
MENEZES COSTA
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- Maria, mãe de Jesus
Feminismo e contradições Mulheres Bíblicas: PARTE V De todas as figuras femininas bíblicas , Maria, sem dúvida alguma é a mais intrigante. Maria era uma menina simples quando recebeu um chamado: “conceber o filho de Deus”. Maria de Nazaré, também conhecida como a mãe de Jesus , é frequentemente retratada de maneira tradicional e submissa. No entanto, será que ela realmente foi essa figura? Independente das suas crenças e convicções em relação a isso, uma coisa é inegável. Jesus não é invenção de mentes criativas e Maria não é diferente. Maria foi uma mulher real, judia e descendente de Davi. Numa leitura fria do perfil de Maria, diria que Maria foi o que toda feminista gostaria de ser. Numa sociedade patriarcal, Maria foi pela contramão, antes mesmo de se unir a José apareceu grávida. Maria aceitou a missão de ser a mãe de Jesus, mesmo sabendo dos riscos sociais e pessoais envolvidos. Lembrando que tal acontecimento para aquela época era um verdadeiro escândalo, ainda poderia resultar em ostracismo ou até mesmo em apedrejamento. Vamos avançar um pouco mais na história. Maria recita o Magnificat (Lucas 1, 46-55), durante sua visita a Isabel, sua prima, que também está grávida (de João Batista). Inspirada pelo Espírito Santo, Maria expressa sua alegria e gratidão a Deus. Contudo, neste cântico Maria fala sobre a derrubada dos poderosos e a exaltação dos humildes. Isso pode ser visto como uma crítica às injustiças sociais e uma esperança de transformação. Este cântico é visto por alguns teólogos como uma declaração de justiça social e igualdade. Maria começa exaltando a Deus por olhar para a humildade de sua serva. Ela reconhece que, apesar de sua posição social baixa, Deus a escolheu para uma missão grandiosa, mostrando que Deus se importa com os humildes e desprivilegiados. Aborda também sobre Deus enchendo de bens os famintos e despedindo os ricos de mãos vazias. Este é um forte apelo à justiça social, onde os necessitados são atendidos e os excessos dos ricos são questionados. Isso a posiciona como uma figura de resistência e esperança para as mulheres e outros grupos marginalizados. Agora vamos dar um salto nessa história. É dia de festa e estamos em Canaã da Galileia. Durante um casamento, o vinho acabou, o que poderia ser um grande constrangimento para os anfitriões. Maria, percebendo a situação, tomou a iniciativa de falar com Jesus sobre o problema. O episódio das Bodas de Canaã, narrado no Evangelho de João (João 2, 1-11), é um dos momentos mais significativos que destaca como Maria desempenha um papel ativo ao pedir a Jesus que realize seu primeiro milagre, transformando água em vinho. Isso mostra sua capacidade de influenciar e tomar iniciativa. Maria foi a primeira a notar a falta de vinho e a levar a questão a Jesus. Sua ação mostra sua capacidade de observação e preocupação com os outros. Ao dizer a Jesus: “Eles não têm mais vinho” (João 2, 3), ela demonstra sua confiança na capacidade Dele de resolver a situação. Apesar da resposta inicial de Jesus, que poderia ser interpretada como uma recusa: “ Mulher, que temos nós em comum? A minha hora ainda não chegou” – João 2,4 Maria instrui os serventes: “ Façam tudo o que ele lhes disser” (João 2, 5). Isso mostra sua autoridade e fé inabalável em Jesus. A intervenção de Maria pode ser vista como um exemplo de empoderamento feminino . Ela não apenas reconhece um problema, mas também toma medidas para resolvê-lo, influenciando diretamente o curso dos eventos. Sua ação resulta no primeiro milagre público de Jesus. O papel de Maria nas Bodas de Canaã vai além de uma simples intervenção prática. Ela atua como mediadora e intercessora, mostrando que sua influência e importância não se limitam ao âmbito doméstico, mas se estendem ao plano espiritual e comunitário. Vamos avançar ainda mais nessa história. Em Atos 2, 1-4, a passagem começa com os discípulos reunidos em um só lugar. De repente, um som como de um vento impetuoso enche a casa, e línguas de fogo aparecem e pousam sobre cada um deles. Todos ficam cheios do Espírito Santo e começam a falar em outras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Pentecostes é uma festa judaica que ocorre 50 dias após a Páscoa. No Novo Testamento, é o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e outros seguidores de Jesus, incluindo Maria, enquanto estavam reunidos em Jerusalém. Este evento é considerado o nascimento da Igreja Cristã. Maria estava presente com os apóstolos e outros discípulos, unidos em oração e expectativa pela promessa de Jesus sobre a vinda do Espírito Santo (Atos 1, 14). Sua presença é significativa, pois ela é a única mulher mencionada nominalmente entre os presentes. A presença de Maria no Cenáculo demonstra sua perseverança na fé e sua liderança espiritual. Ela, que já havia experimentado a ação do Espírito Santo na Anunciação, agora se une aos apóstolos em oração, aguardando uma nova manifestação do Espírito Santo. Assim, que o Espírito Santo desceu sobre todos os presentes, incluindo Maria, capacitando-os a falar em outras línguas e a proclamar as maravilhas de Deus. Além de sua maternidade divina, ela também é uma figura de liderança espiritual, pois sua participação é ativa na comunidade cristã nascente. Sua presença em Pentecostes reflete sua coragem e fé inabalável, servindo de exemplo para todos os cristãos. Nos dias de hoje, Maria continua a desempenhar um papel de intercessora, unindo-se em oração com os apóstolos e preparando-se para a missão da Igreja. Entretanto, porque a necessidade de apresentar Maria e outras mulheres bíblicas como mulheres empoderadas? A resposta é muito simples, diferente do que alguns grupos gostam de pregar as mulheres cristãs não são “moscas mortas” e são grandes símbolos. Ser cristã é fazer a diferença no mundo. Ter fé no mundo atual e não ter vergonha disso é um grande desafio. E ser mulher está longe de ser algo discreto e imperceptível. E mais, muitos “perfis” hoje exaltados por feministas como algo positivo surgiu na verdade entre mulheres de fé, judias. Eis a grande contradição. Mas como dizia um antigo comunicador da televisão brasileira, “nada se cria, tudo se cópia”. E você cara leitora, vai continuar acreditando nas mentiras feministas ou virá se unir ao nosso legado? Quer fazer a diferença? Quer que seus filhos conheçam o verdadeiro lado dessa história. Então, nos apoie nessa luta. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 45
- Complexidade da vida
Nos dias atuais, é muito comum falar de um modo geral sobre o meio ambiente; infelizmente este tema tão importante e fundamental para o ser humano está recheado de interesses outros, que não o ideal, que é tornar nossa presença no planeta mais harmoniosa e contributiva com a natureza. Hoje, qualificar a relação com a fauna, flora, água, minerais e até mesmo entre nós, deve se dar, não porque teremos ou não algum capital, mas porque temos que cumprir com nossa parte nessa grande engrenagem. Quando se propõe um simples exercício de plantarmos uma semente, cuidar de uma planta ou de uma árvore, não se passa pela nossa cabeça que seria tão impactante o fato de dar ainda que um pouco de atenção a um outro ser que se considerava apenas um enfeite posto para decorar o ambiente; quando fui pai pela primeira vez, meu pai me disse: “Agora você tem uma vida para cuidar”, mas neste exercício eu pude perceber que eu sempre tive vidas a cuidar… Quando levei a sério o ensinamento de meu pai, o levei a ponto de me dedicar com muita intensidade, organizando meu tempo, mudando prioridades, reforçando meu psicológico, percebendo sensações e emoções que ainda não havia experimentado; agora com essa nova visão da vida, e esta permeia todo o mundo minha dedicação a esta relação não pode ser menor ou menos intensa que antes, pensando nisso entre outras coisas, descobri o quanto uma atenção voluntária pode mudar completamente toda a minha percepção da vida; que a mesma vida que se manifesta em mim, também manifesta em todos os outros seres. Em resumo, não há como cuidar de mim sem cuidar dos outros e o contrário também é verdadeiro, embora a consciência esteja em estágios diferentes, a vida é a mesma deferindo em quantidade e complexidade e nestes pontos não há como interferir, mas em termos de qualidade eu tenho poder para atuar, e uma vez pondo em prática essa percepção, é inevitável minha responsabilidade em proporcionar a mim e aos outros mais qualidade de vida. Propondo uma reflexão, como é de costume nos meus textos, de alguma forma enigmática esperamos no fim das nossas jornadas, que à hora marcada alguém nos espere, porém este mistério deve ser reproduzido nas pequenas ações do dia a dia. Lembremos que nossa existência é marcada pela dualidade, e que não há nada que eu faça a mim, que de alguma forma, em algum tempo e lugar, não alcance a vida de outro ser. Existe um pensamento atribuído ao imperador Marco Aurélio e posteriormente ao barão de Montesquieu, que expressa o seguinte: " Se não é bom para a colmeia, não é bom para a abelha". Em outro momento, continuaremos a refletir sobre a vida e sua complexidade a fim de construirmos um conceito adequado para este tema tão distante ainda do pensamento humano. Que Deus abençoe nossa jornada!! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N. 45 – ISSN 2764-3867
- A ciclotimia do sistema anticristão
O mundo subsiste em ciclos. Basta uma breve observação no macro para percebermos isso. Todas as peças absolutamente encaixadas e interdependentes de um sistema solar criado para que tivéssemos as condições necessárias à vida tal qual a conhecemos. Salomão afirma que “ O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há de novo debaixo do sol . ” ( Eclesiastes 1:9 ). Depois da primavera sempre virá o verão, e inverno nunca vem antes do outono, porque assim é. Foi o que Deus determinou quando as águas do dilúvio baixaram: “ Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão. ” ( Gênesis 8:22 ). O foi criado, literalmente, como uma forma de apoteose desse universo cíclico, perfeitamente ordenado, moldado para que ele, homem, tivesse todas as condições de viver uma vida plena e feliz. É a ordem divina que produz essas condições, e o homem, ao ser criado do pó da terra, nos deixa uma mensagem profunda de inteiração com o elemento de onde foi tirado. Não por acaso o termo “Adão” vem de “Adamah”, que significa “terra”, “barro”, “pó”. Deus poderia ter criado o homem da mesma forma que criou todas as coisas, apenas com a sua palavra, mas preferiu lhe dar um tratamento distinto do restante da criação, e fê-lo pessoalmente. Poderia ter também ter escolhido qualquer outra matéria-prima para nos criar, mas optou pela menos valiosa e mais comum entre todas: o pó da terra. Ao fazer isso duas mensagens ficam claras. A primeira: não somos tão importantes como imaginamos. E a segunda, fomos tirados de um mundo preordenado criado antes de nós, não para modificar essa ordem, mas para interagir com ela, a partir de determinações claras e expressas do Criador. “Ao criar o ser humano, o Criador o fez dentro de certas especificidades contextuais perfeitamente interdependentes, cuja ordem lhe garantiria a manutenção do status quo do Éden, ainda que por “Éden” se entenda uma imagem idealizada de um paraíso na terra ” (Neto Curvina. A Velha Desordem Mundial: A Teologia do Caos. Autografia. 2024.). De forma resumida podemos afirmar que a felicidade e a plenitude do homem está diretamente ligada com o modelo de terra original dos primeiros dias. O sistema sabe disso, e por isso empenha todos os seus esforços para criar todo tipo de desvio que leve o homem a contestar, resistir, combater e rejeitar tudo aquilo que de alguma forma represente essa ordenação, que traga Deus e a fé nele para o centro do debate, que se centralize na tradição judaico-cristã, porque ele – o sistema – sabe que uma sociedade ancorada na Revelação Divina, não é presa fácil para os sistemas de manipulação, exploração e controle que ele implementa, a fim de exercer um controle cada vez maior sobre a humanidade, com o intuito de preparar o mundo para a chegada do “ príncipe que há de vir ” ( Daniel 9:26 ). Então aqui cabe uma análise mais ampla, que evolva os diversos aspectos da natureza e tradição humanas. Se há um conluio de entendimentos entre o que as forças anticristãs querem e o que querem os globalistas e toda a sua vasta gama de faces (comunismo, progressismo, ateísmo, baixo misticismo, etc.), não há prejuízo à lógica afirmar que, no fundo, tudo aquilo que milita contra nossos valores mas caros e ancestrais na verdade é de origem satânica. O apóstolo Paulo dá o tom ao escrever que a nossa luta não é contra coisas visíveis, mas invisíveis ( Efésios 6:12 ). Mas mesmo as coisas invisíveis estão sujeitas às leis do Criador, e não podem agir sozinhas, sem a contrapartida humana, que permite o intercâmbio e a interação de mundos, unidos pelo propósito de desafiar o Deus que gerou a vida e a mantém. Se os agentes das trevas são criaturas espirituais sem tempo de validade, seus instrumentos humanos são temporários, passageiros, por maior que seja sua crueldade e o legado de destruição e terror que deixaram na história, em algum momento ele se vão, e o sistema precisa se reorganizar para então reiniciar sua sanha diabólica de subverter o homem pelo pecado, pela negação de Deus, pela afronta à tradição judaico-cristã. É a ciclotimia do sistema anticristão, autodestrutivo, autofágico, suicida, posto que não tem nada a perder, desde que faça o maior número de vítimas possível. Uma cena do filme “Matrix – Reloaded” (2003) chama à atenção . Nela, o personagem principal Neo tem um encontro com o Arquiteto, que é o responsável pela criação da Matrix, vivido pelo ator Helmut Bakaitis, que diz para o herói que ele não é o primeiro e nem será o último a se insurgir contra o sistema. Obviamente nunca saberemos se o que ele diz ou mesmo as imagens que ele mostra de outros “escolhidos” nas telas em volta da sala são verdades ou não passam de um jogo de desinformação. Mas a ideia de um ciclo de “perde e