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  • O que a Maratona ensina aos conservadores

    Em 490 aC, uma batalha épica aconteceu na Grécia. Na primeira guerra médica, a batalha de Maratona foi um momento histórico que muito nos ensina; vamos ao resumo? Milcíades, general helênico que lutava pela Grécia, (outrora lutou pelo império Persa). Obteve uma importante vitória naquele momento. Porém, o mais importante não era estabelecer a vitória e sim, comunicar de maneira ideal, precisa, a vitória às mulheres que guardavam Atenas, para pôr em prática seu plano em caso de derrota. O plano, era por fogo em toda a cidade, caso os Persas conseguissem a vitória, para que eles não tivessem acesso aos segredos e a toda a sabedoria grega disponível, além de não os tornarem escravos como de costume. Bom, Milcíades, tendo estabelecido a vitória Grega, ordena ao soldado Feidípedes, que corra até Atenas para comunicar o aviso às mulheres. Mas, se Feidípedes não passasse a mensagem no tempo certo, elas poriam fogo em toda a cidade e fugiriam para não virarem escravas com seus filhos e os demais habitantes. Então, ele parte para a missão mais importante de sua vida: Salvar Atenas! Feidípedes corre então, por cerca de 42Km, após 3 dias de intensa batalha. Corre, por planos, morros, montanhas e vales. Ao chegar na cidade, as primeiras que o avistarem são as guardiãs, que vendo-o extremamente exausto, se aproximaram dele e ouviram apenas uma palavra: VENCEMOS!!!! Em grego: NIKE!!! (Em Lindão a deusa da vitória)Então, o que o conservadorismo, tem em comum com esta história? Assim como os gregos, nós lutamos por um ideal de liberdade e soberania. Nossos valores estão alinhados com o conservadorismo e não negociamos isso. Mas, diferente dos gregos não estamos melhor posicionados no campo de batalha e nossos soldados embora esforçados não são tão experientes na guerra. A luta não é apenas pelo país e pelos nossos bens mais caros, como a família, por exemplo. Nossa luta é pela honra de sermos livres!!!! Livres para viver nossos valores, princípios e virtudes e com isso, assegurar os mesmos direitos de quem quer viver diferente de nós. Temos um general? Sim, temos; e não é outro se não, Deus!! Representado por nosso ideal, inegociável, nisso somos irredutíveis. Nossa Atenas é o futuro e as pessoas que ficaram aguardando na cidade são as crianças e os que dependem da nossa postura em batalha para serem cidadãos livres, tendo preservados seus direitos, sobre tudo o direito a vida e a liberdade. Sim, somos um exército de patriotas e não uma milícia que luta por valores corruptíveis. Somos, INVENCÍVEIS!!!! Pois nos apoiamos no que há de mais altivo e próprio, a saber: os valores espirituais e humanos, que nos deixaram, nossos antepassados e escolhemos os exemplos bíblicos, entre outros… Vale lembrar que, assim como em Maratona, a luta não termina com aquela Vitória, pois os Persas retornaram em outros momentos para tomar Atenas. Mas, há um Feidípedes em cada um de nós que todos os dias percorre os caminhos possíveis para levar a mensagem de ânimo, necessária a todos os que dela necessitam. Como nosso herói, temos que saber passar a mensagem certa, do jeito certo e as pessoas certas para que não destruam suas esperanças depositadas na vitória do conservadorismo. Pessoas simples que dependem de boas notícias para continuar firmes em sua fé e em nossa nação. O poder de síntese é fundamental nestes momentos. Veja: E se Feidípedes, dissesse qualquer outra palavra naquele momento? Por exemplo: Água!!!( É claro que estava com sede) Atenas, embora tivesse vencido a batalha,não sobreviveria a uma mensagem não entregue. Um mensageiro tem a RESPONSABILIDADE de saber portar e passar a mensagem que leva. Portar na vivência da mensagem e passar no seu exemplo e verbalização. Por isso a importância de resgatarmos as definições dos temas que propomos, estudar nosso inimigo e criar estratégias para vencer as batalhas que virão nesta guerra pela vida e pela liberdade. Que saibamos não apenas passar a mensagem, mas sermos a mensagem!!! Que o Brasil precisa, tendo em nós a síntese de tudo que é importante para o futuro dos nossos queridos compatriotas. Assim como a vida daqueles gregos que nem se quer sabemos seus nomes ao todo; não nos preocupemos com fama, dinheiro, poder, em fim, se não, sermos os soldados que a nossa pátria precisa. E não pusemos se quer pensar que não venceremos!!!! Pois ao nosso lado estão os valores que a própria natureza humana, clama por se estabelecer. Quanto tempo, não sabemos. Quantas batalhas, não sabemos. Mas o importante a saber o nosso objetivo; estabelecer a bondade, verdade e a justiça em nossa nação. Lucas:9:62. “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus” Que Deus abençoe nossa jornada! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 03 - ISSN 2764-3867

  • Taxar nunca será a solução

    Recentemente, recebi um exemplar do livro "1984" de George Orwell, um célebre escritor britânico. Em sua obra, Orwell ilustra um cenário político que considero apocalíptico. Três grandes potências dominam o mundo, há uma guerra de narrativas, a imprensa é controlada, os cidadãos são obedientes e temem o governo autoritário, não existe liberdade de expressão e não é para menos que todos os cidadãos são miseráveis, ao ponto de que, se você piscar errado, pode ser interrogado pelo Ministério do Amor. Parece ironia, não é mesmo? Mas o livro é uma mistura de suspense, ficção e realidade. Será que o autor estava prevendo o futuro? Hoje, vivemos um cenário geopolítico complexo, onde o autoritarismo ganhou escala em boa parte do mundo, independentemente da ideologia de governo. Porém, o fato que busco ressaltar é que quanto maior o Estado, mais pobre é a população. Deixe-me explicar. O Estado é o resultado de lutas históricas, sempre na busca de tomar territórios com base na força bruta e expandir a influência de alguma tribo. Os povos antigos marchavam com seus exércitos e a ordem era matar homens, estuprar mulheres e tornar as crianças novos soldados do povo invasor. A pilhagem, como era conhecida, foi a primeira forma de Estado que conhecemos. Com o tempo, as atrocidades eram legitimadas pelo povo invadido e o povo invasor tornava-se o protetor daquela tribo com o pretexto de protegê-la de possíveis novos invasores, quase como uma síndrome de Estocolmo. Porém, nada sobrevive muito tempo sem recursos e a cobrança de impostos foi a forma encontrada para manter as estruturas de um Estado, criando assim o Estado-nação. O Estado então se torna necessário para proteger os interesses de um povo, buscando gerar unidade de pensamento e isso se perpetua até hoje com os seus devidos aprimoramentos. O Brasil é uma nação com 210 milhões de habitantes e segundo dados da FGV, uma das instituições mais renomadas do país, o Brasil chegará em 2030 com 96% do PIB comprometido com dívidas. Um dado alarmante que deveria chamar a atenção das principais autoridades do país, mas, em suma, não é isso que acontece. Para sanar esse rombo nas contas públicas o atual governo brasileiro tem aumentado tanto os impostos que gerou uma onda de memes nas redes sociais, a ponto de furar a bolha da direita e chegar na base esquerdista que comanda o país. Historicamente, o Brasil é um país marcado por escândalos de corrupção e desvios de recursos públicos. O mensalão, por exemplo, foi um dos maiores escândalos políticos do país, onde bilhões de reais foram desviados dos cofres públicos para comprar apoio parlamentar. Esse esquema, que envolveu altos escalões do governo e do Congresso, não só minou a confiança nas instituições, mas também drenou recursos que poderiam ter sido usados para melhorar a vida dos cidadãos e reduzir a dívida das contas públicas. O Brasil é um país inchado, onde os privilégios ficam com os donos da máquina pública. Um exemplo claro são os cargos vitalícios no Judiciário e os altos salários que esses profissionais recebem. Esses privilégios, somados aos benefícios e auxílios, oneram significativamente as contas públicas. Enquanto isso, a população enfrenta uma carga tributária elevada e vê poucos retornos em termos de serviços públicos de qualidade. A combinação de corrupção, altos salários no setor público e uma carga tributária crescente cria um ciclo vicioso que impede o desenvolvimento econômico e social do país. A solução não está em aumentar os impostos, mas em cortar privilégios, combater a corrupção e gerir os recursos públicos de forma eficiente. Um Estado mínimo, focado nos pilares fundamentais de uma sociedade – saneamento básico, educação, segurança, saúde e respeito integral às liberdades individuais – é o caminho para um desenvolvimento sustentável. A taxação excessiva de bens de consumo impacta diretamente a vida daqueles que o atual governo jura proteger, pois o imposto sobre o consumo é um dos mais cruéis para as classes mais baixas. Ele corrói o poder de compra, levando as famílias a uma condição de subsistência, onde ter arroz e feijão no prato é um ato heroico. Impostos são necessários, apesar de indigestos, mas não podemos pagar 40% do que recebemos por ano para bancar salários de um judiciário autoritário e um governo ineficaz, enquanto ficamos com as sobras de um país subdesenvolvido. Taxar nunca será a solução. A verdadeira solução está no Congresso, que deve largar o osso e parar de olhar somente para suas necessidades imediatas. A solução verdadeira está no livre mercado, onde a circulação de mercadorias e a troca entre vendedores e consumidores deve ser livre de interferências. A solução está em um ambiente empreendedor dinâmico, incentivado por políticas públicas a correr riscos e gerar riquezas para si e para o país. O desenvolvimento está no cérebro e na força de trabalho de cada cidadão. A dinâmica é simples: o Brasil precisa deixar de ser um Estado empreendedor e criar incentivos para que os empreendedores gerem novas tecnologias e ideias, livres de amarras. O Estado deve deixar de ser corrupto, restaurar a confiança nas instituições e, impreterivelmente, reduzir seus gastos. Cabe a nós lutar e saber que não existe salvador da pátria; nós somos o motor e a mudança que este país tanto precisa. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 44 - ISSN 2764-3867

