top of page

Resultados de busca

296 resultados encontrados com uma busca vazia

  • “Uma bomba sobre o Japão, fez nascer o Japão da paz”

    Em 1945 chegou ao fim um dos marcos temporais mais importantes da era contemporânea e com ele surgiu um capítulo à parte, dentre os mais controversos e tristes da história humana: as explosões atômicas em Hiroshima e Nagasaki (6 e 9 de agosto). As duas explosões permanecem entre os eventos mais dramáticos e ainda mal explicados da história militar. A partir dos anos 60 o movimento historiográfico de viés marxista começou a moldar uma linha narrativa que frequentemente descreve aqueles bombardeios como desnecessários, caracterizando-os como meros testes de armas nucleares ou ataques indiscriminados contra populações civis, apenas o resultado do ímpeto imperialista americano. No entanto, uma análise mais abrangente do contexto histórico, militar e estratégico revela que as decisões tomadas pelos Estados Unidos foram baseadas em uma complexa avaliação de cenários, buscando encerrar a Segunda Guerra Mundial com o menor custo possível de vidas humanas, por mais paradoxal ou contraproducente que aquela decisão possa parecer. Este artigo busca apresentar uma visão mais equilibrada, destacando os motivos estratégicos e o contexto geopolítico que levou àqueles eventos. Em maio de 1945 a Segunda Guerra Mundial na Europa havia terminado com a rendição da Alemanha nazista. No entanto, no Pacífico, o Japão continuava a resistir ferozmente, apesar de estar em uma situação militar insustentável. Os Aliados haviam conquistado ilhas estratégicas, como Iwo Jima e Okinawa, mas a invasão do território japonês continental ainda era um desafio monumental. O Japão, sob o comando do Imperador Hirohito e de líderes militares como o General Hideki Tojo, mantinha uma postura intransigente, recusando-se a aceitar a rendição incondicional exigida pela Declaração de Potsdam. Essa resistência fanática foi evidenciada em batalhas como a já citada batalha de Okinawa, onde milhares de civis japoneses cometeram suicídio em vez de se renderem às forças aliadas. Para os líderes militares, essa disposição de lutar até o fim era uma prova de que o povo japonês estava preparado para enfrentar uma invasão terrestre com determinação implacável. A resistência japonesa era alimentada por uma cultura militar que valorizava a honra acima da vida. O código de honra samurai, conhecido como "bushido", desempenhou um papel central na mentalidade militar japonesa durante a guerra. Esse código valorizava a lealdade, a coragem e a disposição para morrer em combate acima de tudo. A ideia de rendição era vista como uma desonra intolerável, e muitos líderes militares acreditavam que a morte gloriosa em batalha era preferível à capitulação. Essa mentalidade foi reforçada pela doutrina do "gyokusai", que incentivava soldados e civis a lutarem frontalmente até o último homem, mulher ou criança. A invasão do Japão, planejada sob o nome de "Operação Downfall", estava programada para começar em novembro de 1945. A operação seria dividida em duas etapas: a invasão de Kyushu (Operação Olympic) e a subsequente invasão da região de Tóquio (Operação Coronet). Estimativas militares sugeriam que a campanha poderia durar até 1947, com custos humanos catastróficos. Os planejadores militares dos Estados Unidos previram que a invasão resultaria em até um milhão de baixas aliadas, incluindo mortos e feridos. Do lado japonês, as perdas poderiam chegar a vários milhões, considerando a disposição dos civis para lutar até a morte. Além disso, os japoneses haviam mobilizado milícias civis e preparado táticas de guerrilha, o que aumentaria ainda mais o número de vítimas. Diante desse cenário, os líderes americanos buscaram alternativas para evitar uma prolongada e sangrenta campanha terrestre. O general Curtis LeMay, responsável pelo bombardeio incendiário de Tóquio em março de 1945, já havia demonstrado que mesmo ataques convencionais poderiam matar mais de 100 mil pessoas em uma única noite. Ainda assim, o governo japonês não mostrava sinais de rendição. Ainda que por décadas as narrativas da escolha de Hiroshima e Nagasaki apontassem as cidades como inocentes alvos civis, sem interesses militares importantes, ou seja, tudo não passando de um cruel teste atômico, tal escolha não foi arbitrária. Ambas as cidades tinham importância militar e industrial significativa. Hiroshima era um centro logístico e de comando, abrigando o quartel-general do Segundo Exército japonês, responsável pela defesa do sul do país. A cidade também era um importante centro de produção de armamentos e um ponto de embarque para tropas. Nagasaki, por sua vez, era um dos principais portos do Japão, com estaleiros e fábricas que produziam equipamentos militares. Além disso, ambas as cidades haviam sido poupadas de bombardeios convencionais, o que permitiria aos cientistas avaliarem com precisão o poder destrutivo das novas armas nucleares. A seleção desses alvos refletia a intenção de maximizar o impacto militar e psicológico, forçando o governo japonês a reconsiderar sua postura intransigente. O desenvolvimento das bombas atômicas foi resultado do Projeto Manhattan, um esforço científico e industrial sem precedentes que mobilizou mais de 130.000 pessoas e consumiu cerca de US$ 2 bilhões (equivalente a mais de US$ 20 bilhões hoje). Liderado por cientistas como J. Robert Oppenheimer e Enrico Fermi, o projeto buscava criar uma arma que pudesse encerrar a guerra de forma decisiva. A primeira bomba, apelidada de "Little Boy", utilizava urânio-235 e foi lançada sobre Hiroshima. A segunda, "Fat Man", baseava-se em plutônio-239 e foi detonada sobre Nagasaki. Ambas as armas foram projetadas para liberar uma quantidade imensa de energia, causando destruição massiva e ondas de choque que devastariam infraestruturas e abalariam a moral do inimigo. Apesar da devastação causada pelo bombardeio de Hiroshima, a liderança japonesa ainda hesitava em se render. Alguns líderes militares acreditavam que os Estados Unidos possuíam apenas uma bomba atômica e que o Japão poderia continuar resistindo. Outros argumentavam que a rendição incondicional levaria à destruição do sistema imperial e da cultura japonesa. A destruição de Nagasaki três dias depois deixou claro que os Estados Unidos tinham capacidade de produzir mais armas nucleares. As explosões de Hiroshima e Nagasaki causaram a morte imediata de aproximadamente 200.000 pessoas, com dezenas de milhares morrendo nos anos seguintes devido a ferimentos, queimaduras e efeitos da radiação. Embora essas perdas sejam trágicas, é importante contextualizá-las dentro do cenário mais amplo da guerra. O Japão havia sido responsável por atrocidades em larga escala, incluindo o massacre de Nanquim, onde centenas de milhares de civis chineses foram mortos, e a exploração brutal da Manchúria. A extensão da guerra resultaria em mais mortes, tanto de soldados quanto de civis, em toda a Ásia. As explosões de Hiroshima e Nagasaki foram eventos trágicos, mas devem ser entendidas dentro do contexto complexo e brutal da Segunda Guerra Mundial. A escolha desses alvos foi baseada em considerações estratégicas e militares, motivadas pela necessidade de encerrar o conflito com o menor custo possível de vidas. Embora o debate sobre a moralidade dessas ações continue, é essencial reconhecer que as decisões tomadas foram influenciadas por circunstâncias extraordinárias e por um cálculo difícil entre opções igualmente terríveis. A história não deve ser simplificada, mas sim analisada em sua totalidade, considerando todos os fatores que moldaram esses eventos decisivos. Outro elemento crucial que influenciou a decisão de usar as bombas atômicas foi o papel da União Soviética no cenário geopolítico da época. Em fevereiro de 1945, durante a Conferência de Yalta, os Aliados concordaram que a União Soviética entraria na guerra contra o Japão três meses após a rendição da Alemanha. Essa promessa foi cumprida em 8 de agosto de 1945, quando a URSS declarou guerra ao Japão e invadiu a Manchúria. Para os Estados Unidos, a entrada da União Soviética na guerra no Pacífico representava um dilema. Por um lado, a participação soviética poderia acelerar a derrota do Japão. Por outro, ela aumentaria a influência soviética na Ásia, algo que os Estados Unidos desejavam evitar. A bomba atômica, portanto, não era apenas uma ferramenta para forçar a rendição japonesa, mas também um instrumento de poder geopolítico, destinado a demonstrar a supremacia militar americana e conter a expansão soviética. A liderança japonesa, no verão de 1945, estava profundamente dividida sobre como encerrar a guerra. Enquanto alguns membros do governo e do alto-comando militar reconheciam a inevitabilidade da derrota, outros insistiam em continuar a resistência, mesmo diante de circunstâncias cada vez mais desesperadoras. Essa divisão refletia não apenas diferenças estratégicas, mas também questões culturais e ideológicas profundamente enraizadas na sociedade japonesa. No início de agosto de 1945, o Conselho de Guerra japonês, composto por seis membros-chave, estava profundamente dividido. De um lado, estavam o Primeiro-Ministro Kantaro Suzuki e o Ministro das Relações Exteriores Shigenori Togo, que buscavam uma forma de negociar a paz. Do outro lado, estavam o Ministro da Guerra Korechika Anami e os chefes do Exército e da Marinha, que insistiam em continuar a luta. A destruição de Hiroshima em 6 de agosto abalou profundamente o governo japonês, mas não foi suficiente para superar a resistência dos líderes militares. Alguns deles duvidavam que os Estados Unidos possuíssem mais de uma bomba atômica e acreditavam que o país poderia suportar ataques adicionais. Outros argumentavam que a rendição incondicional levaria à destruição do sistema imperial e da cultura japonesa, algo que consideravam inaceitável. A destruição de Nagasaki em 9 de agosto, combinada com a declaração de guerra da União Soviética no mesmo dia, mudou drasticamente o cenário. A invasão soviética da Manchúria eliminou qualquer esperança de mediação por parte da URSS, algo que alguns líderes japoneses ainda consideravam possível. A entrada da União Soviética na guerra também aumentou o temor de uma ocupação comunista do Japão, o que era visto como uma ameaça existencial ao sistema imperial. Diante desses eventos, o Imperador Hirohito, que até então havia adotado uma postura mais passiva, decidiu intervir diretamente. Em uma reunião histórica do Conselho de Guerra em 10 de agosto, Hirohito declarou que a continuação da guerra só traria mais sofrimento ao povo japonês e que era hora de "suportar o insuportável" e aceitar a rendição. Sua decisão foi influenciada não apenas pelas bombas atômicas, mas também pelo temor de que a resistência contínua levaria à destruição completa do Japão. Mesmo após a decisão do Imperador, houve uma tentativa de golpe por parte de militares que se opunham à rendição. Na noite de 14 de agosto, um grupo de oficiais liderados pelo Major Kenji Hatanaka tentou tomar o Palácio Imperial e destruir a gravação do discurso de rendição de Hirohito. O golpe falhou, e na manhã de 15 de agosto, o Imperador anunciou a rendição do Japão em uma transmissão de rádio sem precedentes, conhecida como o "Jewel Voice Broadcast". A rendição formal ocorreu em 2 de setembro de 1945, a bordo do USS Missouri, marcando o fim oficial da Segunda Guerra Mundial. A decisão de Hirohito de se render foi um momento decisivo na história do Japão, encerrando anos de conflito e abrindo caminho para a reconstrução do país sob ocupação aliada. Após a rendição do Japão em 1945, os Aliados impuseram três condições principais: ocupação do país, desmilitarização e remoção do imperador Hirohito. O governo japonês, no entanto, insistiu na preservação da monarquia, temendo que sua remoção levasse ao caos interno. O general Douglas MacArthur, comandante das forças de ocupação, também considerava que a manutenção do imperador poderia garantir estabilidade, evitando que o Japão seguisse o caminho da Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, quando a queda do kaiser e a criação da República de Weimar contribuíram para o surgimento do nazismo. Assim, os EUA aceitaram manter Hirohito, desde que ele renunciasse ao seu status divino e assumisse um papel apenas cerimonial na Constituição de 1947. O uso de armas nucleares contra populações civis levantou questões éticas e morais na época, o que suscitou ideias alternativas, como explodir uma bomba em área desabitada. No entanto, os líderes americanos da época acreditavam que uma demonstração não teria o mesmo impacto psicológico e militar que o uso real das armas. Além disso, havia a preocupação de que uma bomba falhasse durante uma demonstração, o que poderia encorajar o Japão a continuar resistindo. A decisão de usar as bombas foi, portanto, baseada em uma combinação de considerações práticas e estratégicas, embora isso não diminua a gravidade das consequências humanitárias. Por outro lado, as bombas também serviram como um alerta para os perigos da guerra nuclear. O sofrimento das vítimas de Hiroshima e Nagasaki, conhecidas como "hibakusha", tornou-se um símbolo dos horrores da guerra e da necessidade de buscar a paz. As cidades reconstruídas hoje abrigam memoriais e museus dedicados à promoção do desarmamento nuclear e à educação sobre os efeitos devastadores das armas atômicas. Assim, entendemos que toda história tem no mínimo dois lados, mas a verdade sempre paira sobre os fatos, resultando que simplificações morais ou exaltações ufanistas criam narrativas que somente interessam àqueles que desejam ter o controle da História. “ E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido – se todos os registros contassem a mesma história –, a mentira tornava-se história e virava verdade. ‘Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado’, rezava o lema do Partido. (…) O passado, refletiu ele, não fora simplesmente alterado; na verdade fora destruído. Pois como fazer para verificar o mais óbvio dos fatos, quando o único registro de sua veracidade estava em sua memória?” (Winston, personagem do livro “1984”). Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 52 edição de Março de 2025 – ISSN 2764-3867