ganha” atemporal nos parece mais factível do que qualquer outra coisa. Quando Marx, um agente da Matrix, afirma que “A história se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa” (há quem conteste se a frase foi dita desse jeito), essa ciclotimia do sistema é exposta. O principal teórico do comunismo, ao mesmo tempo uma farsa e uma tragédia, capturou a narrativa dos tempos e a moldou de forma a lidar com o lado caído do subconsciente da humanidade, talhado para o mal, como bem informam as Escrituras em diversas passagens. Sempre foi assim e sempre será. Daí a necessidade de uma produção cada vez maior de zumbis doutrinados. E aqui mais uma vez a arte dá o tom apocalíptico dos destinos da humanidade. Ou será que ninguém percebeu que todos esses filmes sobre um “apocalipse zumbi” não têm absolutamente nada a ver com zumbis, mas com manipulação mental? Há, pelo menos, três tipos de “zumbis”. O primeiro, fabricado pelas drogas, cada vez mais livres e liberadas. O segundo, fabricado pelas instituições de ensino, os zumbis militantes, caricaturas sociais dotadas de uma imbecilidade imensurável. E o terceiro, os zumbis espirituais. Esses são os agentes do sistema para um futuro agora já não mais tão distante. E, assim como nos filmes, não há nada que possa ser feito – além de uma intervenção divina – para evitar que eles se proliferem, tal qual os agentes Smith, que saíam de todos os cantos para infernizar a vida de Neo e seus aliados fora da Matrix. Finalmente, podemos constatar o quanto o sistema é doentio, tal qual seu chefe maior, o diabo. Uma psicopatia que se revela na interdependência de pilares antagônicos e hostis entre si que, se trabalham pelo mesmo fim, hão de se matar ao final, porque de homogêneos não têm nada. Todos militam de forma feroz contra tudo o que remete à tradição judaico-cristã, ou, como diz Paulo, “ Se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto ” ( II Tessalonicenses 2:4 ). E é aqui que se revela o traço mais ignóbil das narrativas anticristãs. Imagine que um lado temos o fundamentalismo religioso raivoso que impera no Oriente Médio, que apoia e sustenta o terrorismo e a barbárie contra mulheres, idosos e crianças, e do outro lado temos a militância progressista das “minorias”, com seu discurso patético sobre identidade de gênero, aborto e outras idiotices woke. Imagine se jogássemos esses dois grupos em uma ilha deserta. O que você acha que aconteceria? Isso é o sistema. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N. 45 – ISSN 2764-3867
- Diké na Sarjeta
A hipertrofia autofágica do ativismo judicial O conceito de justiça não é uma ficção, está presente na existência humana e pode ser associado ao fato de ter o homem consciência, portanto, podemos admitir que um ser racional, necessariamente, adquire a noção de sua existência, não reagindo instintivamente ao que percebe. Tal ser, racional, abandona a visão superficial para tentar entender o mundo que o cerca. Naturalmente, busca-se compreender a natureza humana e tudo que a cerca, assim, o próprio instinto de sobrevivência passa a ser ponderado, posto que, é reflexão sobre o mundo busca uma explicação racional para o todo. O direito natural nada mais é que a observação de algo que está presente no ser humano e sua interpretação à luz de uma compreensão, baseia-se na moral que define o justo e o injusto, tem como base a busca pelo equilíbrio. O direto positivo, por sua vez, tem a missão de dar corpo através da norma ao que se pretende alcançar através do Direito, especialmente o natural, não deveria ter como missão criar ou extinguir direitos através da redação de textos legais, sendo sua função precípua transcrever o direto natural para evitar sua volatilidade, dificultando seja a norma distorcida ao bel prazer do julgador. Um ponto importante é a generalidade de uma lei, pois, ao legislador não se faculta a elaboração de uma norma destinada ao benefício ou prejuízo de um determinado indivíduo, devendo este, como titular de uma procuração inominada representar tanto seus eleitores quanto os demais cidadãos. Estaríamos diante de uma sociedade despótica se as leis fossem redigidas conforme o apreço do legislador pelo destinatário do direito, o favor e o revanchismo tornar-se-iam as engrenagens da atividade legislativa. A norma ideal tem um destinatário futuro, alguém que à época de sua definição, não era alcançado por seus efeitos e, ainda assim, quando o advento da lei altera a condição de quem já estava na situação objeto da mesma, deve-se ter em mente que tal inovação não é direcionada apenas aquele individuo. Não há como falar em justiça quando o tratamento entre indivíduos em uma mesma posição jurídica, em determinado ordenamento, é excessivamente díspar e desconexa, ao ponto de, mesmo sendo diante de posições jurídicas semelhantes não se observa referência alguma entre ambos, permitindo a liberdade total do criador da norma ou do julgador. As sociedades antigas reconheciam a importância essencial do sentimento de justiça no cerne da humanidade, tanto que, mesmo as civilizações da idade antiga, politeístas, tinham uma visão divina da justiça como sendo um valor fundamental, tal simbolismo se refletia nos panteões daqueles povos. A justiça era, em considerável parte delas, atribuída a uma divindade de alto escalão, ocupando um posto digno daquilo que era tido como de relevância ímpar para a sociedade. Os egípcios creditavam a justiça à deusa Maat, que também era considerada a senhora da verdade, restando evidente que, há milênios, o ideal de justo e a verdade andavam de mão dadas, sendo indissociável uma coisa da outra. A mentira não se coaduna com o valor essencial do ser humano que é bom, logo, não há como ser justo e falso. Entre os nórdicos, o deus Forseti cumula a justiça e o conhecimento, atribuindo à mesma divindade dois fatores indispensáveis, haja vista que, mesmo nos dias atuais o sem conhecer é impossível julgar ou legislar. Nota-se que a justiça, como ideal, desde a antiguidade, está associada ao conhecimento e a verdade, sendo esta a legitimidade atribuída à própria justiça e seus arautos. Os gregos, em sua influente mitologia, consideravam Themis, ou Têmis, como a deusa da justiça e conselheira do senhor do Olimpo. Filha de Urano, o céu, e Gaia, a terra, a titânide traduzia o ideal de justiça, como algo sobre-humano, metafísico, assim sendo, está além da simples compreensão do homem, mas era um valor natural. A associação com da divindade e o Direito natural é algo que decorre da essência da mesma, sendo claro que, na concepção do povo grego, já era possível perceber a importância da justiça como ideal. “Considerada a deusa da Justiça era representada como uma divindade de olhar austero, não tinha os olhos vendados inicialmente, mas sempre esteve junto da balança que simboliza o equilíbrio e a espada, como o poder. No século XVI, os alemães, colocaram uma venda em Thêmis para indicar a imparcialidade, ausência de preconceitos.” A divindade ocupava uma das posições mais importantes do Olimpo, sentada ao lado de Zeus, de quem fora a segunda esposa e conselheira, simbolizando a moral que sustentava a justiça. “Na mitologia grega, Têmis é a personificação das leis divinas, reconhecida pelo Costume e pela Lei. Em contraste à justiça, leis e decretos humanos. Contudo, é vista como a deusa guardiã dos juramentos dos homens e das suas regras. Era comum ser mencionada durante os juramentos dos magistrados. Pela representatividade, ela possui três subsistências: deusa da ordem natural, deusa de profecia e deusa da ordem moral. Além disso ela foi inventora das artes e administrava sobre as relações adequadas entre homem e mulher, ou seja, a base da família. Ela também presidia sobre juízes que também eram chamados de themistopóloi ( servos de Thêmis ).” Da união entre Zeus e Themis descendem as moiras e as horas, dentre as quais é imperioso destacar Dique, também grafada como Dice ou Diké, está que, a priori, pode criar uma confusão, uma vez que, também é uma divindade associada à justiça no panteão grego. É essencial distingui-la de sua mãe, pois há uma grande diferença entre Themis e Diké, sendo possível atribuir a primeira a ideia de justiça como ideal ou direito natural enquanto a sua filha simbolizava a justiça no caso concreto ou direito positivo, como aponta Rodrigo Cerveira Cittadino . “E como associar Têmis e Dique às correntes, no Direito, do jusnaturalismo e do juspositivismo, respectivamente? Em primeiro lugar, é de bom tom esclarecer que tal associação configura tão somente um esforço de se identificar caracteres comuns entre as deusas e as perspectivas jurídicas. Em segundo lugar, importa que definamos estas. O jusnaturalismo defende que, além e acima do direito escrito, há o Direito Natural, cujas normas servem como parâmetro da justiça perfeita e devem, idealmente, nortear o legislador na elaboração do ordenamento jurídico de seu Estado.” “O adjetivo natural… indica que a ordem de princípios não é criada pelo homem e que expressa algo espontâneo, revelado pela própria natureza.” (Reale, 2008, p. 375) A fundamentação do Direito Natural tem variado ao longo da História: para os estóicos, era o equilíbrio cósmico; para a teologia medieval, a vontade divina; no Iluminismo, a razão. Hoje, impera a ideia de que o Direito Natural advém da natureza humana; significa que, simplesmente por ser humano, o homem possui direitos inalienáveis, estejam eles elencados ou não numa constituição. Já o juspositivismo rejeita a existência de um Direito Natural. “Para o positivismo jurídico só existe uma ordem jurídica: a comandada pelo Estado e que é soberana”; o Direito Natural é tido como pertencente à esfera da metafísica, e portanto é desprezado, visto que não pode ser cientificamente apreciado (Reale, 2008, p. 374, 384-385).” Pode-se, ante a análise do mito, concluir que aquela antiga civilização já concebia a ideia de um ideal de justiça, puro e divino, e, por outro lado, uma justiça humana, que deveria buscar o ideal, mas que era limitada à compreensão dos homens. Ironicamente, alguns conceitos percebidos pelos povos da idade antiga parecem ter sido perdidos com o passar do tempo. Continua Cittadino. “Por fim, as comparações. O Direito Natural é eterno e universal; assim como Têmis, cuja influência se protrai no tempo rumo ao passado (pois é Titânida) e ao futuro (pois é divindade oracular) e que atua sobre o âmbito dos mortais, dos deuses e do Universo em geral. O Direito Positivo restringe-se aos limites do Estado. À semelhança de Dique, que se volta estritamente para os assuntos dos homens e está intimamente concatenada ao nómos; logo, a deusa cessaria sua manifestação com o fim da vida humana ou da vida da pólis; a correlação aqui se dá por intermédio da cidade-Estado grega, que, por ser a unidade política principal da Hélade, pode equivaler em essência ao Estado, central no cenário internacional presente.” Não se pode atribuir ao cristianismo está amnésia coletiva, pois, a distinção entre o divino e o mundano também se apresentam nos ensinamentos legados à cristandade, mas àqueles que ousaram ser mais que divino, presumindo-se iluminados, recai o fardo de levar ao esquecimento o ideal de justiça. Por certo que a justiça como valor se reflete no mito de Themis, tal qual, a justiça dos homens e, portanto, o Poder Judiciário, personifica Diké. Sendo assim, poder-se-ia acreditar que a titânide seria incorruptível, ao passo que sua fila estaria mais vulnerável aos descalabros dos arautos da justiça, entretanto, a divindade é tida como defensora da verdade, não se afeiçoando aos magistrados que, por ventura, afastam-se de sua nobre missão para seguir um caminho de trevas. Diké lamenta-se perante seu pai quando aqueles que deveriam a personificar corrompem o Direito e afastam-se da verdade, não sendo conivente com a pútrida prática de macular a justiça por magistrados, posto que, estes, mais que todos, devem honrar suas togas, vestes que deveriam tratar com sacralidade de que tem o poder de falar em nome da divindade, a chamada jurisdição. Em se tratando do senhor do Olimpo, este se define como o poder, a ação, enquanto a mãe de Diké adota uma postura passiva, sendo invocada ao socorro quando necessária a valoração do certo, justo e verdadeiro, assim como sua filha deve acolher a verdade como pilar. Aos juízes é imperioso manter-se equidistante do poder manifesto, da ação daquele que governa, deixando assim de se imiscuir na propositura para se reservar ao torno de Themis. Todo magistrado, a priori, personifica Diké, devendo sempre ter a divindade em suas ações e Themis como norte, pois, tentar separar uma da outra resultará no fatídico fim de ambas. Muitos associam a deusa romana Iustítia a uma junção das duas figuras em uma, talvez para a civilização antiga da península itálica, tal associação fosse uma forma de unificar de forma irrevogável a justiça como ideal e aquela que deve ser promovida, tornando as duas figuras míticas gregas uma única coisa no panteão romano. Por outro lado, a teoria de que a deusa Iustitia aglutinava Themis e Diké em uma só, pode ser compreendida como uma corrupção do imaginário grego, fazendo com que Roma perdesse a capacidade de distinguir uma coisa da outra ou, ainda mais grave, não fosse realmente uma sociedade apta a entender que existe o plano da justiça intocado que preserva o valor essencial do justo. Não parece crível a última hipótese, pois, é nítido como o Direito romano tinha como norte a justiça como ideal, ainda que, aplicasse o Direito no plano real. Não obstante, a busca pela aproximação entre a justiça imaculada e aquele que serve aos homens, por eles sendo praticada, que pode ter sido a causa da sugerida aglutinação das duas divindades gregas na figura do panteão romano, fazendo de Iustitia uma representação absoluta da justiça, daí o nome ter significado aplicado em ambos os casos. Poder-se-ia admitir que Diké, amante da verdade, não se corrompe ante as ações dos magistrados, haja vista, que os juízes precisam afastar-se da divindade para subverter sua missão, deixando de inspirar-se em Themis e, inevitavelmente, extraindo Diké de sua alma. O