  • A isca dourada

    Muitos conhecem a tartaruga-jacaré ou tartaruga-aligátor, animal natural dos pântanos e rios do sul dos Estados Unidos da América, conhecido por sua mordida poderosa que se assemelha a um jacaré. A criatura, de aparência assustadora, que remete ao período jurássico, usa um artifício para capturar suas presas, uma vez que, se tratando de um carnívoro que passa a maior parte do tempo submersa, facilitando assim sua camuflagem, precisa ser habilidosa o suficiente para caçar peixes que são consideravelmente mais rápidos que o réptil em questão. Na língua da tartaruga-jacaré é possível observar um apêndice que se destaca do restante do corpo, mesmo da parte interna da boca, parecendo uma espécie de minhoca ou verme que atrai os peixes. Acreditando estar diante de uma presa fácil, um pequeno ser que se debate no fundo de um rio ou pântano, sem conseguir se deslocar, o peixe ataca o apêndice sobre a língua do réptil que, aproveitando-se de sua rápida e forte mordida, abate sua presa, deixando claro que a promessa de uma caça fácil era tão somente uma armadilha para capturar o ágil peixe. A isca natural utilizada pela tartaruga-jacaré não é a única forma de método ardil para enganar e capturar uma presa, sendo certo que o termo isca nos remete um artifício que engana a caça para que seu caçador possa a capturar com maior facilidade. A palavra isca deriva do latim “ esca ”, que significa alimento, entretanto, há divergências de como o termo passou a se referir ao uso de alimento como forma de engodo, pois, para alguns, a alteração se dera naturalmente, uma vez que o alimento oferecido aos peixes sempre tiveram como objetivo enganá-los para uma captura, todavia, há quem defenda que a palavra seja a aglutinação entre o prefixo “i”, utilizado para dar ideia de oposição, como ilegal se opõe a legal, e a expressão em latim “ esca ” criando assim a forma isca que temos hoje, na qual a letra “e” acabou sendo suprimida. O conceito de isca não se aplica de forma restrita aos peixes, podendo ser utilizada para qualquer emboscada, fazendo com que o alvo tenha sua atenção focada para algo atrativo e, valendo-se do elemento surpresa, executando um ataque com maior eficiência. A isca pode ser para qualquer tipo de caça ou mesmo em situações de guerra ou outros confrontos, todavia, é importante mencionar que, algumas formas de ludibriar o inimigo podem e devem ser consideradas como desproporcionalmente abjetas, uma vez que, há limites morais que não devem ser ultrapassados mesmo nas condições mais adversas, daí a proibição de ações pérfidas ainda que se busquem argumentos para tentar justificá-las em razão do objetivo. Em verdade, não há como confundir o uso de uma isca com ações pérfidas, posto que, a primeira usa da astúcia para se valer da ganância ou ignorância do alvo, enquanto a segunda utiliza a mentira para se aproveitar da boa-fé daquele que se pretende emboscar. Mas é preciso lembrar que a manipulação do alvo está presente em ambas as ações, de forma que, pode-se dizer que o pérfido se utiliza de uma isca, de forma imoral, para atrair seu adversário que acredita na honra, inexistente, de seu algoz. Em síntese, o que difere a caça com isca da perfídia é que a tal modalidade ultrapassa limites injustificáveis, valendo-se de uma ausência total de moral de seu autor. A emboscada sempre se valerá de uma fraqueza da presa, entretanto, no caso da perfídia, entende-se que tal ponto fraco é aquilo que se espera de qualquer pessoa com o mínimo de moral, em síntese, um cessar fogo em que uma das partes alega ser necessário socorrer uma criança inocente ou que pretende negociar a paz, sendo usada como isca, torna o uso do engodo tão abjeto que mesmo em um cenário de guerra deve ser reprovado. A promessa de riqueza “ Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas ” ( Lucas 12:15 ) É indispensável diferenciar a ganância do que podemos chamar e enriquecimento natural e justo, não há motivos para condenar que um indivíduo ou grupo colha os frutos daquilo que produz, ão se resumindo àquilo que os revolucionários convencionaram em chamar de trabalho, o que nos debruçaremos em breve, mas todo o resultado naturalístico de uma relação saudável de troca Não se pode condenar aquele que recebe os louros de uma invenção cuja funcionalidade é desejada por muitos, que produz algo que há demanda ou mesmo cujo talento realmente encanta os apreciadores, todavia, é sim reprovável a busca da riqueza pela riqueza, procurando atalhos, ainda que indecorosos para a ascensão econômica. O ladrão, o estelionatário e qualquer um que subtraia aquilo que sabe não lhe ser devido é um ganancioso desprovido de moral e, portanto, disposto a enriquecer de forma indevida, sabendo que sua ascensão significa o flagelo de outrem. É imperioso derrubar algumas falácias para que se compreenda a real condenação da avareza, mas, por enquanto, o foco deve ser a promessa de enriquecimento fácil. Quando se busca um exemplo de enriquecimento sem esforço, nada mais comum que a expressão “ganhar na loteria”, que remete a um jogo de aposta, não há como negar que a loteria é um jogo que usa da ganância para retirar pequenas porções de muitos sob a promessa de entrega de um grande prêmio. Apostando na sorte, os jogadores tentam adivinhar os números que serão sorteados, caso um apostador ou grupo consiga prever os números sorteados, receberá um prêmio pré-estipulado pela organização do jogo. Evidente que tal jogo de apostas não sofre quaisquer sanções uma vez que seu maior beneficiado, lembrando que em todo jogo de azar a “banca” sempre terá sorte, é justamente aquele que pode ou não proibir uma atividade. Evidente que o Estado goza de poderes negados ao cidadão, mais adequado ao discurso oficial seria assumir que os cidadãos abriram mão da autotutela em favor da segurança coletiva, de maneira que, não cabe ao credor reaver pela força um bem não quitado, não podendo se valer do exercício arbitrário das próprias razões, todavia, o Estado, mesmo diante de uma dívida formal como impostos sobre veículo, apreende bens particulares para forçosamente obter do cidadão o pagamento do imposto, tornando-se uma espécie de credor privilegiado. Aproveitando-se de tal vantagem, o poder público, observando o risco de uma sociedade composta por uma maioria de apostadores inveterados, buscou mitigar o acesso aos jogos de azar, proibindo-os, contudo, ao perceber o potencial lucrativo no que tange à exploração da ganância em sua forma mais rasa, o mesmo Estado se tornou a maior banca de jogos, permitindo que a chama do enriquecimento fácil se mantivesse acesa no imaginário popular. Na loteria, basta que um apostador, em um golpe de sorte, ascende à condição de milionário para outros tantos busquem trilhar o mesmo caminho, de forma que, a vitória de um, não se trata de mero enriquecimento, mas da criação de uma isca para que a grande maioria, que não será alcançada pela sorte, mantenha as engrenagens do jogo em total funcionamento, drenando dos indivíduos para alimentar a banca. A ludopatia não é enfrentada pelo poder público justamente por ser o próprio Estado um dos maiores, senão o maior, beneficiados por tal condição, não sendo restringidas as propagandas de jogos como ocorre com o cigarro e o álcool, e ainda, nos casos das loterias estatais, sequer há um aviso do risco à saúde. Além dos jogos de azar que parecem ser guiados tão somente pela imprevisibilidade, há também as apostas em atividades desportivas, na qual o apostador escolhe um favorito, ou resultado específico, para tentar o ganho. As apostas em esportes como corridas de cavalos e outros tantos, lembrando que atualmente há em curso uma explosão de apostas no futebol, tratam de resultados que, em tese, não se resumem ao acaso, mas da análise dos envolvidos. Cabe uma breve pausa para apontar o quão perigoso é a ligação entre dirigentes, jogadores e clubes e as casas de apostas, cada vez mais, fica evidente que clubes e atletas são patrocinados pelas agenciadoras dos jogos, criando assim uma relação no mínimo curiosa, para não dizer suspeita, entre os atores em campo e nos bastidores do futebol e figuras que, conforme o resultado, poderão aferir maior ou menor vantagens. Não bastassem tais modalidades de jogos de azar, os gananciosos apostadores acabam por se seduzirem pelos jogos de aposta virtuais, aplicativos que ofertam recompensas conforme a alegada sorte do jogador, todavia, tais aplicativos são programados de forma que, aquilo que se chama de probabilidade pode ser preestabelecida pelo programador. No mundo virtual o programador é o senhor da realidade, uma vez que, sendo virtual, os resultados podem ser estabelecidos conforme a conveniência daquele que criou ou editou o sistema. Eis a maior crítica ao sistema virtual de votos. Imaginemos que o programador de um sistema que simule uma esfera que gira e sorteia aleatoriamente pequenas bolas contendo números, como as tradicionais loterias, estabeleça no código fonte que a probabilidade de um determinado número ser o escolhido é trinta vezes maior que os outros, em uma situação real, seria possível observar alguma alteração nas bolas que contém os números, entretanto, em uma realidade virtual, não há como perceber quaisquer diferenças, pois a realidade virtual permite a flexão irreal, ou seja, a distorção conforme a base da programação. Em uma aposta virtual, tudo aquilo que se atribui à sorte, é, na verdade, uma narrativa para que a presa acredite que obterá um resultado aleatório quando está diante de um sistema que entrega resultados preordenados camuflados de aleatoriedade. Por mais que o predador, como um grande tigre, finja que te deu uma vantagem para equilibrar o jogo, sendo que a vitória da presa depende tão somente do fortuito, ao acreditar nisso, a vítima já mordeu a isca e se encontra dentro do alcance do salto do predador. O único objetivo do tigre é que o alvo deixe sua lança de lado e entre no campo de batalha, uma vez que, suas garras e pressas lhe propicia uma vantagem natural. Os encantadores de incautos Não obstante ao uso dos jogos de azar como forma de seduzir os gananciosos, existem outras formas de alcançar os corações famintos por fama e riqueza. Nada é mais encorajador que observar o sucesso daquele que se enveredou pelo caminho pelo qual se pretende seguir, para isso, basta que histórias de sucesso sejam amplamente divulgadas com o intuito de arrebanhar tantos outros que desejem a mesma sorte, omitindo, porém, que a seleção, como uma fina peneira, ou ainda pior, uma farsa está entre o sonho e a realidade. Seguindo a mesma lógica do ganhador da loteria, que se trona milionário da noite para o dia, há determinados famosos que ascende de forma ímpar, em alguns casos de maneira inexplicável, para que sirvam de inspiração aos que almejam igual “sorte”, neste caso em ambos sentidos. O encanto está lançado e a ganância fará o resto, de tal forma que, um jovem deslumbrado com a vida glamorosa dos ricos e famosos tentará atingir aquele patamar de forma tão cega que não se furtará em atropelar a moral ou se prostituir, destruindo sua dignidade pelo caminho, caso o esforço acabe em frustração, não restará nada além de um indivíduo aquebrantado e faminto por qualquer esperança de alcançar a fama ou a riqueza que acreditou que faria jus um dia. Não por acaso, crianças desejam mais uma camisa de determinado jogador de futebol ou buscam imitar os passos de uma cantora famosa que estudos ou o próprio convívio familiar, se inspirando em celebridades que, por vezes, ostentam riqueza como forma de atrair seus seguidores, confundindo os mais incautos que, movidos pela ganância, deixarão de lado valores inestimáveis por acreditarem que o sucesso como ser humano reside em vomitar o luxo diante de uma situação em que a moral é aquilo que se tem como mais valiosa. Para agravar tal cenário, quando a empreitada em busca da fama e riqueza não atende as expectativas de determinado indivíduo, entender-se-á como um fracassado e não aceitará a situação real em que se encontra. O conhecido termo “artista fracassado” é nada mais que o jazigo de uma sonho frustrado que foi alimentado, por vezes, ao arrepio da realidade, sem que houvesse o preparo para os casos em que a meta não fosse atingida. Há ainda aquele que serve de isca, aquele que vive naquilo que acredita ser o sucesso mas é tão somente um aquário nefasto que o isola da realidade em troca do favor, ser o exemplo para os desavisados, que presta ao mal maior, ou seja, vive regado a luxos que não seriam lhe ofertado caso não existisse o especial fim de convencer os tolos gananciosos que existe um caminho fácil para a ascensão social traçado aos que se sujeitarem aos desejos dos mestres, aqueles que puxam as rédeas da sociedade. O valor de uma isca está na quantidade ou qualidade daquilo que é capaz de atrair, logo, uma figura cuja influencia seja tão forte a ponto de alterar decisões de seus seguidores deve receber tantos afagos o quanto seu valor justificar, todavia, caso tente romper com as engrenagens será ostracizada de seu meio, se possível, sua fama lhe será retirada e até mesmo sua riqueza. Refém do sistema que o alimenta, a isca nada pode fazer além de servir ao seu propósito, colhendo cada vez mais consciência para que seus mestres acumulem poder real, em troca das migalhas que se traduzem no luxo que pode usufruir. Não por acaso, artistas se dobram aos anseios de uma força política dominante, como fizeram nas nada saudosas União Soviética e Alemanha nazista, servindo como chamarizes para que o povo, cativo pelo seu carisma, ainda que artificial, deixe-se seduzir por discursos consonantes aos interesses da elite política. O meretrício intelectual está presente quando tais figuras avalizam as narrativas de seus senhores sabendo que sua fama lhes garante a simpatia dos tolos. Não menos oportuno observar que os hábitos dos indivíduos se contaminam conforme o exemplo daqueles que decidiram se espelhar, como jovens que regulam sua moral de acordo com o posicionamento de artistas e pseudointelectuais em detrimento dos anciões de seu convívio. Basta uma fração de segundos para que nos venha à mente jovens que tem pais, tios e avós de caráter ilibado, mas que pautam suas decisões conforme a postura de pensadores revolucionários transloucados, sectos de grupos acometidos pela esquizofrenia minoritária ou artistas que imitam pinípedes como forma de chamarem a atenção. No cenário atual, tanto a isca quanto a presa são tolos que servem aos senhores da revolução, sucumbindo à ganância, sendo alimentados de riqueza ou sonhos, procurando uma vida de utopia doentia em que seus mestres garantiram seu futuro, sem perceberem que sua vida está sendo entregue nas mão das figuras mais detestáveis, seja por terem se prostituindo em troca da fama ou por buscarem uma ilusão que os reservará um futuro trágico. “ O fraudulento não há de morar jamais em minha casa. Não subsistirá o mentiroso ante meus olhos ” ( Salmos 100:7 ) As embalagens vazias Um tema que já abordamos anteriormente, mas que é indispensável para que possamos perceber o quão a isca é refém do sistema que integra, sendo, na maioria das vezes criada e manutenida por seus mestres. Por tal razão, tratar do tema tornou-se recorrente quando precisamos entender os métodos revolucionários atuais, posto que, como as massas utilizadas pelos líderes são moralmente deficientes, é preciso que os encantadores sejam igualmente fúteis. “Embalagens vazias estão sendo cada vez mais utilizadas para propagar conteúdo, humoristas que não fazem rir, cantores que tem como única utilidade promover uma pauta, influenciadores que nada tem a dizer e outros tantos. A alternativa é sem dúvida uma jogada de mestre, pois, como qualquer embalagem vazia é facilmente substituída, não tem conteúdo, torna-se refém da vontade de seus mestres” . O papel das embalagens vazias é alcançar o maior número de pessoas, reduzir-lhes os critérios para que aceitem qualquer coisa como valiosa, assim o que chamamos de A Grande Torre de Marfim  e suas repetidoras, podem exercer o controle sobre tais influenciadores e seu público. O incentivo à vida degenerada, abuso de drogas e lasciva exacerbada, sendo daí a vontade de banalizar o aborto, decorre da necessidade dos líderes revolucionários em se valer do lumpemproletariado . Assim sendo, “a glamorizarão da vida boemia e das drogas é explicita na manifestação cultural, as embalagens vazias (influenciadores que nada tem a oferecer e são colocados em tal condição para servir como o Flautista de Hamelin), o chamado funk ostentação seduz os incautos a abraçarem uma cultura de orgias regada ao luxo, vendendo uma falsa ilusão”. Em uma realidade na qual é preciso convencer as massas a seguirem comandas que não sabem quais os fins, fica evidente que a criação artificial de ídolos é uma forma de manter sob o cabresto dos líderes todo aquele que se comunica com as massas, nada mais útil que um ser que sabe dever seu “sucesso” ao sistema que o alimenta, assim, tal como na academia, ocorre a retroalimentação. Vivendo como se cada dia fosse o último e sem quaisquer preocupações em relação à moral e o legado às gerações futuras, os “bem-sucedidos” caçadores de emoções  entregam sua dignidade em troca de fama e dinheiro com meretrizes. “Cada vez mais emergem indivíduos que não possuem real valor aos seus pares, que como arautos do mal, seduzem os mais incautos ao precipício em troca de prazeres momentâneos em uma espécie de acordo nefasto do qual acreditam obter uma vantagem que justifica a vassalagem aos piores senhores. São os agentes que gosto de chamar de embalagens vazias, de fácil reposição e, por isso, totalmente obedientes” . Ao final, vivendo em suas bolhas luxuosas, não importam se condenam aqueles que os admiram, pois sabem que tal admiração é um produto artificial e que sua única serventia é propagandear aquilo que seus mestres mandarem, ainda que seja enaltecer uma ditadura nefasta como a norte-coreana, haja vista que, sua ganância os despira de sua humanidade, mesmo que estivessem bailando sobre cadáveres, pouco se importariam com aqueles que sacrificam em nome de seu sucesso. “O elo entre a Torre de Marfim e as hordas, precisa ter forte influência entre seus seguidores, devem acreditar estarem em uma condição especial e precisam temer a perda de sua posição. Tais elementos se tornam mais identificáveis nas chamadas embalagens vazias, posto que, por serem peças de fácil descarte, não podem se opor aos seus senhores. A beleza reluzente dos bailes atrai os mais frágeis como a luz faz com insetos, podendo deixar-lhes cegos em relação a tudo aquilo que o cerca, sendo uma armadilha fatal. Mas viver entre o glamour da dita alta sociedade, gozando do luxo, cobra um preço para tais indivíduos que, se forem atingidos por alguma dosagem de moral, recusar-se-ão pagá-lo. Quanto mais dependente do aparato for o agente que serve de elo, mais se submeterá aos desmandos de seus senhores, fazendo com que a elite revolucionária tenha total controle sobre sua existência. Imaginemos um artista de grande influência se sujeitar a uma exposição na qual faz um papel de total idiota para que as explanações de seu interlocutor, na forma de ensino, possam atingir seus seguidores”. A isca é um instrumento de enganação que será usada para capturar a presa, portanto, todo aquele que tiver a oportunidade deve se recusar a servir como isca e aquele que perceber a armadilha precisa se proteger e alertar aos seus pares do mal que os espreita. Nossa missão, como seres humanos é suportar a sedução do mal e enfrentar aqueles que o servem, sob pena de nos tornarmos culpados pela omissão, por isso nos compete denunciar as armadilhas que pretendem cooptar os mais inocentes antes que seja tarde. “ O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Martin Luther King Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867