  • A Ramificação do Mal

    Como definição de ramo podemos dizer que é a divisão ou subdivisão de algo, como por exemplo de galhos de uma planta, originando-se de outro galho ou de um caule. Diferentemente do efeito da simbiose, na qual dois ou mais seres se juntam por um interesse comum, a ramificação é quando um ser maior se subdivide para alcançar seu objetivo. Como um rio que se divide em filetes buscando o caminho do mar. A ramificação do mal difere-se da simbiose, justamente, porque um de seus membros é derivado de outro ser nefasto, que, como forma de buscar propagar sua intenta abissal, dividir-se-á quantas vezes conseguir para então abocanhar sua presa. Como não falar em Saul Alinsky, fundador, mesmo que de forma indireta, de aproximadamente quarenta e quatro organizações não governamentais, todas elas engajadas em promover a revolução. Até mesmo o Ex-presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, figurou como ativista. O sociólogo gramscista espalhou diversas organizações e fomentou a instabilidade através da revolução naquele país, tendo sua obra “Regras para Radicais” (tradução livre), influenciado milhares de ativistas, sejam de grupos raciais, feministas, pautas LGBT, ambientalistas e outras tantas. Importante ver um exemplo de simbiose entre o ativismo revolucionário e o crime organizado no trecho do Mestre em Geográfica Antônio Carlos : “ Na sua juventude, na década de 1930, Saul Alinsky foi apresentado ao famoso ”Al Capone” e sua gangue, onde teve estreita aproximação com o número 2 da máfia (Frank Nitti), com quem confessa ter aprendido bastante sobre a organização criminosa de Al Capone, absorvendo todas as táticas que a máfia utilizava para se manter a organização poderosa (e criminosa) que foi”. A grande diferença entre os seres simbióticos e os ramificados é justamente o fato de que os primeiros podem se unir para buscar algo, no caso o mal em comum, já os ramificados, muito mais perigosos, são facetas diferentes do mesmo ser, não havendo o ponto em que se confrontam. Um outro exemplo curioso é o do dragão vermelho , gigante nação asiática socialista, que ora realiza uma espécie de simbiose com metacapitalistas ávidos por lucro e poder, no segundo caso por serem de natureza progressista mesmo, ora tal nação prefere incentivar o crescimento de empresas parceiras de origem local para que se tornem gigantes internacionais. Uma pequena pausa para reflexão, realmente é inacreditável que possam assumir que exista alguma grande empresa de porte considerável crescendo na sombra do Partido naquele país sem constatar que tal corporação é, na verdade, um órgão governamental que tem uma figura interpretando ser o proprietário. Basta ver o caso da “suposta” espionagem praticada por uma empresa de telecomunicações daquele país e a forma que a ditadura atuou em defesa da empresária, algo como o resgate de uma espiã capturada, ou ainda mais grave, o estranho desaparecimento de um empresário do ramo de exportações, que aparentemente desagradava o regime, tendo, logo em seguida reaparecido, mas com uma atitude bem mais amistosa em relação aos tiranos. Assim como as organizações criadas pelo sociólogo gramscista, trais empresas parecem ter sido criações do regime socialista que comanda a nação mais populosa do mundo, sendo ramificações de tais seres, que servem de instrumentos para atingir seus ignóbeis objetivos. Na América Latina as coisas não foram diferentes, a metodologia é a mesma, por mais que nomes se alterem, como podemos observar a parceria entre grandes empresas e governos tirânicos, tivemos em nosso país s chamadas “campeãs nacionais”, o entrelaçamento entre metacapitalistas e um plano de tomada de poder orquestrado, que por vezes era nutrido pela corrupção, por outras bençãos governamentais, ou, somente pela vontade de ver a submissão às pautas progressistas. O ativismo revolucionário parece ter afetado os mais poderosos de tal forma que a simbiose está causando um grande estrago em suas mentes. A ramificação do mal também pode ser vista a olho nu, movimentos sociais e sindicatos patrocinados por agremiações políticas, organizações não governamentais que se banqueteiam de incentivos estatais, mudando até mesmo a nomenclatura para organizações sociais com o fim de receber diretamente verbas públicas, lei de incentivo à cultura sendo usada para aliciar nomes influentes e farta verba destinada aos veículos de comunicação comprando a simpatia de quem deveria relatar de forma equidistante. Ramificam-se as teses que defendem o desconstrutivismo e propagam cada vez mais o sentimento revolucionário, ao mesmo tempo em que apertam o enforcador quando duas pautas nitidamente progressistas se chocam, fazendo com que a “reinvenção dos fatos”, a pós-verdade , convença os idiotas úteis a abrir mão de toda sua vontade em submissão aos desmandos dos artífices da revolução. Curioso espiar como feministas reagem ao avanço de homens, que se declaram mulheres, em áreas de atuação diferenciada, silentes ao perceberem que uma mulher se vê constrangida a prática de esportes, inclusive de contato, contra seres cuja constituição física resulta em uma flagrante vantagem. A aceitação passiva de grupos LGBT quando a ditadura chinesa trata homossexuais como doentes, mas não aceitam que um sacerdote, não queira celebrar a união entre duas pessoas do mesmo sexo com base e suas convicções, ou pedem a demissão por conta da opinião de u atleta já consagrado, e o pior, tal pedido é acatado por um grupo que prefiro não adjetivar, aceitando a pressão de uma empresa outrora associada a um regime abjeto, a FIAT , “ A famosa Fabrica Italiana Automobili Torino tem sua vida pública menos associada a Hitler e mais ligada à Itália Fascista de Mussolini ”. Não é justo deixar de mencionar a relação entre o socialismo e o crime organizado, em verdade, há dois tipos de coexistência entre ambos. No primeiro caso pode-se mencionar o chamado Jogo do Bicho, a contravenção, que parece ter um comportamento cujo objetivo central é o poder econômico, associando o uso da violência e a rentabilidade, mafiosos dos quais a esquerda socialista não faz a menor questão de se distanciar, acima isso já foi exposto, mas no Brasil temos como exemplo o caso envolvendo Carlinhos Cachoeira, acusado de financiar políticos e até a imprensa. Por fim, não em caráter de simbiose, mas de ramificação da revolução, temos o narcotráfico, e porque não chamar pela definição mais correta, GUERRILHA NARCOSSOCIALISTA , sim, é uma braço armado do socialismo latino-americana e dá continuidade a luta armada. Diferente do que muitos pensam, eles não desistiram das trincheiras para ir aos debates acadêmicos, apenas colocaram pessoas demasiadamente desinformadas para ficar de frente no combate enquanto as movimentam como peças em seu tabuleiro doentio. As facções criminosos resultam do aliciamento político de marginais para lutarem uma guerra contra a sociedade, tanto que lhes foi dada a proteção acadêmica e política, a narrativa de que são vítimas da sociedade os faz ser a antítese de um estado de coisas que os fez caírem na marginalidade, logo, se sente impelidos a reagir, embora suas ações não sejam contra aqueles tiranos que realmente massacram o povo, estão a serviço justamente dos déspotas que os insuflam contra o cidadão de bem, tem sua moral despida, são escravos das drogas que comercializam, tornando-se idiotas úteis com armas de guerra nas mão. Assim como grupelhos revolucionários, são amados pela grande mídia e, por vezes, protegidos por autoridades, que são capazes das piores sandices para garantir que esses agentes do caos sob seu comando inconscientemente aterrorizem cada indivíduo, fazendo-o incapaz de erguer a cabeça contra os abusos. Nota-se que é uma prática latino-americana, não se dá de forma exclusiva no Brasil, sendo seu maior exponente as FARC, mãe do partido colombiano Comuns (mudou o nome para se dissociar da organização criminosa, qualquer semelhança é a imaginação do leitor). Façamos um exercício mental para compreender como o cerceamento de liberdades parece ser incentivado contra os bons e é rechaçado quando se fala dos guerrilheiros, como a energia usada para fechar estabelecimentos comerciais ou exigir uso de mascarás e vacinas poderia ser direcionada contra as facções do crime organizado. Ao mesmo tempo que se busca impedir operações policiais em comunidades, relegando os moradores ao julgo de criminosos, tentam autorizar a demissão de não vacinados sem nunca ter autorizado a demissão de usuários de drogas. O fruto do mal, por sua vez, é a colheita por realizada por aqueles que semeiam o caos, trata-se da imposição de um sistema totalitário em uma sociedade adoecida por tudo aquilo que foi implementado pelos agentes do socialismo, mesmo que de forma inconsciente, a degradação da vida em sociedade fará com que os indivíduos, arrebanhados por grupos que dançam a valsa da morte acoitem aqueles que tentam-se manter livres e implorem por um feitor que os escravizem. Eles se diversificaram, se enraizaram e não desistirão tão fácil, é necessário entender que estas faces têm um só coração, o socialismo a maior chaga da humanidade. “ Um rei governa súditos propensos a aceitá-lo, um tirano governa quem não o quer.” escreveu George Buchanan, influente erudito escocês do século XVI. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 12 edição de Maio de 2022 – ISSN 2764-3867

  • O faraó do Êxodo

    Moisés é o homem mais importante do Antigo Testamento, não só pelo aspecto histórico, mas também pelo teológico. Sua jornada com Deus é incomparável e algumas passagens deixam isso bem claro, como, por exemplo, Números 12:6-8 , “E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor; (…)”. Moisés é um tipo de Cristo, não só pelo viés tipológico, mas também pela narrativa profética. E um desses pontos cristofânicos tem passado despercebido pelo senso cristão comum: o genocídio que antecede a vinda do Messias. Pois assim como uma execução ordenada em larga escala se seguiu à preservação da vida do jovem hebreu que viria a ser o libertador do seu povo, assim também ocorreu por ocasião do nascimento de Yeshua, quando da execução ordenada por Herodes. Pode parecer uma mera coincidência, mas se tivermos a frieza dos “teóricos da conspiração” para juntar as subliminares peças do quebra-cabeça espiritual que envolve essa geração, veremos – aliás, já estamos vendo – algo bem estranho acontecer com nossas crianças e jovens saudáveis, que têm tombado dia após dia nos parques, nas quadras e nos ginásios. Vamos falar sobre isso em textos subsequentes, porque aqui nos limitaremos a tratar das raízes históricas do primeiro evento. Assim como Moisés é um tipo de Cristo, o Faraó, por sua vez, é um tipo de anticristo. Ele não é o único, por óbvio, Ninrode e Nabucodonosor também podem ser incluídos nessa categoria. Os “tipos” não necessariamente reúnem por si só todas as características da figura original, mas apenas elementos, que juntos compõem o retrato final. Na maioria dos filmes o Faraó do Êxodo é chamado de Ramessés, o que é perfeitamente compreensível, dado o fato de que esse nome aparece nas Escrituras em cinco passagens: Gênesis 47:11, Êxodo 1:11, 12:37, Números 33:3 e 33:5 . A questão é que em nenhuma dessas passagens o nome Ramessés faz referência direta a um rei, no caso, o do Egito, mas sim a uma região ou uma cidade, o que não nos dá a certeza absoluta de que o homem que confrontou Moisés tem esse nome. Então que seria ele? Para tentarmos responder a essa pergunta desafiadora, temos que inicialmente determinar, ainda que de modo aproximado, o período em que os israelitas deixaram o Egito, o que por si só é um desafio, visto que os livros convencionais de história foram “convencidos” a deixar esse evento de lado, de tal forma que é possível encontrar alguma coisa sobre ele em obras até o final dos anos 80, depois disso foi ficando cada vez mais vago. Estamos falando de 430 anos de convivência, e que depois se transformaram em cativeiro ( Êxodo 12:40-41 ). É deveras notável não existir uma linha sobre isso em Heródoto. Absolutamente nada sobre a presença israelita em terras egípcias. Mas será que não há, mesmo? O recorte do célebre historiador, que reputo como um dos mais confiáveis da história, dada a vastidão de detalhes e minúcias que os seus relatos trazem, é mais descritivo do ponto de vista sócio-econômico do que precisamente histórico. Mas se observarmos algumas informações que ele dá acerca da rotina egípcia, encontramos pontos interessantes, como, por exemplo: “Ao contrário dos outros povos, que deixam as partes sexuais no seu estado natural, eles adotam a circuncisão ” e “Os egípcios olham os porcos como animais imundos. Se alguém toca indevidamente num deles, ainda que seja de leve, vai logo mergulhar no rio, mesmo vestido”, ou ainda “É vedada às mulheres a função de sacerdotisa de qualquer deus ou deusa: o sacerdócio é reservado aos homens” ( Heródoto, História, vol. I, Livro 2, Editora Nova Fronteira ). As duas primeiras observações estão ligadas intimamente à história ancestral dos hebreus. A circuncisão foi instituída por Deus no capítulo 17 de Gênesis, e o contexto é bem curioso. Abraão, que foi o primeiro homem a receber de Deus a ordem para circuncidar, já havia estado no Egito! Inclusive, ele tinha uma serva egípcia chamada Agar, que lhe deu seu primeiro filho, Ismael, que está na raiz dos povos árabes e assim por diante, enfim. Se observarmos o modo como as Sagradas Escrituras Judaico-Cristãs se referem ao Egito, especialmente de forma profética, é impensável que Jeová pudesse ter “importado” uma prática cerimonial egípcia e transformado-a em sinal de uma de suas alianças com a humanidade e, para ser mais preciso, com o seu povo escolhido. Quando os hebreus adentraram o Egito, na época de Jacó, que já era Israel, e José, o governador, eles levaram a prática para dentro das terras do faraó. E a influência, poder e autoridade de José eram tão grandes ( Gênesis 41:44 ), que não seria nenhum absurdo aceitar que depois de 430 anos de convivência, boa parte dela pacífica, que a prática tenha sido absorvida pelos egípcios. Assim como a rejeição ao porco, que embora tenha sido determinada por Deus aos hebreus de forma incisiva somente após a saída do Egito, nos livro de Levítico e Deuteronômio, não faria sentido, como no caso da circuncisão, ser uma prática importada do misticismo egípcio, podendo ser colocada mais na antiga sabedoria herdada desde os tempos do dilúvio. De qualquer modo, Heródoto não pode nos ajudar muito nessa questão acerca do Faraó do Êxodo. Em sua estupenda “Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica” o professor Norman Gottwald, após pertinentes ponderações, considera algo próximo ao século XIII a.C. como sendo uma das opções mais plausíveis acerca da data do êxodo, ainda que não descarte totalmente uma possibilidade mais remota, o século XV, tendo até citado o nome do Faraó que estava no poder: Tutmósis III. Cita, por fim, um estudioso, sem mencionar-lhe o nome, que acredita que o êxodo se deu sob o reinado de Ramessés III (1176-1145), expondo um argumento interessante. Enfim, temos um ponto de partida. Ainda que um espaço de tempo de três séculos não seja algo assim tão animador. Flávio Josefo, outra fonte íntegra, nos dá detalhes fabulosos sobre a volta de Moisés ao Egito, mas em nenhum momento menciona o nome do Faraó que recebe o hebreu do exílio. Champlin, PhD, sugere que não Tutmósis III, mas seu filho, Amenófis II, estaria no trono no período do êxodo. Aí estaríamos falando de algo próximo a 1440 a.C., e ainda dentro do contexto do século XV e acrescenta que além dessa alternativa, ainda poderia ser levada em consideração a hipótese de Ramessés II estar envolvido no evento, e então voltamos ao século XIII (Champlin, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos). Um dos métodos mais eficientes utilizado para datar o êxodo foi tomar como base a conquista de Canaã por Josué, mais especificamente a tomada de Jericó, que com mais evidências históricas do que a saída do Egito ocorreu por volta de meio século após o êxodo, essa, de fato, uma informação pertinente. Eruditos se debruçam sobre datas que vão de 1400 a.C. a 1350 a.C. Diversas cronologias foram traçadas, envolvendo, além da conquista de Canaã até a construção do Templo por Salomão, em 967 a.C. “As considerações bíblicas dão a entender cronologias mais longas antes e depois do êxodo. Nessa base é razoável considerar cerca de 1450 a.C. como uma data para o êxodo, dando margem para a migração de Jacó e seus filhos, na era quando os hicsos mantinham supremacia sobre o Egito” (Schultz, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. Vida Nova). E então voltamos ao século XV. Concorda com isso Peetz: “A estada no Egito teria durado de 1876 a 1446 (…)” (Peetz, Melanie. O Israel Bíblico. Paulinas) . E destas conclusões tomamos que “Tutmés (ou Tutmósis) III morreu por volta de 1450, e seu filho legítimo, Amenófis II, sucedeu-lhe sem dificuldade”  (Lévêque, Pierre. As Primeiras Civilizações. Edições 70) , o que converge com a ideia de Champlin, no início do parágrafo. Enfim, longe de querer “bater o martelo” de forma conclusiva, o que temos são dois períodos que representam duas linhas de estudo para determinar o êxodo, que são o século XIII e o século XV. Mas se tivéssemos que optar por aquele que apresenta, ainda que de forma discreta, um número mais robusto – se é que isso é possível neste caso – de evidências arqueológicas e históricas, ficaríamos com o segundo período e, desta forma, aceitaríamos sem muitos problemas que quando Moisés retorna ao Egito após um longo exílio na Terra de Midiã, quem está no trono é Tutmés (ou Tutmósis) III, enteado de Hatshepsut, a única mulher a sentar no trono de um Faraó e reinar no Antigo Egito, por conta da menoridade do herdeiro legal do trono. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 52 edição de Março de 2025 – ISSN 2764-3867