mito como recurso para compreender o homem torna-se um instrumento mais que necessário, todavia, pode surgir a reflexão de qual seria a correlação entre as duas divindades e o ativismo judicial, posto que, se há uma ideia de justiça divina incorruptível e a justiça concreta também o seria, não seria plausível invocar tal mito para compreender os males do ativismo. Preliminarmente, é essencial constatar que a judicialização da política é um dos desdobramentos do ativismo judicial, pelo simples fato de que um Poder Judiciário residual, que socorre àqueles em posições jurídicas de vantagem, não se coaduna com ações proativas que tentam conduzir a humanidade, pondo-se a direcionar rumos de uma sociedade em detrimento de sua precípua missão de fiador da paz, que deve ser a tábua de salvação aos atirados nas trevas da injustiça. Para Pedro Santoro de Mello, o ativismo judicial e a judicialização da política são institutos dissociados. “Portanto, pode-se notar que o ativismo e a judicialização são práticas distintas constantemente praticadas pelo Judiciário, sendo aquela caracterizada pela atuação do Judiciário além da legislação, sem respaldo legal e promovendo uma ampliação das normas jurídicas a partir de suas interpretações, enquanto que esta se evidencia pela ação do Judiciário além de suas competências, interferindo assim nas decisões políticas dos demais poderes, fazendo com que questões políticas de grande repercussão nacional ao invés de serem analisadas pelo Congresso Nacional ou pelo Poder Executivo, passem a ser decididas pelo Poder Judiciário. É válido ressaltar que ambos os fenômenos são praticados em diversos ordenamentos jurídicos distintos e são fatores contribuintes para o crescimento do Poder Judiciário dentro do Estado.” (Mello, Pedro Santoro de; A Judicialização da Política no Brasil: os Desafios, os Limites na Atuação do Judiciário e a Defesa Dos Princípios Constitucionais; Âmbito Jurídico; 2019). Apesar da possível separação entre ambos, resta evidente que não há como existir a judicialização da política sem o ativismo judicial, pois um tribunal que não ultrapassa seus limites jamais servirá de palco para o segundo. Ao Poder Judiciário cabe socorrer os indivíduos ante o mal perpetrado pelo poder e da covardia de seus pares, não, há dentre as missões dos magistrados conduzir a sociedade, bem como, ser o agente que exprime a vontade de um povo. A legitimidade de tal poder reside em sua tecnicidade e imparcialidade. Aos que julgam é necessário, ainda que seja impossível, despir-se de suas paixões para laborar sob a égide dos valores construídos e solidificados em uma sociedade, privando-se de agir como representante, para socorrer aqueles que se veem desamparados. Tenta-se justificar ativismo judicial perante os indivíduos como forma de levar a justiça aos homens, supondo que, estes estariam refém da inércia dos que estão no poder, assim, o Poder Judiciário promoveria a justiça através da ação, não esperando para solucionar os problemas à posteriori. Não existe premissa mais equivocada, justamente, pelo fato de que, aquele que segura a balança não pode pesar para um lado ou não haverá justiça e sim vontade. Se, no Olimpo, Zeus simbolizava o poder divino, reinando sobre todos, Themis não poderia agir como se o Cronida fosse, sob pena de ser parte da ação tendo sua balança pendendo para um lado antes mesmo de colocar os pesos em ambos. Diké, como visto, não pode se dissociar de sua mãe, haja vista que, quanto mais agir como seu pai, mais tornar-se-á parcial e alheia à sua missão. O ativismo judicial é uma mazela contemporânea que promete uma Justiça atuante e capaz de solucionar os problemas de uma sociedade, substituindo os demais poderes constituídos e fazendo com que o poder que deveria repousar inerte, adira à pautas ideológicas que, por vezes, não encontram abrigo no seio da sociedade. Tal nefasta prática resultará na hipertrofia autofágica do Poder Judiciário, mas não antes de colapsar os demais poderes, criando uma sociedade distópica que se envenenou acreditando tomar uma cura milagrosa, sem buscar entender seus efeitos colaterais. O povo, ao ser guiado por quem se desvia de sua missão, terá como certa a trajetória para o abismo. Nem sempre os praticantes do ativismo dar-se-ão conta do mal que fazem, em alguns casos cegam-se para a realidade de bêbedos pelo poder do néctar da ambrosia, acreditam que realmente são capazes de guiar os rumos do mundo por se tratarem de seres melhores que os outros. Alguns, de fato, são algozes conscientes tomados pela ganância e por uma fé revolucionária, contudo, há juízes que se tronam incapazes de reconhecer o quão danoso é tentar fundir Themis e Zeus em uma só figura. Dos arautos do ativismo judicial ascende a aristocracia das togas, deixando de lado sua missão de socorrer para buscar um protagonismo antagônico com a segurança que deveriam refletir aos homens. Os julgadores perdem a credibilidade ao passo que deixam de figuram como técnicos equidistantes do palco dos acontecimentos para, lançando-se ao mesmo, travarem suas próprias batalhas e trocarem suas togas neutras por estandartes que os colocam como interessados. A adesão às agendas internacionais e a renúncia constante das fontes do Direito para enveredar pela propositura política, ora legislando, ora governando, conduz, inevitavelmente o Poder Judiciário a uma hipertrofia, engolindo os demais poderes por acreditar que é o detentor do conhecimento e bastião da verdade. Uma premissa tão equivocada, senão destrutiva, que ignora o mito no qual tanto Themis quanto Diké não se imiscuíam nas tarefas dos demais deuses e titãs, haja vista a necessidade de manterem-se imparciais, desta feita, presume-se que detentoras do conhecimento e amantes da verdade, tinham a concepção que o melhor a ser feito era deixar a ação para os protagonistas. Ninguém credita um julgamento justo a um dos envolvidos na contenda e, por tal motivo, um judiciário que está envolto de forma proativa em determinados temas, não goza de legitimidade, de maneira que, o crescimento desenfreado de tal poder, engolindo os demais, será, inevitavelmente, a sua ruína, pois, o reduzirá a um órgão parcial, atécnico e desmoralizado. A máxima de Orwelliana de que “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. (Orwell, George; A Revolução dos Bichos (Animal Farm); Reino Unido; 1945) A fé depositada na justiça é, necessariamente, resultado de sua postura distante da seara política, havendo no imaginário de cada indivíduos a esperança que o Poder Judiciário lhe trará a justiça quando tudo mais lhe for subtraído, por tal razão, não há motivo para se socorrer de um órgão que tem sua balança retorcida pelas suas ações, deixando evidente que não amparará aos que não comungam de sua visão, ainda que distorcida, de mundo. Não raro os indivíduos deixarem de buscar a justiça através do Poder Judiciário por terem a, por vezes justa, impressão de que os julgamentos serão enviesados pelas crenças do julgador ou da instituição. A postura ativa do judiciário macula não só os julgados, mas a fé da sociedade em tal poder, quando se vislumbra uma face que pode ser considerada como declaradamente tendenciosa, essa que tenta se “autojustificar”, ante a uma suposta fragilidade a ser protegida, assumindo postura flagrantemente política ideológica e, por vezes, fazendo até mesmo propaganda de suas visões. O cidadão não pode acreditar que um órgão possa lhe socorrer quando o mesmo assume uma clara postura em relação a determinado tema, restando evidente que sua demanda não será acolhida por questões de convicção do órgão julgador, que independe dos comandos legais, dos valores da sociedade que se insere ou da vontade do povo. “Neste contexto, caberia ao Poder Judiciário somente defender e assegurar direitos, agindo peremptoriamente para que ninguém – cidadão ou Estado – atente contra ou afaste qualquer direito previsto em Lei e, principalmente, na Constituição. É o Judiciário, enquanto Poder do Estado, que garante a aplicação da Lei. É nessa ótica que o Poder Judiciário pode ser considerado como uma instituição democrática. Porém, não caberia a este Poder conceder, ampliar ou criar benefícios, ou mesmo criar leis abstratas e gerais. Assim o fazendo, a respeito da vontade da maioria consubstanciada na aprovação de leis editadas por seus representantes eleitos (ou mesmo na omissão da aprovação de determinada lei que não espelhe a vontade popular), está sim agindo o Poder Judiciário como uma instituição não democrática.” ( Ceroy, Alexandre Meinberg; Quem Realmente Defende a Democracia?; Revista Conhecimento & Cidadania Vol 10, Rio de Janeiro; 2022 ) Ao subtrair do governante a direção das políticas públicas ou do legislador a capacidade de expressar a vontade do povo, solapando a maior lei da nação e sustentáculo de todo o ordenamento jurídico pátrio, o Poder Judiciário não está violando a prerrogativa do poder que, aparentemente, fora alvo de sua ação. Em verdade, a única vítima é o real detentor do poder que, no caso de uma república, deveria ser o povo. O mandatário, seja o governante ou o parlamentar, presenta aquele que o investiu na missão, logo, o verdadeiro soberano é o povo, portanto, avançar em direção dos mandatários é subtrair do real senhor, que confiara aos seus representantes, o poder. O ativismo judicial torna um poder residual, que deveria manter-se passivo e legítimo, um usurpador da soberania popular para fazer-se governo juristrocrata que se impõe pela força de seus desmandos. “Não se trata de mera violação formal, portanto, não é necessário verificar se tal princípio é reconhecido no ordenamento jurídico colombiano, salvo se aquele país for assumidamente uma ditadura, como toda juristocracia o é. A judicialização da política e o ativismo judicial não subtraem dos parlamentares o poder de legislar ou do governante de dirigir a máquina pública, em verdade, retira a vontade do povo ao entregar para outrem a capacidade de escolher pelos cidadãos, a verdadeira vítima de tal nefasta prática é justamente aquele que concedera um mandato aos membros do legislativo para que manifestem sua vontade, bem como, o fizera com o governante, esperando que este adote as políticas públicas que lhes são caras. Utilizando-se de falsas premissas, um determinado grupo impõe sua ditadura sobre a população, em um verdadeiro ato antidemocrático, agentes políticos ora derrotados e magistrados que comungam de sua visão de mundo, ainda que distópica, usurpam descaradamente o mandato alheio por se auto intitularem como um secto supra-humano que tem o poder-dever de conduzir os rumos da nação. A ideia de representantes eleitos em uma democracia reside, justamente, no fato de que estes devem representar a vontade do povo, real soberano, de maneira que, quando uma determinada prática é reprovada em uma sociedade, em tese, criam-se normas para coibi-la, em sentido contrário, são incentivadas condutas tidas como desejáveis. Por tal razão, um projeto de lei que não é aprovado reflete, ressalvados os casos distorcidos, naquilo que os cidadãos esperam de seus mandatários, posto que, não atendendo tais expectativas sofrerão a rejeição em um futuro pleito eleitoral. Uma norma que não tem sucesso no processo legislativo, a princípio, não é bem-vinda no ordenamento jurídico, sendo seu forçoso ingresso neste um atentado contra a democracia, haja vista, que em tal modelo o povo não é, tão somente, um elemento do Estado, mas a razão de existir do Estado, pois este, é servo daquele, não sendo, em nenhuma hipótese, o seu detentor. Dos elementos que constituem esta figura, são indispensáveis o território em que se exerce a soberania, entretanto, em si falando de democracia, o povo é o senhor do Estado, e não o contrário.” ( Costa, Leandro dos Santos; O Pior Crime do Mundo; Revista Conhecimento & Cidadania Vol 7; Rio de Janeiro; 2022 ) Voltando ao mito de Diké, assumindo que os magistrados seriam a corporificação da divindade, o ativismo judicial e, consequentemente, a judicialização da política acabam por desfigurar a filha de Zeus e Themis, afastando-a de sua mãe para dar-lhe um trágico destino. Diké seria o alvo da hipertrofia, a medida que subtrai dos demais deuses do panteão suas atribuições por se acreditar como um ser justo e mais indicado para quaisquer que sejam os desafios, rebelando-se contra a postura, que entende, letárgica de sua genitora para propagar os ideais de justiça pelo mundo. A divindade afasta-se de Themis e busca sufocar seus pares no panteão grego, suprimindo a violência de Ares, os arroubos de Poseidon, a luxúria de Afrodite, o ciúme de Hera, a frieza de Hades e tudo aquilo que pode causar desiquilíbrio conforme sua visão cega e arrogante de mundo ideal, tornando-se o mal que deveria combater. Não percebe, ou não quer ver, que quanto mais se afasta de Themis, a justiça como ideal, Diké se dissocia de sua existência, justa e verdadeira, metamorfoseando-se, ainda que de forma inconsciente, na em sua antagonista, Adikia, refletindo a injustiça e a mentira e destruindo-se em uma ação autofágica, O crescimento desordenado da divindade acaba por fazer com que se devore para saciar sua fome pelo poder. Desmoralizada pelas ações de seus arautos ilegítimos, Diké se destrói gradualmente em uma busca por solucionar aquilo que não lhe é afeto, sufocando todos que a cercam e sorvendo seu próprio sangue, que se tornou veneno, uma vez que, ao metamorfosear-se em Adikia sua essência lhe é nociva. Não podendo se lamentar ao Cronida, pois mesmo o senhor do Olimpo jaz em seu trono, ferido pela espada que Diké ainda impunha e branda contra tudo aquilo que se move. Cega e recusando-se a parar, resta à divindade socorrer-se da justiça que não se corrompera, voltando, como o filho pródigo aos pés de Themis para então perceber que aquilo que acreditava ser a letargia de sua mãe, era, na verdade, a sabedoria em reconhecer que cada qual tem seu papel e não se pode promover a salvação deixando de cumprir a sua missão. Os magistrados que maculam a justiça, ainda que movidos pela boa intenção, avançando sobre os mandatários, na verdade sobre a vontade do povo, ampliam seu poder e destroem no ao mesmo tempo, cada vez mais audazes e ilegítimos, hasteiam suas bandeiras e condenam a justiça ao infortúnio destino dos que se corromperam ante o poder. Por outro lado, sempre haverá esperança, por certo que muitos que honram suas togas mais que bandeiras ideológicas trarão consigo a justiça como ideal e o judiciário como tábua de salvação dos relegados, mantendo Themis como norte e Diké em seus corações. A justiça divina e imaculada sempre prevalecerá e abrigará aqueles que forem justos, assim, quando Diké estiver na mais profunda sarjeta, poderão aqueles que lhe corporificam se levantar em oposição ao ativismo que a consome, resgatando sua dignidade e conduzi-la aos braços de sua mãe, Themis, que a acolherá tal como um filho pródigo, renascendo assim a justiça dos homens como deve ser, restando aos arautos de Diké preservá-la e a todo cidadão defendê-la. Resgatar a justiça é o dever todo jurista para consigo e com o mundo. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N. 44 – ISSN 2764-3867