  • Hades, Deméter e a representação na Constituição

    Cronos dividiu o Universo em três partes: ar, mares e mundo subterrâneo. As ofereceu a cada um de seus filhos, assim, Zeus tornou-se deus dos ares, Poseidon deus dos mares e Hades deus do mundo subterrâneo. Hades tinha o poder da invisibilidade e, pensa-se que por causa da falta de luz, possuía um coração impiedoso, era implacável no julgamento das almas vindas da superfície, e cuidava das riquezas minerais do universo. Vivia muito solitário. De seu palácio escuro, assistia Deméter lançar sementes sobre a terra e espalhar amor por onde pisava para fazê-las frutificar abundantemente. Era a deusa da semeadura e da colheita. O amor espalhado por ela também frutificava através do perfume das flores, da beleza de suas cores e da sombra das árvores que ofereciam descanso e convidavam à contemplação. Sua filha, Core, colhia as lindas flores nascidas do valoroso trabalho da mãe e com elas enfeitava o templo de adoração que lhes era dedicado, cuidava das abelhas e do mel. Enfeitar e adoçar a vida era sua atividade matinal diária. Era uma deusa lindíssima, doce cuja delicadeza dos modos e bondade para com os seres do mundo enchiam o ar de acolhimento e generosidade. Deméter descansava exatamente no horário em que Core colhia as flores, gostava de observá-la, isto enchia seu coração de alegria, a recuperava do dedicado trabalho de fertilização, e fortalecia seu propósito de gerar abundância. A beleza de Core era tão radiante que Vênus a invejava, Hades se sentia incontrolavelmente atraído por ela e decidiu vencer a distância que os separava para partilhar a vida a seu lado. Core era cheia de luz, cor e perfume, o tiraria das garras da solidão. Atrelou os cavalos à carruagem e subiu à superfície, a luz do Sol o perturbava, escondeu-se entre rochas à sombra de uma árvore. Ao avistar Core completamente desprevenida, o deus, inesperada e abruptamente, a arrasta para sua carruagem, abre uma profunda fenda no chão e nela mergulha levando a moça, que se debatia e gritava por socorro. Sua ação foi tão brusca e surpreendente que Deméter não conseguiu ajudar a filha. Seu ser inteiro mergulhou em tristeza profunda, pois além de saber que Core havia sido subjugada pelo temido Deus do mundo dos mortos, insensível como as pedras e cortante como os metais, sabia que a beleza, a bondade e o encanto da filha não resistiriam à falta de luz. A ação de Hades interrompera o movimento circular de doação e recebimento, ida e vinda do amor, generosidade e beleza. Era este ciclo diário que habilitava Deméter a prover a fartura na superfície da terra. À doação de amor realizada por Deméter através da semeadura, correspondia o prazer de assistir a colheita, contemplar o trabalho da filha, de belíssimo caráter e inteira dedicação ao embelezamento da vida. Estes momentos eram entendidos, pela deusa, como retorno da generosidade e do amor distribuídos por ela no plantio. Violado este curso de doação e recebimento o ciclo de amor, Deméter tornou-se incapaz de prover a fartura na superfície, o desespero a impedia de plantar, cultivar e colher. A escassez instalou-se no mundo e com ela a fome, a tristeza, o medo e revolta. A vida depende da presença real e permanente do amor. Zeus, irmão de Hades e Deméter, interveio, não convinha ao mundo a devastação da vida. Promoveu um acordo entre os dois deuses: Core passaria um quarto do ano com Hades, no mundo subterrâneo, e três quartos na superfície com Deméter. Assim, quando Core sobe à superfície, terminado o trimestre subterrâneo, o mundo do ar se enche de flores, canto dos pássaros e as abelhas enchem os favos de mel. No trimestre seguinte, os frutos eclodem em abundância, a vida se multiplica, e no trimestre que precede sua volta para Hades, a Terra perde aos poucos a doçura e a vivacidade, as folhas amarelam e caem, pois Deméter se entristece com a proximidade da ausência da filha. Dessa forma, a superfície da Terra passou a viver ciclicamente quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Deméter estava certa, a falta de luz transforma Core em Proserpina, criatura bela, mas sombria e sem domínio de sua própria curiosidade, somente a Luz da superfície e a fluidez do ar restauram sua essência e a transmutam em Core. Entretanto, a essência de Core é o amor, a bondade, o embelezamento e adoçamento da vida, assim, ela aprendeu a amar Hades e com ele teve uma filha, Macária, deusa da boa morte. Apesar de sua natureza voltada ao favorecimento da vida, da beleza e da doçura, Core não consegui mudar a natureza implacável de Hades, personalidade afeita ao julgamento e à dedicação ao mundo da morte. Os esposos tinham natureza muito diversa, mas através de Macária, Core acrescentou, à morte, sua essência bondosa. O mais importante é que Core fez brotar no coração de Hades um amor profundo, por isso, acredita-se que um dia, o mundo subterrâneo se encherá de Luz. A diversidade de personalidades existente entre os seres mitológicos Hades, Deméter e Core, retratam a diversidade inerente à natureza humana. Para evitar que uns se sobreponham a outros, no ambiente do Estado, através da violência, surpresa, e outras condutas que revelam desrespeito à dignidade humana, as normas constitucionais fixam limites, prioridades e, sobretudo, estabelecem o dever de conciliação dos interesses, com fundamento na dignidade da pessoa humana para realização do objetivo estatal da promoção do bem de todos. Um dos limites constitucionais às ações individuais, eventualmente prejudiciais ao bem-estar alheio, é o pluralismo político expresso pelo artigo 1º da Constituição brasileira de 1988, como um dos elementos protetivos da liberdade individual que caracteriza o sistema democrático. O pluralismo político é escolha constitucional pela livre expressão da personalidade e da percepção de vida individual. Se opõe ao totalitarismo de Estado. Serve à harmonização das diversidades humanas. Ocorre que a Democracia tem a finalidade de assegurar o bem-estar de todos, e os agentes públicos estão inafastavelmente vinculados a esse compromisso constitucional. A democracia somente sobrevive com a submissão de todos os interesses ao dever de otimização do bem-estar geral.  Por essa razão, a partir do instante em que o indivíduo assume cargo ou função pública deixa de representar parcela da sociedade e passa a ser agente de Estado, a serviço do bem de todos. Os cargos públicos têm como única finalidade a proatividade para concretização dos objetivos de Estado. Interesses específicos, expressos por plataformas partidárias, somente são legítimos como interesses secundários, submissos à harmonização com o bem-estar de todos. A maturidade e realidade democrática se materializam com a superação do pensamento Rousseauniano de que a vontade geral se opõe ao interesse individual. Este pensamento servia unicamente às democracias diretas, em que não havia limites para as decisões das assembleias. Estas eram arbitrárias e desde que referendadas pela maioria, podiam, inclusive, violar a dignidade humana. O funcionamento democrático mostrou-se inconciliável com este pensamento e o sistema de representação política revelou-se uma evolução para garantia de limites mínimos, impostos ao poder público, estabelecidos pela normatividade Constitucional. Através do sistema representativo os voluntarismos, no exercício do poder estatal, são contidos pelas normas constitucionais, mormente pelas que estabelecem os fundamentos e objetivos de Estado. Tais normas, determinam que os agentes públicos se desvistam dos interesses parciais que possam tê-los influenciado a buscarem os respectivos cargos, e assumam o compromisso único com a produção do bem de todos, que é a função de Estado. Os interesses parciais precisam ser considerados nas decisões finais, mas não são um fim em si mesmos, a finalidade absoluta é a promoção do bem-estar de todos. Postura diversa conduz a atritos desagregadores dos agentes públicos e violam o compromisso de cooperação para a realização dos objetivos de Estado. A Constituição não tutela atividades de priorização de interesses de parte da população em detrimento do dever de promoção do bem de todos. Todas as ações afirmativas vinculam-se ao balanceamento de seu potencial cooperativo para a concretização do bem-estar de todos. As condutas e ações, de agentes públicos, de priorização de interesses segmentados, como valores absolutos, é inconstitucional por ofensa aos objetivos do Estado Brasileiro, desvirtuam a finalidade de existência dos cargos públicos, no Estado democrático. Tal desvirtuamento lembra o domínio subterrâneo de Hades, com seu coração pétreo, sua dedicação aos metais, e aos julgamentos implacáveis da alma humana, cuja falta de piedade se revelou mitologicamente oposta à vida e à abundância na Terra. A prioridade cega à satisfação dos interesses individuais é irrazoável porque se todos agirem sem piedade todos pereceremos. Numa democracia, os interesses motores dos agentes públicos precisam ser claramente voltados ao benefício de todos, não podem estar encobertos pela escuridão do mundo subterrâneo, que garante a Hades o poder da invisibilidade. Interesses ocultos pela escuridão, em geral, se opõem ao bem-estar de todos, atraiçoam os cidadãos e, tal como foi feito à Core, os aprisiona violentamente ao jugo de interesses menores. A democracia e o sistema representativo somente vicejam quando os interesses trabalhados pelos agentes públicos, piedosa e maleavelmente, cooperam para o bem-estar de todos, e são postos à claridade, para que a Luz da superfície os vivifique e faça frutificar. Parece que somente esta disposição interna dos agentes públicos é capaz de dar força aos valores democráticos e nutrir a prosperidade humana. A representação política nas democracias somente é real se cada agente público tiver como foco de desempenho de suas funções o zelo pela promoção do bem de todos. Cuidemos para que nossas ações façam brotar o amor semeado por Deméter em suas plantações, e possam dar-lhe gosto à contemplação, assim ela estará reabastecida de força vital, generosidade, e beleza, necessárias para sentir-se apta à semeadura e colheita de doces e inesgotáveis frutos no mundo da superfície. Se assim for, seremos prósperos, poderemos nos acompanhar e apreciar alegremente o caráter uns dos outros, estaremos livres da solidão, a mesma que atormentava Hades. Se até seu coração pétreo e sombrio se encheu de amor por Core, nós que habitamos a superfície, o mundo do ar, temos mais chances de aprender a amar a humanidade para alimentar a vida e, por isso, gerir o Estado de um modo favorável à abundância e prosperidade de todos. A Luz do Amor nos ilumine! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. I N.º 02 - ISSN 2764-3867

  • O custo de vida e o custo da vida

    Desde criança ouço falar sobre o custo de vida, hora alto, hora relativamente baixo, porém sempre é o radical dos assuntos que dizem respeito a política. A economia ramo que abarca esse tema, tem sido explorada de várias maneiras pelos agentes do estado, mídia, empresariado e os interessados. Há que considerar a importância de proporcionar à população um custo de vida adequado aos seus ganhos financeiros e nisso todos concordamos. Além da cesta básica, lazer, saúde, vestimentas, segurança, etc... também compõem o custo de vida. Se há um sonho para nossa sociedade nesse momento histórico é poder viver dignamente e esse é um anseio legítimo. Com tudo, quero chamar atenção para um outro aspecto tão ou mais importante, que é o custo da vida. Quando tratamos do custo de vida, nós abordamos o aspecto físico -material- da vida, pois é o que nossa educação nos impõe, faz séculos; mas quer propor uma abertura da visão sobre a vida e como sempre, uma reflexão. É fato que estamos lutando por um país melhor? Sim, mas em que aspecto? Pois o materialismo já se mostrou um fracasso para a dignidade humana. No campo sociopolítico, temos que lutar incessantemente pela nossa qualidade de vida? Sim, mas de que vida estamos falando? Seria uma existência materialista que só nos faria parecer cada vez mais como animais, que dominados pelos instintos, buscam apenas, caçar, comer, beber, brincar e procriar? Penso ter deixado claro que quando falamos em “custo de vida” falamos do aspecto materialista da vida, e tudo bem, pois é real este aspecto da vida. Porém, não nos esqueçamos que existe também pelo menos mais um aspecto da vida ao qual devemos nos atentar; o aspecto conhecido como espiritual, que também é legítimo e mesmo com seus vários conceitos, indiscutivelmente real para o serviço humano, e é aí que tudo muda. Conhecido também como aspecto sutil, o aspecto espiritual, caso seja ignorado, pode comprometer toda a vida, seja ela material ou espiritual. Vejamos: temos dedicado todo nosso esforço, energia e intelecto para conquistarmos um padrão de vida ideal porém tudo que temos conseguido são algumas migalhas que o materialismo nos proporciona após algumas pequenas vitórias que são sempre muito passageiras e muito dependentes do contexto histórico, onde ora a demanda é pela moralização do judiciário, pela vida, contra o aborto entre outras demandas, e embora a vitória seja certa, porque não temos tido tanto sucesso quanto esperávamos na nossa luta contra esses aspectos negativos? Vamos refletir? Em Romanos 12:21 o apóstolo Paulo nos recomenda uma tática infalível para termos sucesso na empreitada da vida, e é o seguinte “conselho”: “Não vos deixeis vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”. O de está o valor lógico desse versículo? Vejamos: se a minha luta é contra alguém que prática o mal logo se minha atitude julga ser contrária ela deve ser impulsionada pelo amor movida por sentimentos nobres pois se luto contra alguém que praticou ódio odiando-o logo estou dando força ao próprio ódio. Não parece claro? Ser vivo em uma sociedade onde o materialismo impõe seus resultados e a sociedade então vive de tal forma desonesta, violenta e desumana se preciso que essa sociedade tome um caminho contrário devo apresentar elementos, que nos leve a uma conversão que nesse caso eliminarão os sintomas que citei acima. Ouço muitas pessoas que ao mencionarem suas lutas contra a determinadas personalidades ou até mesmo instituições, destilam o seu ódio e raiva, com vontade muitas vezes de eliminar a vida de seus oponentes, portanto se de um lado vejo os resultados de quem opera o próprio ódio, como poderei eu querer combater os resultados do ódio sendo eu o portador do ódio? Não nos parece este o conceito de loucura? " Fazer a mesma coisa esperando resultado diferente". Talvez aí esteja um ponto importante para reflexão, se queremos um mundo melhor temos que apresentar pensamentos, sentimentos e atitudes melhores pois não podemos combater o mal com o próprio mal, do contrário iremos apenas nos deparar com o mal do outro ou com o nosso próprio mal; e por ignorância caminhamos dando força àquilo que queremos eliminar. Talvez o mundo esteja cada vez mais difícil, materialista e com tantos sentimentos negativos porque de alguma forma colaboramos com isso quando nos deparando com tais atitudes, agimos da mesma forma pensando que agimos com força contrária, mas estamos no mesmo fluxo, apenas nos iludindo. E aí está o radical da nossa reflexão; quanto custa da vida agirmos errado pensando em melhorar o nosso custo de vida? Quanta saúde tem alguém que vive baseado no ódio, nos sentimentos mais baixos? Quanto de vida tem alguém que segue no caminho contrário dos sentimentos que quer ver nascer no mundo? Pensemos sobre como queremos justificar nossa luta, se com valores altivos ou com a pobreza das mais baixas emoções… Sejamos nós então os portadores dos elementos que faltam à nossa sociedade, caso contrário seríamos como o cão que corre atrás do rabo, pois aquele que busca justificar sua vida fora daquilo que lhe é próprio, está morto mesmo sem saber, e isso serve para nossos ideais. Nesta questão, há muitos que dizem que Cristo veio ao mundo e de nada adiantou, pois o mundo está cada vez pior, porém sabemos que ele foi vitorioso, pois sem sua presença talvez nem estivéssemos aqui hoje. Lembremos que ele não veio para fazer por nós, mas para nos mostrar o caminho e é inexorável que uma vez por seu caminho, não cheguemos ao paraíso. Que Deus abençoe nossa jornada! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867