  • Os Unidos do Tuyutí

    O dia 24 de maio de 1866 representa para a história da América Latina, como o dia em que ocorreu a mais sangrenta batalha ocorrida em solo sul-americano – a Batalha de Tuiuti. Contando com a participação de mais de cinquenta e cinco mil homens, aquela batalha marcou a consolidação das vitórias da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) durante a Guerra do Paraguai, e que culminaram com a morte do presidente paraguaio Francisco Solano López e a rendição paraguaia. Conhecida na Argentina e no Uruguai como a Guerra da Tríplice Aliança; como Guerra Grande, Guerra Contra a Tríplice Aliança ou ainda Guerra-Guaçu no Paraguai, aquela guerra consta dentre os registros históricos mais importantes de nossos vizinhos ao sul. Este é o tema que pretendemos apresentar e sobre o qual buscaremos refletir, com foco especial em Tuiuti. A região do Rio da Prata, um estuário que reúne as águas dos rios Paraná e Uruguai, desde o período joanino foi de fundamental importância para o acesso e as trocas comerciais com as províncias do centro-oeste e sul do Brasil. Importante não só para o Brasil, mas também para o Paraguai, Argentina e Uruguai. Em termos estratégicos, quem obtivesse o controle da navegação daqueles rios, teria também o controle geopolítico da região sul das américas. Particularmente a região da Cisplatina, conquistada em 1816 no período de D. João VI e perdida em 1828 durante o primeiro reinado de D. Pedro I, já havia sido alvo de disputas entre Brasil e Argentina, abrindo espaço para o surgimento do Uruguai como Nação independente, tendo a Inglaterra como mediadora. No contexto de disputa geopolítica e de divisões internas observadas no penúltimo quartel do século XIX, o Uruguai se encontrava em guerra civil, dividido entre as forças oficiais de Atanásio Aguirre e os rebeldes comandados por Venâncio Flores. Paralelamente o governo brasileiro já havia enviado sua diplomacia para discutir aquelas questões políticas internas e a questão dos estancieiros brasileiros, proprietários de terras no Uruguai e que vinham sofrendo ataques e assaltos, tendo muitas de suas cabeças de gado roubadas naquelas incursões. A questão se arrastava desde junho de 1864 sem solução, quando novos fatos precipitaram o início do conflito. Em agosto o governo brasileiro ameaçou promover uma intervenção no Uruguai caso não houvesse solução para a questão dos estancieiros e o fim da guerra civil. No mesmo mês o Uruguai rompeu relações com o Brasil e, em outubro o Uruguai foi invadido pelas tropas do império brasileiro. Em novembro, percebendo a ameaça que poderia representar a invasão do Uruguai, e temendo o aumento da influência brasileira na região, o governo paraguaio como forma de retaliação, apreende o navio a vapor brasileiro Marquês de Olinda e, em dezembro declara guerra ao Brasil, invadindo em seguida Corumbá e Dourados no Mato Grosso (atualmente localizados no Mato Grosso do Sul), além de assentamentos próximos. Solano López intentava expandir o território paraguaio, ocupando o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul, as regiões de Corrientes e Entre Rios na Argentina e por fim o próprio Uruguai. O sonho expansionista de López visava a formação de uma “grande pátria” paraguaia, que faria frente ao império brasileiro e garantiria o controle da navegação dos rios Paraná, Uruguai e do conjunto do Rio da Prata. O acesso exclusivo ao comércio atlântico garantiria riqueza para o Paraguai e tornaria o centro-oeste brasileiro uma região difícil de acessar e manter. Mesmo com a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança em 1865, entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai (já pacificado), este fato não impediu a incursão das tropas paraguaias na Argentina e a ocupação de Uruguaiana no Rio Grande do Sul. A crença era de que o conflito seria breve e a vitória fácil, dada a superioridade numérica dos aliados, seu maior poderio bélico e seus artefatos tecnologicamente mais modernos. Entretanto, os rios eram domínio das forças paraguaias e seu avanço também em terra somados às suas vitórias, punham em questão a capacidade dos aliados de vencerem o conflito. Porém, ainda em 1865 com a vitória na Batalha de Riachuelo e a retomada de Uruguaiana, as forças paraguaias sofrem um revés, ainda não o suficiente para diminuir o seu ímpeto. A meta dos aliados após Riachuelo, era a conquista de Humaitá. A jornada iniciou ao cruzar o rio Paraná e a efetiva invasão do território paraguaio. Região pantanosa e era de dificílimo progresso para as tropas de infantaria e cavalaria. De igual modo o transporte de peças de artilharia se demonstrava tarefa penosa para as tropas. Por fim, atacar e conquistar o conjunto de fortificações de Humaitá demandaria inúmeras perdas humanas e despesas. A base de operações dos aliados foi instalada em meados de maio, no encontro dos rios Paraguai e Paraná, às margens da Laguna de Tuyutí, cerca de 14 quilômetros de Humaitá. A região foi escolhida por ser de terreno seco, algo pouco comum na região. O avanço das tropas encontraria juncos, areais espinhosos e pântanos até chegar às forças paraguaias, e contou com outro adversário: a cólera. A epidemia fazia numerosas baixas entre os aliados, tornando a missão ainda mais difícil. Outro ponto era a relação de espaço versus contingente alocado. Cerca de trinta e dois mil homens, cavalos e equipamentos, ocupando uma área de aproximadamente 1000 hectares de terra. Espaço exíguo para um acampamento militar e para a perfeita movimentação de tropas com tal contingente. De acordo com as estratégias militares, consolidadas por milênios de experiências em batalhas campais, atacar um inimigo em sua fortaleza, expõe as tropas a um cenário extremamente adverso. Certamente não seria a estratégia preferida de qualquer general, ainda mais diante das dificuldades de avanço, o cansaço e a epidemia. Ainda assim, o ataque foi marcado para 25 de maio de 1866, porém, Solano López fora alertado da proximidade das tropas da Tríplice Aliança e decidiu surpreender a todos - incluindo seus generais - ao propor um ataque preventivo e de surpresa ao acampamento aliado. Usando de eufemismo, a estratégia era ‘inovadora’ porque pretendia lançar a cavalaria à frente da infantaria. Algo completamente surpreendente segundo as técnicas usuais de combate da época, que aplicavam inicialmente a artilharia e a infantaria, utilizando a cavalaria para finalizar os combates. Apesar de sui generis, a seus generais pareceu exequível e, considerando que não era possível a qualquer general paraguaio se opor a uma ordem vinda de Solano López, restava pôr em ação seus vinte e quatro mil homens, divididos em quatro colunas: duas à frente, uma na retaguarda, e uma a leste do acampamento aliado. Antes de prosseguir, cabe destacar que as forças aliadas não conheciam o terreno que intentavam conquistar, desconheciam o poderio bélico paraguaio e não buscaram fortalecer as defesas do acampamento, contando com a aspereza do meio-ambiente como impeditivo para que o inimigo abandonasse sua base segura. A exceção àquela quase consensual displicência estratégica entre o comando aliado foi o tenente-coronel Emílio Louis Mallet, comandante do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo do Exército Brasileiro, que ordenou que fossem cavados fossos largos e profundos e que, fossem também encobertos por vegetação para servirem como elemento surpresa e impeditivo para o avanço inimigo. Tal preparativo, além de manter seu regimento constantemente em prontidão, foram o elo forte que manteve firme a resistência e posterior vitória aliada na batalha. Os preparativos de Mallet foram vivamente criticados por seus pares que consideravam desonroso qualquer fuga ao combate aberto, homem a homem. A inversão da lógica de batalha pretendida por Solano López, associada à postura de Mallet de atenção à defesa de seu flanco na vanguarda do acampamento e, a ampla vantagem oferecida pelos canhões e fuzis raiados, que davam maior precisão no disparo, deram a vitória aos aliados. A desproporção numérica de vinte e quatro mil paraguaios contra trinta e dois mil aliados não teria sido suficiente para garantir a vitória. O terreno impróprio para uma batalha campal, as sólidas fortificações inimigas, o desconhecimento do terreno e do próprio inimigo contavam contra. O ataque que deveria ter ocorrido ao raiar do sol do dia vinte e quatro de maio, foi adiado em função da espessa neblina de maio que se abatia sobre a região pantanosa. Apenas nas proximidades do horário do almoço é que os primeiros tiros foram ouvidos, enquanto às centenas, os infantes paraguaios erguiam suas espadas em direção ao acampamento. Os canhões raiados franceses La Hitte, abriram clarões nas colunas formadas pelos paraguaios. Homens e cavalos eram despedaçados enquanto outros caíam no fosso de Mallet (bendito fosso!). As posições aliadas menos preparadas, em pouco tempo se reorganizaram e rechaçaram o ataque usando tanto quanto possível a artilharia. Os corpos se sobrepunham durante a carnificina e aos milhares os paraguaios eram mortos. Também entre os aliados as baixas foram sentidas, em número menor, possivelmente em razão dos mosquetes de pederneira e fuzis não raiados dos paraguaios, o que diminuía a prontidão de uso e a precisão de tiro. Quase seis horas depois dos primeiros disparos, os sobreviventes paraguaios desataram em debandada apressada. Os aliados contavam perto de mil mortos e quase três mil feridos; entre os paraguaios estima-se que tenham tombado em torno de seis mil homens e entre os feridos um pouco mais de sete mil. Foi uma enorme derrota para Solano López. Quanto aos aliados, elevou em muito o moral das tropas e proporcionou a partir daquele 24 de maio o ponto de inflexão que levou à vitória final da Tríplice Aliança em março de 1870. Alterando drasticamente nossa análise dos fatos ocorridos entre 1864 e 1870, e avançando para a atualidade, quando lançamos o olhar sobre o cenário eleitoral e político de 2022, mais uma vez constatamos que há muito o que aprender com a história. Assim como na de Tuiuti, não se pode contar com a superioridade numérica. Mesmo diante de manifestações e motociatas que literalmente tomam as ruas, deixando obvia a ampla maioria sobre o eleitorado de oposição, as estratégias adversárias podem tentar subverter a lógica e nos pegar de surpresa. Jamais devemos nos esquecer que, enquanto soldados defensores de valores que transcendem a nós mesmos, ocupamos espaços ainda diminutos, estando cercados por uma ‘região pantanosa’ repleta de juncos, formada ao longo de quase cem anos de história do Brasil. Estes pântanos são formados pelas instituições e órgãos de Estado que se encontram aparelhadas e resistem contra a alteração do status quod. Os juncos são compostos por funcionários públicos, sindicatos, militantes e ONG’s que igualmente resistem ao avanço das ideias e práticas ligadas ao conservadorismo e à libertação do povo brasileiro. Assim como as tropas aliadas, não conhecemos o território no qual avançamos, visto que permanecemos por décadas na segurança de nossos lares, completamente alheios à realidade cruel do ambiente político e hipnotizados pelas mídias compradas. A cavalaria foi utilizada em Tuiuti como primeiro artifício, invertendo a lógica das batalhas. Nos tempos atuais a cavalaria assume a forma dos condutores da informação, ágeis e capazes de derrubar qualquer um que se ponha a sua frente. Subvertendo a lógica do conhecimento, a informação trazida pela ‘cavalaria’ supõe colocar-se acima dos fatos, mas ante a potência dos canhões da realidade, é despedaçada e vencida. Por outro lado, de sorte que contamos com a liderança de um ‘capitão Mallet”, sempre atento às possibilidades de ação dos adversários da Pátria. Tantas vezes seus alertas e suas ações preventivas são tratadas com desdém e tidas como “sem fundamento”. O fosso representado pelos valores da família, da fé em Deus e da defesa da Pátria, garantidos pelo nosso Mallet moderno, é que tem impedido que o inimigo não tome de assalto e de uma vez por todas o nosso acampamento. Segundo analistas da época, um dos maiores erros estratégicos das forças aliadas foi não ter marchado no rastro dos fugitivos, dando-lhes a chance de se reagruparem após a derrota que sofreram em Tuiuti. Igualmente, ainda há entre nossos aliados contemporâneos aqueles que entendem a ocupação e manutenção de nosso acampamento como um fim em si mesmo. Não! Devemos partir e conquistar o quanto antes as posições defensivas de nossos adversários, posto que estão sempre buscando realinhar fileiras contra nós. Concluímos que no século XIX o controle dos rios Paraná e Uruguai, conduziam à riqueza e prosperidade os seus controladores e consequentemente a perpetuação de seu poder. Em nosso passado recente, percebemos que os rios estatais que poderiam servir ao bem comum da população brasileira, na verdade sangravam nossas riquezas e vinham sendo controlados pelos que sempre buscaram se perpetuar no poder, mantendo cativos o pensamento e as potencialidades de nosso povo. Finalmente, para que nossa batalha não se estenda por muitos anos, vamos enfrentar o pântano, o junco, a cavalaria inimiga, seguindo em frente rumo a ‘Humaitá’, a ‘Assunção’ e finalmente derrotaremos o exército vermelho do ‘Solano López’ contemporâneo, e sua ideologia da “grande pátria” da América Latina. Se antes apresentavam fuzis e mosquetões, agora suas armas são a foice e o martelo. Estejamos atentos! Brasil acima de tudo, Deus acima de todos! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 12 edição de Maio de 2022 – ISSN 2764-3867