- A tecnologia para o ser humano
Se tem um tema que parece nunca sair de moda é o da tecnologia. Mas o que é tecnologia? Bom, como sempre a minha proposta não é esgotar os temas e sim suscitar reflexões, pois é na reflexão que temos algo de muito maior valor que o senso crítico e, diga-se de passagem, até o computador trabalha com este processo. Temos na reflexão o despertar das ideias próprias e é isso que nos faz evoluir como ser humano. ( Em outro artigo trataremos da diferença entre senso crítico e ideias próprias). Podemos pensar da seguinte forma: A ciência é o foco do estudo, é onde podemos tratar das causas e efeitos e seus porquês. Já a tecnologia é a ferramenta que permite que a ciência seja prática, permite o laboratório, os experimentos para a consolidação da ideia científica. Isto, explicado de maneira popular pois meu objetivo é que todos os níveis intelectuais alcancem a mensagem dos artigos por mim escritos. Como exemplo, eu colocaria da seguinte forma: A medicina é a ciência e os equipamentos que permitem sua aplicação a tecnologia. A ótica é a ciência, os óculos são a tecnologia. Em fim, creio serem suficientes os exemplos. Tenho que deixar claro que os conceitos aplicados por mim serão os clássicos, embora os conceitos modernos tenham seu lugar. Se todas as ciências possuem suas respectivas tecnologias e é isso que as faz cumprir seus papéis, ou seja, as fazem ser o que realmente são, o que podemos dizer do ser humano? O que nos faz ser o que realmente somos? O que nos consolida como seres humanos? Se a ciência é o ser humano, sua tecnologia são as virtudes. Esta é a equação: Valores bem aplicados = Virtudes. Virtudes bem aplicadas = Princípios. Princípios humanos resultam no real ser humano. No presente momento histórico, onde os instintos parecem aflorarem cada vez mais fortes, nenhuma vitória será possível sem a aplicação das virtudes humanas, pois são elas que nos fazem humanos. Eu poderia discorrer por inúmeras linhas sobre valores, virtudes e princípios humanos, mas nesse caso tratarei, especificamente, de duas virtudes, pois elas são importantíssimas para o resgate consciente do conservadorismo. São elas: Inteligência e Temperança. Vamos então as definições de ambas e discorreremos sobre. Inteligência no conceito clássico, nada tem a ver com agudeza mental ou raciocínio lógico, rápido, preciso, em fim não é uma habilidade cerebral mas uma faculdade da mente e assim se define: Inteligência é a capacidade de saber discernir entre o que se deve ou não se deve fazer enquanto ser humano e comprometer-se com isso. Repare que o ponto radica no comprometimento, pois se discernimos a escolha certa e não nos comprometemos com ela, somos corruptos e tolos. Não é o que muitas vezes vemos na política? Na sociedade? E em todas as áreas de atuação humana? A segunda virtude é a temperança e assim se define: Temperança é a capacidade de agirmos de maneira ideal independente do nosso estado de ânimo. Na guerra política que travamos hoje, temos tido várias derrotas em diversas batalhas e a temperança é fundamental para continuarmos lutando independente do que aconteça. Não é difícil vermos em momentos de derrota, soldados desanimarem das batalhas e saírem de cena, além de não se comprometerem com a escolha certa, a de lutar mesmo perdendo, pois a luta é só um meio e o nosso lugar próprio é o fim. Fica a reflexão: Se num tema tão básico como a política há tantos descomprometidos e desistentes, como será na batalha pela vida?(Estaria aí uma chave para o grande número de depressivos e suicidas?) Pela família? (Estaria aí a chave para tantos divórcios, traições e tragédias familiares?) Por sua dignidade? (Estaria aí a chave para tanta corrupção?) Pensemos...Teriam mesmo comportamento? Só nós, em nosso íntimo, podemos responder com sinceridade. Fica um conclave a todos os que querem vencer como verdadeiros heróis!! Que lutemos com Inteligência e Temperança, pois com apenas estas duas tecnologias, seremos imbatíveis, quanto mais se lançarmos mão de toda a tecnologia Humana disponível para a guerra. Em outro momento trataremos de maneira mais ampla sobre este tema fundamental para nosso avanço nesta batalha do bem contra o mal. Deus abençoe nossa jornada! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N. 04 – ISSN 2764-3867
- Rainha Ester
Feminismo e contradições Mulheres Bíblicas: PARTE IV A história de Ester, uma das mulheres mais notáveis da Bíblia, transcende os séculos e continua a inspirar pessoas em todo o mundo. Sua trajetória como rainha da Pérsia e sua coragem diante da adversidade são exemplos poderosos de exaltação feminina. Quem foi Ester? Ester era uma jovem judia da tribo de Benjamim, filha de Abiail. Ela viveu durante o período de reinado de Assuero (Xerxes) entre 486 e 465 a.C. Criada por seu primo Mardoqueu, Ester alcançou favor na corte do rei e foi coroada rainha no lugar de Vasti. Sua beleza e coragem chamaram a atenção de todos na corte. A história de Ester ganha destaque quando Hamã, um alto funcionário do rei, planeja o genocídio dos judeus. Informada por Mardoqueu, Ester enfrenta o desafio com ousadia. Ela arrisca sua própria vida ao se apresentar perante o rei sem ser chamada, algo impensável na época. Sua coragem e determinação são exemplos de que Ester era uma mulher forte. Ester é um símbolo de coragem, fé e providência divina. Sua história destaca como Deus usa pessoas comuns para cumprir Seus propósitos. A festa judaica de Purim celebra a vitória dos judeus sobre Hamã. Durante Purim, os judeus leem o livro de Ester, compartilham presentes e alimentos, e se alegram pela salvação recebida. Sua elegância e feminilidade não se limitam à aparência externa, mas emanam de sua essência interior. A verdadeira elegância, segundo Ester, vai além do vestir-se bem; ela reflete integridade, compaixão e força. Deus usou da beleza e da feminilidade de Ester para manifestar Seu poder e salvar Seu Povo Eleito. Além de sua coragem, Ester personifica valores hoje exaltados pelo movimento feminista: Autonomia e Escolhas Conscientes: Ester não aceitou passivamente seu destino. Ela usou sua posição como rainha para agir em prol de seu povo, desafiando normas sociais e hierarquias. Sua autonomia é um lembrete de que as mulheres têm o direito de tomar decisões que afetam suas vidas. Ela personifica a força e a resiliência que transcendem gênero e inspira mulheres e homens de fé até hoje, não se conformou com o papel tradicionalmente esperado de uma mulher naquela sociedade. Empoderamento e Influência: Ester não apenas buscou sua própria segurança, mas também intercedeu pelo bem-estar de toda a comunidade judaica. Ela usou sua influência para proteger os outros, demonstrando que as mulheres podem ser agentes de mudança e impacto positivo. Persistência e Resiliência: Ester enfrentou desafios significativos, incluindo o risco de morte ao se apresentar perante o rei sem convite. Sua determinação e coragem são inspiradoras para todas as pessoas, independentemente de gênero. A jornada de Ester nos ensina que a coragem, a fidelidade e a busca por justiça podem transformar vidas e impactar gerações. Ela é um farol de esperança para todos que enfrentam desafios e buscam fazer a diferença em seu tempo. As características de Ester, tão exaltadas hoje por movimentos feministas, são, na verdade, perfil que toda mulher cristã possui. No fundo, o movimento feminista apenas se apossou dos perfis de mulheres cristãs. E muito contrário do que pregam, mulheres cristãs são mulheres de personalidade forte. Ser temente a Deus permite que a mulher cristã, confie no Senhor e não tenha medo do que pode estar por vir. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 44 - ISSN 2764-3867
- “LUTEM, LUTEM, LUTEM”
“Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez. Tenham a normalidade, a sanidade, a centralidade da psique como um ideal. Prometam a vocês mesmos ser personalidades fortes, bem estruturadas, serenas no meio da tempestade, prontas a vencer todos os obstáculos com a ajuda de Deus e de mais ninguém. Prometam SER e não apenas pedir, obter, sentir, desfrutar.” (Olavo de Carvalho). No sábado, 13 de julho de 2024, por volta das 18:13h (horário local), ocorreu um incidente grave durante um discurso de Donald Trump, político republicano, na cidade de Butler, Pensilvânia. O político foi alvo de tiros que o feriram superficialmente na orelha direita. Após o incidente, foi prontamente retirado do local por sua equipe enquanto declarava com determinação: "Lutem, lutem, lutem" . Infelizmente, um dos presentes no evento perdeu a vida, e outros dois ficaram feridos. O atirador foi abatido poucos segundos após o atentado e as autoridades o identificaram como Thomas Mathew Crooks. As investigações sobre o caso prosseguem em meio a muitas suspeitas de facilitação por parte das forças de segurança presentes no evento. Os Estados Unidos possuem um histórico de eventos trágicos envolvendo atentados contra presidentes. Podemos citar alguns deles. Andrew Jackson, o sétimo presidente dos Estados Unidos, também foi alvo de um atentado durante seu mandato. O incidente ocorreu em 30 de janeiro de 1835, quando Jackson estava saindo do Capitólio dos Estados Unidos após um funeral. Richard Lawrence, um desempregado britânico, tentou disparar duas pistolas contra Jackson, mas ambas falharam por problemas mecânicos. Abraham Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth enquanto assistia a uma peça no Teatro Ford em Washington, D.C., em 14 de abril de 1865. Ele faleceu no dia seguinte, em 15 de abril. James A. Garfield foi baleado por Charles J. Guiteau em Washington, D.C., em 2 de julho de 1881, e morreu dos ferimentos em 19 de setembro de 1881. William McKinley foi baleado por Leon Czolgosz durante uma recepção em Buffalo, Nova York, em 6 de setembro de 1901, e morreu dos ferimentos em 14 de setembro de 1901. Theodore Roosevelt foi baleado enquanto fazia um discurso em Milwaukee, Wisconsin, em 14 de outubro de 1912. Apesar dos ferimentos graves, ele sobreviveu e continuou sua campanha presidencial. Em 1933 o presidente eleito Franklin D. Roosevelt foi alvo de cinco disparos desferidos por um homem. Roosevelt não foi atingido, mas o prefeito de Chicago Anton Cermak não teve a mesma sorte, tendo morrido 19 dias após o atentado. Harry S. Truman teria sido mais uma vítima quando dois porto-riquenhos, Griselio Torresola e Oscar Collazo, tentaram invadir a Casa Branca em 1º de novembro de 1950 com o objetivo de assassiná-lo. Torresola e o policial Leslie Coffelt morreram no tiroteio, mas Truman não foi ferido. Possivelmente o atentado mais famoso da história dos Estado Unidos foi o de John F. Kennedy, assassinado a tiros em Dallas, crime supostamente cometido por Lee Harvey Oswald, em 22 de novembro de 1963. Oswald supostamente se posicionou em um prédio al longo do trajeto em carro aberto, feito pela comitiva presidencial. Kennedy teve morte instantânea e Oswald foi assassinado dois dias depois. Em 22 de setembro de 1975 a ativista política Sara Jane Moore, aproveitando uma visita do presidente Gerald Ford a São Francisco, em meio à multidão disparou contra Ford, mas errou o tiro. Antes que conseguisse atirar uma segunda vez foi imobilizada por um fuzileiro à paisana que acompanhava a visita. O primeiro tiro ricocheteou em uma parede próxima atingindo outra pessoa sem gravidade. Ford escapou ileso. Nem seis anos se passaram e mais um presidente foi alvo da loucura humana. Dessa vez o alvo foi Ronald W. Reagan, em 30 de março de 1981. Após sair de um evento no Washington Hilton Hotel, Reagan foi alvejado por John Hinckley Jr. Reagan teve um dos pulmões perfurado, mas sobreviveu ao ataque graças ao rápido atendimento médico. Para os brasileiros mais desavisados que após esta pesada leitura, dizem a si mesmos aliviados: ‘graças a Deus o Brasil é um país pacífico’, calma, não tão rápido! O Brasil também tem seu histórico de violência no seu contexto político. Apresentaremos a seguir alguns casos que se tornaram um pouco mais conhecidos. Em 15 de julho de 1889, Dom Pedro II sofreu um atentado a tiros enquanto embarcava em uma carruagem na saída do Teatro Sant’Anna (atualmente Teatro Carlos Gomes) no Rio de Janeiro. O atentado foi perpetrado por Adriano Augusto do Valle, um militante republicano, mas Dom Pedro II saiu ileso. Em 5 de novembro de 1897, Prudente de Morais sofreu um atentado durante uma cerimônia pública em frente ao Arsenal de Guerra no Rio de Janeiro. Marcelino Bispo de Melo , um soldado do exército tentou atingir Morais usando uma garrucha que falhou, dando tempo ao ministro da Guerra, Marechal Carlos Machado Bittencourt de tentar protegê-lo. Marcelino então, usando uma faca, feriu mortalmente o marechal, sendo preso em seguida. O presidente escapou ileso. Em 23 de maio de 1928, houve um atentado contra o presidente Washington Luís no Hotel Copacabana Palace. Supostamente durante um encontro extraconjugal com a italiana Elvira Vishi Maurich, o presidente foi ferido a bala. Atendido pelo médico pessoal de Octávio Guinle, dono do hotel, o presidente foi conduzido a uma casa de saúde onde