Minha skin antifeminista
- Danielly Jesus

- 17 de dez. de 2025
- 6 min de leitura

Recentemente me envolvi em uma pequena discussão na internet. E antes que o leitor tome a inciativa em me julgar, em minha defesa, somente fiz um pequeno comentário em uma postagem.
Tudo começou quando me deparei com uma imagem que fora publicada em 17 de janeiro de 1904, no jornal “A Cidade de Ytu”. Era uma pequena lista de bons costumes para as mulheres:
“A mulher
Para uma mulher ter merecimento real precisa aprender:
-a coser
-a cozinhar
-a ser amável
-a ser obediente
-a ter livros úteis
-a levantar-se cedo
-a fugir da ociosidade
-a guardar um segredo
-a evitar as bisbilhotices
-a ser graciosa e alegre
-a dominar o seu gênio
-a ser a alegria da casa
-a cuidar bem dos filhos
-a convencer pela meiguice
-a não falar antes do tempo
-a ser a poesia e a flor do lar
-a não ser demasiada ciumenta
-a não andar sempre pelas lojas
-a tratar de tornar-se agradável
-a ter uma grande bondade de coração
-a não jogar no bicho”
Esta pequena lista foi o motivo da discórdia. Mas o pior ainda estava por vir.
Ao ler esta lista, percebi o quanto que nós, mulheres, perdemos ao longo dos anos: delicadeza, leveza, e até mesmo credibilidade. E o culpado é o maldito feminismo.
Eis meu comentário:
“Amei a lista. Pena que a maioria das mulheres foi contaminada pelo feminismo”.
O leitor deve imaginar as inúmeras mensagens de “amor” que recebi:
“É isso aí, crentelha do suvaco peludo”
“ha menina, vai dormir teu sono” (Sim, está escrito errado mesmo)
“de que oco de mundo tu saiu mulher”
“É o dinossauro militando a favor do meteoro”
“eu até espumei pela boca”
“coitada de vc”
“ah vai tomar no seu c#”
Foram feitos outros comentários, por exemplo, sobre a questão do sufrágio feminino. Infelizmente, o limite de caracteres na rede social me impede de dissertar com mais profundidade sobre o assunto.
Contudo, de todas estas “declarações de amor” vindas de mulheres (sim, “sororidade” não existe), a que mais me chamou a atenção foi feita por uma psicóloga:
“Com essa skin e é feminista?”
Nunca me considerei uma mulher bonita. Inclusive, no auge dos perfis anônimos do Twitter, pensei em mudar minhas redes para “Feia da Direita”. Desde a época da escola fui rechaçada por isso.
Porém, ainda na adolescência, eu entendi algo que está na Bíblia:
“Enganosa é a beleza e vã a formosura…” (Provérbios 31.30)
A beleza é importante, mas passa. Ela abre portas, mas não solidifica. Ela desperta interesse à primeira vista, mas não se mantém para sempre. Todavia, o que eu aprendo, o que absorvo, o que guardo, o que traz conhecimento, isso ninguém pode me roubar.
Recordo-me que, no início da minha adolescência, enquanto meus colegas se interessavam por Harry Potter, eu lia Machado de Assis e Miguel de Cevantes; enquanto eles frequentavam a “Domingueira” (uma espécie de baile que acontecia no Olaria Atlético Clube), eu ia à igreja. Enquanto eles ouviam funk, eu iniciava minha coleção de LPs, a começar por Michael Jackson.
Seria um erro dizer que isso não me tornava melhor do que eles, pois as melhores notas eram as minhas. Então, de certa forma, tudo o que eu fazia me tornava melhor, sim, embora não uma pessoa arrogante.
Meu pai foi a maior referência de homem na vida. Cavalheiro, sempre nos colocou no canto da calçada e descia primeiro o ônibus para nos amparar. Trabalha desde os nove anos e nunca o vi reclamar. Quando, nos anos 90, ficou desempregado, e minha mãe sustentou a casa por um tempo (era funcionária pública), não se apoiou nela e não reclamava de sua situação. Ele vendia refrigerante e sorvete no semáforo, além de fazer abajures de artesanato.
Minha mãe era um exemplo de fé em casa. Ela nos levava na igreja, nos incentivava a orar, a ler a Bíblia. Chegou a abrir mão de seu trabalho no setor público para cuidar das filhas.
Meus pais estão casados há 37 anos. Nunca falaram em separação, nunca brigaram na nossa frente. Passaram por muitas situações difíceis, mas estão firmes.
Diante de um histórico familiar como esse, eu nem precisaria de literatura para ser antifeminista. Afinal, com raríssimas exceções, feministas nascem em lares defeituosos, onde ninguém sabe qual a sua responsabilidade. Porém, como estudei – e estudo – sobre o tema, seguirei explicando os malefícios deste movimento.
Caro leitor, por alguns instantes retorne à lista. Depois, volte aqui para prosseguirmos. Trarei alguns pontos citados na lista para analisar nas próximas linhas.