  • A concretude do real

    Viver não é fácil. E quem disser que é, está mentindo. As nossas construções mentais esbarram, de foma prática e até impiedosa, nas limitações da realidade. Ao longo da vida, passamos inúmeras vezes por essa situação, que ocorre quando, como dizia Cazuza, “as ideias não correspondem aos fatos”. No momento em que isso acontece, ou seja: quando nós idealizamos algo que não pode se concretizar, do modo que desejamos, surge uma escolha: a de qual reação teremos, diante do que se apresenta para nós. E é nesse exato momento que os maduros e os imaturos se distinguem. O ser humano vive rodeado de paradoxos. Ele ama, mas não quer se entregar. Ele está sem dinheiro, mas sai e gasta o que não tem. Ele quer ser mais saudável, mas passou a noite na bebedeira. A contradição reside em nós, e a única forma de lidar com ela é encarando-a de frente. Com base em tantos paradoxos, nós projetamos uma série de eventos mentais, os quais não tem condições de se materializar, por inúmeros motivos diferentes. Inclusive porque nós podemos ter feito tudo errado, apesar de termos desejado muito aquele resultado, que não ocorreu. Contudo, o problema reside na nossa reação, quando as coisas não acontecem conforme imaginamos. O imaturo sempre reagirá de modo destemperado. Seja tomado por ira, soberba, orgulho, vaidade, vitimismo ou frustração, sua reação será sempre desequilibrada, como se a vida estivesse contra ele e o resultado fosse imerecido. A pessoa madura, que desenvolve as suas virtudes, entretanto, reage de outro modo àquilo que lhe acontece de forma diversa da que aguardava. Ela simplesmente compreende que não pode controlar tudo. E que também teve sua parcela de participação naquele desdobramento. Essa maturidade chegou-lhe, provavelmente, por meio do desenvolvimento de espiritualidade, religiosidade, gratidão e das virtudes cardeais da temperança, da prudência, da fortaleza e da justiça. Logo, seus critérios do que seria justo ou merecido são mais elásticos, por compreender que as coisas são como devem ser, pois há algo superior a nós, que detém uma inteligência e uma sabedoria divina, as quais não dominamos. Então você está apaixonado por alguém. Você faz mil planos, projeta um futuro maravilhoso, imagina muitas coisas com aquela pessoa. Porém, em uma atitude inesperada, ela se afasta de você, torna-se inacessível, não te responde mais, retrai-se. Aquela amizade que você tinha em alta conta te decepciona. Faz algo inaceitável, trai a sua confiança, expõe você. É desleal. Isso te fere e faz sentir-se péssimo. Você perde o emprego dos seus sonhos e cai de paraquedas no mercado de trabalho, já com mais idade e sem saber bem para que lado ir, sentindo-se completamente desamparado, desmotivado e inseguro, em relação ao seu futuro. Sobretudo porque seu chefe comunicou-lhe com frieza e zero empatia. Existem duas atitudes possíveis, nessas circunstâncias e em muitas outras. Você pode ser tomado pela raiva, deixar uma mensagem malcriada, sair por aí difamando essa pessoa, queixando-se do modo com que foi tratado… ou você pode tentar compreender os motivos daquela atitude (deve existir pelo menos um). Você pode ter um olhar generoso e acolhedor, colocando-se no lugar dela, compreendendo que pode não ser algo pessoal: ela pode estar atravessando um momento ruim. Se foi justo, correto, adequado – dirão os afoitos e imaturos que não. Entretanto, nós não controlamos as situações e as reações, precisamos ter a exata dimensão da nossa pequenez e simplesmente compreender que há coisas que não podemos modificar. Na concretude do real, vamos seguindo pela vida, percebendo com a maturidade, que nem tudo que projetamos pode realizar-se no mundo. E vamos nos humanizando. E nos tornando pessoas mais calmas. Comedidas. Equilibradas. Em uma busca sincera da verdade. Menos fofoqueiros. Menos maldosos. Mais amorosos. Menos raivosos. Não pensem que é fácil. Passamos a vida ouvindo receitas e fórmulas prontas, sobre como devemos nos comportar, nas mais variadas situações. Aprendemos que “bateu, levou”. Revidamos para não parecermos idiotas, aos olhos dos outros. Perdemo-nos na opinião alheia (aliás, como as pessoas tem opiniões sobre tudo o que não lhes diz respeito, mas não enxergam um palmo à frente, quando se trata de suas próprias vidas). O ser humano tem respostas para quase tudo que não lhe atinge. Quando compreendemos que revidamos com agressividade, raiva, maledicência e histeria, porque somos imaturos e não sabemos dominar nosso complexo de inferioridade, nosso medo de rejeição e nossa preocupação com a opinião alheia, teremos caminhado muitos passos, rumo à maturidade e ao equilíbrio pessoal. É utilizando essas oportunidades para o aprimoramento pessoal e a renovação da nossa fé em Deus e no que a nossa existência, certamente, nos reserva de bom, que vamos nos tornando pessoas melhores, mais sábias e evoluídas. É nos momentos de frustração das expectativas, que distinguimos quem é quem. Adequar as expectativas aos reveses do caminho é a escolha mais acertada, sempre. Olhe para cima, faça uma prece e confie em Deus. Afinal, Ele conduziu-te e guiou-te até aqui! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867

  • A ilha dos famintos

    O mito de Adônis nos apresenta uma feroz criatura que, enviada por Ares, é encarregada de mandar ao Hades o jovem amado por Afrodite. Enciumado, o deus da guerra enviara, para alguns se transformara, em um javali que após atingido por um dardo laçado por Adônis, conseguiu desferir um ataque fatal contra o jovem. Fonte da imagem: https://www.mitologia.pt/o-falecido-adonis-de-autoria-228200 Adônis era fruto da relação incestuosa de Mirra e seu pai, o Rei Téias de Assíria na Mesopotâmia, que ao descobrir que fora enganado pela filha ordenou sua morte. Os deuses decidiram ajudar Mirra transformando-a em uma árvore, da qual, nascera Adônis, cuja a beleza encantou Afrodite, para alguns uma vingança de Mirra, por ter a deusa feito a princesa apaixonar-se por seu pai. Adônis foi acolhido por Afrodite e criado pela deusa do submundo, Prosérpina, que também se encantaria pelo jovem, tornando-se motivo de disputa entre as duas divindades. Entretanto, Adônis se apaixonara por Afrodite, dividindo com ela a maior parte de seu tempo, sendo esta a motivação dos deus da guerra, amante da deusa. Movido pelo ciúme, Ares envia o javali para ceifar o belo jovem, que sucumbe ao ser atacado pela fera, morrendo antes da chegada de sua amada. A morte de Adônis deixa evidente que uma criatura selvagem pode ser o meio qual tira-se de alguém aquilo que ama, parecendo uma obra do acaso, o ataque do javali atinge os anseios do deus da guerra. Não por acaso, a figura do javali fora trazida da mitologia antiga, uma vez que, no cenário atual temos a mesma criatura do mito como um provável, mas não mais relevante, algoz do frágeis humanos que são vítimas de planos dissimulados de tiranos impiedosos. Talvez o próprio deus da guerra invejasse a crueldade dos déspotas atuais. Uma das medidas de governos totalitários, ainda durante sua escalada ao poder, é restringir, ao máximo, o acesso às armas de fogo aos cidadãos, mantendo assim o monopólio da força nas mão do Estado, ou ainda pior, dividindo-o com organismos criminosos que atuam sob as bênçãos de atores do poder. Um conluio necessário entre políticos e marginais revolucionários para que, de mão dadas, pressionam a população refém em favor de sua persecução ao poder. Utilizando-se da falácia de que o armamento civil resulta em mais violência, alegando que armas de caçadores são usadas para os mais diversos crimes, argumento vazio que ignora a máxima que infratores não se enquadram às normas, os revolucionários tentam impor o desarmamento. Somente um idiota pratica crimes e usa o seu próprio veículo como meio de fuga, uma vez que, tem certeza que será identificado, de igual forma, é inegável que cometer crimes com uma arma registrada é uma demonstração clara de eficiência cognitiva. O leitor pode se perguntar o que caçadores têm a ver com armas sendo utilizadas por criminosos, entretanto, a Presidente do Partido dos Trabalhadores, atualmente a situação, deixou claro em uma entrevista que sobre o desarmamento que a caça é algo “medieval” e que o controle de pragas deveria ser realizado pelo Estado, tratando especificamente do chamado manejo, que é a permissão da caça de espécies invasoras, para controle de população. Segundo a Presidente do PT “Por que esse registro existe? Registro para caçadores? Isso é medieval. Nessa época da humanidade beira ao sadismo. Hoje são permitidas a caça de subsistência (comunidades tradicionais) e a do javali, para controle populacional. Esse controle deveria ser feito pelo Estado e não por caçadores. Essa caça foi completamente corrompida para servir de pretexto para circulação de armas em todo país”. Cabe ressaltar que o chamado manejo é meio para tentar controlar uma espécie invasora que nem deveria existir no ecossistema em que fora introduzida, portanto, tal população sequer deveria ser controlada, pois, o correto é a erradicação da espécie em um ambiente no qual sua presença se torna deveras nociva. Uma espécie invasora, por não ter predadores naturais, acaba tornando-se uma praga capaz de causar danos imensuráveis ao meio ambiente. Viajando pelo mundo podemos encontrar o sapo-cururu, espécie nativa da América do Sul que se tornou uma praga na Austrália, uma vez que, venenoso e voraz, tal anfíbio não tem predadores naquela região e se reproduz sem obstáculos, sendo um animal que se alimenta de quase todo animal que puder abocanhar, há quem aponte que crocodilos de água doce, entre outros animais nativos, sofreram queda considerável no número de espécies por conto do sapo, estima-se que um marsupial local perdera cerca de 75% da população . O perigo das espécies invasoras é considerável, em especial se tal animal se alimenta de diversas fontes, se reproduz rapidamente e não encontra obstáculos no habitat em que fora introduzido, de maneira que, como dito, o correto seria sua erradicação. O controle, por outro lado, pode ser o máximo que indivíduos consigam colocar em prática, todavia, alegar que somente o Estado deveria fazê-lo, em nome do monopólio do uso da força, é igualmente desonesto e irresponsável. O desarmamento de caçadores, aos interesses revolucionários, pode servir de dois modos, pois, ao passo que, na busca pelo controle totalitário, retira-se do cidadão um instrumento que pode ser usado para se opor à tirania, inviabiliza o manejo de uma praga invasora no Brasil que é o javali. Sim, se bem observado, não só ao desarmamento se presta a “defesa” dos javalis. É importante para quem assume uma visão totalitária que os cidadãos estejam vulneráveis ao seu poder, por tal motivo, desarmar a população é impedi-la de reagir aos avanços revolucionários. Por isso, é indispensável que a população confie sua segurança totalmente ao Estado, tornando-se uma presa fácil, indefesa, quando os revolucionários declamarem sua tomada de poder. A Pirâmide de Maslow , também conhecida como Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas, proposta pelo psicólogo americano Abraham Maslow, aponta que o ser humano alcança tais necessidades em diferentes níveis, de maneira que, um indivíduo que tenha acesso às necessidades básicas, fisiológicas, começa a buscar a segurança e, somente após conquistá-las, aspirará por necessidades mais elevadas como sociais, estima e realizações. Assim sendo, ao imaginar qual seria a melhor forma de dobrar indivíduos aos anseios revolucionários, é fácil constatar que aqueles que almejam nada além de sua subsistência, ou seja, encontram-se no patamar que figuram as necessidades fisiológicas, estão mais vulneráveis à ação dos revolucionários. Em síntese, quanto mais fragilizado um indivíduo, ou grupo, se encontra, mais frágil ele é, de tal maneira que, é possível escravizar quem almeja o básico e igualmente difícil se impor aos que se sentem seguros o suficiente. Quem busca realizações pessoais poderá sustentar suas posições em uma sociedade, entretanto, os que imploram pela simples existência, tornar-se-ão reféns daqueles que puxam as rédeas, sofrendo por ser dependentes de seus algozes. Observando como populações assoladas pela miséria tornam-se escravas de déspotas, voltamos os olhos para países e regiões em que o povo parece ignorar suas mazelas e manter os piores tipos de líderes no poder. O continente africano é um bom exemplo, diversos povos subjugados por governos de tiranos e que parecem nada fazer para tirá-los do poder, todavia, o que verifica é que os grupos que se rivalizam perante tais tiranos são, nada além de aspirantes aos seus postos, que pretendem ocupar o poder e exercer igualmente a tirania em seu favor. A máxima de combater a elite para impor a ditadura do proletariado, que jamais deixará os mais simples ocuparem as posições de comando, serve apenas para que um bando de usurpadores, geralmente mais gananciosos e nefastos que os que se pretende derrubar, assumam o trono para espalhar uma desgraça maior que qualquer uma que aflija o povo. Como o povo francês cair nas mão dos revolucionários, entregando o pescoço aos loucos, qualquer um que veja no poder um tirano aceitará sua substituição, ainda que pela força, o que permite ao mal ainda maior que espreita nas sombras mostrar-se como solução. As constantes decisões judiciais e atuações de outros órgãos que deveriam promover a justiça, que se distanciam cada vez mais da noção do que é justo, para satisfação daqueles que detêm o poder, incuti no cidadão o sentimento de que o Poder Judiciário, e outros, são meros instrumentos aos anseios dos mais poderosos e que não servem ao seu fim. Tal visão de abandono, fundamentada, leva os indivíduos a busca por outros meios de solução de conflito, clamando, por vezes, a “justiça” dos marginais, um justiçamento doentio que valida a soberania do crime. Segundo o Promotor de Justiça Roberto Wider Filho, em entrevista concedida à Folha de São Paulo , a respeito dos chamados tribunais do crime. “São tribunais de justiçamento com duas naturezas principais: uma é a manutenção da disciplina dentro da hierarquia do PCC. Eles condenam pessoas que lesam a facção criminosa e integrantes que não cumprem as ordens dentro da facção criminosa. A outra natureza é a de que esses tribunais se estendem às pessoas estranhas aos quadros da facção e aí é mais grave ainda, porque eles estão julgando, eles se arvoram no poder de julgar pessoas que nem sequer fazem parte daquela quadrilha”. Assim como os praticados pelos movimentos revolucionários que gestaram tais facções, o justiçamento deve ser eficaz para que os “jurisdicionados” vejam nele a confiança que não se observa nas instituições legitimamente constituídas. Tal “eficiência” valida o poder do crime sobre os indivíduos cuja sua mão puder alcançar. Um trecho de matéria recente da Revista IstoÉ , uma mulher torturada e morta por ordem de criminosos por subtrair uma bicicleta, a notícia apresenta uma parte que merece destaque “O dono da bicicleta teria descoberto paradeiro do veículo e foi até o ponto de venda de drogas para reclamar. Nesse sentido, o gerente do tráfico no local teria ordenado a morte da mulher”. Chama a atenção que o dono do objeto furtado tenha procurado o crime organizado para promover a justiça diante do crime, o que leva a dois apontamentos. Que, de fato, a autora do furto mereceria punição e a vítima sabia que o Judiciário, diante de uma legislação penal complacente e sua própria inventividade, o chamado ativismo judicial, seria leniente com o crime, bem como, o fato de a vítima do furto reconhecer a autoridade do crime organizado como capaz e mais eficiente para julgar a questão, ou seja, para materializar justiça ao caso. Tal tipo de situação faz com que os indivíduos reconheçam, através da suposta eficiência, que o justiçamento promovido pelo crime organizado é mais confiável, portanto legítimo, que o prestado pelo Estado. A armadilha faz com que tais organizações, que possuem nítido viés revolucionário , sejam reconhecidas como instrumentos de justiça, para, posteriormente, expondo sua face maligna, possam impor suas vontades mais dantescas através da força dos seus justiçamentos. A tirania sempre se revelará quando estivem confortável o suficiente, dando agora o resultado que pretende impor e não aquele que os jurisdicionados esperam como resposta natural ao injusto. Assim, um tribunal, do crime ou não, quando corrompido, tornar-se-á instrumento de imposição com verniz de legitimidade. Em uma outra matéria da mesma revista supramencionada , destaca-se o trecho “a vítima se recusou a beijar um homem em uma balada e teria o ofendido na sequência. Dessa forma, o membro da facção foi embora da casa noturna e retornou com outros comparsas para cobrar a mulher”. Nota-se que o “crime” que era objeto do justiçamento foi a recusa em beijar um criminoso em uma balada, curiosamente, ainda há quem repita a falácia de que o crime organizado condena o estupro e outros abusos, ignorando que tais organizações só o fazem quando o autor da infração é membro do baixo clero da facção ou não pertence à mesma. Difícil imaginar como populares não se rebelam diante de tamanho abuso, mas o primeiro obstáculo pode ser justamente a fragilidade em que os indivíduos que, poderiam se levantar contra o mal, se encontram. Em uma comunidade dominada pelo crime organizado, geralmente, os mais fragilizados pelas mazelas são os que não comungam dos ideais da facção dominante, por outro lado, os que se banqueteiam, mesmo que das sobras, dos tiranos, tendem a abraçá-los como líderes revolucionários liberadores. Como se pode ver também nas regiões mais carentes, nas quais os algozes da população perpetuam-se no poder pelo medo ou pelas amarras que põe sobre os menos afortunados. Uma sociedade desprovida do básico sequer cogita uma mudança nos rumos da política, posto que, suas necessidades são urgentes, como comida, abrigo e saneamento básico, por tal motivo, privar as pessoas do mínimo existencial é uma forma de acorrentá-las. Talvez isso explique o motivo dos revolucionários se oporem de forma aberta à medidas que pretendiam melhorar as condições de saneamento em geral, o que afetaria de forma positiva os mais carentes. O jargão “quem tem fome, tem pressa”, explica de forma clara como um indivíduo faminto torna-se incapaz de buscar medidas de longo prazo, por isso, àqueles que pretendem manter a miséria para oferecer sempre o peixe, é indispensável que tais indivíduos nunca consigam pescar. A seca do nordeste, o isolamento dos indígenas e a marginalização das favelas são fatores que prejudicam a libertação dos que se encontram fragilizados por tais condições. Um povo desarmado não poderia reagir a tirania, seja ela imposta pelo Estado ou por uma força à margem da lei a qual o próprio não desarmou, da mesma forma, indivíduos que são privados d mínimo precisarão se libertar para desenvolverem um pensamento de longo prazo. Os revolucionários precisam de uma sociedade aquebrantada para que seus arautos possam, oferecendo migalhas, cativar o máximo os corações. Voltando à fera que matou Adônis, resta fácil compreender que ao dificultar o manejo do javali, os líderes revolucionário podem obter dois resultados em uma só tacada, pois, reduziriam o número de indivíduos com armas legais, evitando assim uma reação aos arroubos do Estado e, principalmente, do braço arma da revolução, seja grupos que se rotulam como movimentos sociais, gangues que se unem com diversos pretextos como torcidas, ou as mais violentas, as narcoguerrilhas. Por outro lado, a explosão da população da espécie invasora pode resultar em perdas imensuráveis para o agronegócio, incluindo o pequeno produtor, e o ecossistema. O animal, que é originário do velho mundo, se alimenta de vegetais e animais, podendo ser devastador para agricultores ou pecuaristas, além de destruírem a flora e a fauna nativa, em alguns casos, nascentes podem ser vítimas da ação da fera . Podem transmitir doenças aos animais de estimação ou da pecuária, bem como, se reproduzir com porcos, criando assim o chamado javaporco , criatura de proporções maiores que os seus genitores selvagens, conservando sua agressividade. Tal praga já preocupa agricultores e pecuaristas das regiões sul, sudeste e centro-oeste, deixando um rastro de destruição por onde passa. Obviamente, o cidadão que estão de frente com a devastação trazida pela espécie invasora, encontram obstáculos para que realizar o controle, ou erradicação da praga, o que é enfrentado mesmo nos EUA, país em que o acesso às armas de fogo é bem menos penosos que o Brasil. A sugestão de que o Estado deveria ser o responsável pelo manejo, considerando que não consegue controlar sequer o crime e faz com que as indivíduos recorram aos marginais para suprimir a falta de tutela jurisdicional, é um vergonhoso convite aos caçadores para que depunham suas armas e deixem a praga dos javalis devorarem o Brasil. O agronegócio e a agricultura de subsistência brasileiros contribuem de forma ímpar para a alimentação da população mundial, sem fazer elucubrações sobre o tema, é importante contatar que a destruição da produção rual do Brasil impactaria, não só a população do país, mas do mundo. Os interessados em “preservar” a praga dos javalis devem ser, no imaginário de muitos, indivíduos incautos que podem, devido à irresponsabilidade, levar o mundo ao caos e expandir a fome de maneira assustadora, em especial no Brasil. Os revolucionários espalharam a desgraça por onde pisaram, causaram matanças, desastres e fome, sendo assim, podemos presumimos que são totalmente incapazes de discernir a verdade de sua visão distorcida, o que justificaria não delegar nenhum poder aos mesmos, ou, o que parece mais racional, suas ações são pensadas e os resultados, por mais que sofríveis, são os desejados. Sim, pode ser assustador pensar que alguém cria mecanismos para que a fome e outras mazelas se espalhem pelo mundo, mas como explicado, é a fraqueza dos outros que os mantém no poder. Presumir que o Holodomor e a Grande Fome de Mao resultaram de gestões incompetentes, também leva a crer que Cuba também sofre por conta das decisões erradas de Fidel Castro. Infelizmente, tal visão de mundo, que parece uma forma de calar os socialistas em nome do sucesso do livre mercado, esbarra em um único fator. Não seria possível que a ditadura venezuelana, apesar de possuir grande reserva de petróleo e ter observado os erros das gestões socialistas que foram implementadas em todo o mundo, seguiria pelo mesmo caminho. Nada justificaria o que o governo socialista da Argentina colocou em prática e, muito menos, as direções que a “democracia relativa” brasileira busca adotar, em que pese, apesar das restrições globais durante a pandemia, o Brasil tenha sentido menos alguns efeitos. A questão do manejo do javali, quando se propõe que a caça seja dificultada, quiçá abolida, por ser uma prática “medieval”, decorre da total insanidade ou do interesse na criação de uma crise alimentar acompanhada de fragilização do cidadão do campo para reagir ao que grupos que expropriam terras em nome da revolução, muitas vezes com armas ilícitas. Se a intenção dos revolucionários é aumentar o caos para que os cidadãos de bem, que eles ensinam seus vassalos a desprezar, possam reagir, bem como, escravizar através da imposição da condição do mínimo existencial, no qual o indivíduo deverá ser grato pela renda básica oferecida por poderosos que se regozijam no luxo, querendo cada vez mais poder e prestígio. A praga do javali é a arma ideal para que tal plano se concretize, uma vez que, trará fome, seca, danos ambientais, desarmamento e, por fim, a dependência em relação ao Estado. Os verdadeiros cérebros revolucionários não são descrentes que buscam fazer do mundo seu paraíso, mas demônios que pretendem reinar no inferno. Se nada fizermos, morreremos como Adônis, lutando contra uma besta enviada por um tirano maior. Devemos, em primeiro lugar, conservar a nossa bondade, sem, contudo, permitir que os que não pretendem fazer o bem, possam destruir tudo aquilo que serve de escora a humanidade. Lembrando que as trevas nada mais são que a ausência de luz. “Por isso se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem, são boas. Portanto, todas as coisas que existem são boas, e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois, se fosse substância, seria um bem. Na verdade, ou seria substância incorruptível, e, nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper”. Santo Agostinho, Confissões (São Paulo: Nova Cultural, 2004) Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. II N.º 35 - ISSN 2764-3867