foi operado e se recuperou. Em 5 de agosto de 1954, houve um atentado a tiros na Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, contra Carlos Lacerda, um dos principais opositores de Getúlio Vargas. O atentado resultou na morte do major da Aeronáutica Rubens Vaz e acabou desencadeando uma crise política que levou ao suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954. Café Filho que então era vice-presidente da República assumiu o governo. Em 30 de maio de 1989, o bancário João Antônio Gomes protagonizou um dos atentados mais bizarros da história brasileira. Após sequestrar um ônibus da Viação Planeta na rodoviária de Brasília, subiu a rampa do Palácio do Planalto, sendo detido apenas pelo rebaixamento de gesso no teto do saguão do palácio. Segundo depoimento do sequestrador, ele pretendia tirar a vida do presidente José Sarney ou de qualquer um que tentasse impedi-lo, dada a sua insatisfação com sua situação pessoal e do próprio país. Ocorre que o presidente sequer estava no palácio no momento do incidente. João Antônio foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Em 22 de março de 1991, o então presidente Fernando Collor de Mello cumpria mais uma de suas rotineiras cerimônias de descida rampa do Palácio do Planalto, quando José Darionísio Pereira da Cruz, desempregado, furou o cordão de isolamento se lançando contra o presidente, portando uma faca. José foi impedido e imobilizado por um segurança, sendo preso logo em seguida. Collor nem mesmo percebeu o que tinha acabado de acontecer. Um ovo arremessado não chega a ser um atentado contra a vida de ninguém, no máximo contra a compostura e o bom asseio. Em 20 de maio de 2000, José Serra, então Ministro da Saúde, quando chegava para um evento partidário em um clube de Sorocaba não foi ovacionado, mas foi atingido por um ovo lançado por um manifestante anônimo que conseguiu fugir em seguida ao ato. Mais tarde, entrando em contato com jornalistas por telefone, o jovem se identificou como estudante secundarista e disse: “Eles usam a polícia para descer o pau em professores e estudantes, nós usamos ovos, que não machucam, mas deixam evidente nossa revolta”. Quanto a José Serra, depois de cuidados cosméticos, seguiu sua agenda. Ainda seguindo a linha dos “ovos voadores”, Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo e figura política bastante controversa, quase foi atingido por um ovo em 22 de outubro de 2001 quando chegava ao prédio do Ministério Público em São Paulo. O ovo foi atirado por Juarez dos Santos, um manifestante, que aguardava a chegada do político para prestar depoimento. Juarez buscava demonstrar sua revolta contra a empáfia do político paulista. Em 6 de setembro de 2018, Jair Bolsonaro, então candidato à presidência, foi esfaqueado durante um comício em Juiz de Fora, Minas Gerais. Ele sobreviveu após passar por cirurgias. O criminoso foi identificado como Adélio Bispo de Oliveira, um suposto ‘lobo solitário’ que, segundo as investigações, sofreria de transtornos mentais. Adélio segue preso. Retornando ao caso de Donald Trump, suas palavras "Lutem, lutem, lutem" , ditas num contexto de profunda comoção, poderiam induzir à conclusão de que seus apoiadores deveriam se rebelar contra a violência de seus opositores. Mas, à luz das palavras do inesquecível Olavo de Carvalho, que encabeçam este texto, a luta é pelo “ equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez” . Tanto americanos quanto brasileiros conhecem, resguardadas as devidas proporções, a loucura, o infantilismo, a exasperação. Nesse momento profundamente conturbado que vivemos, é necessário manter a sanidade e seguir a ‘luta’, que significa manter a cabeça erguida, coluna ereta e ombros para trás, no melhor estilo Jordan Peterson. A hora não é de retrocessos, mas também não é de enfrentamentos. Maior proveito e melhores resultados obterão os seguidores da paz, se souberem conduzir-se utilizando as falhas daqueles que usam da violência como instrumento, e mantendo a sanidade em meio à loucura. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sedes prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas” (Mateus 10:16) Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 44 - ISSN 2764-3867
- A Montanha de Ferro
O controle social que começa pelo estômago No final de Maio ocorreu dentro do complexo de palácios de Hofburg, no centro de Viena, na Áustria, um evento denominado “Eat for future” , uma exposição que traz “alternativas” para uma alimentação “sustentável”. Hambúrgueres à base de plantas, larvas e outros tipos de comidas exóticas fizeram parte da exposição. Nos últimos tempos, tanto a indústria alimentar como a mídia de massa têm feito uma propaganda massiva sobre “sustentabilidade alimentar”: mudar a forma tradicional de comermos por uma que “afete menos o meio ambiente”. A impressão que se tem é que entramos no DeLorean (carro utilizado no filme “De volta para o futuro”) e retornamos aos anos 60, onde ser vegetariano e lutar pela paz mundial era a moda da vez. Contudo, os que têm aderido à agenda da “alimentação sustentável” não fazem ideia de que estão apenas sendo utilizados como fantoches por figurões do alto escalão mundial, que querem impor um sistema de controle social que começa pelo estômago. E nas linhas que se seguem, vamos entender, de forma mais profunda, a origem e os caminhos que este controle tomou até chegar em nossos dias. Em 1967, um grupo de especialistas produziu um relatório denominado “Report from the Iron Mountain on the Possibility and Desirability of Peace” (A Paz indesejável: O relatório da Montanha de Ferro). O Relatório afirma que a guerra desempenhou funções importantes na sociedade. Sua conclusão é: a guerra se tornou impossível. É necessário encontrar o que possa substituí-la. O Relatório aborda cinco funções exercidas pela guerra: Econômica “ A guerra fornece (…) um meio certo de realizar a estabilidade e o controle das economias nacionais.” Política “ As funções políticas da guerra são, até agora, ainda mais importantes no âmbito da estabilidade social”. Sociológica “ Funções que concernem ao comportamento humano na sociedade (…) A existência de uma ameaça externa que possa ser crível é, por consequência, essencial para a coesão social, assim como para a aceitação de uma autoridade política. ” Ecológica “ A guerra foi o principal fator de evolução que permitiu manter um equilíbrio ecológico entre imensas populações humanas e os recursos que se encontravam à disposição para assegurar a sua existência.” Cultural e Científica “ A tendência à guerra determinou os critérios fundamentais de valor nas artes de criação e forneceu sua principal fonte motivacional que conduziu ao progresso técnico e científico.” O próprio Relatório apresenta os “substitutos” que seriam ideais para preencher a lacuna deixada pela guerra: Economia a) um programa de bem-estar social b) um ilimitado programa espacial de investigações espaciais Política a) uma força internacional de polícia b) ameaça extraterrestre conhecida e admitida c) poluição massiva do meio ambiente Sociologia a) forma moderna e evoluída de escravidão b) poluição intensificada do meio ambiente c) novas religiões e outras mitologias 4. Ecologia a) programas conhecidos de formas de eugenia O Relatório causou um alvoroço tão grande que, na época, a Casa Branca, sob a liderança de John Kennedy, veio a público desmentir a autenticidade do mesmo. Porém, o economista John Galbraith publicou um parecer sobre o documento atestando sua veracidade: “Para mim, tudo isso não deixa pairar qualquer dúvida sobre a autenticidade do documento. Não poderia lhe ser dado mais confiança, se eu mesmo o tivesse escrito” Um detalhe que John menciona em seu parecer: ele relatou que foi convidado para participar de uma reunião em Iron Mountain, estado de Nova Iorque. E que: “...Iron Mountain era o quartel general do comitê de seleção criado pelo Chase Manhattan Bank ” Ou seja: quem selecionou as participantes que escreveram o Relatório foi o banco em questão, que pertence à família Rockefeller. Com um viés totalmente revolucionário, o Relatório não demonstra preocupação com nenhum dos itens apresentados, mas com a maneira de exercer controle total sobre os mesmos, o que permite justificar o totalitarismo. Com o escândalo que causou à época, o Relatório caiu em descrédito por várias razões, pois suas referências científicas foram muito pouco consideráveis. Contudo, as ideias de dominação totalitárias presentes no documento foram levadas adiante. Em 1970 (dois anos após a divulgação do Iron Mountain ), George Kennan escreveu um artigo para a revista Foreign Affairs , pertencente ao Concil on Foreign Relations (CRF). Nele, Kennan, que foi ex-embaixador dos Estados Unidos na URSS, retomava as principais teses do Relatório. Aqui inicia-se a empreitada ambiental. “Cientistas competentes se preocupam com a influência da superpopulação, com a devastação dos recursos naturais e da mecanização sobre a integridade do meio ambiente natural, do qual depende a nossa sobrevivência (…) torna-se evidente de que se as tendências atuais se prolongarem, a vida na Terra poderá ser ameaçada.” Kennan conseguiu resolver a equação presente no Relatório de 1967, ao centralizar todos os esforços no meio ambiente. Com o foco na ameaça ecológica, os demais itens são supridos: esta “ameaça” produz despesas “que não se deveria subestimar”; levará à instauração de um regime totalitário (a criação de um comitê onde todos os esforços fossem centralizados); uma oligarquia formada por cientistas, intelectuais; o retorno ao panteísmo, com a adoração à Gaia, sob o manto de “proteção do meio ambiente” de maneira desenfreada. E a partir deste documento uma série de relatórios e conferências foram feitas tendo o tema ecológico como plano principal, porém, com o totalitarismo escondido em suas premissas. Em 1972 foi realizada a Conferência Internacional de Estocolmo . Nela, termos como “redefinição de projetos civilizacionais”, “ética ambiental”, “ensino e educação”, e “superpopulação” foram utilizados. O lema do evento: “Uma só Terra! Limite ao crescimento!”. Na reunião, a discussão foi sobre a criação de uma Nova Ordem Econômica Internacional. No mesmo ano, o Clube de Roma patrocinou um relatório denominado “Limite ao crescimento?”, que caiu em descrédito por apresentar previsões datadas de um Apocalipse que não aconteceu. Porém, o documento, apresenta, assim, como o de Kennan, uma preocupação com o crescimento populacional: “A humanidade não pode continuar a proliferar.” Além disso, também aborda o efeito estufa: “Se as necessidades de energia estiverem um dia cobertas pela energia nuclear ao invés dos combustíveis fósseis, o aumento da concentração de CO2 cessaria consideravelmente, e isto – espera-se – depois que não se manifestarem os efeitos climatológicos ou ecológicos mensuráveis em escala mundial”. Finalmente, a ONU criou uma comissão específica - Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento –, eu era uma das metas do Relatório Iron Mountain. Em 1988, a Comissão elaborou um documento intitulado “Nosso futuro comum” , que estabeleceu metas diretas para “preservação” do meio ambiente: Limitar do crescimento populacional; Garantia de alimentação em longo prazo; Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; Diminuir o consumo de energia e promover o desenvolvimento de tecnologias que admitem o uso de fontes energéticas renováveis; Aumentar a produção industrial nos países não-industrializados à base de tecnologias ecologicamente adaptadas; Controlar a urbanização selvagem e integração entre campo e cidades menores. De acordo com o documento, as soluções propostas não podem ser executadas pelas presentes instituições internacionais. Então, a solução sugerida é “A soberania nacional deve ser superada”. Ou seja, um controle global deve ser exercido para que as metas sejam alcançadas. Vale ressaltar que 16 dos 23 membros da Comissão possuíam orientações ideológicas progressistas, como um membro soviético, um membro do Comitê Executivo da República Socialista da Eslovênia, um comunista chinês e um membro do Clube de Roma. Em 1991, o Clube de Roma reaparece, desta vez elaborando um relatório chamado “Questões de sobrevivência – A revolução mundial começou” (título em francês). O documento trouxe um programa de reformas mundiais, sugerindo que toda gestão ficasse a cargo da ONU. E mais uma vez, o “combate” à superpopulação entra em cena. Além disso, outra sugestão do relatório é “refundar os valores éticos e espirituais” (lembrem-se do Relatório Iron Mountain que trouxe isso à baila). No ano seguinte, 1992, aconteceu o maior evento climático já visto, a Conferência do Rio . Líderes de 185 países estiveram presentes para discutir os “problemas” ambientais. Porém, nas linhas do documento que apresenta os Princípios da Conferência, fica claro que o objetivo é coagir as nações a entregarem sua soberania, sob o pretexto de “preservar” a biosfera. Eis alguns trechos: Princípio 1 - “(Os seres humanos) Têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza” Princípio 8 - “(…) Os Estados devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e consumo , e promover políticas demográficas adequadas.” Princípio 12 - “(…) Devem ser evitadas ações unilaterais para o tratamento dos desafios internacionais fora da jurisdição do país importador” Princípio 15 - “(…) quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis , a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental (…)” Percebe-se que as soluções propostas são as mesmas das outras de outros Relatórios e Conferências, com o agravante de que estes Princípios são muito mais ambiciosos, e agora adotados pelas mais altas autoridades mundiais. Na página 460 dos Princípios, há algo interessante que merece nossa atenção: “Os meios de comunicação permitirão modelar o comportamento público” . A mídia exerce um papel fundamental na divulgação das ideias progressistas, de forma que estas sejam aceitas no seio da sociedade. Para ajudar nesta questão, foi criado em 1995 o Project Syndicate, uma espécie de sindicato mundial de jornalistas. Financiado por globalistas como George Soros e Bill Gates, o grupo “distribui artigos de opinião para veículos de comunicação de mais de 59 línguas diferentes, em 154 países e nos 492 jornais mais influentes do mundo, atingindo um total de tiragens de mais de 78 milhões de exemplares.” (“Project Syndicate: o oráculo de George Soros”, Cristian Derosa e Alex Pereira, para o livro “Introdução à Nova Ordem Mundial”, de Alexandre Costa). Esse é o ponto: com a lavagem cerebral feita pela mídia de massa, o processo de aceitação de mudanças de comportamento, com a desculpa de “salvar o meio ambiente”, é facilitado. Então, surgem artigos e mais artigos dizendo “Insetos são muito bons para consumo humano e seu consumo ajuda a salvar o meio ambiente” , ou, “Comer carne vermelha torna a pessoa violenta” , e ainda, “A pecuária ajuda no aumento de emissão de CO2, o que prejudica o meio ambiente” . E assim, a agenda é empurrada de forma sutil na sociedade, de forma que não é mais o indivíduo que escolhe sua alimentação, mas é o sistema que escolhe por ele. E o controle segue para demais áreas de sua vida, porque quem decide o que você pode comer também pode decidir quanto você pode comprar, aonde pode ir, entre outras coisas. O Relatório Iron Mountain, assim como os demais e as conferências também realizadas, têm obtido êxito em seus feitos, já que a população aceita toda sorte de controle sem questionar. E assim, o controle social, quem diria, inicia-se pelo estômago de cada um que diz “amém” a tudo o que se denomina “pelo bem da natureza”. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 44 - ISSN 2764-3867