  • A Simbiose do Mal

    Não é de um anti-herói ou vilão dos quadrinhos que pretendo escrever, embora a natureza da personagem seja naturalmente ligada ao que será abordado, não se trata de uma ficção a simbiose em questão. O conceito de simbiose é a coexistência entre dois seres vivos de espécies diferentes com benefícios, ao menos aparentes, para ambos os seres, também é chamada de mutualismo, por pressupor uma reciprocidade, ainda que em desequilíbrio, entre ambos. Há de se falar de associações entre seres vivos que são denominadas de formas diversas justamente em razão dos benefícios das partes envolvidas, a saber, o comensalismo, no qual apenas um dos lados obtém vantagens, sem causar prejuízos ao seu coabitante, e o parasitismo, em que uma parte se locupleta da outra. A simbiose pode se transformar facilmente em uma das uniões citadas, mas ainda que não o faça, o mutualismo pode ter os piores fins possíveis, tornando-se um mal de grandes proporções, ainda que conserve sua natureza, bastando, para tanto, que seja a associação essencialmente vil. Sendo possível uma simbiose com um fim espúrio, poder-se-ia imaginar que ambos os seres que dela fazem parte se beneficiam para causar o mal, o que é a mais triste verdade, entretanto, como cita um amigo, “sempre haverá um entretanto”, se a associação entre dois parasitas poderia ser boa para ambos, alguém lhes servirá de alimento. Tratando da famosa simbiose dos quadrinhos, vislumbra-se a união de forças para os fins errados em um dos antagonistas do enredo, denominado Carnificina (nome original Carnage), posto que, comunga um ser alienígena desprovido de moral e o psicopata Cletus Kassady, logo, duas forças malignas que se somam. Voltando ao mundo real, pena que tal simbiose não ocorra apenas na ficção, podemos espiar inúmeros casos em que seres se unem com o fim de se beneficiar mutuamente, mas fazendo o mal a alguém que servirá de “hospedeiro”, o termo correto seria vítima, de tal união. Algumas associações podem aparentar fins justos, outras deixam claro que seus objetivos não são nobres e, há aquelas que não podem ser declaradas abertamente, pois sua natureza é tão abjeta que devem viver nas sombras, ao menos até que tenha a força de se sustentar mesmo ante da ojeriza por parte daqueles que podem ver sua verdadeira face. Com os ditos fins justos, preciso voltar a ficção para me fazer entender, poder-se-ia imaginar uma associação supranacional que tem por fim a paz entre os povos, mas que gradualmente subtrai-lhes a soberania tornando-os reféns de uma elite central. Claro que somente em livros e filmes podemos experimentar tais figuras. Uma outra possibilidade, trazida à luz pelo, à época, Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, seria o uso do Poder Judiciário por partidos políticos para obter resultados que não conseguiram nas urnas, e por consequência, nas casas legislativas, in verbis: “ De início, é dado presumir, não estou afirmando que isso ocorra, que esses partidos não são da sustentação do Governo, que esses partidos são de oposição e utilizam o Supremo como instrumento para fustigar, a partir de n presunções, a partir de verdadeiro ranço, no que se tem a origem da Agência Brasileira de Inteligência – Abin, o SNI, o Serviço Nacional de Informações, o Governo – de direita ”. (STF: Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.529 DF). Onde podemos perceber que pode ocorrer a simbiose entre partidos e o judiciário, ou entre estes e o Ministério Público, fazendo que o povo acredite em ações que na verdade são jogadas ensaiadas, uma vez que, o autor da ação sabe o que esperar dos julgadores. Estaríamos diante, não apenas da judicialização da política, mas de julgamentos preordenados, já que conhece-se a postura dos magistrados antes mesmo de se ajuizar a ação, de maneira que, participando ativamente de embates políticos e exteriorizando suas posições antes mesmo de provocados, alguns julgadores dão pistas de quais decisões tomariam em determinados casos, deixando assim o autor da ação confortável em recorrer ao Poder Judiciário e sustentar suas teses, sabendo que aquele que julgará a ação comunga de suas pautas e não faz questão de esconder seu amor ideológico por elas. Para entender as uniões por motivos não tão nobres pode-se ver, no mundo real, a trágica proximidade entre o Talibã e o Partido Comunista Chinês que garante ao primeiro, claro que com a complacência dos Estados Unidos da América, total ingerência sobre o povo do Afeganistão e ao segundo a liberdade para “reeducar” uigures em seu território. A hipótese mais sinistra (termo que está em Português, mas serviria muito bem se estivesse em italiano) de simbiose é aquela que não se revela até ter certo poder que lhe garanta a subsistência apesar do mal que se traduz nela. Um fatídico exemplo é o Foro de São Paulo, cuja existência era negada pela esquerda latino-americana, entretanto, após se permear nas estruturas de poder, saiu das sombras por saber-se protegida em razão de sua força política. A simbiose do mal existe em inúmeros casos, mas não deve ser confundida com a ramificação do mal, pois tem a natureza de juntar mais de um artífice da destruição, como sindicatos que se unem aos governos e a pior espécie de empresários para fazer um baile que parece uma luta. Enquanto expectadores assistem o que acreditam ser uma batalha, em verdade, contemplam uma dança bem ensaiada entre amantes que, regrados ao melhor que há, encenam de forma convincente para direcionar os menos perspicazes ao destino trágico rumo ao abate. As lideranças revolucionárias são capazes de se unir para manter-se no poder, mas se há uma justiça natural, e há, elas se autodestruirão buscando aumentar seu poder em relação ao hospedeiro, a simbiose do mal levará, inevitavelmente, os parasitas que se associam ao enfrentamento quanto um deles, ou ambos, se julgar capaz de engolir todo o hospedeiro, considerando que seu assecla ou par já não lhe é mais útil, tendo servido ao propósito para o qual se aglutinaram, tal qual Josef Stalin fizera com Leon Trotsky. A nação asiática já mencionada nutri uma relação de simbiose com uma elite metacapitalista que, por um lado alavancava o crescimento do país e por outro permitia altas margens de lucro aos empresários. O resultado, uma dependência recíproca em que um grupo tolera os arroubos do outro, ao menos, até poder fincar-lhe um punhal nas costas e jogar aos leões. Trata-se de uma inevitável ruptura, mais fica a dúvida de qual dos simbiontes sairá mais ferido dela. Há muitas simbioses que poderiam ser exploradas, contudo, é importante salientar que a característica fundamental é que a união seja entre seres diversos e não do fruto, ou ramificação, da própria criatura e a mesma, o que é ainda mais comum. Os seres simbióticos têm origem diversa e vão se unir por interesse mutuo, podendo a aliança ser duradoura ou momentânea, pode ser ainda homogênea ou heterogênea, no primeiro caso temos o Eixo na Segunda Grande Guerra, em que todos tinham o mesmo fim repugnante, bem como, a Internacional Socialista ou o Foro de São Paulo, mas sendo heterogênea pode unir forças com fins diversos como os Aliados e Soviéticos que deram-se as mão contra o nazifascismo, mas, por óbvio, qualquer aliança heterogênea deve ser momentânea e não deveria gerar simbioses, mesclar os seres em si. Decorre de tal constatação algo que deve ser refletido e pode não ter uma resposta simples, a aliança entre metacapitalistas e um país socialista não deveria ocorrer, e ocorrendo, deveria se dissolver rapidamente, sem que a membrana de ambos permitisse a união entre eles, ou, estaríamos diante de uma união homogênea em que ambos, ao seu modo buscam o controle sobre as massas e se fizeram juras matrimoniais com o fito e subtrair a autodeterminação dos povos, ou ainda pior, o livre arbítrio de qualquer um que não pertença à oligarquia dominante. A relação entre seres abissais gerará uma criatura forte porém faminta, já que as pretensões daqueles que se aglutinam com propósitos nefastos somam-se para criar uma vontade não tão única mas de força colossal, logo, uma vez retirada a abundância de alimento, no caso se vassalos, aqueles que outrora se uniram para vilipendiar aqueles que serviam de hospedeiros, buscarão alimentos em seus pares, digladiando-se até que um seja engolido ou morto. Fácil constatar que o destino das partes que se unem pelo mal é se destruírem, sendo pela fome, na falta de quem expropriar, ou pela empáfia de um ou mais de seus criadores, a simbiose do mal é sempre parasitária e precisa de alguém para se alimentar, mas tem um caráter de metástase, tentará avançar até que seu hospedeiro esteja morto ou que seja confrontada. Neste diapasão é imperioso observar que tal monstro manterá defesas caso venha a ser confrontada, podendo se insurgir contra aquele que busca se livrar dela, por vezes se vitimizando, por outras usando a força para atacar cada vez mais. Qualquer semelhança com a realidade em que vivemos é mera coincidência. Libertar-se do parasita é essencial, mas não é algo simples, pois, como mencionado, alguns desses seres só se manifestam quando já possuem raízes em órgãos vitais, não podendo ser simplesmente arrancados. Lembrando que cortar-lhes a nutrição fará com que tentem abocanhar ainda mais, tornando-os agressivos. A primeira coisa que deve ser liberta é a consciência, pois sem saber que as forças malignas estão atuando em sintonia, há o grande risco de se combater uma alimentando a outra, de maneira que não surtirá efeito lutar. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 12 edição de Maio de 2022 – ISSN 2764-3867

  • A filosofia do outono

    No dia 20 de março deste ano, celebramos a chegada do outono, a terceira estação do ano, sucede o verão e antecede o inverno. Um momento marcado pelo início da queda da temperatura e pelo amarelar e queda das folhas, mas o que há por trás desse movimento físico do planeta, e que lições podemos tirar dele? A filosofia pré socrática foi marcada pelo comportamento de característica esotérica dos filósofos da época; isso porque eles pautavam seus estudos no “por quê”, e não no “como as coisas aconteciam”. Com esse conceito, verificaram as causas e não os fenômenos. De lá pra cá, a visão mudou; agora a ciência ocupa-se no, como as coisas acontecem, investindo seus esforços nos fenômenos, o que promoveu cada vez mais o materialismo. Com tudo, ainda podemos aproveitar algumas lições daquele tempo, (que ainda é muito atual) trazendo para nosso cotidiano a inteligência que há nas forças da natureza para pautarem nossos comportamentos e nos alinharmos a elas, pois é para isso que as leis da natureza existem: Para nos servir de referência. Na tradição cristã, Jesus, é chamado de " Sol da justiça" ou " A brilhante estrela da manhã" Tinham o sol como referência, pois assim como o sol, o que Jesus emanava, fazia bem a todos, e assim como o sol, nada nem ninguém poderia pará-lo, e nele estava a vida. Nessa linha de pensamento o outono vem nos ensinar alguma coisa que, se soubermos interpretar, com certeza, nossas ações darão mais e melhores frutos no futuro. Vou descrever o esquema das estações do ano e relacioná-las às nossas ações diárias. A primavera é uma estação que promove uma energia de começo, nela há um impulso de vida fazendo com que cores e formas comecem a mostrar que " algo novo virá". Por isso vemos as folhas, flores e todo o ser vivo com um brilho diferente, com muita beleza nessa época. Podemos relacionar a primavera com nosso impulso de querer fazer algo novo, melhorar nossas ações e ambientes; teremos aí uma força para recomeçar a vida com toda a beleza que isso implica. Quem nunca achou belíssimo ver a transformação de vida de pessoas que outrora numa condição deplorável, decide retomar suas vidas fazendo florescer tudo à sua volta e dos que a acompanham? Já o verão é o fruto, o resultado de toda aquela energia da primavera que foi devidamente absorvida pela natureza e agora das flores vem o fruto, e sabemos que quanto mais melhores e belas as flores, melhores e mais belos os frutos. Quem de nós não ficou feliz em ver os projetos, planos,sonhos de pessoas próximas ou não, que com a força de uma começo ou recomeço colheu o fruto do seu esforço? O outono, estação que agora estamos, é o momento para reflexão, análise ou crítica de tudo o que fizemos, pois assim como as estações do ano, essa fase vai passar e logo virá um novo começo, com a intenção de evoluirmos, sempre. Claro que já vimos muitos amigos que após conquistarem um objetivo, agora se ocupam em planejar o futuro baseado nas suas conquistas. Por exemplo: após conquistar o emprego dos sonhos, a tarefa agora é refletir sobre tudo o que fez, quem o ajudou, tudo o que investiu... Tendo agora o amadurecimento das ideias, é hora de pensar e repensar a vida. Por fim, o inverno é o momento em que se não houver a maturidade do outono, podem surgir perguntas como: eu conquistei o que queria, mas é só isso? Não é como eu pensava. Por que apesar de tudo eu não estou feliz? Enfim, é hora de interiorizar a vida e saber que algo tem que morrer, ficar para trás e preservar as sementes que ao chegar a nova primavera, irão brotar. Claro que já vimos pessoas depressivas e insatisfeitas com suas vidas, pois após tanto esforço não estão felizes com tudo o que conquistaram, e fica a sensação de que não valeu a pena, mas o inverno tem a função de nos levar a um cenário onde veremos que precisamos recomeçar, renovar nosso ânimo, nossas ideias e convidar a primavera para um encher de vida o cenário que ao fim de um ciclo, mostra que precisamos continuar. Imaginemos uma sociedade em que um povo idealista que tem como meta um mundo melhor e logo luta por isso, vendo alguns os frutos desse idealismo, ficam ainda mais animados com a ideia, porém chegado o momento de planejar o futuro, não o fazem e quando chega o inverno, todos desanimam pois o cenário, frio, quase sem vida e com poucos recursos, parece mostrar que toda aquela animação das estações anteriores não valeram a pena, é aí que a natureza os ensina que logo virá a primavera, e com ela uma nova oportunidade, com mais maturidade, experiência e força para a nova fase de lutas por um mundo melhor, pois o futuro nos aguarda. Se não desfalecermos, colheremos os frutos de um verão melhor, vindo as reflexões que o novo outono propõe, nosso inverno será melhor aproveitado com planos que nos farão dar mais um passo em direção ao que almejamos, pois a primavera logo chegará. Que Deus abençoe nossa jornada! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 52 edição de Março de 2025 – ISSN 2764-3867