  • Débora, a Profetisa

    Feminismo e contradições Mulheres Bíblicas: PARTE III No último final de semana contribuí em um retiro para jovens. Foi um tanto árduo. Agora com um bebê de sete meses não está sendo muito fácil manter o ritmo das atividades que eu desempenhava antes. Todavia, o trabalho com jovens sempre me cativou. Afinal, o jovem de hoje será a sociedade de amanhã. E é através dos nossos filhos que nossos valores serão perpetuados às próximas gerações. Entender essa grandeza contida no jovem é de extrema importância para transformação do mundo. Certos grupos compreenderam essa verdade tão bem que mesmo com o passar dos anos não abrem mão de suas atuações no ambiente dos jovens. O grupo é jovem. Mas os jovens já não são tão jovens. E aqui mora um perigo. O perigo de manipular os pensamentos dos jovens em favor de lutas e conquistas poucos ortodoxas. Como dito em edições anteriores , Jesus tinha uma mensagem libertadora. Era uma mensagem que cortava os grilhões e correntes da época. Jesus não seguia aquilo que um judeu esperava. Certamente um bom judeu o consideraria um verdadeiro rebelde, um desobediente. Tanto que para tanta heresia, Ele mereceu a cruz. A mensagem de Jesus era revolucionária para a época, quebrava paradigmas, fugia do senso comum. Jesus era um judeu que não limitava o dia Santo para realização de milagres. Para Jesus o ser humano era mais importante do que as regras. Mas a vida de Jesus não era sinônimo de baderna e desobediência. Jesus é o nosso protagonista da história da Salvação. Entretanto, para se chegar no ponto alto do Cristianismo tivemos muitos coadjuvantes. A Boa-Nova estava sendo anunciada há longa data. Muitos personagens precisaram passar para que o Cristianismo surgisse. Hoje iremos abordar a figura do profeta e profetisa. Um profeta é uma pessoa que serve como mensageiro de Deus, transmitindo Suas palavras e orientações ao povo. Na Bíblia, os profetas desempenham um papel crucial, comunicando a vontade divina e corrigindo abusos morais e religiosos. Os profetas são porta-vozes Divinos. Eles falam em nome de Deus, transmitindo Suas mensagens e revelações. Eles são considerados a “boca” pela qual Deus comunica Sua vontade aos homens. Além de prever eventos futuros, os profetas frequentemente corrigem comportamentos errados e orientam o povo em questões morais e espirituais. Muitos profetas recebem visões ou revelações diretas de Deus, que podem incluir instruções específicas ou mensagens sobre o futuro. No Novo Testamento, João Batista é um exemplo de profeta que preparou o caminho para Jesus, anunciando Sua vinda e chamando o povo ao arrependimento. Os profetas desempenham um papel vital na história bíblica, ajudando a guiar e moldar a fé e a moralidade do povo. Além de João Batista existe uma outra figura bem icônica na Bíblia na função de profeta: Débora. Profetisa e juíza em Israel, Débora liderou seu povo à vitória em batalha durante um período de grande opressão pelos cananeus. Ela é um exemplo de liderança feminina e confiança em Deus. Débora era conhecida por resolver disputas civis entre as tribos de Israel. Ela se sentava debaixo de uma palmeira, conhecida como a “palmeira de Débora”, onde os israelitas vinham buscar suas decisões. Quando os israelitas foram oprimidos por Jabim, rei de Canaã, Débora convocou Baraque para liderar o exército israelita contra Sísera, o comandante do exército de Jabim. Baraque concordou em ir para a batalha apenas se Débora fosse com ele. Débora profetizou que a honra da vitória não seria de Baraque, mas que Deus entregaria Sísera nas mãos de uma mulher. Isso se cumpriu quando Jael, uma mulher, matou Sísera, garantindo a vitória de Israel. Após a vitória, Débora e Baraque entoaram um cântico de louvor a Deus, celebrando a libertação de Israel. Este cântico é registrado em Juízes 5 e é um dos mais antigos poemas hebraicos conhecidos. Débora é um exemplo poderoso de liderança feminina, coragem e fé. Sua história inspira muitos a confiar em Deus e a assumir papéis de liderança com sabedoria e justiça. De acordo com algumas interpretações bíblicas, o dom da profecia não foi algo temporário ou passageiro e pode continuar a existir para edificar a igreja e transmitir revelações de Deus, isto é, temos profetas nos dias atuais. No entanto, é importante analisar cuidadosamente qualquer pessoa que se declare profeta, ou ainda, intitulações de terceiros, comparando suas palavras com os ensinamentos bíblicos para garantir que não contradigam a Bíblia. Greta Thunberg, profeta da atualidade? Greta Thunberg é uma ativista ambiental sueca conhecida por seu ativismo em relação às mudanças climáticas. Ela não é uma profetisa no sentido religioso ou bíblico, mas muitas pessoas a veem como uma figura inspiradora e uma voz poderosa na luta contra a crise climática. Sua capacidade de mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo e de falar diretamente aos líderes mundiais é notável. Começou seu ativismo climático em 2018, quando tinha apenas 15 anos. Ela iniciou um protesto solitário em frente ao parlamento sueco, segurando um cartaz que dizia “Skolstrejk för klimatet” (Greve escolar pelo clima). Esse ato simples rapidamente ganhou atenção mundial e inspirou milhões de jovens a se juntarem ao movimento Fridays for Future, organizando greves escolares e manifestações em todo o mundo. Greta tem falado em importantes conferências internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), e se encontrou com líderes globais para pressionar por ações mais ambiciosas contra as mudanças climáticas. Ela é conhecida por seu discurso direto e por sua ousadia de criticar líderes mundiais. Além de seu ativismo, Greta também escreveu livros e artigos sobre a crise climática e foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz várias vezes. Mas Greta é uma profetiza? No sentido bíblico, não. Profetas são mensageiros divinos. E no sentido moral? E porque falar dela? Greta é uma jovem com capacidade de inspirar outros jovens, é discutida em grupo, aplaudida. Nossos jovens hoje possuem preocupações que antes a sociedade pouco se preocupava. Eles são atentos a uma sociedade mais justa e mais auto sustentável. E Greta representa essa bandeira para o jovem atual. Quando pegamos a fome de justiça do jovem com a vontade de comer de alguns grupos, criamos uma combinação bombástica. Por isso é importante abordamos aqui as pautas levantadas por essa menina. Existe uma fala assim: “a história é contada pelos vitoriosos”. Eu diria que a história é contada pelo dono da caneta e de poder de voz. Nossos jovens são contagiados por discussões inflamadas. Pela fala empolgante, sendo o discurso falacioso ou não. E por isso é minimamente fácil que figuras militantes sejam tão amadas pelo jovem, pois eles manipulam os corações. Trabalham nas emoções. Jesus, era um revolucionário em sua mensagem. Isso é um fato incontestável. Mas justamente por essa característica que alguns grupos conseguem distorcer a mensagem do Evangelho e puxar o jovem para causas inclinadas à esquerda. Precisamos estar mais atentos aos jovens e mostrar a eles os outros lados da moeda. Apresentar que a história tem mais de uma versão e que todos são agentes da história. A sociedade atual possui muitas bandeiras hasteadas: direito das mulheres, preservação do meio ambiente, saúde pública etc. Todas essas causas são relevantes, a problemática existe quando essas pautas são usadas para promoção de causas muito específicas. O direto das mulheres é importante? Claro que é. Mas todo ser humano é importante. Não existe seres humanos mais importantes do que outros. Não pode uma busca por uma suposta igualdade ser justificativa para eliminar bebês. O meio ambiente é importante? Óbvio. Se não cuidarmos do nosso planeta estamos matando um pouco mais a nós mesmos. Mas não podemos preservar a vida das baleias e ignorar a vida de bebês. Muitas vezes, as bandeiras levantas parecem ter uma mensagem altruísta, mas no fundo são apenas discursos para movimentos de manadas e privilegiar certos grupos políticos. No fundo, no fundo… “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade” (Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista). Em suma, mesmo diante de tantas limitações e dificuldades não podemos deixar de contribuir para um legado melhor para nossos filhos. E você? Quais são suas contribuições para perpetuar seus valores às próximas gerações? Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867