- O que a Maratona ensina aos conservadores
Em 490 aC, uma batalha épica aconteceu na Grécia. Na primeira guerra médica, a batalha de Maratona foi um momento histórico que muito nos ensina; vamos ao resumo? Milcíades, general helênico que lutava pela Grécia, (outrora lutou pelo império Persa). Obteve uma importante vitória naquele momento. Porém, o mais importante não era estabelecer a vitória e sim, comunicar de maneira ideal, precisa, a vitória às mulheres que guardavam Atenas, para pôr em prática seu plano em caso de derrota. O plano, era por fogo em toda a cidade, caso os Persas conseguissem a vitória, para que eles não tivessem acesso aos segredos e a toda a sabedoria grega disponível, além de não os tornarem escravos como de costume. Bom, Milcíades, tendo estabelecido a vitória Grega, ordena ao soldado Feidípedes, que corra até Atenas para comunicar o aviso às mulheres. Mas, se Feidípedes não passasse a mensagem no tempo certo, elas poriam fogo em toda a cidade e fugiriam para não virarem escravas com seus filhos e os demais habitantes. Então, ele parte para a missão mais importante de sua vida: Salvar Atenas! Feidípedes corre então, por cerca de 42Km, após 3 dias de intensa batalha. Corre, por planos, morros, montanhas e vales. Ao chegar na cidade, as primeiras que o avistarem são as guardiãs, que vendo-o extremamente exausto, se aproximaram dele e ouviram apenas uma palavra: VENCEMOS!!!! Em grego: NIKE!!! (Em Lindão a deusa da vitória)Então, o que o conservadorismo, tem em comum com esta história? Assim como os gregos, nós lutamos por um ideal de liberdade e soberania. Nossos valores estão alinhados com o conservadorismo e não negociamos isso. Mas, diferente dos gregos não estamos melhor posicionados no campo de batalha e nossos soldados embora esforçados não são tão experientes na guerra. A luta não é apenas pelo país e pelos nossos bens mais caros, como a família, por exemplo. Nossa luta é pela honra de sermos livres!!!! Livres para viver nossos valores, princípios e virtudes e com isso, assegurar os mesmos direitos de quem quer viver diferente de nós. Temos um general? Sim, temos; e não é outro se não, Deus!! Representado por nosso ideal, inegociável, nisso somos irredutíveis. Nossa Atenas é o futuro e as pessoas que ficaram aguardando na cidade são as crianças e os que dependem da nossa postura em batalha para serem cidadãos livres, tendo preservados seus direitos, sobre tudo o direito a vida e a liberdade. Sim, somos um exército de patriotas e não uma milícia que luta por valores corruptíveis. Somos, INVENCÍVEIS!!!! Pois nos apoiamos no que há de mais altivo e próprio, a saber: os valores espirituais e humanos, que nos deixaram, nossos antepassados e escolhemos os exemplos bíblicos, entre outros… Vale lembrar que, assim como em Maratona, a luta não termina com aquela Vitória, pois os Persas retornaram em outros momentos para tomar Atenas. Mas, há um Feidípedes em cada um de nós que todos os dias percorre os caminhos possíveis para levar a mensagem de ânimo, necessária a todos os que dela necessitam. Como nosso herói, temos que saber passar a mensagem certa, do jeito certo e as pessoas certas para que não destruam suas esperanças depositadas na vitória do conservadorismo. Pessoas simples que dependem de boas notícias para continuar firmes em sua fé e em nossa nação. O poder de síntese é fundamental nestes momentos. Veja: E se Feidípedes, dissesse qualquer outra palavra naquele momento? Por exemplo: Água!!!( É claro que estava com sede) Atenas, embora tivesse vencido a batalha,não sobreviveria a uma mensagem não entregue. Um mensageiro tem a RESPONSABILIDADE de saber portar e passar a mensagem que leva. Portar na vivência da mensagem e passar no seu exemplo e verbalização. Por isso a importância de resgatarmos as definições dos temas que propomos, estudar nosso inimigo e criar estratégias para vencer as batalhas que virão nesta guerra pela vida e pela liberdade. Que saibamos não apenas passar a mensagem, mas sermos a mensagem!!! Que o Brasil precisa, tendo em nós a síntese de tudo que é importante para o futuro dos nossos queridos compatriotas. Assim como a vida daqueles gregos que nem se quer sabemos seus nomes ao todo; não nos preocupemos com fama, dinheiro, poder, em fim, se não, sermos os soldados que a nossa pátria precisa. E não pusemos se quer pensar que não venceremos!!!! Pois ao nosso lado estão os valores que a própria natureza humana, clama por se estabelecer. Quanto tempo, não sabemos. Quantas batalhas, não sabemos. Mas o importante a saber o nosso objetivo; estabelecer a bondade, verdade e a justiça em nossa nação. Lucas:9:62. “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus” Que Deus abençoe nossa jornada! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 03 - ISSN 2764-3867
- Taxar nunca será a solução
Recentemente, recebi um exemplar do livro "1984" de George Orwell, um célebre escritor britânico. Em sua obra, Orwell ilustra um cenário político que considero apocalíptico. Três grandes potências dominam o mundo, há uma guerra de narrativas, a imprensa é controlada, os cidadãos são obedientes e temem o governo autoritário, não existe liberdade de expressão e não é para menos que todos os cidadãos são miseráveis, ao ponto de que, se você piscar errado, pode ser interrogado pelo Ministério do Amor. Parece ironia, não é mesmo? Mas o livro é uma mistura de suspense, ficção e realidade. Será que o autor estava prevendo o futuro? Hoje, vivemos um cenário geopolítico complexo, onde o autoritarismo ganhou escala em boa parte do mundo, independentemente da ideologia de governo. Porém, o fato que busco ressaltar é que quanto maior o Estado, mais pobre é a população. Deixe-me explicar. O Estado é o resultado de lutas históricas, sempre na busca de tomar territórios com base na força bruta e expandir a influência de alguma tribo. Os povos antigos marchavam com seus exércitos e a ordem era matar homens, estuprar mulheres e tornar as crianças novos soldados do povo invasor. A pilhagem, como era conhecida, foi a primeira forma de Estado que conhecemos. Com o tempo, as atrocidades eram legitimadas pelo povo invadido e o povo invasor tornava-se o protetor daquela tribo com o pretexto de protegê-la de possíveis novos invasores, quase como uma síndrome de Estocolmo. Porém, nada sobrevive muito tempo sem recursos e a cobrança de impostos foi a forma encontrada para manter as estruturas de um Estado, criando assim o Estado-nação. O Estado então se torna necessário para proteger os interesses de um povo, buscando gerar unidade de pensamento e isso se perpetua até hoje com os seus devidos aprimoramentos. O Brasil é uma nação com 210 milhões de habitantes e segundo dados da FGV, uma das instituições mais renomadas do país, o Brasil chegará em 2030 com 96% do PIB comprometido com dívidas. Um dado alarmante que deveria chamar a atenção das principais autoridades do país, mas, em suma, não é isso que acontece. Para sanar esse rombo nas contas públicas o atual governo brasileiro tem aumentado tanto os impostos que gerou uma onda de memes nas redes sociais, a ponto de furar a bolha da direita e chegar na base esquerdista que comanda o país. Historicamente, o Brasil é um país marcado por escândalos de corrupção e desvios de recursos públicos. O mensalão, por exemplo, foi um dos maiores escândalos políticos do país, onde bilhões de reais foram desviados dos cofres públicos para comprar apoio parlamentar. Esse esquema, que envolveu altos escalões do governo e do Congresso, não só minou a confiança nas instituições, mas também drenou recursos que poderiam ter sido usados para melhorar a vida dos cidadãos e reduzir a dívida das contas públicas. O Brasil é um país inchado, onde os privilégios ficam com os donos da máquina pública. Um exemplo claro são os cargos vitalícios no Judiciário e os altos salários que esses profissionais recebem. Esses privilégios, somados aos benefícios e auxílios, oneram significativamente as contas públicas. Enquanto isso, a população enfrenta uma carga tributária elevada e vê poucos retornos em termos de serviços públicos de qualidade. A combinação de corrupção, altos salários no setor público e uma carga tributária crescente cria um ciclo vicioso que impede o desenvolvimento econômico e social do país. A solução não está em aumentar os impostos, mas em cortar privilégios, combater a corrupção e gerir os recursos públicos de forma eficiente. Um Estado mínimo, focado nos pilares fundamentais de uma sociedade – saneamento básico, educação, segurança, saúde e respeito integral às liberdades individuais – é o caminho para um desenvolvimento sustentável. A taxação excessiva de bens de consumo impacta diretamente a vida daqueles que o atual governo jura proteger, pois o imposto sobre o consumo é um dos mais cruéis para as classes mais baixas. Ele corrói o poder de compra, levando as famílias a uma condição de subsistência, onde ter arroz e feijão no prato é um ato heroico. Impostos são necessários, apesar de indigestos, mas não podemos pagar 40% do que recebemos por ano para bancar salários de um judiciário autoritário e um governo ineficaz, enquanto ficamos com as sobras de um país subdesenvolvido. Taxar nunca será a solução. A verdadeira solução está no Congresso, que deve largar o osso e parar de olhar somente para suas necessidades imediatas. A solução verdadeira está no livre mercado, onde a circulação de mercadorias e a troca entre vendedores e consumidores deve ser livre de interferências. A solução está em um ambiente empreendedor dinâmico, incentivado por políticas públicas a correr riscos e gerar riquezas para si e para o país. O desenvolvimento está no cérebro e na força de trabalho de cada cidadão. A dinâmica é simples: o Brasil precisa deixar de ser um Estado empreendedor e criar incentivos para que os empreendedores gerem novas tecnologias e ideias, livres de amarras. O Estado deve deixar de ser corrupto, restaurar a confiança nas instituições e, impreterivelmente, reduzir seus gastos. Cabe a nós lutar e saber que não existe salvador da pátria; nós somos o motor e a mudança que este país tanto precisa. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 44 - ISSN 2764-3867
- A isca dourada
Muitos conhecem a tartaruga-jacaré ou tartaruga-aligátor, animal natural dos pântanos e rios do sul dos Estados Unidos da América, conhecido por sua mordida poderosa que se assemelha a um jacaré. A criatura, de aparência assustadora, que remete ao período jurássico, usa um artifício para capturar suas presas, uma vez que, se tratando de um carnívoro que passa a maior parte do tempo submersa, facilitando assim sua camuflagem, precisa ser habilidosa o suficiente para caçar peixes que são consideravelmente mais rápidos que o réptil em questão. Na língua da tartaruga-jacaré é possível observar um apêndice que se destaca do restante do corpo, mesmo da parte interna da boca, parecendo uma espécie de minhoca ou verme que atrai os peixes. Acreditando estar diante de uma presa fácil, um pequeno ser que se debate no fundo de um rio ou pântano, sem conseguir se deslocar, o peixe ataca o apêndice sobre a língua do réptil que, aproveitando-se de sua rápida e forte mordida, abate sua presa, deixando claro que a promessa de uma caça fácil era tão somente uma armadilha para capturar o ágil peixe. A isca natural utilizada pela tartaruga-jacaré não é a única forma de método ardil para enganar e capturar uma presa, sendo certo que o termo isca nos remete um artifício que engana a caça para que seu caçador possa a capturar com maior facilidade. A palavra isca deriva do latim “ esca ”, que significa alimento, entretanto, há divergências de como o termo passou a se referir ao uso de alimento como forma de engodo, pois, para alguns, a alteração se dera naturalmente, uma vez que o alimento oferecido aos peixes sempre tiveram como objetivo enganá-los para uma captura, todavia, há quem defenda que a palavra seja a aglutinação entre o prefixo “i”, utilizado para dar ideia de oposição, como ilegal se opõe a legal, e a expressão em latim “ esca ” criando assim a forma isca que temos hoje, na qual a letra “e” acabou sendo suprimida. O conceito de isca não se aplica de forma restrita aos peixes, podendo ser utilizada para qualquer emboscada, fazendo com que o alvo tenha sua atenção focada para algo atrativo e, valendo-se do elemento surpresa, executando um ataque com maior eficiência. A isca pode ser para qualquer tipo de caça ou mesmo em situações de guerra ou outros confrontos, todavia, é importante mencionar que, algumas formas de ludibriar o inimigo podem e devem ser consideradas como desproporcionalmente abjetas, uma vez que, há limites morais que não devem ser ultrapassados mesmo nas condições mais adversas, daí a proibição de ações pérfidas ainda que se busquem argumentos para tentar justificá-las em razão do objetivo. Em verdade, não há como confundir o uso de uma isca com ações pérfidas, posto que, a primeira usa da astúcia para se valer da ganância ou ignorância do alvo, enquanto a segunda utiliza a mentira para se aproveitar da boa-fé daquele que se pretende emboscar. Mas é preciso lembrar que a manipulação do alvo está presente em ambas as ações, de forma que, pode-se dizer que o pérfido se utiliza de uma isca, de forma imoral, para atrair seu adversário que acredita na honra, inexistente, de seu algoz. Em síntese, o que difere a caça com isca da perfídia é que a tal modalidade ultrapassa limites injustificáveis, valendo-se de uma ausência total de moral de seu autor. A emboscada sempre se valerá de uma fraqueza da presa, entretanto, no caso da perfídia, entende-se que tal ponto fraco é aquilo que se espera de qualquer pessoa com o mínimo de moral, em síntese, um cessar fogo em que uma das partes alega ser necessário socorrer uma criança inocente ou que pretende negociar a paz, sendo usada como isca, torna o uso do engodo tão abjeto que mesmo em um cenário de guerra deve ser reprovado. A promessa de riqueza “ Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas ” ( Lucas 12:15 ) É indispensável diferenciar a ganância do que podemos chamar e enriquecimento natural e justo, não há motivos para condenar que um indivíduo ou grupo colha os frutos daquilo que produz, ão se resumindo àquilo que os revolucionários convencionaram em chamar de trabalho, o que nos debruçaremos em breve, mas todo o resultado naturalístico de uma relação saudável de troca Não se pode condenar aquele que recebe os louros de uma invenção cuja funcionalidade é desejada por muitos, que produz algo que há demanda ou mesmo cujo talento realmente encanta os apreciadores, todavia, é sim reprovável a busca da riqueza pela riqueza, procurando atalhos, ainda que indecorosos para a ascensão econômica. O ladrão, o estelionatário e qualquer um que subtraia aquilo que sabe não lhe ser devido é um ganancioso desprovido de moral e, portanto, disposto a enriquecer de forma indevida, sabendo que sua ascensão significa o flagelo de outrem. É imperioso derrubar algumas falácias para que se compreenda a real condenação da avareza, mas, por enquanto, o foco deve ser a promessa de enriquecimento fácil. Quando se busca um exemplo de enriquecimento sem esforço, nada mais comum que a expressão “ganhar na loteria”, que remete a um jogo de aposta, não há como negar que a loteria é um jogo que usa da ganância para retirar pequenas porções de muitos sob a promessa de entrega de um grande prêmio. Apostando na sorte, os jogadores tentam adivinhar os números que serão sorteados, caso um apostador ou grupo consiga prever os números sorteados, receberá um prêmio pré-estipulado pela organização do jogo. Evidente que tal jogo de apostas não sofre quaisquer sanções uma vez que seu maior beneficiado, lembrando que em todo jogo de azar a “banca” sempre terá sorte, é justamente aquele que pode ou não proibir uma atividade. Evidente que o Estado goza de poderes negados ao cidadão, mais adequado ao discurso oficial seria assumir que os cidadãos abriram mão da autotutela em favor da segurança coletiva, de maneira que, não cabe ao credor reaver pela força um bem não quitado, não podendo se valer do exercício arbitrário das próprias razões, todavia, o Estado, mesmo diante de uma dívida formal como impostos sobre veículo, apreende bens particulares para forçosamente obter do cidadão o pagamento do imposto, tornando-se uma espécie de credor privilegiado. Aproveitando-se de tal vantagem, o poder público, observando o risco de uma sociedade composta por uma maioria de apostadores inveterados, buscou mitigar o acesso aos jogos de azar, proibindo-os, contudo, ao perceber o potencial lucrativo no que tange à exploração da ganância em sua forma mais rasa, o mesmo Estado se tornou a maior banca de jogos, permitindo que a chama do enriquecimento fácil se mantivesse acesa no imaginário popular. Na loteria, basta que um apostador, em um golpe de sorte, ascende à condição de milionário para outros tantos busquem trilhar o mesmo caminho, de forma que, a vitória de um, não se trata de mero enriquecimento, mas da criação de uma isca para que a grande maioria, que não será alcançada pela sorte, mantenha as engrenagens do jogo em total funcionamento, drenando dos indivíduos para alimentar a banca. A ludopatia não é enfrentada pelo poder público justamente por ser o próprio Estado um dos maiores, senão o maior, beneficiados por tal condição, não sendo restringidas as propagandas de jogos como ocorre com o cigarro e o álcool, e ainda, nos casos das loterias estatais, sequer há um aviso do risco à saúde. Além dos jogos de azar que parecem ser guiados tão somente pela imprevisibilidade, há também as apostas em atividades desportivas, na qual o apostador escolhe um favorito, ou resultado específico, para tentar o ganho. As apostas em esportes como corridas de cavalos e outros tantos, lembrando que atualmente há em curso uma explosão de apostas no futebol, tratam de resultados que, em tese, não se resumem ao acaso, mas da análise dos envolvidos. Cabe uma breve pausa para apontar o quão perigoso é a ligação entre dirigentes, jogadores e clubes e as casas de apostas, cada vez mais, fica evidente que clubes e atletas são patrocinados pelas agenciadoras dos jogos, criando assim uma relação no mínimo curiosa, para não dizer suspeita, entre os atores em campo e nos bastidores do futebol e figuras que, conforme o resultado, poderão aferir maior ou menor vantagens. Não bastassem tais modalidades de jogos de azar, os gananciosos apostadores acabam por se seduzirem pelos jogos de aposta virtuais, aplicativos que ofertam recompensas conforme a alegada sorte do jogador, todavia, tais aplicativos são programados de forma que, aquilo que se chama de probabilidade pode ser preestabelecida pelo programador. No mundo virtual o programador é o senhor da realidade, uma vez que, sendo virtual, os resultados podem ser estabelecidos conforme a conveniência daquele que criou ou editou o sistema. Eis a maior crítica ao sistema virtual de votos. Imaginemos que o programador de um sistema que simule uma esfera que gira e sorteia aleatoriamente pequenas bolas contendo números, como as tradicionais loterias, estabeleça no código fonte que a probabilidade de um determinado número ser o escolhido é trinta vezes maior que os outros, em uma situação real, seria possível observar alguma alteração nas bolas que contém os números, entretanto, em uma realidade virtual, não há como perceber quaisquer diferenças, pois a realidade virtual permite a flexão irreal, ou seja, a distorção conforme a base da programação. Em uma aposta virtual, tudo aquilo que se atribui à sorte, é, na verdade, uma narrativa para que a presa acredite que obterá um resultado aleatório quando está diante de um sistema que entrega resultados preordenados camuflados de aleatoriedade. Por mais que o predador, como um grande tigre, finja que te deu uma vantagem para equilibrar o jogo, sendo que a vitória da presa depende tão somente do fortuito, ao acreditar nisso, a vítima já mordeu a isca e se encontra dentro do alcance do salto do predador. O único objetivo do tigre é que o alvo deixe sua lança de lado e entre no campo de batalha, uma vez que, suas garras e pressas lhe propicia uma vantagem natural. Os encantadores de incautos Não obstante ao uso dos jogos de azar como forma de seduzir os gananciosos, existem outras formas de alcançar os corações famintos por fama e riqueza. Nada é mais encorajador que observar o sucesso daquele que se enveredou pelo caminho pelo qual se pretende seguir, para isso, basta que histórias de sucesso sejam amplamente divulgadas com o intuito de arrebanhar tantos outros que desejem a mesma sorte, omitindo, porém, que a seleção, como uma fina peneira, ou ainda pior, uma farsa está entre o sonho e a realidade. Seguindo a mesma lógica do ganhador da loteria, que se trona milionário da noite para o dia, há determinados famosos que ascende de forma ímpar, em alguns casos de maneira inexplicável, para que sirvam de inspiração aos que almejam igual “sorte”, neste caso em ambos sentidos. O encanto está lançado e a ganância fará o resto, de tal forma que, um jovem deslumbrado com a vida glamorosa dos ricos e famosos tentará atingir aquele patamar de forma tão cega que não se furtará em atropelar a moral ou se prostituir, destruindo sua dignidade pelo caminho, caso o esforço acabe em frustração, não restará nada além de um indivíduo aquebrantado e faminto por qualquer esperança de alcançar a fama ou a riqueza que acreditou que faria jus um dia. Não por acaso, crianças desejam mais uma camisa de determinado jogador de futebol ou buscam imitar os passos de uma cantora famosa que estudos ou o próprio convívio familiar, se inspirando em celebridades que, por vezes, ostentam riqueza como forma de atrair seus seguidores, confundindo os mais incautos que, movidos pela ganância, deixarão de lado valores inestimáveis por acreditarem que o sucesso como ser humano reside em vomitar o luxo diante de uma situação em que a moral é aquilo que se tem como mais valiosa. Para agravar tal cenário, quando a empreitada em busca da fama e riqueza não atende as expectativas de determinado indivíduo, entender-se-á como um fracassado e não aceitará a situação real em que se encontra. O conhecido termo “artista fracassado” é nada mais que o jazigo de uma sonho frustrado que foi alimentado, por vezes, ao arrepio da realidade, sem que houvesse o preparo para os casos em que a meta não fosse atingida. Há ainda aquele que serve de isca, aquele que vive naquilo que acredita ser o sucesso mas é tão somente um aquário nefasto que o isola da realidade em troca do favor, ser o exemplo para os desavisados, que presta ao mal maior, ou seja, vive regado a luxos que não seriam lhe ofertado caso não existisse o especial fim de convencer os tolos gananciosos que existe um caminho fácil para a ascensão social traçado aos que se sujeitarem aos desejos dos mestres, aqueles que puxam as rédeas da sociedade. O valor de uma isca está na quantidade ou qualidade daquilo que é capaz de atrair, logo, uma figura cuja influencia seja tão forte a ponto de alterar decisões de seus seguidores deve receber tantos afagos o quanto seu valor justificar, todavia, caso tente romper com as engrenagens será ostracizada de seu meio, se possível, sua fama lhe será retirada e até mesmo sua riqueza. Refém do sistema que o alimenta, a isca nada pode fazer além de servir ao seu propósito, colhendo cada vez mais consciência para que seus mestres acumulem poder real, em troca das migalhas que se traduzem no luxo que pode usufruir. Não por acaso, artistas se dobram aos anseios de uma força política dominante, como fizeram nas nada saudosas União Soviética e Alemanha nazista, servindo como chamarizes para que o povo, cativo pelo seu carisma, ainda que artificial, deixe-se seduzir por discursos consonantes aos interesses da elite política. O meretrício intelectual está presente quando tais figuras avalizam as narrativas de seus senhores sabendo que sua fama lhes garante a simpatia dos tolos. Não menos oportuno observar que os hábitos dos indivíduos se contaminam conforme o exemplo daqueles que decidiram se espelhar, como jovens que regulam sua moral de acordo com o posicionamento de artistas e pseudointelectuais em detrimento dos anciões de seu convívio. Basta uma fração de segundos para que nos venha à mente jovens que tem pais, tios e avós de caráter ilibado, mas que pautam suas decisões conforme a postura de pensadores revolucionários transloucados, sectos de grupos acometidos pela esquizofrenia minoritária ou artistas que imitam pinípedes como forma de chamarem a atenção. No cenário atual, tanto a isca quanto a presa são tolos que servem aos senhores da revolução, sucumbindo à ganância, sendo alimentados de riqueza ou sonhos, procurando uma vida de utopia doentia em que seus mestres garantiram seu futuro, sem perceberem que sua vida está sendo entregue nas mão das figuras mais detestáveis, seja por terem se prostituindo em troca da fama ou por buscarem uma ilusão que os reservará um futuro trágico. “ O fraudulento não há de morar jamais em minha casa. Não subsistirá o mentiroso ante meus olhos ” ( Salmos 100:7 ) As embalagens vazias Um tema que já abordamos anteriormente, mas que é indispensável para que possamos perceber o quão a isca é refém do sistema que integra, sendo, na maioria das vezes criada e manutenida por seus mestres. Por tal razão, tratar do tema tornou-se recorrente quando precisamos entender os métodos revolucionários atuais, posto que, como as massas utilizadas pelos líderes são moralmente deficientes, é preciso que os encantadores sejam igualmente fúteis. “Embalagens vazias estão sendo cada vez mais utilizadas para propagar conteúdo, humoristas que não fazem rir, cantores que tem como única utilidade promover uma pauta, influenciadores que nada tem a dizer e outros tantos. A alternativa é sem dúvida uma jogada de mestre, pois, como qualquer embalagem vazia é facilmente substituída, não tem conteúdo, torna-se refém da vontade de seus mestres” . O papel das embalagens vazias é alcançar o maior número de pessoas, reduzir-lhes os critérios para que aceitem qualquer coisa como valiosa, assim o que chamamos de A Grande Torre de Marfim e suas repetidoras, podem exercer o controle sobre tais influenciadores e seu público. O incentivo à vida degenerada, abuso de drogas e lasciva exacerbada, sendo daí a vontade de banalizar o aborto, decorre da necessidade dos líderes revolucionários em se valer do lumpemproletariado . Assim sendo, “a glamorizarão da vida boemia e das drogas é explicita na manifestação cultural, as embalagens vazias (influenciadores que nada tem a oferecer e são colocados em tal condição para servir como o Flautista de Hamelin), o chamado funk ostentação seduz os incautos a abraçarem uma cultura de orgias regada ao luxo, vendendo uma falsa ilusão”. Em uma realidade na qual é preciso convencer as massas a seguirem comandas que não sabem quais os fins, fica evidente que a criação artificial de ídolos é uma forma de manter sob o cabresto dos líderes todo aquele que se comunica com as massas, nada mais útil que um ser que sabe dever seu “sucesso” ao sistema que o alimenta, assim, tal como na academia, ocorre a retroalimentação. Vivendo como se cada dia fosse o último e sem quaisquer preocupações em relação à moral e o legado às gerações futuras, os “bem-sucedidos” caçadores de emoções entregam sua dignidade em troca de fama e dinheiro com meretrizes. “Cada vez mais emergem indivíduos que não possuem real valor aos seus pares, que como arautos do mal, seduzem os mais incautos ao precipício em troca de prazeres momentâneos em uma espécie de acordo nefasto do qual acreditam obter uma vantagem que justifica a vassalagem aos piores senhores. São os agentes que gosto de chamar de embalagens vazias, de fácil reposição e, por isso, totalmente obedientes” . Ao final, vivendo em suas bolhas luxuosas, não importam se condenam aqueles que os admiram, pois sabem que tal admiração é um produto artificial e que sua única serventia é propagandear aquilo que seus mestres mandarem, ainda que seja enaltecer uma ditadura nefasta como a norte-coreana, haja vista que, sua ganância os despira de sua humanidade, mesmo que estivessem bailando sobre cadáveres, pouco se importariam com aqueles que sacrificam em nome de seu sucesso. “O elo entre a Torre de Marfim e as hordas, precisa ter forte influência entre seus seguidores, devem acreditar estarem em uma condição especial e precisam temer a perda de sua posição. Tais elementos se tornam mais identificáveis nas chamadas embalagens vazias, posto que, por serem peças de fácil descarte, não podem se opor aos seus senhores. A beleza reluzente dos bailes atrai os mais frágeis como a luz faz com insetos, podendo deixar-lhes cegos em relação a tudo aquilo que o cerca, sendo uma armadilha fatal. Mas viver entre o glamour da dita alta sociedade, gozando do luxo, cobra um preço para tais indivíduos que, se forem atingidos por alguma dosagem de moral, recusar-se-ão pagá-lo. Quanto mais dependente do aparato for o agente que serve de elo, mais se submeterá aos desmandos de seus senhores, fazendo com que a elite revolucionária tenha total controle sobre sua existência. Imaginemos um artista de grande influência se sujeitar a uma exposição na qual faz um papel de total idiota para que as explanações de seu interlocutor, na forma de ensino, possam atingir seus seguidores”. A isca é um instrumento de enganação que será usada para capturar a presa, portanto, todo aquele que tiver a oportunidade deve se recusar a servir como isca e aquele que perceber a armadilha precisa se proteger e alertar aos seus pares do mal que os espreita. Nossa missão, como seres humanos é suportar a sedução do mal e enfrentar aqueles que o servem, sob pena de nos tornarmos culpados pela omissão, por isso nos compete denunciar as armadilhas que pretendem cooptar os mais inocentes antes que seja tarde. “ O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Martin Luther King Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867
- Hades, Deméter e a representação na Constituição
Cronos dividiu o Universo em três partes: ar, mares e mundo subterrâneo. As ofereceu a cada um de seus filhos, assim, Zeus tornou-se deus dos ares, Poseidon deus dos mares e Hades deus do mundo subterrâneo. Hades tinha o poder da invisibilidade e, pensa-se que por causa da falta de luz, possuía um coração impiedoso, era implacável no julgamento das almas vindas da superfície, e cuidava das riquezas minerais do universo. Vivia muito solitário. De seu palácio escuro, assistia Deméter lançar sementes sobre a terra e espalhar amor por onde pisava para fazê-las frutificar abundantemente. Era a deusa da semeadura e da colheita. O amor espalhado por ela também frutificava através do perfume das flores, da beleza de suas cores e da sombra das árvores que ofereciam descanso e convidavam à contemplação. Sua filha, Core, colhia as lindas flores nascidas do valoroso trabalho da mãe e com elas enfeitava o templo de adoração que lhes era dedicado, cuidava das abelhas e do mel. Enfeitar e adoçar a vida era sua atividade matinal diária. Era uma deusa lindíssima, doce cuja delicadeza dos modos e bondade para com os seres do mundo enchiam o ar de acolhimento e generosidade. Deméter descansava exatamente no horário em que Core colhia as flores, gostava de observá-la, isto enchia seu coração de alegria, a recuperava do dedicado trabalho de fertilização, e fortalecia seu propósito de gerar abundância. A beleza de Core era tão radiante que Vênus a invejava, Hades se sentia incontrolavelmente atraído por ela e decidiu vencer a distância que os separava para partilhar a vida a seu lado. Core era cheia de luz, cor e perfume, o tiraria das garras da solidão. Atrelou os cavalos à carruagem e subiu à superfície, a luz do Sol o perturbava, escondeu-se entre rochas à sombra de uma árvore. Ao avistar Core completamente desprevenida, o deus, inesperada e abruptamente, a arrasta para sua carruagem, abre uma profunda fenda no chão e nela mergulha levando a moça, que se debatia e gritava por socorro. Sua ação foi tão brusca e surpreendente que Deméter não conseguiu ajudar a filha. Seu ser inteiro mergulhou em tristeza profunda, pois além de saber que Core havia sido subjugada pelo temido Deus do mundo dos mortos, insensível como as pedras e cortante como os metais, sabia que a beleza, a bondade e o encanto da filha não resistiriam à falta de luz. A ação de Hades interrompera o movimento circular de doação e recebimento, ida e vinda do amor, generosidade e beleza. Era este ciclo diário que habilitava Deméter a prover a fartura na superfície da terra. À doação de amor realizada por Deméter através da semeadura, correspondia o prazer de assistir a colheita, contemplar o trabalho da filha, de belíssimo caráter e inteira dedicação ao embelezamento da vida. Estes momentos eram entendidos, pela deusa, como retorno da generosidade e do amor distribuídos por ela no plantio. Violado este curso de doação e recebimento o ciclo de amor, Deméter tornou-se incapaz de prover a fartura na superfície, o desespero a impedia de plantar, cultivar e colher. A escassez instalou-se no mundo e com ela a fome, a tristeza, o medo e revolta. A vida depende da presença real e permanente do amor. Zeus, irmão de Hades e Deméter, interveio, não convinha ao mundo a devastação da vida. Promoveu um acordo entre os dois deuses: Core passaria um quarto do ano com Hades, no mundo subterrâneo, e três quartos na superfície com Deméter. Assim, quando Core sobe à superfície, terminado o trimestre subterrâneo, o mundo do ar se enche de flores, canto dos pássaros e as abelhas enchem os favos de mel. No trimestre seguinte, os frutos eclodem em abundância, a vida se multiplica, e no trimestre que precede sua volta para Hades, a Terra perde aos poucos a doçura e a vivacidade, as folhas amarelam e caem, pois Deméter se entristece com a proximidade da ausência da filha. Dessa forma, a superfície da Terra passou a viver ciclicamente quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Deméter estava certa, a falta de luz transforma Core em Proserpina, criatura bela, mas sombria e sem domínio de sua própria curiosidade, somente a Luz da superfície e a fluidez do ar restauram sua essência e a transmutam em Core. Entretanto, a essência de Core é o amor, a bondade, o embelezamento e adoçamento da vida, assim, ela aprendeu a amar Hades e com ele teve uma filha, Macária, deusa da boa morte. Apesar de sua natureza voltada ao favorecimento da vida, da beleza e da doçura, Core não consegui mudar a natureza implacável de Hades, personalidade afeita ao julgamento e à dedicação ao mundo da morte. Os esposos tinham natureza muito diversa, mas através de Macária, Core acrescentou, à morte, sua essência bondosa. O mais importante é que Core fez brotar no coração de Hades um amor profundo, por isso, acredita-se que um dia, o mundo subterrâneo se encherá de Luz. A diversidade de personalidades existente entre os seres mitológicos Hades, Deméter e Core, retratam a diversidade inerente à natureza humana. Para evitar que uns se sobreponham a outros, no ambiente do Estado, através da violência, surpresa, e outras condutas que revelam desrespeito à dignidade humana, as normas constitucionais fixam limites, prioridades e, sobretudo, estabelecem o dever de conciliação dos interesses, com fundamento na dignidade da pessoa humana para realização do objetivo estatal da promoção do bem de todos. Um dos limites constitucionais às ações individuais, eventualmente prejudiciais ao bem-estar alheio, é o pluralismo político expresso pelo artigo 1º da Constituição brasileira de 1988, como um dos elementos protetivos da liberdade individual que caracteriza o sistema democrático. O pluralismo político é escolha constitucional pela livre expressão da personalidade e da percepção de vida individual. Se opõe ao totalitarismo de Estado. Serve à harmonização das diversidades humanas. Ocorre que a Democracia tem a finalidade de assegurar o bem-estar de todos, e os agentes públicos estão inafastavelmente vinculados a esse compromisso constitucional. A democracia somente sobrevive com a submissão de todos os interesses ao dever de otimização do bem-estar geral. Por essa razão, a partir do instante em que o indivíduo assume cargo ou função pública deixa de representar parcela da sociedade e passa a ser agente de Estado, a serviço do bem de todos. Os cargos públicos têm como única finalidade a proatividade para concretização dos objetivos de Estado. Interesses específicos, expressos por plataformas partidárias, somente são legítimos como interesses secundários, submissos à harmonização com o bem-estar de todos. A maturidade e realidade democrática se materializam com a superação do pensamento Rousseauniano de que a vontade geral se opõe ao interesse individual. Este pensamento servia unicamente às democracias diretas, em que não havia limites para as decisões das assembleias. Estas eram arbitrárias e desde que referendadas pela maioria, podiam, inclusive, violar a dignidade humana. O funcionamento democrático mostrou-se inconciliável com este pensamento e o sistema de representação política revelou-se uma evolução para garantia de limites mínimos, impostos ao poder público, estabelecidos pela normatividade Constitucional. Através do sistema representativo os voluntarismos, no exercício do poder estatal, são contidos pelas normas constitucionais, mormente pelas que estabelecem os fundamentos e objetivos de Estado. Tais normas, determinam que os agentes públicos se desvistam dos interesses parciais que possam tê-los influenciado a buscarem os respectivos cargos, e assumam o compromisso único com a produção do bem de todos, que é a função de Estado. Os interesses parciais precisam ser considerados nas decisões finais, mas não são um fim em si mesmos, a finalidade absoluta é a promoção do bem-estar de todos. Postura diversa conduz a atritos desagregadores dos agentes públicos e violam o compromisso de cooperação para a realização dos objetivos de Estado. A Constituição não tutela atividades de priorização de interesses de parte da população em detrimento do dever de promoção do bem de todos. Todas as ações afirmativas vinculam-se ao balanceamento de seu potencial cooperativo para a concretização do bem-estar de todos. As condutas e ações, de agentes públicos, de priorização de interesses segmentados, como valores absolutos, é inconstitucional por ofensa aos objetivos do Estado Brasileiro, desvirtuam a finalidade de existência dos cargos públicos, no Estado democrático. Tal desvirtuamento lembra o domínio subterrâneo de Hades, com seu coração pétreo, sua dedicação aos metais, e aos julgamentos implacáveis da alma humana, cuja falta de piedade se revelou mitologicamente oposta à vida e à abundância na Terra. A prioridade cega à satisfação dos interesses individuais é irrazoável porque se todos agirem sem piedade todos pereceremos. Numa democracia, os interesses motores dos agentes públicos precisam ser claramente voltados ao benefício de todos, não podem estar encobertos pela escuridão do mundo subterrâneo, que garante a Hades o poder da invisibilidade. Interesses ocultos pela escuridão, em geral, se opõem ao bem-estar de todos, atraiçoam os cidadãos e, tal como foi feito à Core, os aprisiona violentamente ao jugo de interesses menores. A democracia e o sistema representativo somente vicejam quando os interesses trabalhados pelos agentes públicos, piedosa e maleavelmente, cooperam para o bem-estar de todos, e são postos à claridade, para que a Luz da superfície os vivifique e faça frutificar. Parece que somente esta disposição interna dos agentes públicos é capaz de dar força aos valores democráticos e nutrir a prosperidade humana. A representação política nas democracias somente é real se cada agente público tiver como foco de desempenho de suas funções o zelo pela promoção do bem de todos. Cuidemos para que nossas ações façam brotar o amor semeado por Deméter em suas plantações, e possam dar-lhe gosto à contemplação, assim ela estará reabastecida de força vital, generosidade, e beleza, necessárias para sentir-se apta à semeadura e colheita de doces e inesgotáveis frutos no mundo da superfície. Se assim for, seremos prósperos, poderemos nos acompanhar e apreciar alegremente o caráter uns dos outros, estaremos livres da solidão, a mesma que atormentava Hades. Se até seu coração pétreo e sombrio se encheu de amor por Core, nós que habitamos a superfície, o mundo do ar, temos mais chances de aprender a amar a humanidade para alimentar a vida e, por isso, gerir o Estado de um modo favorável à abundância e prosperidade de todos. A Luz do Amor nos ilumine! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 02 - ISSN 2764-3867