  • Desprezíveis e desprezados

    A constante busca por privilégios mascarada de luta por igualdade é a energia dos chamados grupos identitários, notadamente, as lideranças de movimentos organizados que alegam representar grupos de indivíduos rotulados conforme os interesses de um centro nervosos ou daqueles que aspiram poder, usam sua suposta representação para angariar apoio e se apossarem de bandeiras como meio de se estabelecer no cenário político, buscando, na superfície, impor sua agenda a toda sociedade, ao passo que, nas entrelinhas, garante poderes de açoitar qualquer um que tente se opor a sua escalada. O Superior Tribunal de Justiça em decisão inédita, mas não inesperada, considerou que não há como considerar criminosa uma conduta que tenha como base a ofensa a outrem por sua cor de pele quando o alvo da injúria for um indivíduo branco . Não fazendo críticas à corte ou a sua decisão, posto que, na democracia atual, qualquer cidadão que ouse fazê-lo é considerado um conspirador que pretendo derrubar o Estado Democrático de Direito e ameaça as instituições, mesmo que com palavras, pois bolas de gudes seriam, quem sabe, consideradas como armas de uso restrito, o que pretendemos analisar são as possíveis consequências de tal decisão judicial. Em um primeiro momento, faz-se necessário explicar o quão abrangente é uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, órgão que figura no topo da chamada justiça comum, de forma que, tem como missão central o julgamento de recursos advindos da Justiça Federal e da Justiça Estadual, sendo, portanto, um tribunal único para todo o Brasil, por mais que existam subdivisões em seu corpo, as chamadas turmas. O Judiciário à exceção do Supremo Tribunal Federal, divide-se em justiça comum e justiça especializada, de forma que, os processos de cunho eleitoral, trabalhista e militares, somente nos casos das Forças Armadas, não correm o risco de serem analisados pelo STJ, pois, como órgão da chamada justiça comum, está afetos aos processos que não tramitam na justiça especial, composta pela Justiça Eleitoral, Trabalhista e Militar, as quais possuem seus próprios tribunais superiores. O Supremo Tribunal Federal é, portanto, a única corte que pode receber processos de qualquer natureza, desde que arguida violação à Constituição e o interesse geral. O STJ, por sua vez, pode ser considerado o topo, quando não há questões constitucionais em jogo e, o que merece especial atenção, pode rever as decisões dos tribunais federais e estaduais. Um ponto importante a ser mencionado é a impossibilidade das decisões do aludido tribunal superior em editar as chamadas súmulas vinculantes, que, a despeito das críticas em relação ao instituto, prometem dar maior segurança jurídica e celeridade aos processos que tratem de assuntos já enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que, exercendo uma força análoga à lei, vinculam as decisões dos juízes e tribunais de todo o Brasil a reconhecerem um posicionamento da Corte Constitucional como preceito legal, julgando em consonância ao entendimento do STF. O Superior Tribunal de Justiça não possui tal prerrogativa, entretanto, é capaz de editar súmulas sem o efeito vinculante e orientações judiciais, sendo necessário pontuar que, diante da segurança jurídica, se é que o Brasil ainda possui alguma, as decisões do STJ devem ser observadas no âmbito da análise jurisprudencial, podendo ser invocadas por partes, pelo Ministério Público, em seus pedidos, ou pelos magistrados quando emitirem seu julgamento. Ao considerar que não há injúria racial quando a ofensa for direcionada a um branco, o Superior Tribunal de Justiça reconhece a famigerada tese que não há “racismo reverso”, termo que deveria ser rejeitado, acolhendo uma narrativa que o racismo é algo estrutural e só pode ser aplicado quando, em uma determinada sociedade, há uma relação de poder e opressão histórica entre uma “raça” e outra. Sendo assim, o branco não seria merecedor da proteção estatal, pois sua “vantagem” natural não permite que seja vítima de uma ação movida pelo ódio. O termo racismo reverso não merece aceitação, pois, assume que o racismo tem um curso natural e que o sentido contrário é uma exceção tolerável, como se fosse uma espécie de revanche permitida, uma visão complexa que colocaria todas as pessoas em profundo risco, uma vez que, justificaria inúmeras guerras, face às ocorrências históricas que se um determinado grupo poderia reaquecer no intuito de expropriar ou mesmo dizimar outro. Ao assumir que somente um grupo merece a proteção legal quando é vítima de um ataque desprezível por conta de sua cor de pele, etnia, religião ou qualquer outro fator, dar-se a tal grupo o poder de vilipendiar os demais em sua busca por vingança histórica, único termo adequado a uma revanche baseada em capítulos ultrapassados, desconsiderando o cenário atual e, em boa parte dos casos, a participação de ancestrais daqueles que se tornaram objeto de ódio na mudança alcançada para libertar aqueles que deram origem às alegadas vítimas. Se por um lado, havia brancos que mantinham negros na qualidade de escravos, também existiram brancos que lutaram avidamente pela abolição, assim como, houve negros que mantinham ou comercializavam escravos, de maneira que, açoitar os descendentes dos brancos que em nada participaram no processo de escravidão ou, ainda pior, daqueles que lutaram para o fim de tão nefasta prática , é uma revanche doentia contra destinatários errados, bem como, dar aos descendentes dos negros que outrora se valeram da escravidão é de uma injustiça abissal. Há quem argumente, em favor do alegado racismo estrutural, que a herança histórica de negros e brancos não está ligada a descendência, mas da forma com que a sociedade trata os indivíduos, no cenário atual, pela cor de pele, o que jamais justificaria as chamadas políticas afirmativas, uma vez que, ao impor regras que beneficiam uma alegada minoria em detrimento daqueles que não se enquadram naquela, acentua-se a diferença entre os indivíduos, evidenciando-as ainda mais, o que, por óbvio, aumenta a divisão entre os indivíduos e a categorização destes. A decisão do Superior Tribunal de Justiça, inserindo um sentimento na norma que não é possível perceber através de sua leitura, pois há uma visão ideológica por trás de tal hermenêutica, resulta na descriminalização da injúria racial quando a ofensa se direcionar àqueles que o Estado decidiu, através da convicção de magistrados, relegar ao abandono, sem, contudo, deixar de se alimentar de seu suor ou libertá-lo do chamado contrato social, impedindo a autotutela ao passo que os nega a tutela estatal. Se em um primeiro momento, o racismo é visto, com toda razão, como algo a ser combatido, não há como permitir ou, até mesmo, incentivar que determinado grupo seja alvo de uma ação tão abjeta, portanto, não faz sentido descobrir quem quer que seja da proteção em relação a tal prática, exceto se o objetivo for, justamente, permitir que aqueles, que outrora se diziam vítimas de tais crimes, possam se valer da proteção estatal para promover o seu próprio racismo em uma jornada doentia na qual a vítima foi condenada por sua cor de pele. Podemos concluir que o Estado permitiria um confronto no qual exige-se de um dos lados abstenha-se de usar armas, mesmo ciente de que seu adversário as usará, fazendo com que, em um movimento natural de autodefesa, aquele que está proibido de se opor a qualquer ação do agressor busque evitá-lo, segregando ainda mais os grupos. Isso significaria que o Estado decidiu que um grupo de pessoas, o qual a narrativa rotulou como naturalmente favorecido, não merece proteção contra a ofensa e demais agressões em razão do ódio racial. Aos que, por ventura, acreditam que a decisão do Superior Tribunal de Justiça se restringe ao caso concreto, far-se-á necessário um exercício simples de lógica, pois, se o tribunal que pode reformar decisões advindas dos juízes e tribunais que apreciam as acusações em relação aos crimes de injúria racial, agasalhou a tese que não protege um determinado grupo, naturalmente, o cidadão médio, e os juristas, assumirão que quaisquer condenações de igual natureza serão reformadas em sede de recurso, extinguindo assim a proteção do grupo o qual o Judiciário perece não nutrir a preocupação. No mesmo sentido, se o conceito de injúria racial, retorcido pelo STJ não se aplica quando o destinatário da ofensa for indivíduo branco, igualmente, o crime de racismo passa pela mesma alteração, de forma que, não só a ofensa, mas qualquer tipo de prática abjeta em razão da cor da pele contra aqueles que o Estado decidiu não mais resguardar, tornar-se-á legítima e, portanto, passível de incentivo. Não sendo crime a prática do racismo uma vez dirigida aos brancos, como impedir que atuação de uma organização que dissemine ou patrocine o ódio. Resta evidente o risco de que a decisão resulte na autorização para que qualquer um sofra aberta discriminação em razão de sua cor da pele, desde que seja banco, algo que, como mencionado, não era inesperado, posto que, além da política de cotas raciais, que possuem um condão discriminatório e busca igualar, artificialmente, as condições de acesso à educação e, invertendo valores, a cargos públicos, por mecanismos que subvertem o processo de seleção, criando atalhos para, supostamente, compensar um desequilíbrio que não é factual, sendo considerada apenas a cor da pele. As políticas que alegam defender minorias apenas agravam o distanciamento entre os grupos intitulados pela narrativa como antagônicos, fazendo com que os tocadores de berrante, que se declaram representantes destas minorias se invistam de poderes e imunidades cada vez maiores. O reconhecimento dos movimentos identitários e os privilégios que lhes são conferidos permitem que desequilibrem ao seu favor a balança da justiça, fazendo com que suas lideranças tenham meios de subjugar qualquer um que considerem como alvos e exijam a gratidão de seus vassalos, afirmando que conquistaram algo para o grupo. O flagrante desequilíbrio trazido pela Lei Maria da Penha fez com que muitas mulheres abusassem de seus privilégios para promover vinganças passionais e expropriações , entretanto, resultou no surgimento do movimento autointitulado como Red Pill que, segundo seus membros, prega o desapego da relação como forma de se defender das mulheres que, influenciadas pelo feminismo, usam de sua suposta desvantagem para constranger seus parceiros das mais diversas formas. Ao se afastarem de relações estáveis, os membros do Red Pill, buscariam a proteção através do distanciamento, haja vista que, se não constroem um relacionamento não podem ser alvo de normas feministas que tratam os homens como um lado da relação que deve ser combatido. De fato, as políticas implantadas através da Lei Maria da Penha causam a natural impressão de que o objetivo estatal é criminalizar o homem toda vez que se relaciona com uma mulher. Não por acaso há todo um sistema penal feminista como delegacias e juizados especializados, o que gera constantes alertas, de profissionais do Direito, quanto a subnotificação, ou mesmo, a inércia total quando se trata de notícia falsa de crime. Não obstante, em um episódio no qual uma empresa ofertava vagas de emprego apenas para negros , a estrutura estatal considerou que se tratava de ação afirmativa válida, o que é justo uma vez que o próprio Estado, através de sua política de cotas, segrega pessoas pela cor de pela, entretanto, ninguém seria louco de propor o contrário, pois, ao ofertar vagas apenas para brancos, fatalmente os órgão estatais agiriam com considerável rigor, além de uma possível comoção social. Frise-se que tal proceder, provavelmente, seria reprovado pela maior parte dos indivíduos de pela branca, logo, dever-se-ia esperar que a recíproca fosse verdadeira, mas tudo indica que não é. Avançando ainda mais, convidamos o leitor a um exercício de futurologia com base lógica, portanto, necessário, tendo em mente que, recentemente, uma conhecida cantora decidiu alterar a letra de sua própria música por uma possível conversão ou qualquer outro motivo, substituindo o nome de uma divindade de religião de “matriz africana” por Yeshua, a versão em hebraico do nome Jesus, o que resultou na insatisfação de praticantes da religião de “matriz africana”, o que é um lamento compreensível, mas, de forma aterradora, o Ministério Público do Estado da Bahia recebeu uma reclamação e decidiu investigar a alteração da letra por parte de sua intérprete. O aparato estatal partiu da premissa que a atitude da cantora poderia ser considerada uma ofensa religiosa e, ainda mais grave, a mídia mainstream aproveitou a oportunidade para emplacar a narrativa do racismo religioso , termo que é utilizado até na página da Agência do Senado, de forma preocupante, associando religiões de “matriz africana” aos negros. Não é difícil imaginar os próximos passos da agenda, que, ao que tudo indica, autorizará, ainda mais, o vilipêndio religioso quando o alvo se tratar de uma religião que seja associada às pessoas de pele branca, logo, permitir-se-á a destruição de templos cristãos e judeus, bem como, ataques diretos a tais crenças (que já são ignorados) e seus praticantes em razão de sua fé. Se religiões de “matriz africana” podem ser associadas aos negros, em que pese muitos brancos as pratiquem, o que é totalmente válido, e as religiões como o judaísmo e o cristianismo, seja o catolicismo ou protestantismo, são associadas aos brancos, ignorando o considerável número de negros que as professam, podemos, por analogia, assumir que ataques às religiões “brancas” serão solenemente ignorados pelo Estado, o que leva a crer que a estrutura estatal, a despeito da vontade popular, poderia decidir que a República Federativa do Brasil, outrora disfarçada de laica, não verifica empecilhos para que se revele como um Estado que não abriga os brancos, tampouco as religiões a eles associadas, portanto, uma nação “racista”, mas só contra os brancos, e anticristã. Os desdobramentos da decisão, que não podemos criticar, permitiria ao Brasil alcançar o que atualmente está em curso na África do Sul, país em que o famigerado regime de Apartheid perdurou até 1994, fazendo com que o ressentimento dos negros para com os brancos seja recente e, por isso, mais fácil de ser explorados por lideranças políticas, o que levou a uma explosão de ódio racial em que o Estado pretendia expropriar os brancos , houve um recuo diante de ameaças dos EUA, e movimentos racistas alimentam o ódio com discursos que exigem uma reparação histórica ainda que violenta, dando origem ao mote “mate um fazendeiro branco”, frase encarada com normalidade, em que pese o dito “fazendeiro branco” seja cidadão sul-africano e, nem todos tenham participado ativamente das segregações da era do Apartheid. O ditador Robert Mugabe, do Zimbábue, pregando o mesmo discurso de expropriação dos brancos , destruiu a economia do país e o transformou em um dos lugares mais inóspitos do mundo, entretanto, apesar de as ações da ditadura zimbabuense tiveram início na penúltima década do século passado, a África do Sul parece não ter aprendido com seus erros e promove ações de ódio aos brancos, pois, seu governo aponta um grupo como culpado pelas mazelas que, na verdade, o socialismo africano é o único responsável. Não por acaso, o Zimbábue é governado pela União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU), partido fundado por Mugabe, até os dias atuais, enquanto a África do Sul, desde o final do período do regime de Apartheid, é governada pelo Congresso Nacional Africano, sendo comum a ambos o socialismo africano e o chamado anti-imperialismo. O socialismo africano aproveitou-se do sentimento de revanche em relação ao período colonial para assumir o poder em diversos países daquele continente, por tal razão, precisa manter tal sentimento aflorado na população negra, de maneira que, sempre que possível, os líderes socialistas na África atribuirão aos brancos e as forças externas as mazelas que se abatem sobre suas nações, iludindo e surrupiando o povo, mantendo-o na pobreza para que não sejam depostos do poder e possam suplicar por ajuda estrangeira, mesmo que seja daqueles países que alegam odiar, em especial os EUA. A desumanização de um grupo, atribuindo-lhe culpa pelas mazelas sociais e direcionando a ira popular contra ele, foi o método adotado pelo Nacional-socialismo para expropriar e dizimar os judeus, ódio que parece muito vivo no discurso atual da esquerda pró-Jihad, ávida defensora de grupos como o Hamas e o Hezbollah. O antissemitismo ainda é reprovado pela maioria do ocidente, talvez pelas memórias do holocausto, contudo, a agenda anticristã avança a passos largos e pode alcançar o seu ápice com a descriminalização da intolerância religiosa em relação às religiões trazidas pelos europeus para o continente americano, de maneira que, ataques, como os que ocorrem na África subsaariana, atualmente encoberto pela mídia mainstream, contra os cristão, nos quais ocorrer assassinatos, estupros e raptos de meninas para se tornem escravas sexuais sejam incentivados no Brasil, pois, se podemos tolerar o ódio racial contra brancos e “sua fé”, podemos admitir promoção e até a prática de agressões a tais grupos. O povo brasileiro ainda poderia ter a esperança de que o Suprem Tribunal Federal tenha um entendimento diverso do Superior Tribunal de Justiça, haja vista que, trata-se de uma questão que pode ser discutida à luz dos direitos fundamentais, entretanto, acreditar em algo em tal sentido é quase um delírio, justamente, por conta das constantes manifestações dos Ministros do STF em relações à temas políticos, deixando evidente o posicionamento da corte. Não há como ignorar que as posturas adotadas pelo Estado podem naturalizar práticas de racismo e intolerância religiosa de forma unilateral, sendo importante ressaltar que a Lei Maria da Penha e a criação judicial dos crimes de homofobia e transfobia, já se prestam a proteção unilateral de grupos, não os responsabilizando caso assumam a postura que a não podem ser alvos contra outros grupos ditos privilegiados, de maneira que, a lei e a “norma” editada pelo STF, faculta aos seus protegidos perpetrarem condutas que contra eles próprios, o Estado considera gravemente reprovável. Ao final, políticas desprezíveis, que buscam segregar indivíduos para readaptar a luta de classes, acabam por desprezar parte da humanidade tão somente para que seus líderes alcancem e se mantenham no poder. A proteção unilateral tem como consequência inevitável o abuso da lei por parte dos privilegiados, o avanço do autoritarismo estatal e a segregação daqueles que se rotulou como alvos da revolução. Aos que se consideram oprimidos é prometida a chance, não de se libertarem, mas de se vingarem dos supostos opressores. Aos que são acusados de serem os opressores, será imposto o martírio ou que se dobrem diante das lideranças políticas para que tenham proteção. Aos tiranos interessa o caos que o Estado promove prometendo solucionar, pois assim as promessas nunca cumpridas os garantirá a permanência no poder. Ao fustigar o ódio sem reprimendas, o Estado acabará por aumentar a segregação, fazendo com que movimentos análogos ao Red Pill tornem-se uma regra, de maneira que, brancos evitaram manter relações de quaisquer tipos com negros e heterossexuais façam o mesmo com homossexuais e outros, não por ódio, mas por receio de acusações e agressões que não serão punidas, adotando uma postura defensiva radical por medo de perseguições estatais alimentadas por lideranças que prometeram apoio político em troca da destruição de seus opositores. Atualmente, o STF decidiu estender a proteção da Lei Maria da Penha para homens gays, bissexuais, transexuais e intersexuais, o que leva a crer, ao menos em uma leitura superficial, que o Estado decidiu, pela via judicial de forma a suprimir os representantes do povo eleitos, que apenas homens heterossexuais devem ser desprezados, pois, trata-se de um grupo que não merece a proteção legal, mesmo que a Lei Maria da Penha, que errou ao restringir a proteção apenas às mulheres, tenha excluído qualquer homem de seu alcance, entretanto, o Judiciário, escolheu que somente os homens heterossexuais são seres que merecem o abandono por parte do aparato estatal, sem, contudo, deixar de cobrar-lhes os devidos tributos. Assumindo tal premissa, poder-se-ia concluir que Estado, para aqueles que despreza, se tornou uma divindade que exige tributos e adoração e promete tão somente açoites e humilhações, um divino crápula que odeia parte de seu próprio povo. Aos que não gozam do “amor estatal”, restará lutar pela mudança ou uma vaga em um campo de concentração, reeducações ou qualquer nome que desejem rebatizá-lo. Resta saber se as políticas públicas seguem tal rumo por erro ou se há um plano para que animosidades aflorem e os líderes revolucionários se aproveitem do caos que plantaram. Tal conclusão fica por conta do leitor. Ao final, por mais que o Estado e a sociedade, por força de uma ideologia desprezível deseje abandonar aqueles que considera como alvos, e ainda, causar-lhes mal, guardemos a fé e nunca seremos, de verdade, desprezados. “ Coragem! E sede fortes. Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha à vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará” . Deuteronômio, 31:6 . Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867

  • Meu pãozinho de cada dia

    O glúten, uma proteína presente no trigo, centeio e cevada, tem sido uma parte essencial da dieta humana por milênios. O pão, em particular, é um alimento sagrado em várias culturas, especialmente no cristianismo, onde simboliza o corpo de Cristo na Eucaristia. Contudo, nas últimas décadas, o glúten passou a ser visto como um vilão, culpado por uma série de problemas de saúde. Uma das teorias sugeridas é que o glúten foi modificado geneticamente, o que aumentou sua toxicidade e sua capacidade de causar doenças como a sensibilidade ao glúten não celíaca e a doença celíaca. Estudos indicam que as práticas agrícolas modernas e a produção de trigo de alta produtividade resultaram em um aumento nos níveis de glúten em nossos alimentos. Mas por que essa mudança? Há quem acredite que a modificação genética do trigo foi simplesmente uma resposta à crescente demanda global por alimentos, buscando grãos mais resistentes e produtivos. No entanto, essa manipulação também pode ter alterado a estrutura do glúten, tornando-o mais difícil de digerir para algumas pessoas. Aqui, a narrativa adquire um toque intrigante. Será que essas mudanças foram puramente acidentais ou houve algum propósito oculto? A ideia de que há uma conspiração para desacreditar um alimento tão central ao cristianismo pode parecer fantasiosa, mas não deixa de adicionar uma camada de mistério à história. O pão, um símbolo de vida e sacralidade, agora é visto por muitos como uma ameaça à saúde. Seria isso um golpe intencional contra um símbolo religioso tão poderoso? Ou estamos apenas lidando com as consequências não intencionais de avanços tecnológicos na agricultura? Pão em Diversas Culturas e Religiões O pão tem uma presença marcante e significativa em várias culturas e religiões ao redor do mundo. Vamos explorar algumas delas: – Judaísmo: No judaísmo, o pão também é um alimento fundamental e sagrado. Durante o Shabat, os judeus tradicionalmente partem dois pães chamados challah. O Matzá, um pão sem fermento, é comido durante a Páscoa judaica para lembrar a fuga apressada dos judeus do Egito, onde não houve tempo para o pão levedar. – Islamismo : No Islã, o pão é um alimento básico e possui um profundo respeito. Em muitas sociedades muçulmanas, é considerado um símbolo de sustento e generosidade. O pão é frequentemente compartilhado durante o Ramadã, o mês sagrado do jejum, e outros eventos religiosos. – Hinduísmo : Na cultura hindu, o pão na forma de chapati ou roti é um componente essencial das refeições diárias. Esses pães são feitos sem fermento e simbolizam simplicidade e nutrição. Além disso, na tradição hindu, oferecer alimentos, incluindo pão, aos deuses durante rituais é uma prática comum. – Budismo : Embora o budismo não tenha um símbolo específico associado ao pão, alimentos simples como o pão têm um papel importante nos mosteiros e templos budistas, onde a vida é marcada por práticas de simplicidade, meditação e autossuficiência. Os monges muitas vezes dependem de doações de alimentos, incluindo pão, da comunidade local. – Culturas Ocidentais Laicas : Nas culturas ocidentais laicas, o pão ainda mantém uma presença forte e simbólica. Ele é frequentemente associado a hospitalidade e conforto. Frases como “ganhar o pão de cada dia” sublinham a importância do pão como símbolo de trabalho e sustento. – Culturas Indígenas da América do Sul : Em algumas culturas indígenas da América do Sul, pão feito de farinha de mandioca, como a tapioca, tem um papel significativo na dieta. Embora a mandioca seja diferente do trigo, o conceito de um alimento básico à base de grãos se mantém. Enquanto cientistas e nutricionistas continuam a debater as causas exatas dos problemas relacionados ao glúten, a realidade é que ele continua a ser um tema controverso e fascinante. Seja pelo impacto das modificações genéticas ou por um mistério maior, o glúten e sua relação com a saúde humana permanecem uma saga em evolução. Assim, o pão, em toda a sua santidade e controvérsia, continua a ser um alimento que alimenta não apenas o corpo, mas também a mente, suscitando questões sobre tradição, ciência e fé. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867

  • A trama da redução populacional – Parte 2

    No artigo anterior falamos sobre como se deu a disseminação de ideias de redução populacional, começando com Thomas Malthus e atravessando toda a história através de intelectuais eugenistas, feministas e afins. Hoje, apresentarei ao leitor documentos de conferências climáticas que comprovam o que já falamos: o homem é o “carbono” que eles querem eliminar. Tratar de redução populacional pura e simplesmente assusta; embora frases como “pobres não devem ter filhos” fossem comuns até o fim da Segunda Guerra, a ideia nunca deixou de existir. Contudo, as atrocidades cometidas pelo Partido Nazista fizeram com que o discurso adquirisse uma nova roupagem: devemos ter menos filhos para proteger o planeta. Isso começou com o Relatório Iron Mountain, um documento publicado em 1967 que dizia que a guerra desempenhou funções fundamentais na nossa sociedade, permitindo coesão social e conferiu ao governo uma forte influência sobre a economia; contudo, a guerra cumpriu seu papel, não sendo mais possível a sua utilização. É aí que entra a militância verde. Conferência de Estocolmo O primeiro encontro ambiental foi a Conferência de Estocolmo , em 1972. Logo no início, percebe-se que vidas humanas valem menos do que a natureza: “Assim, os países em desenvolvimento devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento, tendo presente suas prioridades e a necessidade de salvaguardar e melhorar o meio ambiente.” “O crescimento natural da população coloca continuamente, problemas relativos à preservação do meio ambiente, e devem-se adotar as normas e medidas apropriadas para enfrentar esses problemas.” “A defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu na meta imperiosa da humanidade…” Um dos principais objetivos da Conferência é a instituição de uma Nova Ordem Econômica Internacional, inclusive com abertura de fronteira de países desenvolvidos (com o fim da soberania nacional). No mesmo ano, um relatório intitulado “Limite ao crescimento?” , patrocinado pelo Clube de Roma . Embora hoje esteja totalmente desacreditado, foram vendidas 12 milhões de cópias e traduzido para 30 línguas na época, causando um estrago, difundindo ideias de que o crescimento populacional destrói a produção agrícola. E com isso, alimentando a ideia de redução populacional ao dizer “A humanidade não pode continuar a proliferar” . ECO 92 Vinte anos depois, foi a vez do Rio de Janeiro sediar sua própria conferência, que ficou popularmente conhecida como Eco 92. Esta produziu documentos que mostram escancaradamente que o homem deve deixar espaço para a natureza. Vamos a alguns de seus “princípios” : PRINCÍPIO 1 : “(Os seres humanos) Têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza.” PRINCÍPIO 8 : “… os Estados devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e consumo, e promover políticas demográficas adequadas.” (o Estado decide o que você irá consumir). PRINCÍPIO 11 : “Os Estados adotarão legislação ambiental eficaz.” PRINCÍPIO 12 : “Devem ser evitadas ações unilaterais para o tratamento dos desafios internacionais fora da jurisdição do país importador” (ou seja, adiós soberania). PRINCÍPIO 16 : “As autoridades nacionais devem procurar promover a internacionalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos” (problemas “globais”, responsabilidade e custos globais). PRINCÍPIO 17 : “A avaliação do impacto ambiental, como instrumento nacional, será efetuada para as atividades planejadas que possam vir a ter um impacto adverso significativo sobre o meio ambiente e estejam sujeitas à decisão de uma autoridade nacional competente.” (centralização de poder). PRINCÍPIO 26 : “A paz, o desenvolvimento e a proteção ambiental são interdependentes e indivisíveis.” O culto a natureza É possível que o leitor pergunte: qual a ligação destes relatórios com um combate contra o crescimento populacional? A princípio, parece uma manobra inofensiva, onde a ONU e seus tentáculos tentam proteger o meio ambiente, mas quando colocamos uma “lupa” por cima, vemos como que uma marca d’água sob o ambientalismo: o culto a natureza. “ Mas isso é coisa dos tempos dos celtas” , pode questionar o leitor; infelizmente, não. O culto a Gaia, a Mae-Terra é algo que está profundamente entrelaçado na política ambiental. E com o culto a Terra, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, torna-se algo abjeto e digno de ser eliminado. Vários documentos destacam que problemas concernentes ao meio ambiente só serão resolvidos se houver uma “espiritualidade global”, desde que o cristianismo não atrapalhe o processo. Vejam trechos de alguns documentos que tratam do assunto: “...o encontro entre as religiões terá como resultado as suas próprias mudanças, modificações ne reconsiderações. Não quer dizer que cada fé tentará se justificar junto às outras, mas desse engajamento nascerá uma nova fé (...) é preciso, ao menos, temporariamente, aceitar fazer uma abstração (negação) de suas próprias crenças.” (Conferencia de Copenhague). “ Mais que seus mestres, somos os servidores da natureza, pois é ela que alimenta, ao mesmo tempo, nossos corpos e nossos espíritos, que irriga nossas veias e nosso imaginário” (Federico Mayor, diretor geral da Unesco). “ O teólogo católico Teilhard de Chardin havia destacado: ‘O destino da humanidade, bem como o da religião, depende da emergência de uma nova fé no futuro’” (Al Gore, “Salvar o planeta Terra). “ A vitória do cristianismo sobre o pagamismo constitui a maior revolução física da história da nossa cultura (…) Particularmente na sua forma ocidental, o cristianismo é a religião mais antropocêntrica que apareceu (…) Mais ciência e tecnologia não nos fará escapar da crise atual, a menos que encontremos uma nova religião ou repensemos a antiga (…) a crise ecológica, portanto, agravar-se-á, enquanto não pudermos rejeitar o axioma cristão, segundo o qual a frazão de ser da natureza é a de servir ao homem” (Revista Science). “ Seria preciso dar prioridade ao não-material e mudar a escala de valores. Foi-se o tempo em que as igrejas comandavam as necessidades espirituais e faziam reinar uma moral específica” (Clube de Roma). “ A cultura judaico-cristã, assim como as bases indo-germânicas sobre as quais ela se funda, devem ser remodeladas (…) é-nos preciso uma nova ordem de beneditinos” (Bahro). “ Seria uma religião sque comportaria uma missão naciona: salvar o planeta, civilizar a terra, efetivar a unidade humana e salvaguardar sua diversidade (…) Seria uam religião sem deus, mas onde a falta de deus revelaria a onipresença do mistério (Edgar Morin, Anne Brigitte Kern). “ O conceito de floresta sagrada é totalmente estranho ao cristianismo e à ética ocidental. Durante aproximadamente dois milênios, os missionários cristãos derrubaram as florestas sagradas, idólatras, pressupondo que lá estavam os espíritos da natureza” (Revista Sience). É importante saber contra quem estamos lutando; não me refiro a homens engravatados do mais alto escalão da elite mundial; refiro-me aos espíritos malignos que atuam neste mundo (incluindo nestes mesmos engravatados), induzindo a humanidade a fazer o mesmo que Eva: negar a soberania de Deus para satisfazer seus próprios caprichos e devaneios. Quando se retira Deus da equação, o fracasso é certo; mas parece que, desde a queda, ainda não aprendemos. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867

  • O roubo de nossas riquezas naturais

    Há uma grande discussão e para além disso um grande movimento nacional sobre o roubo de nossas riquezas naturais. De um lado pessoas reclamando que nossos maiores tesouros estão sendo tirados do seu lugar próprio e levados para proveitos outros. De outro, pessoas querendo esconder por seu interesse pessoal os prejuízos de sermos lesados em nossas riquezas naturais, pois são elas que nos dão sustento e poder como, país, estado e nação. Mas surge uma pergunta: Quais seriam nossas riquezas naturais? Aquelas que nos permite expressar nosso poder máximo em tudo que somos. Se perguntarmos para maioria dos Brasileiros nós teremos vários níveis de resposta. Uns dirão que são nossos minérios – sejam quais forem – outros dirão que é nossa terra, história, fauna, flora, nossas descobertas na área da botânica, em fim, de fato todos esses itens têm sua importância e valor. Sabemos que a explicação desses itens materiais são um fato, mas o que nos trouxe até aqui? Um exemplo é a família; o que faria uma pessoa não valorizar tamanha riqueza como a família? Seu trabalho, religião, amigos… Sabemos que esses são elementos de valor inestimável, mas, por que não se dá o devido valor? Podemos pensar que para se enxergar os reais valores dos elementos de nossas riquezas naturais é preciso ter no mínimo nível intelectual e também moral. Um belo exemplo é o fato que só quem recebeu formação para um determinado Campo do conhecimento pode dar o devido valor. Após esta exposição do nosso momento histórico, quero lançar uma reflexão, pois há um erro de consideração importante nessa linha decadente da lei dos ciclos e é o que de fato nos leva a ser uma sociedade tão materialista que nem se quer consegue enxergar nossas verdadeiras riquezas naturais, pois riqueza natural é aquela riqueza que nos é própria. Esse texto traz uma pequena reflexão sobre o que pode causar um erro de conceito. Por sermos tão materialistas nós não nos damos conta de que o que vivemos agora é um sintoma de algo mais profundo e que reside em que, se perdemos nossas riquezas materiais é por que antes perdemos nossas riquezas espirituais e aí está a raiz do problema; aí está o porquê de alguns grupos trazerem propostas que nos afastem cada vez mais dos nossos valores mais sutis. Penso que até essas linhas já é possível perceber que o que chamamos de nossas riquezas naturais, na verdade não são. Então, o que seriam estas riquezas? Estariam realmente nos roubando? Seria isso possível? Quando citei os itens escritos no início do artigo, eu quis na verdade apresentar as riquezas de nossa terra, nosso país e não como sendo nossas aquelas riquezas pois delas só temos algum conhecimento, e se usamos, devemos fazê-lo de acordo com nossas reais necessidades e não pô-las a serviço de nossos interesses. Resgatemos então, nossas reais riquezas naturais? Pois, se ricos formos de elementos naturais, tudo a nossa volta será acrescido de sua própria riqueza devidamente. (Mat. 6:33) Minério, fauna, flora, etc... São coisas que a terra nós dá como elemento que vem de dentro, de sua natureza ou essência. E quanto a nós, quais elementos nós oferecemos ao mundo? Creio que já dá pra concluir que escrevo a respeito de nossas virtudes, pois são elas que constituem nossa verdadeira natureza, nossa essência. Em vias de conclusão, deixo claro que não será possível termos este tão sonhado mundo novo e melhor se antes não resgatarmos o que nos foi tirado ou foi por nós negociado, e antes de termos, sermos portadores dos elementos que promoverão este mundo novo e melhor. Está claro que nossa sociedade está cada vez pior pela falta desses elementos morais, éticos, estéticos e metafísicos. Há que focar em estabelecermos primeiro em nós e promover ao próximo esta consciência humana que irá reger nossa caminhada no rumo do nosso feliz destino. Se entregarmos este país nas mãos de homens e mulheres com o caráter espiritual devidamente formado, estaremos livres de todas as ameaças que sofremos hoje. “ Levantemos templos as virtudes, pois elas serão o sol que lança fora toda a treva da ignorância e por fim da decadência”. Que Deus abençoe nossa jornada! Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 12 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867

  • O exacerbo da depressão e ansiedade

    Ambas as doenças psicológicas sempre foram presentes na sociedade, visto que podem ser causadas por problemas bioquímicos no cérebro, em neurotransmissores e afins, sendo uma doença “comum”, algo no corpo deixando de funcionar como deveria. Entretanto, são doenças que hodiernamente estão mais presentes, com causas majoritariamente psicológicas, e não pela má produção de algum hormônio. Dito isto, excluindo os casos meramente corporais, os quais sempre acontecerão, pois imprevistos e mal funcionamentos em nossas células sempre ocorrerão, visamos os casos cujo se concretizam através do indivíduo. No primeiro momento, lidamos com a responsabilidade, este que é um dos maiores fatores para o produto depressão, quando não é dada da forma adequada. Para falar disto, devemos falar primeiro da geração anterior ao que será usada como referencial, ou seja, classificarei a minha geração (entre seus dezessete e vinte anos) como terceira, os pais desta como segunda e assim sucessivamente para a primeira. A primeira geração e seus antepassados, eram uma sociedade baseada em valores, os quais jamais teriam vergonha de ser “privilegiado”, e sim, orgulho dos seus pais, avós, bisavós, que se dedicaram tanto para criar algo sólido para a família, tendo o dever de, no mínimo, manter o legado para a próxima geração, portanto, tinha-se a compreensão que nada vem de graça, e que nem todo sucesso foi conquistado às custas do fracasso de outrem, não era uma vergonha se esforçar, almejar algo adiante, não podendo ser confundido ambição com ganância. Destes, criaram-se a segunda geração, a qual por já ter influência de progressistas na escola, fora do círculo familiar, agendas superlotadas, as quais diminuíam o contato dos pais com seus filhos, estes perderam tais valores, iniciando uma mentalidade de que o mundo deveria ser perfeito para ele, sendo uma geração frustrada, a qual passou isto adiante, de uma forma contraria. Quando a segunda geração teve filhos, os quais as escolas já estavam, basicamente, tomadas por esquerdopatas, o sentimento de que o mundo deveria ser perfeito para o indivíduo apenas aumentava, os pais comungavam do mesmo ânimo, estes que pensavam “Como assim meu pai não me deu um carro quando fiz dezoito anos? Que absurdo, é um ultraje passar por isso”, partindo disto, davam para os filhos tudo aquilo que não receberam na infância, em forma de lidar com a frustração. O produto destes fatores, nada mais é, do que uma geração a qual não sabe a dificuldade de consolidar algo, como mencionado no meu texto exclusivo da Revista Edição Especial 1 , acreditam em uma chave para tudo aquilo que querem simplesmente cair do céu, basta virá-la na fechadura. Partindo deste princípio podemos abordar a responsabilidade mencionada, visto que, alguém que não necessariamente tinha condições para suas cobiças, muitas vezes seus pais entravam em dívidas para bancar os “sonhos” de seus filhos, pois estes se viam frustrados e não queriam passar este “trauma” adiante, fazem com que este jovem não saiba abdicar nada, muito menos ter sapiência do que é realmente responsabilidade. E onde a depressão e ansiedade entram? Simples, seus pais não são eternos, e com um jovem deste, nem mesmo seu legado será – caso estes em algum momento tenham criado algum – portanto, o mundo visto pelo indivíduo mimado, é um mar de rosas, rosas as quais o ser não faz-se hábil para vislumbrar os espinhos perante vossas ondas, entranhando-se nestas. De forma mais prática, ao sair da aba de seus pais, tanto por casar-se e ir morar com seu cônjuge, ou pela morte dos genitores, o indivíduo se vê de frente à barreira chama responsabilidade, pois este agora deverá abanar seu próprio carvão – como dizem os mais sábios – isto é uma grande causa da depressão, uma vez que antes o sujeito poderia até trabalhar, mas não detinha em suas costas problemas sem soluções, pois mesmo que houvessem adversidades, teria alguém para resolvê-los em seu lugar. Abdicar do lazer, ou daquilo que almejava, para dedicar-se à resolução de algo, tanto o tempo, quanto monetariamente, era algo que não ocorria, todavia, tornou-se necessário, o que diminui a produção de serotonina, pois não terás o fim de semana para lazer, nem poderá gastar 80% do seu salário como bem entender, as rédeas de uma família precisa ser tomada, o que agrava o problema quando a pessoa já tem filhos, pois estes precisam sim de responsabilidade, mas de forma gradual, pais que não tomem as rédeas dos problemas criaram um problema similar ou que os pais cujo tomavam as rédeas até demais, também criaram. Isto é, retornando a segunda geração, alguns não enfrentavam o “trauma” de não ter recebido tudo na infância dando o do bom e do melhor para seus filhos, mas apenas, não lidam com as consequências de seus atos, deixam apenas um dos pais para criar da criança, deixam com os avós, e em casos mais torpes, a criança desde nova receberá uma enorme responsabilidade, o que pode criar alguém forte, ou desestabilizar completamente o infanto, e mesmo que não o faça, ainda deixará sequelas, ou ao menos sem um norte de como restituir uma família. Tendo o lado da responsabilidade explícito, vale aprofundar-se em como a escola e a necessidade de “títulos” afasta o filho de seus pais, problema mencionado na diferenciação da terceira para segunda geração. Atualmente, faz-se necessário mais do que apenas um ensino médio, muitas vezes, nem pessoas com ensino superior conseguem emprego, precisando de um vasto currículo para um emprego bom, ou contatos, os quais normalmente só serão apresentados ao indivíduo caso esta naturalmente esteja numa “casta” alta da sociedade. Isto é, a criança vai para a escola e passa a tarde em casa, provavelmente longe de seus pais, visto que estes trabalham, mas o problema acentua-se na adolescência, idade esta a qual o caráter se forma. Dominando-se a academia, é vantajoso ocupar o máximo do jovem neste local predominante, ou seja, das sete horas até às treze, mantêm-se na escola, retorna para casa ou come fora mesmo, para de tarde ir a um curso de inglês, informática, elétrica, mecânica, design, muitas vezes, fazendo mais do que um, ocupando a semana inteira do indivíduo. Ao chegar em casa depois de receber muita informação, já se esquece da primeira, então faz-se necessário revisar a matéria da escola, e por fim, interagir com sua família, que muitas das vezes todos estarão cansados e ocupados, pois o filho preocupa-se com suas notas, os pais que provavelmente não lidam bem com problemas e possivelmente passam adiante, em forma de descontar, fazendo tempestade em copo d’água pois estará convivendo com uma responsabilidade a qual não consegue lidar, tornando tudo um alvoroço, o que é uma das causas pela falta de serotonina. Partindo deste princípio, pais que não sabem lidar com problemas, somados com jovens que passam mais tempo com doutrinadores acadêmicos do que com seus genitores, têm-se famílias deturpadas, e, por sua vez, pessoas deprimidas e ansiosas. Uma vez que não tem-se familiares para dividir os problemas – muita atenção na palavra dividir, pois ninguém deve resolver os problemas de outrem, mas dar um apoio, um conselho, ou até mesmo apenas dizer sua opinião, para fazer com que o indivíduo pense por outro prisma, é o papel de uma família – portanto, a pessoa se vê sem rumo, nem esperança, tornando-se uma casca vazia. O que vira alguém cujo odeia os pais, mesmo que não mencione diretamente, diz ter repulsa de heterossexuais, alguém o qual diz odiar crianças, por isto jamais teria filhos, indivíduo este em que busca apenas poder momentâneo, e não um legado para deixar adiante, este cujo diz que a religião é um ópio, mas que sua maconha é medicinal. Resta meramente uma casca, a qual não tem apreço por nada, além de si próprio. Como enfrentar um mundo nefasto, em épocas as quais lutar pelo direito de uma criança nascer é motivo para ser visto como um sub ser, mundo este o qual defende-se cracolândias enquanto atacam igrejas, sendo que você não tem nada maior para sustentar-se. Diferente da ganância hodierna vista, onde muitos fazem de tudo pela fama, pela monetização, gravam-se agindo como animais  – literalmente – antigamente, tinha-se como normal uma ambição de tradição, isto é, “o que deixarei para o meu filho?” o rapaz almejava-se ser como seu pai, a moça tinha como motivação, ser tenaz da forma que sua mãe sempre fora. Para chegar em seus momentos finais, e perguntar-se sobre esta meta, o que nos dias de hoje, é completamente deturpado. Atualmente, tem-se como normal, o filho dizer que tem vergonha dos pais, por serem tradicionais, ou por coisas triviais, como não comungar do mesmo gosto musical, ou de roupas. É natural que estas coisas mudem, até pela época em que cada um nasceu, mas os valores são algo que tem sido deixado de lado, pelo motivo mais fútil possível. Conclui-se que, o adulto depressivo, é aquele cujo teve severos problemas para lidar com suas responsabilidades, o que diferencia-se um pouco do jovem depressivo, cujo provavelmente nunca lidara com a respectiva adversidade, pois, assim como nos alimentos, onde você não pode comer proteína, mas também não pode viver de carboidratos, na vida, não é viável viver de lazer em boas memórias, sem ter dificuldades a serem enfrentadas, estas que devem ser crescente, conforme sua maturidade chega. Não é válido uma criança de oito anos trabalhar para sustentar sua família, assim como não é válido que um adulto de quarenta anos viva às custas dos pais. É como uma balança, ao crescer e ganhar direitos, receberá deveres, ao poder andar na rua sozinho após atingir certa idade, começará a comprar coisas que te pedirem, mesmo que fúteis como comprar um fio, que mais tarde fora percebido que não era necessário, mas isto é para criar um sentimento de responsabilidade no indivíduo desde novo, para que mais tarde, não se frustre quando pedirem para fazer determinado serviço numa empresa, que demande uma semana de trabalho árduo, para no fim, não ser utilizado. A depressão nada mais é, do que o produto de uma superproteção, do sentimento de que você não precisa ter sacrifícios para ter benefícios, e a ansiedade, por sua vez, é o sentimento da falta de preparo, ou ao menos, que você tenha na sua mente uma falta de preparo, por mais que esta afirmação não seja verdadeira. Sofrer de ansiedade, nada mais é, do que sofrer de antemão por um problema, o qual você ainda não precisa enfrentar. Supor através de si próprio, que será uma barreira de três quilômetros, a qual deve ser escalada em uma dezena de segundos, sendo que esta chega sendo um quebra mola, basta notar, que não te dará tamanha dor de cabeça quanto fora imaginado. Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 12 edição de maio de 2022 – ISSN 2764-3867

  • A reedição do Plano Cohen em 2023

    A história brasileira é marcada por momentos em que a manipulação de informações e a criação de narrativas falsas causaram danos graves e duradouros ao país. O Plano Cohen, uma fraude arquitetada em 1937 durante o governo de Getúlio Vargas, é um exemplo emblemático disso. Esse suposto plano comunista, que nunca existiu, foi utilizado como pretexto para a instauração do Estado Novo, uma ditadura que perdurou até 1945. Quase um século depois, os eventos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, também envoltos em narrativas distorcidas e acusações de tentativa de golpe, levantam preocupações sobre a possibilidade de um novo ciclo autoritário no país. Este artigo busca traçar um paralelo entre esses dois momentos históricos, analisando como a manipulação de fatos pode abrir caminho para a erosão da democracia. Em setembro de 1937, o governo de Getúlio Vargas anunciou a descoberta de um suposto plano comunista, batizado de Plano Cohen, que previa a derrubada do governo por meio de greves, incêndios e assassinatos de autoridades. O documento, apresentado como uma ameaça iminente, foi divulgado pelo general Góis Monteiro na edição de 30 de setembro do programa de rádio Hora do Brasil, gerando pânico na população e justificando a decretação do estado de guerra. No entanto, o Plano Cohen era uma fraude. Ele havia sido elaborado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, membro da Ação Integralista Brasileira (AIB), como um exercício teórico para simular uma insurreição comunista. A cúpula militar, no entanto, utilizou o documento para legitimar o golpe de Estado que instaurou o Estado Novo em 10 de novembro de 1937. O Congresso foi fechado, os partidos políticos foram extintos, e Vargas concentrou poderes absolutos, governando sob uma Constituição autoritária, outorgada por ele no mesmo dia em que instaurou o Estado Novo. Essa constituição, conhecida como “Polaca” por sua inspiração no modelo semifascista polonês, foi elaborada pelo jurista Francisco Campos e marcou o início de um regime autoritário no Brasil. Ela concentrou amplos poderes nas mãos do presidente, extinguiu o Legislativo, suspendeu direitos individuais e estabeleceu um governo centralizado e ditatorial, que durou até 1945. A farsa só foi revelada em 1945, quando o Estado Novo já estava em crise. Góis Monteiro admitiu que o Plano Cohen era falso, mas o estrago já estava feito: o Brasil havia vivido oito anos sob uma ditadura que restringiu liberdades individuais e consolidou o autoritarismo como uma ferramenta política. Na ausência de recursos de mídia descentralizada como temos na atualidade, a população contava com meios de informação de massa, como o rádio e os jornais. As informações circulavam de forma muito mais lenta, o que facilitava a manipulação e adulteração dos fatos. Quase 90 anos depois, o Brasil se viu diante de outro evento marcado por narrativas controversas. No dia 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram os prédios dos Três Poderes em Brasília, supostamente em protesto contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. O episódio foi rapidamente classificado como uma tentativa de golpe de Estado, com ampla cobertura midiática e repercussão internacional. Naquele momento, o Brasil já testemunhava o avanço de arbitrariedades e excrescências judiciais que visavam dirigir a política e a sociedade brasileira. A marcha rumo à regulamentação das redes sociais, que representavam e representam um forte entrave à manipulação e adulteração dos fatos, carecia de um alicerce legal, ainda que aparentemente os responsáveis pelas ditas excrescências não demonstrassem precisar de qualquer respaldo para seguir na desconstrução da democracia que alegavam defender. Uma crise provocada por uma tentativa de golpe de estado seria tão útil quanto qualquer documento redigido a título de exercício teórico na era Vargas. No entanto, diferentemente do Plano Cohen, surgiram questionamentos sobre a veracidade das acusações. Alguns analistas argumentaram que os eventos foram inflados para justificar medidas autoritárias, como a intervenção no Distrito Federal e a criminalização de movimentos políticos opositores. A narrativa de uma “ameaça à democracia” estaria sendo utilizada para fortalecer o aparato de segurança do Estado e justificar a supressão de direitos civis. Tudo isso com forte suporte midiático. Os paralelos entre o Plano Cohen e o 8 de janeiro são evidentes. Em ambos os casos, uma narrativa falsa ou distorcida foi utilizada para criar um clima de medo e justificar a concentração de poderes. Até mesmo a utilização de documentos para dar base concreta aos planos aproxima os dois eventos históricos. Nas páginas do Plano Cohen e na suposta “Minuta do Golpe” encontrada em 2023, revela-se um padrão: a utilização de documentos falsos ou distorcidos para justificar medidas excepcionais. Ambos os casos destacam como a manipulação de informações pode abrir caminho para a erosão da democracia, reforçando a necessidade de vigilância constante contra estratégias autoritárias. No período de Vargas, a suposta ameaça comunista serviu para legitimar o fechamento do Congresso e a instauração de uma ditadura. Já em 2023, a acusação de tentativa de Golpe de Estado pode ser utilizada para ampliar o controle do próprio Estado sobre a sociedade e silenciar vozes dissidentes, mediante a regulamentação das redes sociais e, quem sabe, outras medidas mais contundentes de aprofundamento de um novo “Estado Novo”. Outro ponto em comum é o papel das Forças Armadas e de segurança. No Plano Cohen, a cúpula militar foi fundamental para a divulgação da fraude e a execução do golpe. Em 2023, a anuência das forças de segurança e a desmilitarização das áreas de segurança estratégica no entorno dos prédios da Esplanada, STF e Palácio do Planalto, facilitaram muito a ação de pequenos grupos infiltrados que, tendo invadido as dependências, dirigiram a massa de manifestantes incautos e curiosos. Os relatos sobre infiltrados que agiram para provocar um “estouro da boiada” durante os eventos de 8 de janeiro em Brasília, ganharam força entre apoiadores de Jair Bolsonaro e analistas políticos. Não apenas relatos de testemunhas, mas alguns vídeos que puderam ser salvos da misteriosa “perda acidental” das imagens daquele dia, mostram cenas de um verdadeiro tour guiado pelas dependências dos prédios. Outros vídeos e depoimentos divulgados nas redes sociais mostram manifestantes tentando impedir pessoas de depredar o patrimônio público, sugerindo que esses indivíduos poderiam ser “agentes do caos” infiltrados. A tese ganhou ainda mais relevância com a publicação de imagens que mostram pessoas agindo de forma isolada, mas com um impacto desproporcional, incitando a destruição e criando um cenário de confusão. Manifestantes pacíficos teriam sido levados ao ceio de um clima de vandalismo por indivíduos que não representavam os interesses do movimento, mas buscavam desacreditá-lo. Além disso, a omissão das forças de segurança durante os atos de vandalismo levantou suspeitas sobre uma possível conivência ou até mesmo uma estratégia premeditada. Imagens de câmeras de segurança mostram que a Força Nacional, subordinada ao Ministério da Justiça, permaneceu inerte por horas, mesmo diante da destruição em curso. Essa inação foi interpretada por alguns como um sinal de que o governo federal poderia ter se omitido ou até mesmo permitido o caos para justificar medidas repressivas posteriores. A analogia com o “estouro da boiada” é particularmente relevante. Assim como uma manada de bois pode ser levada ao descontrole por um pequeno estímulo, os manifestantes pacíficos foram arrastados por ações pontuais de vandalismo, criando uma narrativa de que todo o movimento era violento. Essa estratégia teve como objetivo deslegitimar as reivindicações dos manifestantes e justificar a criminalização do movimento como um todo, transformando-o em tentativa de golpe de estado e de abolição do estado democrático de direito. Vargas regozijaria ao observar o desenrolar das cenas. A história do Plano Cohen nos ensina que a manipulação de fatos e a criação de narrativas falsas podem ter consequências devastadoras para a democracia. O Estado Novo, instaurado com base em uma fraude, deixou um legado de autoritarismo que ainda ressoa na política brasileira. Em 1937 a Voz do Brasil foi usada para manipular a opinião pública propagando desinformação. Nas décadas posteriores, meios de comunicação usaram suas concessões para desinformar e deformar a opinião pública, utilizando como estratégia: ‘pague pela informação que te interessa ou te ofereceremos gratuitamente a informação que nos interessa’. Os eventos de 8 de janeiro de 2023, embora distintos em seu contexto, seguem uma lógica semelhante. A utilização de uma narrativa de “ameaça à democracia” para justificar medidas autoritárias que abrem caminho para a instauração de um regime ditatorial. Cabe à sociedade brasileira estar atenta e resistir a qualquer tentativa de erosão das liberdades democráticas, que passa pela regulamentação das redes sociais e pelo controle estatal da liberdade de expressão e de manifestação, para que a história não se repita, da mesma forma que fora denunciada por Carlos Lacerda em 1953, nos estertores do governo Vargas: “ Meus amigos, nós partimos para o que parecia ser uma cruzada pela liberdade de imprensa e acabou sendo uma cruzada pela libertação nacional. E isso não se deu por acaso, é que quando se quer envenenar uma nação, começa-se por envenenar as fontes do conhecimento público. Começa-se por envenenar as fontes de informação, sem as quais o povo não sabe o que se passa, ou pior ainda, só sabe errado aquilo que se passa certo. É através da corrupção da imprensa, é através da intimidação da imprensa que se acaba por corromper e intimidar a própria opinião do povo. O que se montou no Brasil não foi apenas um negócio para um grupo de afiliados do poder, não foi somente um negócio feito à custa da miséria e do esfomeamento do povo. Foi também um negócio para destruir no povo a confiança na democracia foi um negócio feito para fazer o povo descrer de si mesmo. Para fazer com que o povo pensasse que de nada valia protestar em praça pública porque os homens do poder pensariam por ele e por ele agiriam desde o começo até o fim” . Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual . Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. IV N.º 51 edição de Fevereiro de 2025 – ISSN 2764-3867

bottom of page