
MENEZES COSTA
"Com conhecimento se constrói cidadania!"
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- Europa e a guerra
Na última semana, Finlândia, Suécia e Noruega distribuíram panfletos, a respeito de como estocar mantimentos e criar abrigos antibombas em casa, prevenindo a população acerca de uma provável ramificação da guerra da Rússia com a ucrânia para países fronteiriços. Até o meio desse ano, meu filho Felipe fazia intercâmbio na Dinamarca, e a garagem da casa em que vivia já havia se transformado em um depósito de alimentos não perecíveis, água e papel higiênico, para quando a guerra chegasse. A Europa inteira acompanha com apreensão as últimas declarações do Presidente Vladimir Putin, dos Estados Unidos e da trinca Inglaterra, França e Alemanha, a fim de buscar a evitação da escalada do conflito e uma solução pacífica. Joe Biden, no apagar das luzes de sua Presidência, deixou uma bomba para seu sucessor, Donald Trump, desarmar, permitindo que a Ucrânia utilize mísseis de fabricação e manuseio americanos, contra a Rússia. Putin já se manifestou publicamente, declarando que sente-se legitimado a avançar contra as potências que forneceram mísseis de longo alcance e minas à Ucrânia, de fabricação própria, para que sejam usados contra o oponente. As embaixadas de vários países em Kiev foram evacuadas, por receio de ataques. A verdade é que as nações armam a Ucrânia, por não quererem, elas mesmas, deflagrar uma guerra contra a Rússia, que culminaria em um conflito de proporções mundiais. Todos têm receio do poder nuclear russo e da impetuosidade de seu Presidente. Assim, vão dando plenos poderes a Volodymyr Zelenski, pois seus dirigentes não querem conviver com o carimbo eterno de que deram causa à 3ª Guerra Mundial. O cenário global da atualidade é muito similar ao que antecedeu a 1ª Guerra Mundial. Há as mesmas tensões entre potências, disputas por territórios e recursos naturais, corrida armamentística, dificuldade de entendimento conjunto e criação de pactos paralelos entre potências, como Rússia, China e Coreia do Norte, bloco totalmente alinhado com o comunismo. Por outro lado, a ONU e as demais organizações mundiais como a OTAN, naufragam em águas profundas, totalmente inábeis para mediar as disputas de interesses e os conflitos existentes. Essa semana, em mais uma decisão isolada e polêmica, que já foi alvo de críticas e descumprimento por diversos países, o TPI – Tribunal Penal Internacional sediado em Haia, expediu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da defesa de Israel, ao mesmo tempo que expedia o mesmo tipo de mandado contra o dirigente do Hamas, colocando os três na mesma régua de medição (se é que isso seria possível ou aceitável), pela prática de crime de genocídio, em outra guerra imensamente perigosa e desafiadora, que se desenrola no Oriente Médio. Com o Irã e sua capacidade nuclear à espreita, patrocinando o Hamas e o Hezbollah, que sequestraram 240 judeus há mais de um ano, em território israelense e mataram outros 1400, em um ataque surpresa, efetuado em outubro de 2023, jovens desmiolados gritam “Free Palestine” e apoio ao islã por aí, mal imaginando que o que estão defendendo é a propagação do terror, torturas, mutilações, restrições sociais e proibições de todo tipo, assassinato de homossexuais e mulheres, patrocínio de grupos armados terroristas e o fim do mundo ocidental, como o conhecemos. A última barreira, no Oriente Médio, para que o islamismo avance sobre o Ocidente, é Israel. E o mundo caminha a passos largos para a culminância desta situação, sem que se saiba ao certo o que irá acontecer, deixando para a Europa responder a mesma questão que pairou sobre esse continente, nas duas grandes guerras do século XX: como sobreviverão a esse conflito, se não são capazes de prover a própria subsistência, sendo eternamente reféns de importações de outros países, de todo tipo de bem e mercadoria consumido dentro da comunidade europeia. A História é cíclica e se repete. A Humanidade não aprendeu muita coisa, com as guerras do século XX e seus milhões de mortos e mutilados, em meio a pobreza, fome e desespero. Hoje, a capacidade nuclear de inúmeros países é imensa. Foi muito custoso, após a Guerra Fria, trazer a paz de volta. Mas tempos fáceis geram homens fracos , que criam tempos difíceis novamente. O futuro dirá. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 49 – Edição de Dezembro de 2024 - ISSN 2764-3867
- Quem realmente defende a democracia?
Albert Einstein, certa vez, disse que seu ideal político era a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo, e nenhum venerado. Nos últimos tempos a palavra democracia passou a repercutir em inúmeras discussões, principalmente quando o assunto é uma suposta crise entre poderes. Muito se está fazendo, inclusive com o afastamento de normas constitucionais claras, com a justificativa de que tais ações seriam para defender a democracia. Por isso a pergunta do título: quem realmente defende a democracia? Bom, para início de conversa já poderíamos responder com um grande e sonoro NINGUÉM! A impessoalidade há de ser a regra em uma república democrática, de forma que ninguém haveria de se arvorar a condição de defensor de nada. O que supostamente garantiria algo, na democracia, seriam as instituições. Porém, nestes sombrios tempos jurídicos, o que vemos é uma extrema pessoalização das instituições, que reverbera não somente nos nortes que tais instituições tomam, mas principalmente nas pessoas que atingem, incluindo-se não somente os membros dessas instituições, quanto também populares. E é sobre referidas pessoalizações que retornamos à pergunta do título. A resposta, que deveria estar na ponta da língua de qualquer cidadão, mostra-se extremamente tormentosa neste caudaloso e conturbado ambiente constitucional de nosso país. Para melhor explicar àqueles que não são da área jurídica, inicialmente há de analisarmos o que é a democracia. Para sermos bem simplistas, citamos o conceito de democracia trazido pela Wikipédia: democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de l eis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Democracia é, basicamente, o regime político em que a soberania é exercida pelo povo. Como no atual contexto social a democracia direta (aquela em que o próprio povo, pessoalmente, exerce a sua soberania) resta impossível, a democracia representativa passou a ser a regra. Na democracia representativa o poder continua a pertencer ao povo, mas é exercido por meio de seus representantes eleitos: Prefeitos, Vereadores, Deputados Estaduais, Federais e Distritais, Governadores, Senadores e o Presidente da República. Não precisa ser especialista em política para facilmente concluir que, na democracia, espelhada encontra-se a vontade da maioria. Nesta seara, onde encontra-se então o Poder Judiciário? Ora, se formos analisar friamente o conceito de democracia, o Poder Judiciário – independentemente de sua extrema necessidade, importância, e integração à tripartição de Poderes na ótica montesquiana – não seria uma instituição democrática. Não confundamos os conceitos de Poder Constitucional – o que, indubitavelmente, o Poder Judiciário é – com instituição democrática. Apesar de estarmos na seara simplista, somente para explicarmos um ponto de vista, temos plena consciência que a discussão é muito mais profunda e, evidentemente, numa análise principiológica e prática, poderíamos bem concluir que, pela indispensabilidade do Poder Judiciário para a manutenção da democracia, de alguma forma temos de considerá-lo como uma instituição democrática. Porém, temos casos claros de situações onde o Poder Judiciário, muitas vezes por situações anômalas, é partícipe de governos totalitários. Relembremos o ano de 1933 quando, logo após assumir o poder total na Alemanha nazista, Hitler passou a expurgar membros do Poder Judiciário que não alinhavam-se ao novo regime, extirpando da vida pública aqueles magistrados que, por suas origens ou posições, mostravam-se adeptos à aplicação de preceitos normativos que não coadunavam com o entendimento do chefe da nação. A partir de então, o Poder Judiciário Alemão passou a comportar-se como uma mera extensão do regime, o que facilitou não somente a aprovação quanto também a plena aplicação dos vindouros diplomas legais que ficaram conhecidos como as “leis de Nuremberg” (1935), que incluía a “Lei de Cidadania do Reich” e a “Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã”. O resultado é conhecido de todos. No ano de 2016, o Estado Turco simplesmente afastou 2.745 juízes por supostamente participarem de planos para a deposição do presidente Tayyip Erdogan. Será que os juízes remanescentes continuaram a ter plena liberdade para atuação? Caso mais recente pode ser verificado na Venezuela, onde juízes são exonerados dos cargos e presos pelo simples fato de não amoldarem-se ao que deseja o Poder Executivo, havendo inclusive a notícia de juízes presos por simplesmente decidirem de forma que não agrade o Presidente. Aliás, é de bom alvitre ressaltar, no ano de 2017, entre os 33 integrantes da Suprema Corte Venezuelana, oito residiam em embaixadas de países latino-americanos. Finalizamos o exemplo com a situação do Afeganistão, onde após a retomada do Poder pelo Talibã, os Tribunais Islâmicos retornaram como uma extensão do regime. Exemplos tais demonstram que, por vezes, o Poder Judiciário pode ser um mero instrumento de manutenção de governos totalitários. O mesmo podemos dizer das Forças Armadas. Ora, não há qualquer membro das forças armadas, em praticamente nenhum regime democrático, que de algum forma é eleito por sufrágio universal. No entanto, as mesmas Forças Armadas que, em alguns regimes, é a garantidora da democracia, pode ser anomalamente usada para a manutenção de regimes não democráticos. Tudo depende do contexto em que são empregadas. E vamos além: os próprios órgãos policiais podem também ser considerados como ora garantidores da democracia, ora como mantenedores de regimes de exceção. Assim, a consideração de uma instituição como “democrática” vai muito além de sua mera configuração jurídica, dependendo umbilicalmente do contexto em que encontra-se posicionada em determinada nação, em determinado momento histórico e, principalmente, do comportamento de seus membros. Mas, um momento! Se já tivemos a oportunidade de narrar que a impessoalidade deve ser a regra e que a pessoalização não coaduna com a democracia, como sustentar que o comportamento dos membros de determinada instituição possa moldar o seu caráter democrático? Nisto reside a maturidade ou não de determinada democracia. Numa democracia suficientemente madura, o agir antidemocrático de um membro de qualquer instituição imediatamente faz ligar os mecanismos de defesa dessa democracia. Esses mecanismos incluem, internamente, desde a imputação de responsabilidade por eventuais atos antidemocráticos, quanto também a punição extrema de extirpação da vida pública. Quando tais mecanismos de controle interno não funcionam, entra em cena o sistema de freios e contrapesos, cabendo a outros Poderes, que se fiscalizam e controlam mutuamente, exercer o retorno aos limites impostos pela Constituição e pelas Leis. Se, ainda assim, esse sistema falhar, há em nossa Constituição a possibilidade da intervenção das Forças Armadas, a quem cabe a função precípua de garantir os poderes constitucionais e, ainda, a Lei e a ordem. Portanto, não somente os poderes, nesta ótica, hão de ser considerados como instituições democráticas. Ainda que assim consideremos, não podemos olvidar que, pela ausência de legitimação popular, o Poder Judiciário é, dentre os Poderes da República, o menos democrático. Ora, o Poder Judiciário, principalmente por meio de sua corte Suprema, é recorrente em qualificar-se como contramajoritário. Assim o fazendo, deslegitima mais ainda a sua qualidade de democrático. Como esperar que um Poder exercido por membros não eleitos, que vai de encontro e afasta – recorrentemente – a vontade da maioria da população consubstanciada nas leis aprovadas por seus representantes eleitos, possa ser considerado democrático? Na visão de Thomas Jefferson, um dos principais autores da Declaração de Independência dos Estados Unidos, caberia ao Poder Judiciário somente a garantia de direitos, mas nunca a atribuição de benefícios. O ex-presidente norte-americano tinha que o conceito de direito relacionava-se umbilicalmente com prestações negativas por parte de terceiros, ou mesmo do próprio Estado. Para se fazer valer o direito à vida, por exemplo, não haveria a necessidade, em regra, de nenhuma prestação positiva (ação) por parte de qualquer pessoa ou instituição. Bastaria que esses, agindo negativamente, não atentassem contra a vida de ninguém. O que, em teoria, exigisse uma prestação positiva (uma ação propriamente dita) não poderia ser encarada como direito, mas sim como benefício. É o caso, por exemplo, da Constituição Federal Brasileira que outorga a todos o “direito” de assistência à saúde. Para a consecução desse “direito”, há a necessidade do Estado manter toda uma estrutura de assistência (basicamente, o sistema único de saúde – SUS) às expensas dos suados impostos do cidadão. Na ótica Jeffersoniana, tal “direito” não seria, propriamente, um direito, ainda que previsto em Lei. Tal seria um benefício. Neste contexto, caberia ao Poder Judiciário somente defender e assegurar direitos, agindo peremptoriamente para que ninguém – cidadão ou Estado – atente contra ou afaste qualquer direito previsto em Lei e, principalmente, na Constituição. É o Judiciário, enquanto Poder do Estado, que garante a aplicação da Lei. É nessa ótica que o Poder Judiciário pode ser considerado como uma instituição democrática. Porém, não caberia a este Poder conceder, ampliar ou criar benefícios, ou mesmo criar leis abstratas e gerais. Assim o fazendo, a respeito da vontade da maioria consubstanciada na aprovação de leis editadas por seus representantes eleitos (ou mesmo na omissão da aprovação de determinada lei que não espelhe a vontade popular), está sim agindo o Poder Judiciário como uma instituição não democrática. Mais antidemocrático ainda é quando o próprio Poder Judiciário, defensor último da Constituição, age em desacordo com ela. É nesse quesito que residem os limites da jurisdição. Evidentemente que essa discussão, aqui trazida de simplória forma, é muito mais profunda, eis que entre direitos e benefícios há um imenso campo cinzento. O artigo, no entanto, não permite esse aprofundamento. Mas resta patente que o Poder Judiciário brasileiro, por intermédio de um ululante ativismo judicial, encontra-se recorrentemente agindo de forma antidemocrática. Portanto, não podemos responder a pergunta do título caso o leitor espere que a resposta relacione-se a uma pessoa ou a uma instituição. A manutenção da democracia ocorre quando o povo, mantendo o seu poder – ainda que meramente representativo – alicerce a plena possibilidade de extirpar da vida pública aqueles agentes que não agem como se espera. A higidez de um sistema normativo democrático está intimamente ligado à plena e imediata possibilidade da utilização dos sistemas de controle. Por isso não há especificidade em imputar somente a determinada pessoa ou instituição a defesa da democracia. A democracia, enquanto ideal de uma nação, há de estar viva e pulsante dentro das mentes e corações do povo. Uma nação verdadeiramente democrática não necessita confiar a garantia da manutenção de suas liberdades democráticas a ninguém. O verdadeiro perigo é quando um povo, entorpecido por discursos ideológicos, afasta-se do conceito de democracia para tentar imputar a uma maioria silenciosa as inclinações de uma minoria barulhenta. Essa “ditadura” da minoria, potencializada por instituições que agem de forma antidemocrática, não coaduna minimamente com o conceito de democracia. Justamente por tais razões, mostra-se premente a necessidade do povo utilizar-se da maior das prerrogativas que a democracia lhe possibilita – o exercício do voto – para a mantença dessa própria prerrogativa. Benjamim Franklin certa vez disse que “aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”. Podemos fazer uma analogia a essa frase, para dizer que aqueles que abrem mão do cumprimento da Constituição em nome da Democracia, não merecem nem a Constituição nem a Democracia. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 10 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867
- Qual a sua missão?
Aprendendo com Jonas, o profeta fujão A Bíblia relata a história de um profeta teimoso, um profeta que não queria fazer o correto, aquilo que Deus mandou fazer; esse é o profeta Jonas. “Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor. Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar. Então, os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar a carga que estava no navio, para o aliviarem do peso dela. Jonas, porém, havia descido ao porão e se deitado; e dormia profundamente. Chegou-se a ele o mestre do navio e lhe disse: Que se passa contigo? Agarrado no sono? Levanta-te, invoca o teu deus; talvez, assim, esse deus se lembre de nós, para que não pereçamos. E diziam uns aos outros: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por causa de quem nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. Então, lhe disseram: Declara-nos, agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu? Ele lhes respondeu: Sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra.Então, os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe disseram: Que é isto que fizeste! Pois sabiam os homens que ele fugia da presença do Senhor, porque lho havia declarado. Disseram-lhe: Que te faremos, para que o mar se nos acalme? Porque o mar se ia tornando cada vez mais tempestuoso. Respondeu-lhes: Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar se aquietará, porque eu sei que, por minha causa, vos sobreveio esta grande tempestade.” (Jonas 1.1-12) Muitos cristãos já se depararam alguma vez na vida com esse texto, mas hoje o faremos de forma aprofundada; meu objetivo ao escrever o presente artigo é trazer o leitor a uma reflexão profunda sobre seu chamado diante de Deus e que não adianta fugir, Ele nos encontra (nem que seja no ventre da baleia). Quem não se aprofunda no texto chega ao ponto de julgar o profeta: “Ah, é um homem desobediente, quis fugir” ; do que exatamente Jonas estava fugindo? Ele foi chamado para pregar em Nínive; hoje, Nínive é Mossul, cidade iraquiana; Mossul esteve sob o domínio do grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico (EI) , que a ocupou em Junho de 2014 e a declarou sua capital em solo iraquiano. Em meados de outubro de 2016, o governo iraquiano (apoiado pelos curdos e por uma coalizão internacional ) lançou uma grande ofensiva militar para retomar o controle de Mossul e das regiões vizinhas. A cidade foi reconquistada pelas forças iraquianas em 10 de julho de 2017. O espírito radical do Estado Islâmico não se deu apenas neste período, mas vinha de muito tempo atrás; Senaqueribe, rei da Assíria, o mesmo que enviou uma carta de afronta ao rei Ezequias (2 Crônicas 32.1-23), tornou Nínive uma cidade imponente; em esculturas em pedra nas paredes de seu palácio ele fazia questão de exibir suas vitórias e como subjugava os povos inimigos: cenas de batalhas, empalamentos e cenas dos homens de Senaqueribe desfilando os despojos de guerra diante dele. Agora se tem uma ideia de porquê Jonas fugiu: ele não possuía o menor apreço por aquele povo; os ninivitas eram cruéis, ímpios. Para Jonas, não mereciam perdão. E a raiva do profeta não parava por aí: Jonas sabia que, ao pregar, aquele povo poderia se arrepender e ser salvo! E mais um agravante para o leitor entender Jonas: das doze tribos de Israel, ele pertencia à tribo de Zebulom. Em toda a história do povo hebreu, Zebulom era a “tropa de Elite” , uma espécie de Bope, que sempre pegavam em armas para defender sua nação. Ou seja, Jonas quis fugir para não ter que matar alguém. Tudo isso fez com ele fugisse (que iludido!) da presença de Deus três mil quilômetros. Jonas embarcou em um navio saindo de Jope (que ficava em Samaria) em direção a Társis. Esta era uma cidade portuária localizada no sul da Espanha; era considerada a viagem marítima mais longa. A imagem abaixo mostra a distância de Jope para Társis É possível que o leitor, ao chegar até aqui, se pergunte: “Mas então, por que Deus chamou justamente Jonas para esta missão tão difícil?” É porque ele era o que chamamos popularmente de “casca grossa”; Deus sabia que Jonas aguentaria. E não é isso que fazemos hoje? Para não cumprir o chamado de Deus em nossa vida como um todo, tratamos de fugir! Fugimos da profissão, do casamento, da paternidade, da responsabilidade, da instrução, da vida regrada, da disciplina e de tantas outras coisas. Agimos como se Deus não soubesse o que está fazendo! Chega a ser um pecado, pois estamos, com nossas atitudes, dizendo “Eu sei mais que o Senhor” . E é nessa que vem a tempestade e a baleia nos engole. Por que Deus impediu Jonas? Ele não poderia chamar outro que cumprisse a missão? Até poderia. Mas existem situações que temos que confrontar, e enquanto não passarmos por isso, não seremos curados em nossas emoções e nem seremos realizados, pois a alegria verdadeira vem quando cumprimos nossa missão. Era Deus salvando Jonas dele mesmo! Imagine ser engolido por uma baleia! Deve ser bem nojento, não é mesmo? Mas era a única maneira de Jonas ser interrompido na sua fuga e ser colocado, literalmente, em um “cantinho do pensamento” , de onde não poderia sair. Nas trevas, no escuro, na impossibilidade, Jonas teve que refletir sobre o que seria menos custoso: cumprir a missão ou fugir dela. Nesta última edição do ano da Revista quero desafiar o leitor a fazer uma autoanálise: “Será que tudo o que vivi em 2024 foi uma tentativa desesperada de fugir daquilo que Deus me chamou para fazer? Será que não foi Deus que fechou as portas para que eu possa me emendar?” Quando a tempestade veio, os marinheiros perguntaram a Jonas: “Que ocupação é a tua?”; em outras traduções está “Qual é a tua missão?”. Ou seja: qual o teu chamado? Do que você está fugindo? Lembre-se: você não nasceu para fugir, não adianta comprar o ticket mais caro para sair disso, sua missão é insubstituível, só há felicidade cumprindo a missão que Deus deu mesmo que seja difícil. Aquele que escolheu é contigo e conhece a sua capacidade. Não fuja, enfrente! Feliz 2025! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 49 – Edição de Dezembro de 2024 - ISSN 2764-3867
- Um general sob Custódio
No último dia 14 de dezembro, não fomos tomados de surpresa ao saber da prisão do general da reserva Walter de Souza Braga Netto. General de quatro estrelas, ex-secretário nacional de Relações Institucionais do Partido Liberal, ex-interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, ex-ministro da Casa Civil, ex-ministro da Defesa no governo Bolsonaro e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro. Infelizmente, poucas coisas têm nos causado espanto nos últimos tempos. O que teria motivado a prisão? Supostamente, Braga Netto teria sido um dos mentores da tentativa de golpe no fatídico dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Dessa forma, o militar da reserva — que não comandava nenhuma tropa — seria considerado o mentor intelectual de um golpe que, na prática, não aconteceu por vários motivos. O principal beneficiado com o sucesso da “intentona” — Bolsonaro — não queria que ela se concretizasse, conforme depoimentos tomados pela Polícia Federal. Além disso, os participantes do movimento não teriam conseguido táxis para se deslocar em Brasília. Grande parte da multidão que se aglomerava diante dos prédios públicos e poderia ser usada como "massa de manobra" para o golpe entrou, de boa-fé, em ônibus "convidados" pelos próprios militares (a serviço do governo), sendo presa em seguida. Do ponto do Estado, Braga Netto foi preso por planejar atos preparatórios de uma revolta que atentava contra o Estado democrático de direito. Não queremos entrar nos méritos da questão, discutindo se a prisão foi moral ou legalmente correta, deixemos essa tarefa espinhosa para o Brasil do porvir. Como lemos nas mídias sociais, nunca na história do Brasil um general de quatro estrelas havia sido preso. Mas será que nunca um militar de patente tão elevada foi preso nesta República tropical? Não foi um general, mas um almirante com um histórico glorioso de serviço ao Brasil, que também foi preso. Quem? O almirante Custódio de Mello. Por quê? Por participar de uma revolta que atentava contra o Estado democrático de direito. Teremos aqui um precedente histórico? Será? Custódio José de Mello nasceu em Salvador, Bahia, em 9 de dezembro de 1840. Filho de João Custódio de Mello e Rita de Mello, assentou praça de aspirante a guarda-marinha em 01 de março de 1856. Desde jovem, demonstrou uma grande aptidão para a carreira naval, destacando-se nos estudos e em várias missões atribuídas a ele. Durante sua carreira, Custódio de Mello participou de importantes missões navais, sendo promovido rapidamente por seus méritos. Em 1858, foi nomeado guarda-marinha e, já como primeiro-tenente, teve um papel ativo na Guerra do Paraguai (1864-1870), destacando-se em várias batalhas navais. Suas atuações lhe trouxeram reconhecimento e promoções, chegando ao posto de capitão-de-fragata em 1874. Após a Proclamação da República e com a renúncia do marechal Deodoro da Fonseca, Custódio de Mello foi nomeado Ministro da Marinha em 23 de novembro de 1891, no primeiro dia de governo de Floriano Peixoto. Implementou diversas reformas e modernizações na Marinha, alinhando-a aos padrões internacionais da época. Ele é mais lembrado por sua participação nas Revoltas da Armada, duas rebeliões navais nos primeiros anos da República. Custódio de Mello, promovido a contra-almirante no governo de Deodoro da Fonseca, sendo inicialmente defensor do governo, acabou apoiando os revoltosos e participou da primeira rebelião. As raízes da primeira Revolta da Armada podem ser traçadas até novembro de 1891, quando o marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, fechou o Congresso Nacional após falhar em negociar com as bancadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados produtores de café. Liderados pelo contra-almirante Custódio de Mello, unidades da Marinha se sublevaram e ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891, e o vice-presidente Floriano Peixoto assumiu a presidência, mas não convocou eleições presidenciais, como previa a Constituição, sendo acusado de ocupar ilegalmente a presidência. Assim, Custódio de Mello se rebelou junto a seus pares para defender o Estado democrático de direito. Em 1892, um grupo de 13 oficiais-generais divulgou um manifesto exigindo a convocação de eleições. O presidente Floriano Peixoto declarou estado de sítio e ordenou que os líderes fossem presos. Em 6 de setembro de 1893, Custódio de Mello liderou outra rebelião, iniciando a primeira Revolta da Armada na Baía de Guanabara. A revolta incluiu combates intensos, como o bombardeio de fortes fluminenses e confrontos em Niterói e na Ilha do Governador. Em dezembro de 1893, Custódio de Mello tentou unir-se aos federalistas no sul do país, mas enfrentou derrotas significativas. A Fortaleza de São José foi destruída, e os rebeldes, com pouca munição e víveres, foram derrotados. A capital do estado do Rio de Janeiro foi transferida para Petrópolis devido aos bombardeios. O governo federal adquiriu navios de guerra para enfrentar os rebeldes, e com o apoio do Exército e do Partido Republicano Paulista, a Revolta da Armada foi sufocada em março de 1894. Os rebeldes se refugiaram em navios portugueses, terminando a revolta. A Revolução Federalista continuou no sul, onde Custódio de Mello se uniu a Gumercindo Saraiva. Eles tomaram a cidade da Lapa, mas as tropas do governo continuaram a avançar. Em 16 de abril de 1894, o encouraçado Aquidabã foi torpedeado. Custódio de Mello tentou desembarcar em Rio Grande, mas foi derrotado, refugiando-se na Argentina. Como sabemos, quando se pretende analisar os eventos históricos, nada melhor que consultar as fontes primárias, ou seja, ler a narração em primeira mão, diretamente da pena daqueles que dela participaram. Pois vamos ler o que Custódio de Melo tinha a dizer sobre a revolta que ele liderava. O texto segue em sua redação original: “No manifesto que dirigi á Nação allego a conducta inconstitucional do Sr. Vice-presidente da Republica e a sua política anti-patriotica e sanguinária nos Estados, principalmente no Rio Grande do Sul. Todos os navios e as forças navaes d’este porto se collocaram ao lado da Constituição, que defendo. A única fracção d’essas forças que hesitara, a fortaleza de Vilegaignon acaba de communicar-me que tomou a resolução de não hostilizar-me e de assim o haver declarado no quartel-general da armada. Toda a população da Capital Federal é favorável á nossa causa, que é a causa nacional. A propria guarnição de terra, que por espírito de classe, parece apoiar o Sr. Vice-presidente, está tacitamente dividida, e só quem não tem um conhecimento exacto do espírito tambem de classe dominante na marinha nacional e de patrióticas tradições, poderá duvidar de sua idealidade de conducta em face da Constituição violada. A vossa resolução de imitar a nobre e patriótica resolução da fortaleza de Villegaignon tirarão do Sr. Vice-presidente da Republica o ultimo pretexto para continuar a manter-se ilegalmente no governo da Nação. Nestas condições, eu resolvi convidar-vos a vos pronunciardes entre a Constituição e o seu violador, entre a continuidade do derramamento de sangue de irmãos e a pacificação da família brasileira, reiterando aqui a declaração que fiz no meu manifesto de que não quero o poder. Aguardo até hoje á tarde a vossa resolução para servir-me de governo”. (Custodio José de Mello, Gazeta de Notícias – 8 de setembro de 1893). A Revolta da Armada terminou com a morte de Saldanha da Gama em junho de 1895. Floriano Peixoto governou até novembro de 1894, sendo sucedido por Prudente de Morais, o primeiro presidente civil do Brasil. O Decreto nº 310, de outubro de 1895, anistiou os envolvidos nos movimentos revolucionários, permitindo o retorno de Custódio de Mello ao Brasil. Ele chegou ao Rio de Janeiro em novembro de 1895. Todavia, essa não era ainda a solução definitiva para os problemas de Custódio de Mello. Durante o governo de Campos Salles, o contra-almirante foi designado para assumir uma comissão militar no estado do Amazonas. Essa ordem, vinda do chefe das Forças Armadas, não poderia ser desobedecida. No entanto, não eram esses os planos de Custódio. Com sua recusa, a prisão foi decretada, e ele foi conduzido à Ilha das Cobras (RJ). Embora tenha permanecido preso por pouco tempo, sua recusa em obedecer a uma ordem do presidente legalmente eleito não passou impune. Assim, tivemos um contra-almirante preso em nossa história. Ah os precedentes históricos! Custódio José de Mello é lembrado como um militar dedicado e um homem de princípios, que lutou pelo que acreditava ser o melhor para o Brasil, mesmo que suas ações tenham levado a confrontos diretos com o governo. Sua trajetória ilustra as tensões e os desafios enfrentados pela jovem República brasileira na busca por estabilidade e legitimidade. As trajetórias dos dois militares, Custódio de Mello e Braga Netto, são marcadas pelos bons serviços prestados à nação, mas se separam pelas razões de suas prisões. Resguardadas as devidas proporções e eventos, as ações de um estão sob o exemplo do outro. Braga está sob Custódio, porém, enquanto o primeiro foi preso por suas ações (recusar uma ordem legal e direta de seu superior), o segundo foi preso pelo que supostamente pretendia fazer (mas nunca chegou a realizar). Em ambos os casos, buscavam defender, e não atentar contra o Estado democrático de direito. Eis que temos à nossa frente um Brasil de histórias dignas de uma pintura de Salvador Dalí: histórias surreais. “ A liberdade nunca está a mais de uma geração de sua extinção. Não a transmitimos aos nossos filhos pelo sangue. Devemos lutar por ela, protegê-la e entregá-la a eles para que façam o mesmo.” (Ronald Reagan, 40° presidente dos Estados Unidos). Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 49 – Edição de Dezembro de 2024 - ISSN 2764-3867
- O paradoxo das minorias
A mais triste das prisões O escravo acorrentado e cercado por grades é muito mais livre que aquele que está preso por sua própria consciência. Indivíduos de mentes aprisionadas encontram-se reduzido a uma subespécie, um ser mais digno de pena que desprezo. A lógica por trás da escravidão é a servidão, logo, ninguém terá um vassalo para ao qual não vislumbre uma missão, aquele que serve deve ser útil, ainda que não saiba qual o fim de sua miserável existência. Os arregimentados pelas legiões das chamadas minorias, marcham cega e obedientemente para o abismo, guiados por déspotas ou outros cegos. A armadilha das minorias é um substituto para aquela cunhada por Karl Marx que culminou o desastre chamado socialismo, uma vez que aqueles definidos como proletários à época, trabalhadores em geral, em sua maioria, deixaram de acreditar na sedução mentirosa dos revolucionários, tornou-se necessário cativar outras massas para sustentar os doentios planos de poder. A fórmula simples de apontar um grupo como responsável pelo infortúnio de outro foi o que elevou as forças revolucionárias ao poder no início do século XX, o socialismo bolchevique na, nada saudosa, União Soviética, o nacional-socialismo alemão, bem como, o fascismo italiano, todos que espalharam desgraça pelo mundo, tiveram como alvo um grupo que deveria ser sacrificado para que sua revolução pudesse conduzir a humanidade a uma salvação, que na verdade só existia nos discursos de seus líderes. A ideia de que o Estado, sempre totalitário, seria o único meio capaz de elevar a sociedade à níveis melhores, em alguns casos, prometendo até mesmo a utópica existência sem o próprio Estado, foi o combustível para que seres abjetos assumissem o controle de nações e cobrissem a terra de sangue humano. Com o colossal fracasso de tais regimes e a considerável melhora das condições de vida dos trabalhadores de uma forma geral, tornou-se imperioso aos revolucionários arregimentar outras massas para seu levante em busca do poder. As minorias, algumas delas artificialmente criadas, rapidamente passaram a figurar como um capital político desejado por déspotas, surgindo então os seguimentos capazes de cooptar vítimas incautas, ignorantes ou gananciosas. Não abandonaram o proletariado, mantendo sua estrutura sindical para influenciar e tentar controlar tais indivíduos, contudo, era indispensável aglutinar ainda mais tropas para sangrarem em nome de sua demência messiânica, uma vez que, a essência de tal sociopatia é acreditar-se como aquele que tem a missão de guiar outros, ignorando que, o único caminho que são capazes de trilhar é o da destruição. Cabe observar que os líderes das ditas minorias são seres que conduzem grupos ao serviço dos anseios revolucionários, como seus homólogos sindicalistas. A insaciável fome pelo poder é capaz de cegar seus artífices de tal forma que, realmente, acreditam que sua ideologia justifica quaisquer sacrifícios, inclusive dos mais inocentes seres , posto que, perderam a sua capacidade de enxergar a realidade, e, por vezes, se julgam poderosos o suficiente para moldá-la ao seu bel prazer . Capturar legiões de vassalos é uma tarefa complexa, por tal motivo criou-se a chamada engenharia social, permitindo que os mais diversos grupos sejam aliciados, ainda que de forma inconsciente, para servir nas fileiras das forças revolucionárias. A seleção admitirá tantos quanto forem necessários aos propósitos espúrios da revolução, sejam criminosos, rejeitados, inseguros ou mesmo iludidos por uma narrativa de vitimização, todo aquele que possa ser útil para os anseios de líderes abjetos serão acolhidos, independentemente se o futuro lhes reserva o descarte, são os chamados idiotas úteis. No afã de recrutar pessoal são criadas ramificações para que os diversos grupos sejam alcançados, fomentando o ódio entre pessoas, para, através da segregação, subdividir o exército revolucionário em regimentos, batalhões, companhias e pelotões, o conhecido ensinamento dividir para conquistar (“ Divide et impera ” ou “ Divide et Vinces ”, cunhado pelo Imperador Júlio César)”. Todos seguindo a sua maneira, aparentemente descoordenados, rumo ao abismo. Líderes classistas ou de minorias são responsáveis por conduzir seus rebanhos conforme os anseios de seus superiores, coordenando a massa em favor daqueles que outrora os arrebanharam. Acreditam que podem dirigem suas vidas, mas servem como sovietes para legitimar uma representatividade artificial sem qualquer relevância além de engrossar as fileiras da horda escravizada. Cada vez é mais nítido a subserviência que grupos revolucionários possuem com a mais alta casta, especialmente, quando se observa as maiores corporações aliadas as chamadas pautas minoritárias. Já que foi citada a expressão idiota útil, um ser que de maneira cega serve às piores intenções, por isso, são ainda mais nocivo que se inúteis fossem, não há como deixar de mencionar o grupo que melhor simboliza a idiotice subserviente, os autointitulados Antifas (Antifascistas). A tragédia está no fato de sequer reconhecerem qual a força por trás de suas ações, sendo um grupo guiado nos parâmetros, ainda que controversos, da teoria do Paradoxo da Tolerância. Em primeiro lugar é necessário identificar o que seria o fascismo, para compreender a que tipo de força um Antifa estaria se contrapondo, sendo certo que a conceituação do fascismo o coloca como um regime totalitário, uni partidário, capaz de reprimir liberdades individuais e econômicas para satisfação coletivista, tendo como cerne a revolução. “Comumente, o fascismo é tido como parte da extrema-direita, principalmente pela sua notável oposição ao socialismo. As experiências fascistas contaram com amplo apoio dos banqueiros e industriais , tanto na Itália quanto na Alemanha. O fascismo, contudo, também se opôs ao liberalismo, sobretudo na defesa do Estado forte e dos interesses de massa em detrimento dos interesses individuais. De acordo com Norberto Bobbio, as divergências entre o fascismo italiano e o alemão aparecem ao se notar que o primeiro apresentou um caráter revolucionário e radical de esquerda , enquanto o segundo foi essencialmente reacionário e radical de direita ”. Há uma grande discussão sobre o espectro político do fascismo, mesmo no texto acima coloca-se o fascismo italiano como revolucionário e o alemão, nacional-socialismo como radical de direita. Explicar que o nacional-socialismo pertence ao espectro da esquerda é algo bem simples, tal tema já foi explorado e ultrapassado, restando evidente que considero o nazismo nada mais é que uma vertente do socialismo . O fascismo, por sua vez, sendo um Estado totalitário e revolucionário, a priori, também encontra repouso no espectro da esquerda, o que não pode ser afastado sob a infantil alegação do apoio de banqueiro e industriais ao regime, bastando observar o caso da esquerda atual, que vive um relacionamento mais que estável como a elite. Não por acaso o homem mais rico do Brasil participou e patrocinou evento realizado recentemente fora do país para promover ideias da esquerda , autodenominada progressista, inclusive com a presença de magistrados que jogaram na lama sua imparcialidade no momento que um deles chamara o Chefe de Estado eleito diretamente pelo povo de inimigo, se autoproclamou a democracia e dividiu o picadeiro uma política eleita por um partido integrante da Internacional Socialista, que atualmente migrou para o Partido Socialista Brasileiro. O Antifa tentará argumentar que luta contra o chamado neofascismo, que nada mais é u a narrativa criada para colocar conservadores como herdeiros naturais do fascismo, mesmo que o pensamento conservador seja manifestamente contrário à revolução, em especial, no que se refere ao Estado totalitário, ao monopartidário e a intervenção do governo na religião, liberdade individual e cultura. Na prática, o chamado Antifa está servindo aos anseios mais próximos do fascismo quando tenta calar vozes contrárias, nos mesmos moldes em que os que alegam lutar contra uma elite dominante, prostram-se servis aos que representam a vontade das elites, como no caso dos progressistas e seus metacapitalistas patrocinadores. Parece inacreditável que um indivíduo, sem estar afeto a alguma moléstia mental grave, possa voluntariamente aderir a um movimento que combate justamente aquilo que é, mas tal dilema é facilmente superado quando observamos que há uma ressignificação de temos, a malfadada engenharia social, para fazer com que o tolo assuma que está lutando contra verdadeiros fascistas ao agredir idosas com bandeiras do Brasil ao passo que se sujeitam ao controle territorial por parte do crime organizado ou consideram natural que um político afirme que uma turba “ incomodar ” parente de políticos seja uma ação democrática. Trágico ver pessoas aderindo ao movimento Antifa, como dizeres bizarros como “professores antifascistas” ou “policiais antifascistas”, sem saberem a que se opõem, sendo verdadeiros reféns de seus falsos líderes, que, por óbvio, tinham noção de como tirar algum beneficio disso, e o fizeram, mesmo sabendo que se aproveitavam de seus pares. Estas marionetes, controladas pelos líderes dos movimentos autointitulados antifascista, aderem ao movimento por serem levadas pelo pensamento coletivo, uma vez que, pertencem a um grupo temem ser rejeitadas em caso de insurreição, tornando-se escravas de sua própria vontade, posto que, o medo do ostracismo em uma comunidade que julgam ter lhes acolhidos é o suficiente para jurarem vassalagem. Um norte-coreano não sabe o que lhe espera além das fronteiras e por isso pode acabar por aceitar submeter-se ao regime nefasto daquele país. Quanto aos líderes, nada dignos de pena, são seres parasitários que se colocam como mercadores da consciência do grupo que são capazes de manobrar, tirando vantagem política de seus rebanhos. O despotismo de tais elementos os fazem tal qual ou pior que a elite a qual servem, uma espécie de capitães do mato, no pior sentido da palavra, arregimentam suas tribos para conquistar um lugar à sombra das torres brancas , participando do banquete em troca da tarefa de lidar com a massa acéfala. Outros movimentos como os ditos antirracistas, feministas e ativismo gay, que se denomina LGBT para aglutinar mais grupos, usam de outra retórica para capturar seus membros, são as chamadas pautas identitárias, em que observam um nicho de pessoas com características em comum, nutrem nos indivíduos uma fragilização e fomentam sua falsa união para combater um algoz, ainda que imaginário. Ninguém nega que o racismo exista, mas existem pontos que devem ser colocados acerca de tão abjeta prática. O primeiro ponto é que não se restringir a uma determinada raça, claro que o termo raça é inadequado, mas facilita a compreensão da questão. Qualquer raça pode ser alvo de tal prática, por isso, a proteção deve seguir em todas as direções, não permitindo que um indivíduo cause prejuízo a outrem tão somente pelo ódio em relação ao que considera uma raça diferente, ou seja, dever-se-ia tratar com igual rejeição ataques a diversas raças, portento, é igualmente abjeto preterir brancos em vagas de emprego com base em sua cor de pele, como fizera uma rede varejista no Brasil. Muitos alegam que as ações afirmativas buscam reparar uma dívida histórica, o que é uma mentira, posto que, a tal dívida se dera em uma época e não há o menor sentido atribuí-la a raça, haja vista, que grande parte do processo de escravidão era promovida por negros, a falácia doentia da dívida histórica, se levada a sério, deveria ser encarada por todo o avanço civilizacional. De que as antigas civilizações que usaram de mão de obra escrava deveriam compensar os descendentes daqueles que exploraram, ainda sem quaisquer comprovações de relação. A primeira falácia da dívida histórica é ignorar que a escravidão ocorreu independentemente da cor de pele, inclusive a imposta no Brasil, uma vez que, os europeus compravam dos negros indivíduos que, por diferentes motivos, já encontravam-se privados de liberdade. A questão racial é superveniente à escravidão, por tal razão Zumbi dos Palmares fazia escravos , o que não faz dele um racista, porém, em tese, colocaria seus descendentes no rol dos devedores, não dos credores. Tal narrativa não identifica a suposta relação devedor e credor, atribuindo somente à cor da pele uma história genérica, ignorando que nem todos os negros que aportaram em terras brasileiras chegaram em navios negreiros e nem todos os portugueses foram senhores de engenho, muitos negros e brancos chegaram ao Brasil após a Lei Áurea, de maneira que sua descendência não participou no momento histórico que gerou a suposta dívida. Outra desinformação é o chamado racismo estrutural, que atribui à sociedade e organismos despersonalizados uma espécie de ojeriza a determinado grupo de pessoas para justificar as chamadas políticas afirmativas, desprezando a ação individual de fato existente e condenável, e alimentando um desequilíbrio proposital, que embora prometa trazer equilíbrio, visa tão somente privilegiar indivíduos para que aliciem cada vez mais seguidores em busca de benefício próprio. Não há nada de justiça nas políticas de cotas identitárias, apenas ocorre a descarada compra de apoio daqueles que beneficiam-se de das mesmas. As organizações que, literalmente, sustentam-se do racismo não lutam pelo fim deste, posto que trata-se de duas fontes de existência, o que também se aplica aos organismos governamentais. O Black Lives Matters, por exemplo, aproveita-se de uma comoção para sustentar-se, mesmo que de forma luxuosa , como fizera no famoso caso George Floyd, em que um homem negro foi morto por um policial branco nos EUA, entretanto, a ideia de que o crime foi motivado por racismo foi plantada nas mentes incautas, pois, muitos não sabem que ambos os envolvidos se conheciam, de forma que acredita-se na motivação pessoal do policial e não um caso de racismo . Mas para o ativismo negro era necessário que a morte fosse motivada por crime de ódio, assim, outros seriam arregimentados para agirem conforme seu interesse, haja vista, estarem tomados por um frenesi bestial que os impedia de raciocinar, da mesma forma como é feito com os autointitulados antifascistas, alimenta-se a horda com um ódio irracional e cria-se uma narrativa para que ataquem. Não é raro afirmações mentirosas de que forças de segurança no Brasil optam deliberadamente por matarem negros, descontextualizando os casos de morte em razão de resistência contra as forças de segurança. A própria denominação de tais crimes é propositalmente distorcida para dar a falsa impressão a ação policial ser ilegítima, mas isso fica para outro momento. As lideranças feministas seguem o mesmo modus operandi, apresentando falácias como verdades inquestionáveis, entre elas as mais comuns são de que mulheres rebem remuneração menor desempenhando a mesma função, o que no Brasil é ilegal, ou que somente as mulheres são vítimas de violência doméstica. Criando uma forma de medição distorcida para encobrir suas mentiras, o tipo feminicídio foi criado para isso, deixam de relatar que o número de homens assassinados em razão violência doméstica é maior que o de mulheres, pois, sem a tal rede especializada, as mortes masculinas são colocadas na “vala comum”. Fácil constatar que usam narrativas para distorcer a leitura quando, por exemplo, apontam percentuais de homens e mulheres mortos no âmbito de suas residências, desconsiderando números absolutos. Usando o estudo apresentado pelo periódico, parece desproporcional que 39,2% das mulheres tenham sido vítimas de homicídio em seus domicílios, mas no caso dos homens, tal percentual é de 15,9%, entretanto, o que não é colocado com clareza é qual o percentual isso significa do total, uma vez que, 91,8% dos homicídios em geral tem como vítima homens e 8% mulheres. A conta simples leva a conclusão que 15,5% de todo os assassinatos são de homens em seus domicílios, enquanto, os as mortes de mulheres em iguais condições chegam ao percentual de 3,1%. Desprezam um percentual de 15,5% de todos os homicídios para superestimar 3,1%, somente para justificar a implantação de políticas afirmativas para um grupo que se pretende cooptar, logo, criam todo um sistema especializado, como delegacias e varas para apreciar tais crimes, fazendo com que exista um levantamento específico e dissociado de dados, extraindo os 3,1% do total e ignorando os 15,%%, além de dar a tais órgãos a atribuição essencial de enfrentar tais crimes, portanto, existindo, justamente, por ser necessário maior afinco no combate à violência doméstica. Nasce uma relação doentia entre a existência de uma instituição e a da mazela que justifica sua criação, assim, as organizações governamentais ou não, que parasitam determinado grupo fazem como que os indivíduos alvos acreditem que é necessário manter tais seres para dar implementar políticas voltadas às ditas minorias identitárias, resultando em um ciclo de interdependência entre a existência do parasita e a narrativa que alimenta a vitimização. Tanto organizações não governamentais quanto órgão públicos podem explorar tais minorias, seja como forma de existir, como o Black Lives Matters e as DEAM, para direcionar determinadas políticas em interesse próprio, como casos de cota, bem como, para ocupar nichos temáticos, como especialistas vazios. Movimentos de ativismo LGBT seguem os mesmos princípios, assim como ambientais, veganos e tantos outros que podem ser usados para cativar as mentes em prol de um controle social, nada mais são que sindicatos das minorias identitárias. Os sindicatos atuam da mesma forma, fingindo-se representantes classistas, arregimentam os trabalhadores de um determinado setor para, usando o apelo daqueles, obter força política e fazerem-se necessários para a sua categoria, quando na verdade a parasitam. Lideranças de classe são igualmente sorrateiras, defendendo seus próprios interesses e fazendo com que os grupos que as seguem acreditem-se representados, contudo, o que ocorre é somente a aproximação de seus diretores com o poder e a distribuição de migalhas para a grande massa que acredita fazer parte de um movimento maior. De fato, essa parte acaba sendo verdadeira, muitas das lideranças classistas servem a algo maior que aquilo que se pode ver e apenas fazem uma ponte, com um pedágio bem custoso, entre senhores e vassalos. Ficamos diante do paradoxo quando há um flagrante choque entre pautas identitárias, pois, não sendo um conflito berrante será solenemente ignorado. De maneira que, somente quando uma das minorias for nitidamente preterida por outra, haverá um choque entre elas. Quando feministas pregam por mais espaços para mulheres em detrimentos de homens, fato que tal posicionamento deveria fazer com que fossem defensoras do alistamento, ainda que obrigatório para mulheres, mas por ser algo que não lhe é conveniente, de forma dissimulada, não buscam tal “direito” para as mulheres. Algumas alegam, mentindo, que são contra o alistamento militar obrigatório para todos, incluindo os homens, mas não se pronunciam contra e defendem abertamente regimes totalitários. Todavia, o silêncio das feministas ao assistirem homens, autodeclarados mulheres, tomarem seu lugar nos esportes e até mesmo dividindo celas com detentas, nos parece algo chocante, mas é preciso observar à que senhores servem as lideranças, para compreender que as feministas não estão disposta a enfrentar seus mestres, logo, calar-se-ão diante de quaisquer abusos que sejam consoantes com as ideias de seus superiores. Não se trata de uma prerrogativa das lideranças feministas, posto que, o ativismo negro permaneceu calado quando uma lanchonete afixou um cartaz proibindo a entrada de negros no estabelecimento na China, não houve considerável revolta contra a rede de fastfood ou conta a ditadura além de reclamações em redes sociais. O ativismo LGBT, por sua vez, também se porta de forma tímida quando se referimos à ditadura chinesa ou ao califado islâmico. O problema das minorias identitárias é que usam do chamado sentimento de pertencimento para cooptar seus membros, mas precisam se fracionar para atender anseios de membros dispersos dentro do grupo, assim, criam-se divisões internes que podem, e serão, exploradas por aquele capaz de enquadrar-se na subdivisão. Constata-se que surgirão tantas subfacções quantas forem necessárias alocar novos líderes, sejam para que estes ocupem um espaço que pode ser explorado ou por buscarem independência de seu superior imediato, fazendo com que a cisão dê origem a sua própria minoria. Por serem criados com base em narrativas, as minorias identitárias acabam chocando-se umas com as outras ou apresentando arestas que merecem ser aparadas para o “bom funcionamento” da teia de poder, e, como mentiras não são propícias a criar uma trama, acabam por não se encaixarem, sendo naturalmente impossível conectá-las sem que haja um choque. O que em regra é dirimido pelas lideranças simplesmente desviando a atenção, como nos casos em que grupos de ativistas feministas e por direitos dos gays ignoram o tratamento aos seus supostos representados no mundo oriental enquanto culpam o ocidente por utilizarem adjetivos naturais ou pronomes de pessoais de forma adequada. A solução para o paradoxo das minorias é libertar-se da cerca identitária e perceber que a humanidade não está fragmentada em grupos identitários guiados por mestres. Reconhecendo que o feudo é uma prisão e que o ostracismo não significa uma perda e sim a libertação de um curral no qual o capataz prepara seus escravos para servirem como carne no banquete dos verdadeiros inimigos. Em verdade, as hordas de seguidores serão dispensadas como pinhas velhas assim que sua energia tiver sido drenada, assim como foram todos aqueles que ajudaram tiranos em sua escalada pelo poder. Quando os castelos de areia desabarem, os déspotas erigirão outros sem se importarão com os soterrados. O idiota útil é um ser ainda mais trágico que o idiota inútil, pois servir ao mal é um destino pior que não servir para nada. “ O sucesso dos tiranos reside na felicidade dos escravos com sua própria escravidão”. Túcides, Historiador Grego, 420 a.C. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 09 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867
- A síndrome do homem fraco
Seu maior inimigo sempre será você mesmo Não cabe analisar as consequências de uma iminente terceira grande guerra, se é que ocorrerá, ou de uma segunda guerra fria, que parece ser mais palpável, uma vez que, os artificies de tal confronto são criaturas dispostas a blefar ou matar pelo poder. Por um lado, temos a ação direta da Rússia em território ucraniano, deixando de lado uma guerra por procuração, aquele país se expõe como um agressor em face de seu vizinho, o que, em tese, justificaria uma reação dos demais países. Por outro prisma, é nítido que os russos, ainda que apoiados pela ditadura chinesa, sabem que não teriam condições reais de vencer uma guerra física contra a OTAN, sendo natural que o confronto tenha maior desdobramento na seara diplomática. Em um confronto bélico o governo russo sabe que seus possíveis adversários são francos favoritos, contudo, a situação restaria mais grave para o país eurasiano em havendo uma guerra comercial, ainda que tenha buscado uma aproximação com o Brasil e tenha ao seu lado a China, o Kremlin terá grande dificuldades de manter o controle de um país assolado pelo desabastecimento, ciente que possui menos reservas que seus pretensos opositores. Agora muitos imaginarão que tudo não passa de um blefe, que o único objetivo de Vladimir Putin é desviar as atenções de seu povo para que sua imagem, já desgastada, passe ser de um governante altivo e capaz de enfrentar o mundo, mas nada é tão simples assim, tudo indica que o líder que impõe sua vontade por mais de duas décadas não arriscaria um confronto armado tão somente por sua reputação, que ainda lhe garante conduzir sua pátria. Aparentemente existe algo muito maior por trás dos movimentos russo no território de sua vizinha, e irmã, Ucrânia. Duas expressões já presentes no texto devem ser extraídas para que possamos compreender tal ação dos russos, são elas o “eurasiano” e irmã Ucrânia”, pois isso leva ao aprofundamento sobre o que seria o eurasianismo e a compreensão que os povos russos e ucranianos são apenas um, tal relação aplicar-se-á aos chineses e taiwaneses, mas trataremos de tal situação no momento certo. Para melhor expressar o que seria a teoria do eurasianismo , para alguns o neo-eurasianismo, é necessário apontar para a concepção do filósofo Alexandre Duguin ou Dugin, que compreende ter o povo eurasiano o poder-dever de libertar o que define como “centro do mundo” e guiar o restante para uma visão de mundo em que haverá o resgate da tradição, libertando-o do globalismo. Resta evidente que as ações do Presidente Vladimir Putin pautam-se com base na visão da chamada Quarta Teoria Política de Dugin, considerando o liberalismo como inimigo, sendo a primeira teoria, como foco o indivíduo e teria vencido as demais. A segunda seria o marxismo, que norteia-se pela guerra de classe e a terceira o fascismo, o qual trata como essência a nação. Não há uma contraposição direta ao socialismo ou fascismo por tal teoria, que será chamada de eurasianismo, em verdade, julga que ambas fracassaram e foram vencidas pelo liberalismo, ou seja, que o prevalecera o indivíduo sobre a classe e a nação, de maneira que, somente o resgate da tradição superará tal sistema. Buscar entender as ações de Vladimir Putin parece impossível, mas se observado como a materialização do pensamento de Alexander Dugin, tudo faz sentido, posto que, o citado governante tenta colocar em prática os ideais ora apresentados pelo pensador. Iniciando a guerra contra o globalismo através de uma revolução. Tudo faz crer que se trata de uma guerra entre o oriente e o ocidente, talvez uma reedição de tantas outras, uma vez que, desde a idade antiga, tais culturas se chocam. Mas tudo indica que esta não é uma versão remasterizada, pois o confronto envolve duas forças novas, ainda que alimentando seu discurso na velha rivalidade. A chave dos movimentos eurasianos no tabuleiro estão pautadas na visão de Alexander Dugin, que prova-se um astuto pensador, portanto, nada melhor que invocar uma grande mente para contrapor sua distópica perspectiva da realidade. Segundo o Prof. Olavo de Carvalho , “O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia”. Por mais abjetos que sejam os globalistas, e o são, acreditar que a teoria de um Império Mundial Eurasiano seria a salvação é escolher uma das formas pela qual o indivíduo será trucidado, uma escolha entre Cila e Caríbdis , decidir entre os males qual seria o menor. Cabe lembrar que Olavo de Carvalho fizera tal previsão há mais de uma década, demonstrando tamanha sabedoria que explica o motivo de seus detratores, não conseguindo depreciá-lo, tentam atribuir-lhe, de forma jocosa, o dom de uma visão desequilibrada e mítica de mundo. Agora, insistirão em negar que era um gênio incompreendido, mas que teve a capacidade de narrar como ninguém uma realidade, que para muitos ainda parece turva, com mais de dez anos de antecedência. Continua o grande pensador brasileiro, “Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado” . Tal trecho merece grande atenção. O pensamento revolucionário é um mal que deve ser evitado e combatido, ainda que internamente, haja vista, criar uma ilusão para se chegar a um fim imaginário perfeito, uma forçada distorção na realidade para se chegar a uma falsa promessa de mundo ideal, entretanto, ter-se-á destruição em busca de uma mentira utópica que alimentará delírios e ceifará vidas, posto que, não vivemos em um mundo imaginário ou uma realidade que pode ser dobrada conforme a vontade. A imposição de uma teoria sobre o mundo real, forçando os fatos a adequarem-se as narrativas é a contramão da existência e terá seu preço cobrado quando a verdade não puder ser mais estanque pela imposição da vontade dos tiranos, seja pela força ou suas mentiras. Este fluxo antinatural, que inverte o sentido de tempo, precisa que a alvorada ocorra no oeste e as águas das corredeiras sigam para o alto, como isso não ocorrerá, fatalmente, o destino será ainda mais amargo ainda que quaisquer previsões. Conclui o pensamento alarmando para o perigo de um governo mundial, “O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo” . A revolução nunca será a solução para a humanidade, pelo simples fato de que, ao destruir para reconstruir, tem como efeito obrigatório que os erros passados se repitam, levando a sociedade à práticas que já se provaram equivocadas e a busca de soluções desesperadas que, naturalmente, resultarão em uma nova ação imediatista, ou seja, uma nova revolução, causando um ciclo de destruições periódicas. O fracasso do eurasianismo decorre justamente de sua visão impositiva de tradição, não algo que floresce da união entre os indivíduos, mas radiando de mentes “iluminadas” capazes de definir os rumos que a humanidade, ainda que de forma compulsória, deve seguir para chegar ao plano da perfeição utópica, ousaria apelidar-lhes de guias cegos , que acreditam saber qual o caminho para sua “ Bifrost ” imaginária. Alexander Dugin, em que pese seja considerado por muitos como um conservador, é um revolucionário que acredita haver uma solução preordenada para o mundo, centralizando em sua pátria mãe, coincidentemente, a salvação da humanidade, nada muito distante dos ditadores socialistas e fascistas que o antecederam. Por mais que alguém defenda uma linha que abrace pautas conservadoras, no caso do pensador eurasianista a preservação das tradições daquilo que considera seu povo, não há como conciliar a ideia de revolução e conservadorismo, pois a evolução depende de uma base histórica, logo, poder-se-ia admitir que o ideal é edificar aproveitando o alicerce conquistado pelos nossos antepassados e corrigindo eventuais erros por eles cometidos, a estrutura deve seguir o rumo natural. A revolução, por outro lado, rejeita o legado como fundamento, criando uma hipótese e forçando sua existência, ainda que incompatível com a realidade e ignorando as falhas ou dando-lhes uma roupagem de acaso, daí o motivo de Dugin asseverar que o socialismo bolchevique e o fascismo deram errados por conta de alguns pontos que podem ser remendados, ignorando que, ao subjugar o mundo ao império eurasiano, estará por transformar seu sonho em um pesadelo para toda a humanidade, salvo pelos poucos tiranos que habitarão o palácio imperial. Não há como negar que o avanço eurasiano é tão somente o prenúncio de uma guerra, que se dará de forma belicosa ou não, entretanto, é natural que as três elites globais convergiriam em busca do poder, mas se enfrentariam por ele quando acreditassem que sua mão estivesse próxima o suficiente, ou mesmo, percebendo a fraqueza dos demais aspirantes ao “trono do mundo”. Todas as três vertentes buscarão subjugar ou aniquilar as demais para ocupar sua, tão sonhada, posição de liderança, necessariamente haverá o confronto, ainda que em de pontual e reduzido, mas é fato que não há lugar para um condomínio entre tiranos , explicando assim o motivo de nazistas e socialistas bolcheviques, apesar de espécies do mesmo gênero , terem se enfrentado. Presumir que o eurasianismo revolucionário trará um bem maior ou libertará a humanidade de outras chagas que com ele concorrem pelo poder é ser ingênuo demais para perceber que a elite eurasiana não promoverá a harmonia entre a cultura de um império eurasiano, que trará luz ao mundo, e aquela que define como império altlantis , que traduz-se no ocidente que tem o indivíduo em seu cerne. Resta claro que o eurasianismo prega a destruição da cultura, portanto, do povo ocidental, não faz o menor sentido uma reação eufórica ante o avanço do ditador Vladimir Putin. Apontado o quão nefasto é o vento que parece vir dos Montes Urais, é indispensável analisar os demais envolvidos no teatro dos acontecimentos, mas não antes de observar o parceiro e suposto irmão eurasiano da Rússia, uma nação que tem no poder um grupo que consegue transparecer sua face abissal sem a menor timidez, a China declaradamente comunista, que mantém campos de concentração, chamados carinhosamente de campos de reeducação, bem como, faz constantes ameaças a soberania de Taiwan, uma afronta ainda mais grosseira, tendo em vista a relação entre os ambos. Diferente relação entre Rússia e Ucrânia, países que podem ser chamados de irmão dada sua origem histórica, ousaria afirmar que Taiwan não é um país-irmão da China, justamente, por ser uma parte fragmentada na qual o governo nacionalista afastado do poder pela infame revolução cultural se refugiou e ali criou uma espécie de território rebelde da massa continental comunista. A própria China não é uma nação de um só povo, sendo o resultado da anexação de diversas etnias. Não se limitando a ilha tão cobiçada, o grande tigre tem planos de expansão que incluem o mar do sul e uma influência em diversos países, não seria absurdo crer que a soberania de todas as nações da Indochina estaria em risco, em razão das ambições de Pequim. A semelhança entre a visão do governo russo e chinês parecem gritantes, e são, por isso, é importante deixar de olhar para os que dirigem tais países e olhar para a mente por trás do eurasianismo, Alexander Dugin. O comportamento expansionista eurasiano é o que levou Olavo de Carvalho a considerá-lo como uma das três elites globais. A questão da Ucrânia envolve outra elite globalista, que é denominada como Nova Ordem Mundial, muito mais desfragmentada, esta vertente não é facilmente identificável, uma vez que não se limita a um grupo étnico, permeando-se no chamado mundo livre com maior facilidade mas buscando se fazer presente em toda parte. Sutil como uma víbora, a Nova Ordem Mundial não é uma associação de pessoas que simplesmente conspiram por poder, mas todos aqueles que encontram-se em sua zona de irradiação, de forma que, um pequeno grupo pode servir ao centro nervoso sem ter a consciência de sua existência ou mesmo acreditando sinceramente que trata-se de uma teoria da conspiração. Curioso o uso de tal jargão como repelante de argumentos, em que pese grande parte de tais ilações tenham se confirmado com o tempo, podemos mencionar o Foro de São Paulo, um devaneio que provou-se real, agora temos o eurasianismo exposto e, honestamente, fica difícil acreditar que alguém ainda é capaz de duvidar da existência da Nova Ordem Mundial. Aos mais céticos e aos hipócritas basta analisar o recente episódio da pandemia, em que palavras como “novo normal”, “negacionista” e “genocida” foram orquestradamente utilizadas pelos principais meios de comunicação, como se a inspiração aflorasse em todos da mesma forma e ao mesmo tempo, uma espécie de arrebatamento mental, um despertar coletivo, que nada mais é que a repetição de um comando central, ainda que não seja conhecido pelo propagandista das expressões cunhadas pela elite controladora. Nenhum canal de mídia tradicional questionou a segurança e a eficácia das vacinas, na verdade terapias gênicas, mesmo após diversas evidências que as colocavam em cheque. As redes sociais seguiram a mesma cartilha, mas tudo não passa de coincidência. Não há como negar que a grande mídia e autoridades públicas parecem agir em total sintonia, seguindo uma linha uniforma que não parece ser consequência do acaso. Todavia, a elite chamada progressista, o termo liberal também torna-se inadequado, sendo o correto libertina, tem usado de sua influência para impor suas pautas de forma despótica e, por vezes, exacerbada. Fazem das leis instrumentos macabros para retorcer a realidade e do poder coercitivo dos tribunais para que indivíduos abneguem sua natureza como símbolo de submissão aos poderosos. Constrange as amas a renunciarem sua existência e propagandeiam-se como seres iluminados detentores de um monopólio das virtudes, podendo, até mesmo, confiscar ou conferir mérito àqueles que prostrem-se e assumam uma vassalagem irracional. Esta elite globalista é representada nos governos pelos políticos ditos progressistas, citando suas principais figuras temos o decrépito Joe Biden, o lastimável Emmanuel Macron, acovardado tiranete Justin Trudeau , o desmoralizado Boris Jonhson e o inexpressivo Olaf Scholz, substituto da nada saudosa Angela Merkel, além de outros tantos. Observando que o Canadá não deveria constar na relação, mas as ações autoritárias, dissimuladas e covardes de seu governante fizeram-no ter destaque na lista, uma vez que, tal asquerosa postura traduz o modus operandi da Nova Ordem Mundial, sempre alternando covardia, mentira e abuso. Hasteando as mais diversas bandeiras, permeando várias fissuras e dando verniz de bondade, esta elite globalista pretende fazer sua revolução através da degradação da cultura e da imposição de ideias capazes de subjugar o indivíduo ao coletivismo de nichos, sovietes contemporâneos, as chamadas pautas identitárias. Importante ressaltar que a mídia mainstream, as BigTech e grandes corporações metacapitalistas fazem parte da Nova Ordem Mundial, mantendo uma narrativa orquestrada para ludibriar pessoas através de uma rede de desinformações que são difundidas unilateralmente, um monólogo , concorrente ao controle d informações, existe um emaranhado em que grupos identitários recebem incentivos de granes corporações ou estatal, bem como, contam com a “simpatia” do judiciário, que também integra o sistema. A Nova Ordem Mundial é um emaranhado que se camufla intencionalmente, por isso tão perigosa, podendo se unir com outras forças , ou mesmo, se subdividir na busca pelo controle. A grande dificuldade existente em perceber as ações desta elite global é justamente o fato de sua revolução ser fragmentada e silenciosa, ao menos até que seja tarde demais, não se revelando ao mundo até que tenha poder suficiente para suplantar seus possíveis oponentes. Similar ao que fez o Foro de São Paulo. Um grupo capaz de se infiltrar no poder, assumindo as rédeas da maior organização internacional e da maior força militar, que mantém-se em um pseudo-anonimato, haja vista que somente quem não quer enxergar consegue negar a evidente relação promiscua entre políticos, imprensa e toda uma rede oligárquica que sustenta as mais diversas organizações, é, sem dúvida alguma a criatura mais perigosa entre todas. É nítida a tirania do Partido Comunista Chinês , do “presidente vitalício” Vladimir Putin e outros tantos, mas quando se trata de um governante canadense , que se retém com aval do poder judiciário, eufemismo para roubo, doações para uma manifestação pacífica e adota outras tantas medidas sem ser rotulados de tirano, podemos citar também o caso do governo da terra dos cangurus , que não recebe o mesmo tratamento dos chineses por manter pessoas em campos de isolamento, conseguimos perceber o quão forte é a Nova Ordem Mundial. Entre as três elites globais esta foi a que mais se beneficiou, tratando da escalada de poder, da pandemia do Covid-19, fazendo inúmeros testes de controle social bem-sucedidos e as rédeas de uma nova fé que chamam de ciência, tratando qualquer cientista que ouse se levantar como um conspirador criminoso digno do ostracismo, por pouco não assistimos médicos e pesquisadores sendo queimados em praça pública por questionarem a tão volátil ciência. Não duvido que muitos aplaudiriam tais espetáculos dantescos. Aproveitaram para criar uma aberta perseguição aos que resistiam se submeter aos desmandos, tal como o nacional-socialismo alemão fizera com os judeus não início, a Nova Ordem Mundial, de forma escancarada, tratou qualquer indivíduo que se recusasse ao posto de cobaia como um ser abominável merecedor de qualquer mal. Chegamos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), união de países que forma a maior força militar do planeta, outrora criar para evitar um avanço da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, tal aliança mantém-se como o braço armado dos líderes ocidentais e, de fato, tem agido de forma expansionista no que tange a adesão de novos membros. Um parêntese para contrapor a teoria que o fim da URSS, e consequentemente a resolução do Pacto de Varsóvia, deveria resultar na extinção natural da OTAN, a princípio deveria ser esta a leitura, entretanto, admitir que o comunismo caíra com o Muro de Berlim é ser demasiadamente ingênuo, basta observar que a Rússia ainda mantém grande influência , talvez mais que isso, sobre grande parte das antigas repúblicas soviéticas e, assim como a China, relações, no mínimo, dúbias com demais países socialistas pelo mundo. Não faria sentido dissolver a OTAN se ainda há indícios de uma ameaça por parte do que “restou” do socialismo, ou colocando em pratos limpos, a aliança faz sentido diante da existência do projeto expansionista eurasiano e do islã. Ter uma aliança de defesa ainda parece ser relevante, por outro lado, não significa subverter sua existência para tornar-se aquilo que deveria combater, uma força militar de força colossal usada para alastrar a influência da Nova Ordem Mundial. A OTAN tornou-se um exército de proporções titânicas, a versão real do mítico monstro Tifão , que acaba serve para os déspotas que conduzem políticas de degradação da sociedade ao tempo que se apoderam da consciência humana, não há nada de liberdade aqui. Na luta entre o Império Eurasiano e a Nova Ordem Mundial não existem heróis, sendo centro tratar-se de um embate entre duas forças tirânicas, a primeira defendendo alguns valores mas trazendo uma revolução que pretende submeter o mundo a um centro totalitário capaz de causar a destruição para a reconstrução, ainda que precise deflagrar uma terceira grande guerra, e, do outro lado, uma associação nefasta que busca, através de narrativas e imposições de pautas identitárias e outras, constranger a humanidade ao estado de submissão irracional, sombras que reluzem um brilho encantador para tolos que lutam contra um sistema e alistam-se nas fileiras do exército de vassalos de tal criatura, os militantes identitários, por exemplo, buscam um el dourado para sua imaginária subespécie humana que será, inevitavelmente, seu matadouro. Falando brevemente da Ucrânia, atual tabuleiro para os jogos dos “senhores do mundo”, o povo daquele país, após se ver livre da maior chaga que assolou a humanidade, ao menos acreditava ter se libertado do socialismo, mas tal praga é mais mutante que seu vírus de estimação, viu-se em uma nação corroída pela corrupção, como qualquer outra que as elites globais põem suas mãos, tendo decidido livrar-se da sua velha política, alternada entre parceiros corruptos do ocidentes e fantoches da “Mãe Rússia”. Como ato de rejeição aos seus antigos líderes e grito por liberdade, os ucranianos fizeram uma perigosa aposta, elegeram o comediante sem experiência política Volodymyr Zelensky , uma promessa de governo livre da teia de corrupção que dava as cartas naquele país. Entretanto, apostas são ações de risco e o país pagaria caro pela escolha, não que as demais opções fossem dar um destino muito diverso do atual. Em verdade, a pior eleição para o povo ucraniano foi a que se dera no outro lado do atlântico, em que um tirano com sinais de senilidade abocanhou a cadeira mais importante no banquete geopolítico e sua, propositalmente ou não, desastrosa retirada de tropas do Afeganistão foi a dose de coragem que qualquer um precisava para desafiar o tão temido exército do Tio Sam e, consequentemente, a OTAN. Fazendo uma comparação, seria como um leão mostrar-se fraco diante de outros predadores, todos de seu bando estariam em cheque, no caso, o Presidente dos Estados Unidos da América é acompanhado, em sua constante demonstração de fraqueza e incapacidade, pelos demais líderes de seu bando. As figuras cada vez mais fragilizadas dos senhores políticos da Nova Ordem Mundial, sorrateiros e covardes, como os já citados, lhes confere uma aura falsamente dócil porém incapaz de brandir uma espada e conduzir seu povo a uma batalha. Estes “fracotes” que governam o ocidente, esfregam sua passividade por considerarem-na uma virtude que deve ser incutida na mente das pessoas, criaram uma geração de ovelhas tão frágeis que não suportam a verdade e assumem como criminosos aqueles que ousam lhes contrapor em um debate, uma horda patética que ameaçam seus desafetos mas gritam ao se depararem com insetos sem peçonha. Isso faz com que sejam dependentes dos poderosos, que nos tempos de pandemia deixaram claro que não sujaram suas mão delicadas, mas não se furtaram em soltar suas matilhas, ou mesmo, suas alcateias, contra aqueles que se opuserem aos seus anseios. Sua fragilidade proposital é um exemplo cultura que pretendem estabelecer, rotulando aqueles que não se resumem a um amontoado de células de tóxicos ou termos que tenham um ar de repulsa. A virilidade tornou-se abjeta e a honra dispensável, a corrupção moral fez da civilização ocidental um bando de predadores desdentados, incapazes de empunhar uma arma, desejando que terceiros os defendam, pois assim não terão sua sensibilidade abalada. Clamam por ideais socialistas sem ter consciência que a tinta vermelha daquela bandeira é feita de sangue inocente derramado. O Presidente ucraniano, por sua vez, é o resultado dessa sociedade carcomida por uma visão eufórica de mundo colorido, cuja constituição global é a música Imagine de Jonh Lennon. Infelizmente, o mundo não foi feito de homens fracos e sem fibra, nossa civilização não foi forjada por covardes, como diria um dos maiores intelectuais brasileiros “ homens de geleia ”. Ainda assim, Volodymyr Zelensky, em um lapso de coragem ou loucura, não importa o que seja, ao ter recebido a oferta de Joe Biden para sair de sua pátria deixando seus pares para serem esmagados pelo exército russo, teve a dignidade em declinar do convite de um covarde e portar-se como homem. Mostrou-se mais valoroso que os senhores da Nova Ordem Mundial, que enganaram seu país ao fingir que lutariam por seu povo enquanto usavam sua terra para afrontar o Império Eurasiano, bem como, um adversário respeitável ao expansionismo russo. Respondendo ao chefe da maior força armada do mundo com a seguinte frase, “ preciso de munição, não de carona ”, o Presidente da Ucrânia escancarou a covardia da Nova Ordem Mundial e deixou sua condição de presa fácil para, mesmo sabendo estar em total desvantagem, enfrentar o predador oportunista e afirmar que o leão covarde do ocidente é somente um ser aproveitador que finge defender seu bando mas abandona os seus ao primeiro sinal de perigo. O fragilizado ser que parecia indefeso criou coragem para lutar pelo seu país, sem a proteção dos falsos profetas da OTAN, ao menos para ele, um grande feito. O conflito pode ter desmascarado as intenções das elites eurasianas e da Nova Ordem Mundial, bem como, asseverando a cisão entre ambos, o que não é algo ruim, posto que, os eurasianos tornam-se declaradamente uma força que opor-se-á aos as pautas identitárias, ambientais e todas aquelas que foram instrumento de controle para a NOM. Por outro lado, a Ucrânia tem a chance de libertar-se de ambas as influências e, ao longo prazo, tornar-se uma nação livre e forte. É importante observar o que a terceira elite global tem feito, o expansionismo islâmico tem obtido grande sucesso e sua penetração pacífica na Europa, talvez percebendo a fragilidade da cultural ocidental. Atualmente podemos considerar a narcoguerrilha socialista latino-americano como uma quarta elite global, posto que, já conquistou certa autonomia em relação a Nova Ordem Mundial, mas explicar minunciosamente o que seria tal vertente será uma tarefa vindoura. Importante é compreender que nosso país ainda não consegue lidar com tal moléstia, de maneira que, não é capaz de arrumar o próprio quarto e, portanto, tentar assumir um papel relevante na luta entre duas faces do mão, eurasianos a NOM, que fingem ser representantes do ocidente e do oriente, quando são tiranos, seria danoso demais para nós. O Brasil foi contrário as ações da Rússia, mas teve a sensatez de manter nossos coturnos fora dessa lama. Retornando para o leste europeu, resta torcer para que a Ucrânia se veja realmente livre de ambos os lados, não se submetendo as intenções eurasianas e as pautas progressistas que corroem tudo que tocam, pois viram que se desarmar foi um erro e confiar sua proteção a outrem acabou custando-lhe caro demais. A guerra trará diversas narrativas, mas uma revolução, seja ela qual for, não trará a solução, pois reside na história de um povo o seu ideal de futuro, não cabe adotar as ideias transloucadas de um czar reciclado ou, ainda pior, de relativistas libertinos e fracos de caráter. O povo ucraniano precisará construir seu futuro alicerceado em suas experiências, ainda que sofridas. Tantos foram os que, abandonados pelos covardes do ocidente, tiveram a coragem de empunhar armas para enfrentar um exército muito mais forte, que, da fibra de tais heróis, aquele país poderá criar sua verdadeira independência, sem precisar de uma solução fácil ou da falsa promessa. A humanidade merece, e precisa lutar por, liberdade, mas ela não virá pelas mão de loucos, tiranos, farsantes ou comediantes, virá pelas ações de cada homem livre que entender que não existe solução imaginária e que cada liberdade conquistada é uma vitória que deve ser comemorada e cada avanço totalitário deve ser resistido de forma sábia, que um povo fortalecido moralmente é mais forte que um exército de degradado. As elites globais ainda causarão muito sofrimento, mas toda vez que surgirem tiranos a história fará nascer o tanto de heróis quanto forem necessários, nunca podemos perder a fé. “Do justo e duro Pedro nasce o brando, (Vede da natureza o desconcerto!) Remisso, e sem cuidado algum, Fernando, Que todo o Reino pôs em muito aperto: Que, vindo o Castelhano devastando As terras sem defesa, esteve perto De destruir-se o Reino totalmente; Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.” Luís Vaz de Camões – Os Lusíada, Canto III Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 06 edição de fevereiro de 2022 - ISSN 2764-3867
- A inversão da realidade
A inversão da realidade como ferramenta progressista. Uma análise teológica O conceito de “Lei Natural”, aquele raio de luz que rasga as eras conectando-as intelectualmente entre si, ainda que de uma forma ao mesmo tempo sobrenatural e transcendente, caminha sobre os trilhos daquilo que serve de alicerce para a realidade. Ao dizer que “Por mais maciço e imenso que seja este mundo, sua existência depende, em qualquer momento, apenas de um fio único e delgadíssimo: a consciência em que aparece”, Schopenhauer mira na raiz metafísica de toda a realidade como algo limitado aos sentidos conscientes do homem. “Cogito, ergo sum”, disse Descartes, não o “logo existo” tradicional, mas o correto: “logo sou”. Nos fundos caminhos que se cruzam em lugar algum, porque entendem, ao modo de Protágoras, que “O homem é a medida de todas as coisas”. Não é de estranhar que mais dia menos dia, a manipulação das fontes de formação e informação de uma turba que de fato crê nesses conceitos, se encontrasse em um vácuo existencial onde sua própria vida perde a razão de ser diante de uma realidade que elas teimam em desconstruir como forma de se adequarem ao status quo de referência produzido por aqueles que puxam as cordinhas. A “Lei Natural”, termo fartamente utilizado por C S Lewis para designar o poderoso “inconsciente coletivo” da humanidade, o que Chesterton chamou de “ditadura dos mortos”, o que os orientais chamam de “tao”, anda em completo desacordo com aquilo que – obviamente – desafia a ordem natural das coisas. Observe que as nomenclaturas não são aleatórias. Em posição antagônica com a “Ordem Natural das Coisas” sempre há uma “Nova Ordem Mundial”, e elas seguem travando uma batalha desde o Éden pelo controle da espécie humana e de seus recursos. Já dizia Pascal, “A natureza pôs as suas verdades cada uma em si mesma”. Ou seja, de uma forma perigosamente simplificada podemos inferir que a “Lei Natural” é a primeira representação da verdade para a humanidade. E por que é assim? Simples: porque aqui chegamos. A “Lei Natural” foi estabelecida pelo Criador. E o seu primeiro juízo de valor determinou os limites que subsidiariam os demais juízos de valor (e de direito) que viriam a ser feitos pela humanidade. Ele disse: “E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas” (Gênesis 1:4). Dessa primeira assertiva temos a primeira verdade e a também a primeira premissa da “Lei”. É o que Krishina chama no Gitã de “Verdade Espiritual”. Sua fonte primária: O Senhor Deus de Israel. Já no Éden, os elementos da “Ordem Natural das Coisas” começam a ser estabelecidos, e a sua primeira manifestação do ponto de vista civilizacional atendeu pelo nome de “Família”. A família como embrião da humanidade, nos moldes instituídos por Iavé Adonai, é a primeira “Lei Natural”, é o ponto de partida para a “Ordem Natural das Coisas”. O ataque à família é o ataque à verdade. E o ataque à verdade é o ataque à “Lei Natural”, que por sua vez é o ataque à própria civilização. Por isso C S Lewis afirma que a “Lei Natural” é “a única fonte possível de todos os juízos de valor”, porque ela, em si, é a representação de uma única realidade possível. Ao rejeitarmos um único valor, ele conclui, os demais serão rejeitados da mesma forma. Então o que tínhamos no Éden, a priori? Dois elementos, um espiritual e um material. O primeiro se concentrava no relacionamento de Adão – e em seguida Eva – com Deus, esse o primeiro relacionamento que o homem teve desde que foi criado. E o segundo falava do relacionamento de Adão com a sua esposa. Na “Ordem Natural das Coisas” temos esses dois relacionamentos como base de uma sociedade que se pretende subsistir em si mesma. Fé e família são, portanto, as bases essenciais daquilo que quer seguir adiante, daquilo que quer se conservar. Foi o que Deus planejou para o mundo, e que preservou em toda a sua Lei (agora a escrita, e não a natural) que entregou diretamente aos Hebreus e posteriormente a toda a humanidade até se revelar na pessoa de seu Filho Unigênito e completá-la. O que o progressismo quer é criar um reflexo invertido de tudo isso em um espelho quebrado que está nas mãos de Satanás, e vender essa imagem deturpada da criação como sendo o melhor dos mundos, usando, para isso, as ervas daninhas plantadas na mente da humanidade por fábulas antropocêntricas desenvolvidas por homens desde a queda, sempre nos mesmos moldes do diálogo entre Eva e a serpente, divaga-se, interroga-se, brinca-se com sofismas e falácias, e ao final convence-se, num estelionato antropológico e intelectual que vem se arrastando há milênios, afastando os homens da verdade, da “Lei Natural”, da “Ordem Natural das Coisas”, e sempre lançando-os, de tempos em tempos, em turbilhões insanos de revoluções selvagens urdidas na obscuridade das sombras, onde as mentiras são maquiadas e adornadas para parecerem verdades, benefícios e vantagens para os que nelas acreditarem. O progressismo precisa, a todo instante, criar mundos virtuais, caricaturas da verdade, para que possa lançar suas sementes de destruição e caos. Sem mentira não há progressismo e vice-versa. A única forma de combater a desconstrução de uma sociedade sadia é evitar que os que estão no poder ou detém os meios de comunicação manipulem a verdade/realidade ao seu bel prazer, e isso deve ser feito sempre sob duas bandeiras, as originais: fé e família. A Verdade diz que “O que justifica o ímpio e o que condena o justo são abomináveis ao Senhor, tanto um como o outro” (Provérbios 17:15). Para que o progressismo possa existir, é necessário que essa afirmação de Salomão seja aniquilada, ou seja, que a verdade seja aniquilada ou, pelo menos, invertida. Por que isso acontece? Porque em um mundo progressista todas as leis instituídas pelo Criador desde o Éden devem ser subvertidas em prol de valores que inevitavelmente contrariam qualquer esfera de valor que se queira aceitar como legítima, seja ela a Palavra de Deus, a “Lei Natural”, a “Verdade Espiritual”, o “Tao” ou “A Ordem Natural das Coisas”. O que o progressismo busca é uma espécie de autodestruição social, o rompimento com todos os parâmetros divinos, o que levaria a humanidade, caso ele – o progressismo – vencesse, à completa extinção. É quase impossível não admitir um componente sobrenatural nisso tudo, aquele, constante do primeiro juízo de valor do Criador. Ou será que quando lemos que Ele viu a luz como boa e as separou das trevas, não percebemos que Ele está falando de coisas ainda mais profundas? Parece óbvio. O Criador do universo é a real expressão daquilo que Ele quer de nós. Quando em Malaquias 3:6 Ele diz: “Eu, o Senhor, não mudo”, Ele está querendo dizer “Não tentem me mudar” ou “Não tentem mudar as minhas Palavras”, porque será pior para vocês. E então Ele nos mostra a “Ordem Natural das Coisas”: a própria criação. Lagartas não se tornam borboletas antes de passar pelo casulo. É isso, ou nunca veríamos borboletas. Os progressistas querem destruir a família, mas não conseguem explicar como seria possível um mundo em cinquenta anos caso não existissem mais famílias, as feministas tomassem conta da sociedade e não parissem mais e os homens deixassem de se comportar como homens. O que diabos restaria? Logo, vemos que por trás do progressismo existe uma influência maligna induzindo a sociedade – tal qual Eva – a desafiar a “Ordem Natural das Coisas”, e com isso comprometer a própria existência. Fé e família. As maiores pedras no sapato salto alto daqueles que não suportam a realidade como forma de vida. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 09 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867
- O que esperar do próximo ano?
Nada! É muito comum que as pessoas em um período de final do ano, perguntem umas às outras: O que esperar do próximo ano? A pergunta revela exatamente o comportamento que terão no próximo ciclo de oportunidades, exatamente, oportunidades! Por quê sim, cada ciclo é na verdade a chegada de uma nova oportunidade, e saber disso faz toda a diferença em relação a mentalidade que teremos no que muitos chamam “apenas mais um ano”. Uma ideia principal nesse texto é despertar uma consciência de autogestão, o que com certeza fará com que o novo período seja de atitude e não de espera. Um exemplo disso foi o surgimento desta revista em que com muita honra escrevo. Ante a um comportamento passivo em que muitos apenas reclamavam da falta de um espaço onde um conteúdo de cunho conservador fosse encontrado. Nosso editor-chefe e sua equipe, decidiram então abrir este espaço, que diga-se de passagem tem sido uma pequena, mas importante fagulha para incendiar os corações dos que conosco, compartilham dos valores conservadores. Entendemos que quando encontramos uma deficiência, carência ou debilidade, seja em pessoas ou instituições, é hora de termos uma atitude em direção a resolução do problema. Então, o ideal não é que esperemos algo do próximo ano, e sim, que tenhamos o protagonismo necessário, e que se não for em nossa sociedade, seja ao menos em nossas próprias vidas. Na missão de sermos portadores de valores que dão vida a uma sociedade mais justa e fraterna,sejamos como o sol, que ainda que em dias nublados, com chuva ou até uma tempestade, ele está lá, acima das circunstâncias esperando uma oportunidade para se manifestar. Com certeza ele não forçará a barra para que a tempestade se disperse, mas aguardará calmamente o momento de oferecer todo o seu conteúdo que, embora as pessoas estejam focadas na tempestade, têm nele tudo o que é fundamental para que a vida siga em seu rumo. Outra ideia principal no texto é que, se esperamos algo, teremos que receber o que vier; quanto a isso não temos controle, portanto seremos como vítimas de uma força maior que nos dará, o que vier… Enquanto poderíamos fazer com que todo esse poder agisse em nosso favor. Por exemplo: A oportunidade é uma força muito poderosa, mas que se não for devidamente observada poderá nos arruinar (se por exemplo, deixarmos passar uma oportunidade da cura de uma doença). Neste sentido, um novo ano é um ano cheio de oportunidades. Em vias de conclusão, quero apresentar a terceira e última ideia: Venha o que vier, poderosa e naturalmente, se soubermos nos posicionar colheremos os frutos que se não forem colhidos podem até virar o motivo de um acidente, e tudo porque ao invés de termos uma atitude positiva ante ao que a natureza nos deu, ficamos esperando que o fruto viesse a nossa mão, como quando cai ao chão. Vai aqui neste texto um pouco de mitologia: As grandes tradições do passado sempre comemoravam o ano novo por entenderem a chance de grandes oportunidades que viriam e entendiam que como na ação de uma lei imutável, a natureza durante a primavera daria a eles, as flores, vindo após as flores, os frutos que seriam no verão, ou seja, eles sabiam que colheriam no verão, no próximo ano, no próximo ciclo, tudo que plantaram durante a primavera; portanto saibamos que conscientes ou não, colheremos no verão os frutos das flores que nos deu a natureza, durante a primavera. Sendo assim, com esta lição, fica a mensagem de que para o próximo ano tenhamos a consciência de termos atitudes mais positivas, mais inteligentes, mais bem colocadas diante das grandes oportunidades que nos virão, sabendo que hoje estamos colhendo aquilo que outrora plantamos. Portanto, se queremos um futuro melhor, que comecemos agora a construção desse futuro. Por isso no título desse texto coloco que é melhor não esperar nada do próximo ano e sim que oferecemos ao próximo ano as nossas atitudes, os nossos sacrifícios, os nossos esforços para que este ano se torne diante das nossas ações, diante do nosso trabalho, diante do nosso foco, diante da nossa inteligência um ano melhor, pois se não fizermos alguém fará e colheremos os frutos que outros plantaram sem sabermos sequer o caráter e a intenção desses outros. Convido a todos então, que pensemos que, reflitamos sobre quais ações iremos empregar no próximo ano para que não recebamos o que vier, mas sim, o resultado, o fruto! Como uma reação das nossas ações para que tenhamos um ano, com o que comemorar de fato. Lembremos que o que quer que tenha acontecido durante este ano de 2024, foi fruto de ações muitas empregadas e outras desprezadas, mas foram frutos de ações!! Se não estamos satisfeitos, substituamos então as ações das quais não nos favorece, por ações que favoreceram não só a nós próprios mas, também a toda a sociedade. Um feliz novo ciclo de oportunidades a todos nós! Isso em todos os aspectos das nossas vidas, nos campos, político, social, familiar, profissional, enfim, empreguemos nossas melhores ações, fazendo delas uma mensagem clara e concreta ao nosso criador, e acredite: Ele nos ouvirá! Deixo para reflexão um texto da bíblia sagrada. "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra" (II Crônicas 7:14) Que Deus abençoe nossa jornada!!! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 49 – Edição de Dezembro de 2024 - ISSN 2764-3867
- Existe mesmo Papai Noel?
A pergunta ecoa por gerações, carregada de curiosidade e um toque de magia. Papai Noel, aquele bondoso velhinho de barba branca e traje vermelho, realmente existe? Talvez a resposta não seja tão simples quanto parece. A figura de Papai Noel tem suas raízes na história de São Nicolau, um bispo cristão que viveu no século IV na região da atual Turquia. São Nicolau era conhecido por sua generosidade e bondade, ajudando os pobres e necessitados. Uma das histórias mais famosas sobre ele conta que ele presenteou secretamente três irmãs com dotes para que elas pudessem se casar, jogando sacos de ouro pelas janelas abertas. Essa reputação de generosidade fez de São Nicolau um santo muito venerado, especialmente na Europa. Com o tempo, suas histórias e lendas foram combinadas com tradições locais, transformando-se na figura alegre e mágica que conhecemos hoje como Papai Noel. A imagem de Papai Noel foi se transformando ao longo dos séculos. Nos séculos XVII e XVIII, os imigrantes holandeses trouxeram para a América do Norte a tradição de "Sinterklaas", uma celebração de São Nicolau que eventualmente se fundiu com outras tradições europeias. No século XIX, a imagem moderna de Papai Noel começou a se consolidar com a ajuda de escritores e artistas. Clement Clarke Moore, com seu poema "A Visit from St. Nicholas" (também conhecido como "The Night Before Christmas"), descreveu Papai Noel como um homem alegre e rechonchudo que viajava em um trenó puxado por renas. As ilustrações de Thomas Nast no final do século XIX também desempenharam um papel importante, solidificando a imagem do velhinho de barba branca e roupa vermelha. Na década de 1930, a campanha publicitária da Coca-Cola, com ilustrações de Haddon Sundblom, ajudou a popularizar ainda mais a imagem de Papai Noel como o conhecemos hoje. Essas campanhas mostravam um Papai Noel caloroso e amigável, vestindo o característico traje vermelho, que se tornou icônico. Acreditar ou não em Papai Noel é uma decisão pessoal, um reflexo do que cada um carrega em seu coração. Crianças o veem com olhos brilhantes, acreditando em sua chegada pelas chaminés ou pelas janelas abertas. Adultos, por outro lado, podem vê-lo como uma metáfora para o espírito de dar e compartilhar. Em cada presente deixado debaixo da árvore, em cada gesto de bondade, ele vive. Papai Noel existe na medida em que permitimos que a magia do Natal floresça dentro de nós. Todos nós podemos ser um pouquinho Papai Noel na vida dos nossos irmãos. O espírito de Papai Noel está em cada gesto de generosidade, em cada ato de bondade e em cada oportunidade que criamos para ajudar os outros a prosperar. Ser um Papai Noel não se resume a dar presentes, mas a oferecer suporte e criar oportunidades para que as pessoas possam alcançar uma vida melhor. Ensinar, apoiar e proporcionar meios para que alguém saia da pobreza é uma verdadeira forma de ajuda. Uma ajuda é bem-vinda para se ter um impulso, mas viver da ajuda não leva ninguém a progredir. A verdadeira ajuda é aquela que empodera, que oferece condições para que cada pessoa possa se levantar e caminhar com suas próprias forças. É sobre dar oportunidades e inspirar a busca por um futuro melhor. Mas o Natal não é sobre Papai Noel. No coração dessa celebração, está o nascimento de Jesus Cristo. Para os lares cristãos, o Natal é um momento de reflexão, gratidão e celebração pela vinda do Salvador. É uma época de união familiar, de lembrarmos do amor incondicional e do sacrifício que Jesus representa. A beleza do Natal reside em sua capacidade de unir diferentes crenças e tradições, celebrando a paz, o amor e a esperança. Cristo deve nascer sempre em nossas vidas. Ele foi tão importante que contamos nossos anos com base no seu nascimento e vida. O espírito cristão nos convida a sermos luz e esperança para os outros, exatamente como Jesus nos ensinou. Então, quando se questiona a existência de Papai Noel, talvez a verdadeira resposta esteja na magia que sentimos ao compartilhar amor e bondade. É um convite para acreditar no impossível, para permitir que o espírito do Natal toque nossos corações e nos lembre do verdadeiro motivo dessa época especial: Jesus. Um excelente Natal e um ótimo 2025! