe fosse possível, este trabalho rendeu 900 teses com o objetivo de mostrar a importância dessas linhas de pensamento, convocou (inclusive a igreja) a quem quisesse debater suas teses uma a uma, inclusive oferecendo pagar os custos de quem se dispusesse encontrá-lo para o debate, debate esse que tinha o objetivo de mostrar a harmonia entre as principais ideias religiosas na história da humanidade. Gentili de Becchi (1439/1497) - foi um bispo, diplomata, orador e escritor italiano, foi tutor de Lourenço de Médici, O magnífico e de seu filho Giovanni, mais tarde Papa Leão X. Angelo Poliziano (1454/1494) foi um humanista, dramaturgo e escritor italiano, seu trabalho foi auxiliar a reviver o latim durante o renascimento. Nicolau de Cusa (1401/1464) foi um cardeal da igreja romana, um dos primeiros filósofos do humanismo renascentista, autor de inúmeras obras sendo a principal delas: “Da Douta ignorântia” Num contexto anterior ao renascentismo propriamente dito, Nicolau de Cusa, sacerdote católico nascido em Cusa, uma pequena cidade da Alemanha, em sua obra: “Coincidentia Oppositorum”, já buscava harmonizar as ideias de todas as tradições filosóficas da humanidade inclusive propondo a reunificação da igreja, que sofreram um cisma, motivada pelas questões políticas e doutrinárias. Este pensamento foi muito ousado para época que já havia consolidado o pensamento de que só o cristianismo tinha a verdade, por isso o motivo, Nicolau de Cusa, sofreu muitas perseguições, do clero, já que vivia em um contexto medieval. No mesmo período em que Cosme e Lourenço de Médici, já vinham patrocinando as ideias renascentistas através das artes, chega em Florença uma embaixada com cerca de 700 pessoas, vindas de Constantinopla, para um conselho promovido pela igreja a fim de tratar da reunificação; muitos sacerdotes e sábios bizantinos estavam na comitiva, entre eles destaca-se um, Jorge Gemistos Pleton, o real precursor da academia neoplatônica de Florença, pois já desenvolvera um trabalho semelhante em sua casa, em Mistra, no oriente. Tendo os Médici, hospedado muitos artistas em sua casa, fez dela um núcleo do pensamento renascentista vindo mais tarde a se tornar a academia de Florença. Aqui está um pequeno, mas importante momento histórico, descrito em algumas poucas, mas ricas linhas. Espero que sirva de inspiração para aquele que queira investigar um pouco mais sobre o assunto. Em outro momento tratarei um pouco mais sobre essa fase inspiradora da nossa história. Minha sincera gratidão aos que com suas próprias vidas, fizeram o sacro ofício de elevar a consciência dos que, com eles e suas obras tiveram contato. Que Deus abençoe nossa jornada!! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867
- É carnaval
Eu adorava o carnaval. Sobretudo, assistir às escolas de samba. Durante 20 anos, frequentei o Sambódromo, embevecida com aquele espetáculo de cores e sons, hipnotizada com o pulsar da bateria, que acelera o coração da gente e com a oportunidade de presenciar um dos maiores espetáculos da Terra. Entretanto, essa magia se desfez para mim e eu explico por quê. Hoje, o carnaval tornou-se um festival de excessos, acompanhados de violência, sujeira e degradação. As belíssimas fantasias deram lugar à vulgaridade e à nudez, o diabo passou a ser reverenciado por várias agremiações em seus desfiles, as drogas são consumidas livremente, tornando-se, inclusive, desculpa para que tudo seja permitido. As ruas tornaram-se perigosas e as pessoas sentem-se vulneráveis, pois vários crimes são cometidos impunemente. Se os desfiles no Sambódromo mostram artistas e famosos, os blocos de rua trazem a degradação do ser humano comum, que se embriaga até cair e urina em qualquer lugar (até em cima de outro ser humano, num ato que é denominado chuva dourada). Nesses mesmos blocos, as pessoas são assaltadas e algumas até violentadas. Tudo isso me entristece. A modernidade normalizou os excessos, justificando muitas das aberrações que estão ao nosso redor com frases feitas, que não possuem qualquer conexão com a realidade. Então, o criminoso que rouba, espanca e estupra, é produto da “desigualdade social”. O casal que faz sexo em plena rua, está “vivendo a liberdade sexual”. O uso de entorpecentes em qualquer lugar vem da “política de descriminalização de drogas”. O artista que desfila nu ou encena o Diabo, está “representando a sua arte”. Para tudo há uma justificativa. Entretanto, as desculpas criadas, para explicar o caos e a desordem sociais, não são capazes de impedir que, muitas das vezes, haja consequências terríveis para esses comportamentos, com as quais tenhamos que lidar. O retorno de muitas pessoas à religião e aos valores morais e familiares tem a ver com o outro lado dessa moeda, uma forma de reação natural ao que não se quer viver, ao lugar para onde não se deseja que a sociedade caminhe. Tudo tem um limite. Há um renascimento de um conservadorismo forte no mundo todo, no literal sentido da palavra: conservar aquilo que deu certo para a civilização, preservando valores morais e atitudes, que não podemos permitir que pereçam, pois o que estamos testemunhando é um show de horrores que parece não ter fim. Avançamos tanto em conhecimento, escolaridade, tecnologia, mas regredimos em valores e costumes. Acontece que muitas sociedades sucumbiram, pela perda de seus valores mais importantes. A sociedade grega. Roma antiga. Temos vários exemplos do que não devemos fazer, sob pena de perecermos como civilização. Entretanto, para o bem e para o mal, o ser humano está sempre testando limites, esticando a corda, querendo mais. Não há mais o que se possa desejar, que não esteja legitimado na sociedade atual. No entanto, embora sejamos livres para fazermos o que quisermos, nem tudo que nos é permitido, nos convém. É preciso que, urgentemente, mude-se a direção do leme desse barco em que todos estamos, para que não afunde. Eu não frequento mais o carnaval do Brasil por um simples motivo: os valores que estão sendo incensados, nessa festa popular, não me representam. Ali temos a desordem e o caos da civilização potencializados ao máximo. Nesse cenário trágico que encontramos, nos dias de folia, ninguém é poupado. Contudo, ainda nos é dado o livre arbítrio para decidirmos se queremos fazer parte ou não. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867











