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Escolham suas armas e deixe seu legado!!

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Escolham suas armas e deixe seu legado!!

Nesta Edição, quero trazer um paralelo entre duas pessoas, dois contextos de vida semelhantes, negros, pobres escravizados, filhos de escravizados, numa época em que o preconceito e o racismo eram dominantes em várias linhas da sociedade; porém fizeram escolhas diferentes de vida.

Antes que digam que é a exceção, há muitos outros (centenas) que eu poderia trazer para este paralelo, mas uma pequena pesquisa na Internet já responderia que de fato:

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS!!

Luiz Gonzaga Pinto da Gama, nasceu em 21/06/1830 em Salvador - Bahia

Filho de um homem branco com uma mulher negra, sua mãe desapareceu após o envolvimento com algumas revoltas, seu pai o vendeu como escravo aos 10 anos para pagar dívidas.

José Francisco dos Santos, nasceu em Salvador- Bahia, 4/10/1771, Filho de pai branco e mãe indígena. Foi genro de José Francisco dos Santos, africano e um dos homens mais ricos do seu tempo escolheu ser traficante de escravos após largar a carreira de alfaiate tornando-se um dos maiores traficantes transatlântico de escravos da história.

Duas vidas que participaram de um mesmo contexto social, sombrio e desumano: A escravidão.

Ambos inteligentes, esforçados, trabalhadores, cheios de qualidades e parte de uma classe social segregada, Porém diante de uma oportunidade de escolha tomaram decisões que os levaram a caminhos totalmente opostos.

Zé alfaiate como era conhecido, após conquistar sua liberdade com esforço próprio decide então usar seu prestígio para entrar no mercado de tráfico de seres humanos escravizados.

Já Luiz Gama, escolheu dedicar-se à alforria daqueles que como ele sofrera, sofriam as mazelas da escravidão.

Atuando como Rábula, (advogado sem diploma acadêmico) entregou sua vida de forma voluntária a este nobre propósito: Libertar seres humanos das garras da escravidão; obtendo sucesso em mais de 500 casos.

Ao contrário de Zé alfaiate lutou de forma ferrenha e heroica contra os escravagistas que tornaram-se seus inimigos mortais.

Zé alfaiate, vendo de perto o berço da terra que promoveu tamanha desumanidade, não escolheu repelir, mas juntou-se a eles inspirado por outros que também foram pelo mesmo caminho como, Francisco Paulo de Almeida o barão de Guaraciaba e Joaquim Pereira Marinho.

Ele, Zé alfaiate, tornou-se um dos homens mais ricos do mundo, já que tornou-se genro de Francisco Félix de Souza, o maior traficante de escravos da África.

A pergunta que fica é: Qual o elemento que diferenciou a escolha de cada um desses personagens da história, mesmo vivendo contextos tão semelhantes?

Seja como for, o que fica provado é que pode-se fazer escolhas acertadas mesmo em meio a tantos momentos extremamente desfavoráveis da vida, com certeza os valores cristãos que Luiz Gama teve contato podem ter feito toda a diferença, já que José Francisco, talvez não tivesse uma educação com base em quaisquer valores que promovesse o humanismo.

Zé alfaiate morreu em idade avançada, 94 anos, como um dos homens mais ricos do seu tempo, deixou 53 viúvas, 80 filhos e 12 mil escravos, com tudo não parecia ter uma família; até hoje seus descendentes vivem da riqueza de sua fortuna deixada no Benin, antigo reino de Daomé.

Já Luiz Gama, morreu ainda jovem, aos 52 anos, não deixou fortuna( material),mas tinha sua família, inspirou grandes nomes da história abolicionista e geral do Brasil, como os irmãos André e Antônio Rebouças que inauguraram uma nova era da infraestrutura do Brasil.

Como engenheiros foram responsáveis por obras como as docas D. Pedro Segundo, a alfândega e a estrada de ferro Coritiba X porto de Paranaguá; todas feitas e inauguradas com uma condição inegociável:

Mão de obra livre e assalariada.

Pois bem, escolham as armas!! Pois a luta pelos valores humanos é certa, heroica e incansável…Nesse campo de batalha as armas farão toda a diferença pois o bem sempre vence o mal.

Que Deus abençoe nossa jornada!!


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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 67 edição de Junho de 2026 – ISSN 2764-3867



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