Coser significa costurar. Esta é uma das inúmeras tarefas que podemos classificar como “de mulher”. Não porque um homem não possa fazer, mas por não possuir habilidade e, mais, interesse em fazê-lo. Sim, homens não possuem interessem em costurar e está tudo bem. Por que somente mulheres podem dizer o que não gostam de fazer?
Além disso, cozinhar também é uma dessas tarefas. Embora haja homens que exerçam essa função de forma brilhante – como Erick Jacquin e Gordon Ramsay – a maioria não sabe preparar sequer um ovo frito! Homens leitores, isso não é demérito, fiquem tranquilos (risos).
Como feministas não conhecem História – afinal, se utilizam das Humanidades para militar, e não estudar – terei que explicar: desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, o homem saía para caçar e a mulher ficava na aldeia. O homem se arriscava, a mulher permanecia protegida.
Contudo, isso não significa que a mulher nunca trabalhou fora ou que o homem a proibia de tal coisa. Com o surgimento e crescimento das cidades, as mulheres passaram a trabalhar de outras maneiras.
Mulheres de classes sociais mais baixas e escravizadas trabalhavam em negócios como padarias, tecelagens ou em plantações. Além de trabalhos manuais como tecelagem, as mulheres participavam de atividades artesanais e, em algumas sociedades, até caçavam. Em algumas culturas, como no Egito Antigo, existiam mulheres que atuavam como médicas.
Resumindo: mulheres sempre trabalharam. Não para serem “empoderadas”, mas por estrita necessidade econômica. E quando não o faziam, cuidavam exclusivamente da casa. Não por serem “oprimidas”, mas porque alguém tinha que fazê-lo.
Falando sobre ser amável, ser graciosa e alegre, dominar o seu gênio, ser a alegria da casa, convencer pela meiguice, o rei Salomão já respondeu sobre:
“É melhor morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e irritadiça.” (Provérbios 21:19)
Uma mulher irritada em um ambiente de trabalho é contida por seus colegas. Contudo, em casa, ela desestabiliza tudo e todos ao redor. Um homem irritadiço em casa é acalmado pela mulher. A mulher irritadiça se volta contra este homem.
A parte de não jogar no bicho chega a ser cômica, mas ela trata de vícios, que se estendem aos sexuais. E é este ponto que o feminismo chama de liberdade.
A segunda onda feminista trata especificamente de revolução sexual. Em suma, era defendido que as mulheres pudessem praticar os mesmos vícios atribuídos aos homens: “Faça amor, não faça a guerra, goze livremente, lute pela soberania de seus desejos, liberte-se da decência, assuma-se, viva o amor livre”. O russo Pitirim Sorokin explica em detalhes em sua obra “A revolução sexual americana”, mas podemos tratar um pouco aqui.
Com o surgimento da pílula anticoncepcional, “as mulheres puderam, finalmente, sentir-se desprendidas do peso da gravidez, sentir-se como um homem se sentia. E muitas passaram, imediatamente, a agir como os piores homens que sempre criticaram: com total desprendimento” (Ana Campagnolo, em “Feminismo, perversão e subversão”, 2017, p158).
As ideólogas feministas da época – Simone de Beauvoir, Kate Millet, Shullamith Firestone – passaram a demonizar mulheres que se encaixavam na lista citada no início deste artigo. Por diversas vezes foram classificadas como “desmioladas”, “doentes mentais”, “parasitas”. Para o feminismo, a mulher ideal não possui apego algum a valores, princípios, família, a nada que seja eterno.
Agora o leitor entende o que eu citei no início: “… com raríssimas exceções, feministas nascem em lares defeituosos, onde ninguém sabe qual a sua responsabilidade”. Ou seja, para o movimento, a mulher ideal deve ser “livre”, mas na realidade, é prisioneira de uma ideologia nefasta.
Eu fui vilipendiada por outras mulheres por discordar de um conjunto de ideias e filosofias que degradam a mulher. Segundo elas, são livres e agora podem fazer o que querem. E ainda me acusaram de dever algum favor ao movimento. Não, não devo nada ao feminismo.
E respondendo a pergunta desaforada “Com essa skin e é feminista?”. Sim. Tudo o que tenho devo aos meus pais e, acima de tudo, a Nosso Senhor Jesus Cristo, que entregou sua vida para salvar a minha. Ao feminismo, devo todo o meu desprezo por tornar este mundo um lugar pior para se morar.
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 60 edição de Novembro de 2025 – ISSN 2764-3867





















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