  • Vamos falar seriamente sobre aborto

    Volta e meia o tema aborto reaparece em debate; desta vez, por conta do projeto de lei 1904/2024. De autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) , o texto “Acresce dois parágrafos ao art. 124, um parágrafo único ao artigo 125, um segundo parágrafo ao artigo 126 e um parágrafo único ao artigo 128, todos do Código Penal Brasileiro”. O texto equipara o aborto realizado após 22 semanas ao homicídio simples, previsto no Art. 121 do Código Penal. Este projeto foi uma resposta para a intromissão do Supremo Tribunal Federal de interferir em uma decisão do Conselho Federal de Medicina , que proibiu a prática da assistolia fetal – injeção de cloreto de potássio na barriga da gestante com o objetivo de atingir o coração do bebê, provocando uma parada cardíaca e, por conseguinte, sua morte. Para se ter uma ideia do tamanho da crueldade, o Conselho Federal de Medicina Veterinária proibiu o uso deste método alegando ser inaceitável, já que o animal sente profunda dor durante a eutanásia; oras, se um animal sente dor, é lógico pensar que um ser humano, com estrutura cerebral bastante desenvolvida a partir das 16 semanas, sinta muita dor. No que tange ao projeto de lei, a ala progressista se levantou de uma maneira nunca antes vista para deturpar o texto e apelidar de “PL do estuprador” , isso com ajuda da rede globo, a Secom paralela deste desgoverno; tudo por conta do parágrafo único sugerido para ser inserido no Art. 128 do Código Penal: “Se a gravidez resulta de estupro e houver viabilidade fetal, presumida em gestações acima de 22 semanas, não se aplicará a excludente de punibilidade prevista neste artigo.” Sabemos que o aborto é crime no Brasil, portanto não existe “aborto legal” , mas sim excludentes; são três: má formação do feto, quando a vida da gestante corre perigo ou em caso de estupro. Ou seja, nem o médico e nem a gestante serão incriminados dentro destes três casos. Porém, o diabo sendo o pai da mentira, possui filhos igualmente mentirosos, pois possuem a mesma natureza. E foi desta maneira que a grande mídia brasileira atuou: propagaram a mentira de que a mulher vítima de estupro seria condenada e que teria pena superior a do estuprador (Art. 213 Código Penal – pena de reclusão, de seis a dez anos). Vamos ao fact checking: esta é uma fake news das piores que já vi sendo propagada pela dita “mídia tradicional” ; o art. 128 trata do médico que realiza o procedimento. Logo, o crime da prática do aborto, mesmo em caso de estupro após 22 semanas, não é para a mulher. Quando parlamentares de esquerda e jornalistas de baixo nível trabalharam em propagar essa mentira, a militância foi para as ruas; utilizando-se do termo “Criança não é mãe” , defenderam o assassinato de bebês com a desculpa de que meninas que foram abusadas não estão aptas para serem mães, e que por isso, não são obrigadas a parir um fruto de estupro. Este é um dos pontos que torna o assunto difícil: como ninguém, em sã consciência, defende violência sexual, a maior parte se cala pensando que, neste ponto há uma “certa razão” em ser favorável ao aborto. A esquerda sabe disso é justamente neste ponto em que desdobram o debate, pois querem sensibilizar a opinião pública – já que com argumentos sólidos não obtém êxito. O primeiro estágio é apelar com números – nada concretos, diga-se de passagem. Em minha pesquisa, deparei-me com dados completamente diferentes; por exemplo, em matéria do site Metrópoles , publicada no ano de 2023, “Sem subnotificação, Brasil tem 800 mil estupros ao ano” . Já outra matéria, de 2024, diz que “Uma mulher é estuprada a cada 46 minutos” . Porém, chamo a atenção do leitor para que nunca se guie pelo título de uma matéria, e tomarei esta última citada como exemplo; os dados são oriundos do Atlas da Violência, em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública . Os números da edição deste ano são baseados em registros no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022. Como sempre faço (e oriento aos admiradores do meu trabalho), utilizo sempre de fonte primária, que, no caso, é o documento publicado em PDF com todos os dados. E na descrição da obtenção de dados de violência contra a mulher, diz: “… tendo como objetivo qualificar a discussão sobre violência doméstica e intrafamiliar, incluímos nesta categoria todos os registros cujo PROVÁVEL autor foi identificado como pai, mãe, madrasta, padrasto, cônjuge, ex-cônjuge, namorado(a), ex-namorado(a), filho(a), irmão(ã) ou cuidador(a). Estes totalizam 65,2% de todas as notificações de violência contra vítimas do sexo feminino no ano de 2022.” Ou seja, não utilizaram de DADOS CONCRETOS, MAS PROVÁVEIS. Outro ponto são os dados distintos de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA e VIOLÊNCIA SEXUAL contra a mulher: “Dentre as formas de violência mais frequentemente notificadas no contexto da violência doméstica, a violência física apareceu como prevalente com 36,7% dos casos: 51.407 registros apenas em 2022 (…), violência sexual com 8,9% (12.477 dos casos)” Agora, vamos a própria definição de VIOLÊNCIA SEXUAL descrita no relatório: “…é qualquer ação na qual uma pessoa, valendo-se de sua posição de poder e fazendo uso de força física, coerção, intimidação ou influência psicológica, com uso ou não de armas ou drogas, obriga outra pessoa, de qualquer sexo e idade, a ter, presenciar ou participar de alguma maneira de interações sexuais, ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, com fins de lucro, vingança ou outra intenção. Incluem-se como violência sexual situações de estupro, abuso incestuoso, assédio sexual, sexo forçado no casamento, jogos sexuais e práticas eróticas não consentidas, impostas, pornografia infantil, pedofilia, voyeurismo; manuseio, penetração oral, anal ou genital, com pênis ou objetos, de forma forçada.”. Pergunto: como que dizem que uma mulher é estuprada a cada 46 minutos se o relatório inclui “jogos sexuais e práticas eróticas” , que nem sempre se enquadram em conjunção carnal? Nosso Código Penal, em seu Art. 213, define estupro como: “ Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter CONJUNÇÃO CARNAL ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso” Observação: não estou relativizando o crime, muito menos desprezando a dor da vítima, mas apenas tratando da tipificação para tratarmos do tema principal do artigo, que é o aborto. Um outro fato importante: não foram consideradas as falsas notificações de estupro; inclusive, a autodeclarada agência de checagem “Aos Fatos” afirma que “ Não existem dados oficiais no país que deem conta de subsidiar a afirmação — seja para confirmá-la ou para derrubá-la”. Então, como vimos, os dados são inflados para tocar na emoção da opinião pública, sem uma verificação mais concreta e profunda . Agora, vamos analisar um hipotético fato consumado: uma pré-adolescente de 10, 11, 12, 13 anos foi violentada sexualmente e está grávida; o que dizem os progressistas: “Criança não é mãe, como que uma criança vai dar à luz?” Vamos aos dados? Segundo estudo publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA) , engravidar entre 10 e 13 anos aumenta em 56% o risco de parto prematuro e em 32% o de uma cesárea, em comparação com adolescentes que ficam grávidas entre 14 e 17 anos. O estudo constatou, ainda, que 18,5% das meninas entre 10 e 13 anos desenvolveram pré-eclâmpsia (quadro de pressão alta) na gravidez, contra 16,2% das adolescentes de 14 a 17 anos e 15,7% das jovens de 18 e 19. Ou seja, a faixa de maior risco é dos 10 aos 13 anos, tanto para gestar como para dar à luz. Então, é lógico dizer que uma menina dessa idade está apta para fazer um aborto? Vamos sujeitar esta menina a outra violência? Já viram alguém da ala progressista chegar a esta conclusão? Agora, voltemos ao projeto de lei para tratar de algo importante: a pessoalidade do bebê. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, denominou o PL de “irracionalidade” : “Isso não tem o menor cabimento, não tem a menor lógica, a menor razoabilidade de se punir [a mulher que aborta], a título de homicídio — que se pressupõe matar alguém com vida, gerada após o parto” Ignoremos a irracionalidade de Pacheco no que tange a culpabilizar a mulher, afinal, já expliquei isso; o ponto aqui é que ele trata como homicídio matar apenas quem já foi gestado. Oras, isso não tem cabimento. Francisco Razzo , em sua obra “Contra o Aborto” , explica que “o ser humano é DESDE A CONCEPÇÃO uma pessoa (grifo meu); o autor faz uma análise filosófica e antropológica para dizer que ”por ser uma pessoa, o nascituro deve ter seus direitos protegidos, mesmo quando o desejo de sua mãe é abortá-lo”. Daí boa parte da ala progressista defender a ideia estapafúrdia de que até tantas semanas o que existe é apenas um “amontoado de células” sem importância. Quando não tratamos o embrião/feto/bebê como pessoa desde o início, este pode ser tratado como “coisa” , e algumas “coisas” podem ser eliminadas, não é mesmo? Razzo explica: “Faz toda diferença referir-se à singular vida humana do embrião como alguém ou algo. Se o indivíduo humano por nascer for qualificado como pessoa, a este mesmo indivíduo deverá ser garantido, como é garantido para qualquer outro indivíduo já nascido o direito à vida – como um direito básico e universal –, o respeito moral e a proteção legal contra qualquer ameaça à sua integridade.” Infelizmente, chegamos em um ponto onde estamos pessoalizando coisas e “coisificando” pessoas; onde defender pessoas que ainda não nasceram tornou-se “fundamentalismo religioso”; onde tratar aborto como homicídio é chamado de “irracionalidade” . Está cada vez mais caro para o nosso caráter defender a vida humana; contudo, lutar contra o assassinato de inocentes não tem preço. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N.º 43 - ISSN 2764-3867

  • Ben jor, os alquimistas já chegaram!

    No Brasil, as décadas sob o regime militar (1964-1985) foram marcadas por uma polarização intensa, onde artistas frequentemente utilizavam suas músicas para criticar o governo e suas políticas. Canções como "Apesar de Você" de Chico Buarque e "Cálice" de Chico Buarque e Milton Nascimento, embora consideradas subversivas na época, refletiam uma visão contestadora que se popularizou entre parte da população brasileira. Desde 2014, vivemos um momento de turbulência política, mas, a partir de 2019 a turbulência se tornou particularmente jurídica, onde o judiciário brasileiro tem sido alvo de críticas por suas decisões controversas e algumas vezes monocráticas. O ano de 2019 marcou o início de uma série de atos que, sob o manto dos garantidores do “Estado Democrático de Direito” e da democracia, são interpretados como necessários para garantir a ordem e combater o fascismo (ou o que quer que esta palavra signifique atualmente). Por outro lado, existem aqueles que veem o óbvio ululante: o rei está nu. As canções que outrora criticavam o regime, algumas vezes nos parecem como um rascunho de uma agenda revanchista. Sem perceber, os autores ou intérpretes estavam não apenas falando daquilo que acreditavam, mas quem sabe, prevendo o que posteriormente ocorreria. Teoria da conspiração? Não, apenas estamos usando a imaginação para conseguir lidar com o clima pesado que nos envolve nestes tempos em que o amor não só venceu, mas parece querer esmagar a tudo e a todos. Em 1974, Jorge Ben (ainda sem Jor), lançava seu 11° LP intitulado “A Tábua de Esmeralda”. A canção que abria aquele álbum era “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas”. Aquela canção nos sugere um padrão de comportamento dos “ilustrados” que dão as cartas no jogo político atualmente: “Eles são discretos / E silenciosos / Moram bem longe dos homens / Escolhem com carinho / A hora e o tempo / Do seu precioso trabalho / São pacientes, assíduos / E perseverantes / Executam / Segundo as regras herméticas / Desde a trituração, a fixação / A destilação e a coagulação / (...) / Todos bem iluminados / Evitam qualquer relação / Com pessoas de temperamento sórdido”. Sim, os ilustrados eram discretos e silenciosos, suas ações tantas vezes ocorriam a portas fechadas, mas há que dizer que atualmente nem lutam mais contra o desejo incontido pelos holofotes. Certamente moram bem longe dos homens, qual deles sairia às ruas sem temer a repulsa do populacho ignaro? Como esquecer a fala de um deles, um pouco mais contido, desafiando outro um pouco mais audacioso? “Saia à rua (…), saia à rua”. Quem sabe aquele mais audacioso saísse às ruas, mas à Rua do Salitre, em Lisboa, uma das mais caras daquela cidade. Quem sabe… Certamente têm inegável perseverança, elaborando secretamente as regras herméticas que trituram opositores, destruindo capacidades de ação ou reação, em razão da supremacia de suas posições. São iluminados e, qualquer um que obstrua o sagrado caminho da Democracia, terá a marca da sordidez. Os sórdidos são de antemão perdedores, e na linguagem rasteira… manés. Mas nem só de Jorge viveu a história musical daqueles 21 anos. Em 1968 tivemos o Festival Internacional da Canção e Geraldo Vandré, artista muitas vezes mal compreendido acabou conquistando o segundo lugar daquela disputa. Sua canção “Pra não dizer que não falei das flores” é uma das mais poéticas e menos militantes dentre as que surgiram naqueles 21 anos. Em 2024 não seria difícil ver qualquer coach ensinando “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer”. É quase uma fala de palestra de autoajuda. Geraldo Vandré não errou nem estaria errado atualmente em um quesito: “ Há soldados armados / Amados ou não / Quase todos perdidos / De armas na mão ”. É verdade, há soldados amados e outros nem tanto, mas sem um braço forte e uma mão amiga que os conduza, podem parecer perdidos, sem alma. Mas por outro lado, falharia miseravelmente se mantivesse a visão: “ Nos quartéis lhes ensinam / Uma antiga lição / De morrer pela pátria / E viver sem razão ”. Geraldo, Geraldo… Quanto tempo precisaremos viver para entender que, a defesa de uma ideia cria a necessidade de instalar uma instituição que a represente. A criação de uma instituição obriga à formação de um corpo de servidores, defensores da ideia inicial. Mas em poucos anos, os servidores militarão mais no sentido de preservar suas carreiras e vantagens dentro da instituição, que defender a ideia inicial inspiradora da instituição. E assim a ideia se perde na burocracia e nos interesses pessoais. Nas instituições tacitamente é ensinado que defender a carreira, os títulos, as honrarias é o Monte Castelo a ser conquistado, ainda que publicamente a honrada ideia de morrer pela pátria permaneça encimando muitos portais. Francisco Buarque de Holanda, o Chico, letrista renomado marcou época. Aqueceu o coração de muitas jovens militantes com seu cantar desafinado em suas letras bem elaboradas. Um bom exemplo é a canção “ Apesar de Você ”, lançada em 1970 e que tem um lugar especial na lista de obras de “resistência” pela atualidade de sua mensagem. “Hoje você é quem manda / Falou, tá falado / Não tem discussão, não / A minha gente hoje anda falando de lado / E olhando pro chão, viu / Você que inventou esse estado / E inventou de inventar / Toda a escuridão (...)”. Chico, eu não ousaria dizer quem é “ Você ”, penso que já abusei demais do risco, mas ninguém duvida que em 2024 “ Você ” é quem manda e falou... tá falado. Discutir pode levar à visita matinal de uma bela Blazer preta. Em razão disso minha gente também fala de lado e olha para o chão. Chico, “Você” inventou esse estado de coisas e sim, até o horizonte está bem escuro. Chico, às vezes fico me perguntando: será revanchismo? Será que o seu grupo, aquele dos anos 60, será que querem pagar na mesma moeda? Se for, em que vocês seriam melhores que os seus antigos algozes? Estou exagerando Chico? Leia o que você cantou... “(...) Quando chegar o momento, esse meu sofrimento / Vou cobrar com juros, juro / Todo esse amor reprimido, esse grito contido / Este samba no escuro / Você que inventou a tristeza / Ora, tenha a fineza de desinventar / Você vai pagar e é dobrado / Cada lágrima rolada nesse meu penar (...)”. Não apenas dobrado, esses juros sobre juros estão tornando a suposta dívida impagável. Neste olho por olho, qualquer dia seremos um país de cegos. Ou já somos, Chico. Seguindo na linha produtiva de Chico, a canção chamada “ Meu Caro Amigo ”, última faixa do lado B do LP “Meus Caros Amigos” de 1976 é no mínimo interessante. Nela Chico cantava para seu amigo Augusto Boal em tom de confidência o seguinte: “(…) Muita mutreta pra levar a situação / Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça / Que a gente vai tomando e também sem a cachaça / Ninguém segura esse rojão (…)”. E que situação Chico! São muitas mutretas atualmente! Só desculpe não poder te oferecer a cachaça, porque com o aumento do imposto sobre bebidas alcoólicas ficará difícil, mas creio que em Paris você não encontrará dificuldades em degustar, não é mesmo? Agora no quesito teimosia, continuamos os mesmos, teimamos em ser livres, mas não por pirraça, mas por direito natural. Ainda outra vez Chico Buarque, agora em parceria com Milton Nascimento, o Bituca, lançou também em 1978 uma das mais impactantes mensagens contra a censura, a canção “ Cálice ”. Um trocadilho com a ordem, cale-se , vinculando ao cálice amargo que Nosso Senhor Jesus pediu que passasse Dele. Uma mensagem direta e forte, sem dúvida. “De muito gorda, a porca já não anda (cálice) / De muito usada, a faca já não corta / Como é difícil, (Pai) Pai, abrir a porta (cálice) / Essa palavra presa na gargantaEsse pileque homérico no mundo / De que adianta ter boa vontade? / Mesmo calado o peito, resta a cuca / Dos bêbados do centro da cidade”. Mas Chico, a porca é ainda mais gorda em 2024. Me refiro ao Estado brasileiro, que imenso como a porca de sua canção, é inerte. E pervertendo a ordem natural das coisas, suga de seus leitões o divino leite que lhes manteria fortes, saudáveis e autônomos. A faca (ou espada) da justiça também é cega, posto que não corta seus privilégios nem daqueles que a ela aderem. Realmente, é quase impossível abrir as portas da burocracia, imagine então a porta da sala de totalização dos desejos dos brasileiros. Chico, nosso mundo parece ter acordado de um pileque homérico, daqueles! A dor de cabeça, o mal-estar, a sensação de ter cometido o mesmo erro pela terceira vez. O clima é tão ruim que muitos se perguntam se vale a pena insistir em ter boa vontade. Mas mesmo calada a voz, resta o patriotismo na Paulista e em Copacabana. Parar? Só depois do coração. Em 1976 o Brasil também vibrava com a voz forte e a emoção rasgada de Elis Regina. Ah, a nossa Pimentinha! Naquele ano, Elis lançava o LP “ Falso Brilhante ” e dando voz a Belchior ela interpretava de modo inigualável a canção “ Como os Nossos Pais ”: “(...) Hoje eu sei que quem me deu a ideia / De uma nova consciência e juventude / Tá em casa guardado por Deus / Contando o vil metal / Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos / Nós ainda somos os mesmos e vivemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Como os nossos pais (...)”. Ah Elis, se você soubesse quanto desse vil metal pode caber em algumas malas de um apartamento em Salvador. Ah se você tivesse visto quanto dinheiro um simples “ Lava-Jato ” poderia trazer de volta ao nosso país, tua dor teria sido incalculável. Maior até que aquela que você experimentaria ao ver seus contemporâneos usufruindo as benesses do capitalismo e as belezas da Europa, em seus apartamentos em Paris. Entretanto, discordo de você em relação a viver como os nossos pais. Eles viviam menos e melhor que nós, num mundo cheio de injustiças e contradições é verdade, mas onde Deus, a pátria e a família eram a base e sustentação dos sonhos daquela geração. Mas Elis, Deus continua guardando a todos, até que venha o dia de Sua Justiça, não se preocupe. Já em 1979 no LP “ Essa Mulher ”, interpretando a obra de João Bosco e Aldir Blanc “O Bêbado e o Equilibrista”, Elis cantava com inspiração: “(…) Que sonha com a volta do irmão do Henfil / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete / Chora a nossa pátria, mãe gentil / Choram Marias e Clarisses / No solo do Brasil / Mas sei que uma dor assim pungente / Não há de ser inutilmente / A esperança dança / Na corda bamba de sombrinha / E em cada passo dessa linha / Pode se machucar / Azar, a esperança equilibrista / Sabe que o show de todo artista / Tem que continuar (…)”. É verdade Elis, continuamos sonhando, não mais com a volta do “ Betinho ”, mas com a volta do Allan dos Santos, do Paulo Figueiredo, do Rodrigo Constantino entre outros. Nossa Pátria Mãe Gentil continua chorando por seus filhos, não apenas pelas Marias e Clarisses, mas pelos Clezões e Eustáquios também. A dor é verdadeiramente pungente, mas como você estava certa, a esperança ainda se equilibra e segue adiante afinal, o show brasileiro da vida real nunca para e desistir não é uma opção. Este texto é dedicado a todos os artistas militantes, de antes e de agora. Flautistas de Hamelin que tocam, cantam e encantam as multidões. De onde vêm as trinta moedas que vocês recebem por pagamento? Eis a questão final, conduzem por quem? Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania  Vol. III N. 43 – ISSN 2764-3867

  • A chancela da verdade

    A maioria das pessoas prefere os afagos de uma doce mentira, vestida de verdade, a uma verdade nua que a desagrade. “Conta uma parábola de origem judaica que a Mentira e a Verdade, em um dia de sol, saíram a caminhar no campo. E resolveram banhar-se nas águas de um rio que se apresentava muito convidativo. Cada uma tirou a sua roupa e caíram na água. Mas, a um dado momento a Mentira aproveitou-se da distração da Verdade, saiu da água e vestiu as roupas da Verdade. Quando esta saiu da água, negou-se a usar as vestes da Mentira. Saiu nua a perseguir a Mentira. As pessoas que as viam passar acolhiam a Mentira com as vestes da Verdade, mas proferiam impropérios e condenações contra a atitude despudorada da Verdade”. A parábola nos ensina que aquele que pretende enganar, em regra, se vale de um ardil para se passar por propagador da verdade, tão somente se fantasiando de verdadeiro. Entre a doce mentira e a árdua verdade, é evidente que a primeira receberá maior acolhimento, de maneira que, para enganar é necessário se fazer de bondoso, promovendo o conforto quando se faz necessário o confronto. Ao mentiroso são necessário quatro passos iniciais, fazer com que a mentira sirva ao seu propósito, torná-la crível, dar-lhe uma aparência atrativa e se desvencilhar seus efeitos colaterais. Evidente que não faz muito sentido uma desinformação que não tem o condão de obter algo para aquele que a propaga, entretanto, tal objetivo pode ser demasiadamente obscuro, não sendo contatado em razão de uma análise superficial. O fim de uma mentira não precisa ser o seu resultado natural, podendo ser a consequência de múltiplos desdobramentos que, orquestrados ou não, levaram ao resultado pretendido. Podemos observar a título de ilustração aquilo que chamamos de novilíngua, termo cunhado por George Orwell em sua obra 1984, em que as palavras passavam por um processo de ressignificação para melhor atenderem a narrativa oficial, dificultado a comunicação em si. Ao alterar, de forma artificial, a linguagem, em especial, deturpando sua etimologia, torna-se impossível manter a comunicação natural permitindo que a história seja rearrumada conforme os anseios dos que controlam a novilíngua. Importante observar que, não somente a história é afetada por tal deformação, outras tantas áreas podem sofrer tais ataques. A deturpação de termos não servem apenas para dar-lhes nova interpretação, mas para reorganizar as estruturas de uma sociedade, como por exemplo, o termo fascista, atualmente utilizado em sentido contrário ao original, é atribuído a indivíduos que defendem um Estado de menor alcance e liberdades individuas, de maneira que é possível rotular como herdeiros de tal nefasto regime indivíduos que se comportam e propagam ideias totalmente avessas ao fascismo em sua forma real. Tal corrupção do léxico não se presta a uma ofensa barata, mas à justificativa de ações violentas, movidas por um ódio legítimo a um regime que outrora espalhou a desgraça, todavia, os destinatários de tal ação violenta, são justamente indivíduos que nutrem ojeriza por regimes totalitários. Ao rotular indivíduos que não comungam de sua patologia como partidários de ideologias que todos consideram nefastas, os revolucionários buscam desumanizar tais indivíduos tão somente por não se curvarem a sua intenta doentia, uma vez que, colam eu seus opositores títulos como nazistas, fascistas, racistas, genocidas e outros tantos que puderem tirar de sua cartola esquizofrênica, revestem de legítimos os ataques que pretendem perpetrar, justificando, até mesmo que se afastem direitos fundamentais dos que rotularam como desalmados. O grupo Black Lives Matters se permite pregar a agressão contra brancos como uma espécie de revide histórico às mazelas outrora impostas aos negros, entretanto, os revolucionários insistem em negar a participação dos líderes africanos no comércio de escravos, atribuindo a culpa de forma ampla aos herdeiros dos brancos. Tal proceder não se reveste apenas da defesa dos negros, mas da criminalização de brancos, uma vez que, os açoites têm como alvos pessoas que não viveram naquela época, que não defendem a escravidão ou a segregação racial, bem como, sequer guardam relações com os escravocratas ou racistas de outras épocas. Não fosse o suficientemente doentio responsabilizar descendentes distantes por gerações por atos de seus antepassados, imputam a responsabilidade do passado a todos os brancos, mesmo sem quaisquer relações hereditárias com os escravagistas ou racistas ao passo que ignoram a atuação dos antigos líderes africanos. O grupo em questão, partidário da segregação racial como instrumento de cooptação de seguidores e ascensão ao poder, vê suas lideranças enriquecendo à custa de um acirramento artificialmente forçado entre cidadãos de uma mesma comunidade, com base em questões raciais e narrativas engenhosamente maquiadas para que sirvam aos interesses do grupo. Importante tratar do caso George Floyd, no qual, a morte, cuja autoria foi atribuída aos policiais, teve sua causa apontada como uma questão racial sem uma análise aprofundada do evento, uma vez que a abordagem decorrera de um relato e não da mera suspeita. A morte apenas servia a narrativa de um negro sendo assassinado por policiais brancos, logo, o ativismo racial classificou como uma ação racista, lançando o BLM, grupo da futura ricaça Patrisse Khan-Cullors, ao estrelato da militância revolucionária. Independentemente se um indivíduos considera que a morte de George Floyd ocorrera por questões raciais, cabe uma investigação mais aprofundada, entretanto, a turba feroz, saíra às ruas, disposta a vandalizar patrimônio público e privado tão somente com base em uma suposta motivação do crime. Direitos fundamentais como o devido processo legal também não são reservados aos seres desumanizados que ousam desafiar a horda revolucionária e, principalmente, seu senhores, por isso, é necessário que a mentira seja acolhida por grande parte da sociedade, para tanto, será repetida como um mantra até que adira a mente dos mais incautos. O propagador da mentira precisa da aderência de grande parte do grupo, para que o conduza pelos caminhos que pretende, por isso, o objetivo final da desinformação pode ser tão oculto como o arregimentar uma turba, na maioria das vezes bestializada, para cumprir os anseios dos senhores da revolução, como o clássico exemplo dos autointitulados antifascistas, que sequer sabem o que é o fascismo real e aderem ao discurso do fascismo inserido pela novilíngua, atacando como cães adestrados qualquer um que seus donos apontem como alvo. A bandeira antifascista é apenas a marca de propriedade afixada ao vassalo por sua iniciativa como símbolo de submissão e pertencimento a um grupo. O propósito da mentira não será alcançado se está não for crível aos olhos de grande parte de seus destinatários, para tanto, é necessário, como na parábola, vesti-la como verdade, para que pareça convincente, ou, nos casos em que mesmo as vestes não consigam encobrir a natureza da mentira, a desinformação deverá convencer por outros meios, seja um aspecto agradável, oferecendo aquilo que o receptor deseja, ou pela promessa de acolhimento, fazendo com que o destinatário a aceite por acreditar que sua oposição acarretará o ostracismo. Se a mentira pode se apresentar como verdadeira, qualquer um que não se aprofunde em uma pesquisa ou não receba uma outra versão, considerará a narrativa como relato fidedigno aos fatos, é aquilo que se chama de verossimilhança, parece a versão mais real e sua descrição é crível, logo, o receptor tende a acreditar. Se um grande meio de comunicação divulga algo e nenhum outro meio apresenta outra versão, naturalmente o espectador assume como verdadeira a narrativa, sendo quase impossível que a mentira seja desnuda. Caso o destinatário perceba algo gritante no cerne da narrativa, que o faça duvidar e uma informação, em regra, questionará a mensagem e buscará outras fontes, tal hipótese levará a busca incessante pela destruição de outros meios de comunicação, impondo assim um monopólio da informação. A luta da mídia mainstream contra a informação descentralizada, nada mais é que a busca por tal monopólio, garantindo assim que a mentira não seja confrontada por outras fontes. Durante a pandemia dos últimos anos, diversos termos foram censurados no âmbito das redes sociais, impedindo que algumas informações se disseminassem ou reduzindo-lhes o alcance, bem como, a mídia mainstream, ao menos a nacional deixou isso claro, se uniu em um verdadeiro cartel de informação, ou talvez de desinformação, autodenominado como consórcio de imprensa, que permitia que as grandes redes pudessem atuar como uma única fonte e informação, nitidamente coordenada para decidir quais as notícias poderiam ou não ser veiculadas. Evidente que, para um bom observador, as verdades não precisam ser combinadas, uma vez que a notícia apenas traria os fatos à tona, entretanto, a desinformação, por se tratar de resultado da inventividade humana, precisa ser ensaiada e suas arestas, quando possível, aparadas. Não há como deixar e suspeitar de uma associação de meios de comunicação para que pudessem tratar de um determinado assunto, soando-se a atuação censora das plataformas e de órgão governamentais. A credibilidade o emissor é igualmente importante, sendo indispensável que o destinatário acredite que a fonte de informação goza de seriedade e não nutre um desejo oculta acerca da notícia ora veiculada, o posicionamento velado, portanto dissimulado, dos comunicadores, inevitavelmente, resultam em perda de confiança quando desmascarados. Para ilustrar, uma mídia claramente enviesada goza de maior credibilidade em se comparando àquelas que se declaram, via de regra falsamente, como fontes isentas de informação, justamente, pelo fato de incutir em sua mensagem aquilo que pretendem promover. Os meios de mídia que se declaram como imparciais quase sempre estão mentindo descaradamente, vestindo-se com as roupas da verdade, uma vez que, a realidade é, de fato, imparcial, pois é maior que os desejos humanos e não se curvará aos interesses políticos ou ideológicos de qualquer que seja o grupo. A parcialidade declarada, por outro lado, rotula o meio de comunicação como partidário, afastando quem busque a informação menos enviesada, entretanto, sendo do conhecimento do receptor a inclinação do emissor. Desprovido de credibilidade institucional, resultado naturalístico das constantes deturpações e da exposição de suas mentiras por terceiros, o propagador da desinformação tentará alicercear sua narrativa em outras bases de legitimidade, tal como, estatísticas e teorias com a chancela de autoridade, portanto, precisará apresentar dados que podem ser corrompidos na origem ou distorcidos pelo próprio agente interlocutor. As estatísticas se prestam como fontes aos argumentos, seja em um debate, em uma notícia ou para sustentar uma tese, entretanto, quando o objetivo é a desinformação, só serão válidas aquelas que sirvam para embasar a mentira, de tal forma que os dados que indiquem o contrário serão suprimidos ou corrompidos, por vezes, o levantamento direciona o resultado, criando uma estatística falsa cuja única serventia é balizar a desinformação que se seguirá. Recentemente foi exposto que alguns grupos, que supostamente trabalham com levantamento de dados estatísticos, são sectos ideológicos intimamente ligados a um espectro político. Recentemente, após sugerir que uma apresentadora da maior rede de comunicação do Brasil corrompera uma pesquisa do grupo que integrava, uma pesquisadora foi “demitida” de tal grupo, o que a fez relatar a existência de uma organização que coordena a ação de influenciadores, que talvez possa atuar junta à mídia mainstream. Os pontos mais importantes que devemos avaliar é que o grupo de pesquisa que desligou tal integrante é parte da Universidade de São Paulo, instituição de ensino pública, mas que, assim como a maioria, parece ter clara inclinação política, por mais que não assuma tal postura, de maneira que, em tese, quaisquer estatísticas ou estudos oriundos daquela instituição de ensino devem ser encaradas como tendenciosas. Nota-se que o termo tendenciosas é justamente compreender que tais pesquisas, em sua maioria, devem ser, em regra, descartadas, posto que, uma vez que se sabe a inclinação de determinado emissor, podemos considerar que suas informações tendem a confirmar sua visão, infelizmente, o campo acadêmico se curvou à ideologia e tal prática é cada vez mais comum. A denúncia, se confirmada, aponta a mídia mainstream distorceu fatos, que ao ser desmentida atacou a pesquisadora para extirpá-la do grupo que serve como fornecedor de estatísticas, nada confiáveis, enquanto um parceiro do baixo clero, mais exaltado, a rotulou como pertencente ao espectro político oposto, o que, data máxima vênia, trata-se de mais uma mentira. Em síntese, a estatística feita sob encomenda deveria ser descartada, bem como, a opinião de pseudocientistas que servem a agenda política e atuam como criadores de teorias que dão verniz de conclusões científicas aos devaneios ideológicos revolucionários. A luta pelo controle da informação passa por calar as vozes dissonantes, fazendo com que a opinião de um grupo, no geral a mídia mainstream e alguns satélites, possam incutir sua mensagem na mente dos indivíduos sem o risco de serem desmentidos, autoproclamando-se como opinião pública, termo doentio que subtrai a opinião sobre um tema da sociedade para transferir a uma elite das comunicações. Tal pensamento, que sequer deveria ter existido, com o advento das redes sociais restou superado, exceto pelo grupo que outrora controlava a informação e luta para se manter relevante, afinal, quando se diz que um canal de mídia faliu, em regra, não se trata da derrocada financeira de tal instituição, mas na perda substância do seu poder de convencimento, uma vez que, subtrair a expressão da sociedade e utilizá-la de forma mercantil, inclusive em relação ao Estado, é o que faz um agente de comunicação grande, o ostracismo é a maior punição para quem vive da informação, ou mesmo, da desinformação. Como ignorar o caso do “Grande Henrique”, um suposto entrevistado aleatório que se tornou uma figura mais que presente em transmissões ao vivo do maior canal de mídia brasileiro, uma atitude, a princípio patética de um grupo que, na ânsia por maquiar a mentira, criou um falso entrevistado para que sua matéria não confrontasse a realidade. O caso Henrique, em si, deveria ser o suficiente para joar em uma vala fétida a falsa credibilidade do grupo de comunicações, todavia, o que sustenta tal veículo é que o menor alcance da informação daqueles que identificaram a mentira e se dispuseram a expô-la. Evidente que a grande mídia, incapaz de reconhecer publicamente seus erros ou má-fé, poderá transferir a Henrique a responsabilidade por suas repetidas entrevistas, alegando que os encontros ente o entrevistado e a emissora, nada aleatórios, eram engenhosamente direcionados por Henrique, assumindo a premissa que se apresentava ao entrevistador que não sabia que a figura repetida estava a sua frente. Estranhamente, o Grande Henrique nunca contradisse a proposta inicial da matéria, sendo certo que seu esforço seria infrutífero e a própria emissora deveria o identificar. O controle das redes sociais, que na verdade deve ser tratado como centralização da informação, pois o único objetivo é suprimir e sufocar a informação descentralizada, mantendo a comunicação sob o controle de um grupo central, é essencial para que a mídia mainstream sobreviva, pois suas narrativas não serão desmentidas por quem quer que seja, uma vez que, o aparato estatal funcionará para reprimir aquele que se dispõe a contrapor os argumentos do cartel da informação. Os revolucionários precisam calar que traga uma alternativa a sua narrativa relativista, portanto mentirosa, de mundo como podemos ver em uma flagrante confissão. “Sectários da direita estão saindo, sem qualquer constrangimento, do silêncio conveniente de algum tempo atrás, para a efervescência de suas manifestações contra os avanços sociais e, por consequência, tentando corroer as conquistas democráticas. Percebe-se o uso de uma retórica virulenta e incendiária com o propósito de demonizar tudo o que possa ser considerado como ideia de esquerda. O objetivo é inflamar consciências, especialmente dos que não se dão ao trabalho de pensar por si próprios, buscando ampliar a conquista de espaços eleitorais”. Nota-se que o tão desejado “silêncio conveniente”, nada mais é que a submissão das pessoas que o autor observa como partidários do espectro político à direita, que, na concepção do referido articulista, gozam tão somente do direito ao silêncio, talvez pelo bem da democracia. Em sua clara visão autoritária, prega que um número indiscriminado de indivíduos se prostrem perante os revolucionários e mantenham o silêncio, deixando de propagar suas ideias, em nome dos ideais republicanos, do progresso e das conquistas que o autor alega serem frutos da ação de seu espectro ideológico. A falta de credibilidade da mídia mainstream não resulta da ação daqueles que a confrontam, mas de sua própria atuação, uma vez que, ao inserir cada vez mais narrativas fantasiosas que são derrubadas quando outras versões são expostas, a mentira acaba por ser despida e a roupa da verdade não mais a cobre, assim, resta atacar quem pode se opor a sua propagação de desinformação. Far-se-á necessário o emprego da força, portanto, o Ministério da Verdade utilizar-se-á de meios coercitivos para intimidar, calar e, até mesmo, açoitar que quer que ouse desafiá-lo, momento em que o poder entra em campo através do Estado. O Ministério da Verdade, que inicialmente era composto pela mídia mainstream e a academia, através da comunicação, passa a atacar as pessoas que considera como obstáculo, desumanizando-as por meio da constante difamação, a chamada política do cancelamento e a rotulação dos títulos mais abjetos, justificando assim que direitos fundamentais, como o devido processo legal, sejam retirados de tais indivíduos, enquanto o meio acadêmico se encarrega de arregimentar mais súditos e elevá-los às posições em que possam servir aos senhores da revolução, enxertando as casas legislativas, os órgão jurisdicionais e de fiscalização de leais seguidores dos mestres revolucionários que fazem com que a máquina punitivista se preocupe mais em reprimir vozes dissonantes aos crimes mais atrozes. Cabe ressaltar que a mente revolucionária só considera como crimes graves pensar e propagar ideias contrárias à revolução, haja vista que, sua única meta é o poder pelo poder. Admitindo que a pena capital seja aplicada aos que discordem de sua utopia, em que pese, considere tal sanção descabida até nos casos de crimes hediondos, admitindo que nenhuma infração importa tanto quanto desafiar sua mente transloucada, todavia, parece comum que autoridades, incluindo o campo das ciências jurídicas assimilem tais premissas como verdadeiras, considerando normal a aplicação de penas maiores aos desafetos que aos maiores algozes da sociedade. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. III N. 42 – ISSN 2764-3867

  • O Aborto no Brasil

    Um debate em evolução Ao longo dos anos, os defensores da legalização do aborto no Brasil enfrentaram obstáculos no Legislativo, levando-os a mudar sua estratégia, concentrando-se agora no STF. O ano de 2023 se tornou crucial para o avanço dessa causa através do ativismo judicial. O histórico inclui o controverso Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009, que pretendia, entre outras coisas, legalizar o aborto. A Igreja Católica e a sociedade civil se opuseram fortemente, resultando em algumas alterações no documento, mas o compromisso de apoiar o aborto permaneceu nas entrelinhas. Dilma Rousseff, sucessora de Lula, oscilou entre posições públicas contrárias e ações nos bastidores a favor do aborto. Em 2013, foi aprovada a Lei 12.845/2013, conhecida como “Lei Cavalo de Tróia”, que sutilmente facilitava a prática do aborto. No Congresso Nacional, vários projetos de lei foram apresentados para estabelecer um “aborto duto”, um canal de financiamento internacional para a prática de abortos no Brasil, como o PL 7.371/2014, proposto pelo senador Paulo Paim, que buscava criar um “Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres”, que poderia financiar abortos pelo SUS. Atualmente, o ativismo judicial pró-aborto se concentra na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n.º 442, proposta pelo PSOL em 2017, que busca a descriminalização do aborto nos primeiros três meses de gestação. O STF, sob a relatoria da ministra Rosa Weber, enfrenta tensões e pressões políticas em relação a esse assunto. Outros projetos semelhantes foram apresentados para explorar oportunidades durante a pandemia de COVID-19. Apesar desses desafios, o direito natural continua a proteger a vida da criança por nascer, e o aborto não é a solução para problemas complexos enfrentados pelas mulheres. Para compreender essa questão, é fundamental examinar as perspectivas filosóficas subjacentes ao direito e à moral. O homicídio é proibido, e isso levanta uma questão fundamental: por quê? A resposta imediata pode ser encontrada na Constituição, que assegura a “inviolabilidade do direito à vida”, ou no Código Penal, que enumera o homicídio como um dos crimes contra a vida. Mas e se não houvesse leis escritas proibindo o homicídio? Isso significaria que as pessoas estariam livres para tirar a vida umas das outras? De acordo com a doutrina do positivismo jurídico, a resposta seria afirmativa. Segundo essa teoria, o direito não está ligado a valores intrínsecos à natureza humana, mas sim à vontade do Estado em promulgar leis e impor seu cumprimento pela força. Um dos defensores mais proeminentes desse ponto de vista foi o jurista austríaco Hans Kelsen (1881-1973). Kelsen defendia a chamada “teoria pura do direito”, que sustentava que não existem valores absolutos reconhecíveis pela razão humana. Em suas palavras, “não haverá esperança para a causa democrática se partirmos da ideia de que é possível o conhecimento da verdade absoluta, a compreensão de valores absolutos.” Para ele, o direito era puramente positivo, não estando ligado a valores morais intrínsecos. No entanto, Kelsen se enredou em uma contradição evidente ao reconhecer como absolutos conceitos como tolerância, direitos das minorias, liberdade de expressão e liberdade de pensamento. Ao afirmar que “a verdade é relativa”, ele estava, de certa forma, tratando essa afirmação como absoluta. No contexto do aborto, o direito natural desempenha um papel crucial. Para o direito natural, o direito à vida é anterior a qualquer norma escrita. O legislador positivo pode determinar as penas para o homicídio, mas não pode criar ou destruir o direito à vida. Portanto, a proibição do aborto diretamente provocado encontra seu fundamento no direito natural, que protege a vida da criança por nascer. Verdades sobre o Aborto que não São Divulgadas Passar por um aborto espontâneo não é fácil; é algo sofrido e doloroso. Fisicamente, causa dor e frustração, o que justifica a existência de licenças de quinze dias para esses casos no Brasil, e em algumas situações, intervenção cirúrgica pode ser necessária. Considerando essa experiência dolorosa do aborto espontâneo, podemos apenas imaginar a angústia de passar por um aborto voluntário. Existem muitos métodos de aborto, e mesmo que tentem argumentar que seja seguro e uma questão de saúde pública, apenas quem já passou por isso sabe que não é simples nem tranquilo. Não estamos entrando no mérito do que motiva uma mulher a fazer essa escolha, mas sim afirmando, com base em experiências pessoais, que mesmo quando o aborto é involuntário, ele é uma experiência desgastante para a mulher. Não existe aborto indolor. Todo aborto é dolorido para a mãe e o feto. Mito ou verdade? Mulheres que abortam têm mais chances de ter problema mental? Verdade! Mulheres que fazem abortos têm quase o dobro de risco de desenvolver problemas mentais em comparação com as demais pessoas, segundo estudo. A pesquisa descobriu que o aborto afeta a saúde mental e pode causar ansiedade, depressão, alcoolismo, abuso de drogas e suicídio. As informações são do Daily Mail. O estudo foi baseado em uma análise de 22 projetos separados que avaliaram as experiências de 877 mil mulheres, das quais 163,831 tinham abortado. Os resultados apontaram que mulheres que se submeteram ao aborto tiveram um risco 81% maior de problemas de saúde mental e quase 10% das doenças mentais mostraram ligação direta com o ato. A pesquisa concluiu que o aborto estava relacionado a 34% de aumento de chances de transtornos de ansiedade, 37% de depressão, 110% de aumento de risco do abuso do álcool, 220% do uso de maconha e 155% mais chances de suicídio. Fonte:https://www.terra.com.br/amp/vida-e-estilo/saude/mulheres-que-abortam-tem-mais-chances-de-ter-problema-mental,9c098c3d10f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html Aborto induzido aumenta risco de câncer de mama? Verdade! A revista científica Cancer Causes and Control traz em sua edição de fevereiro uma pesquisa da Universidade Médica de Tianjin, na China, que comprova a associação entre aborto induzido e câncer de mama. O estudo dos pesquisadores chineses concluiu que mulheres que já fizeram um aborto têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. O risco cresce conforme o número de abortos realizados. Mulheres que fizeram dois abortos têm 76% mais chances de desenvolver a doença, e aquelas que já haviam realizado três abortos estavam 89% mais vulneráveis. Os dados foram coletados em 14 províncias do país. Chama a atenção o fato da pesquisa ter sido produzida na China, um país onde 8,2 milhões de mulheres abortam todos os anos, e onde a prática é usada para controle de natalidade. Essa parece ser a situação adequada para usar o mantra pro-choice de que “aborto é questão de saúde pública”. Os chineses mostraram que quanto menos abortos, mais saúde para a mulher. Em março de 2013, uma pesquisa indiana havia chego a resultados semelhantes, mas apontando números ainda mais pessimistas. O estudo afirmava que mulheres que já fizeram aborto induzido ficam até seis vezes (600%) mais vulneráveis ao câncer de mama. Fonte:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/blog-da-vida/aborto-induzido-aumenta-risco-de-cancer-de-mama/amp/ Abortos provocados podem interferir na fertilidade? Verdade! O aborto provocado por aspiração e curetagem mal feitas pode, sim, provocar obstruções das trompas ou gerar aderências decorrentes de processos inflamatórios. Ambas atrapalham a fertilidade. Fonte:https://hospitalsiriolibanes.org.br/blog/acontecenosiriolibanes/conheca-os-mitos-e-verdades-sobre-fertilizacao O feto sente dor? Verdade! A notocorda em desenvolvimento induz a formação da placa neural. No dia 18 há invaginação da placa neural formando um sulco neural mediano, com as pregas neurais de ambos lados (proeminentes na região cefálica). Surgem os primeiros sinais de desenvolvimento do encéfalo. No fim da terceira semana há aproximação das pregas que começam a se fundir. A formação do tubo neural começa no início da 4º semana (dias 22 a 23) e termina no final da 4º semana, quando ocorre o fechamento do neuróporo caudal (posterior). O tubo neural se fecha primeiramente na região medial do embrião. Fonte: https://professor.ufrgs.br/simonemarcuzzo/files/embriologia_do_sistema_nervoso.pdf&ved=2ahUKEwjqpNa-zruBAxXlupUCHcu9A6IQFnoECA8QBg&usg=AOvVaw2bD-qooK2P1GoOnRvFKMeG Para ser franco, os defensores do aborto parecem não se preocupar genuinamente com questões de saúde pública, violência sexual infantil ou o sofrimento das mulheres. Suas preocupações com as sequelas emocionais são questionáveis, e sua dedicação ao bem-estar da mulher é duvidosa. Argumentar que proibir o aborto não impedirá que ele aconteça é um argumento frágil. Se essa lógica fosse consistente, eles não se oporiam à liberação do uso de armas. O Estado muitas vezes se mostra fraco e omisso, a segurança pública não é eficaz, e o aborto não representa uma solução para a violência sexual. Induzir uma mulher a enfrentar outra forma de violência após ter sofrido abuso é extremamente cruel. Na verdade, o que esses grupos parecem desejar é seguir suas próprias regras sem considerar o bem-estar dos outros, brincando irresponsavelmente com a vida de seres humanos. Infelizmente, a repetição frequente de mentiras pode fazer com que algumas pessoas, mesmo bem-intencionadas, se deixem enganar por esses argumentos vazios. É importante entender que uma gravidez indesejada não se encerra simplesmente em uma clínica de aborto; ela deixa marcas para toda a vida da mulher. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. II N.º 34 - ISSN 2764-3867

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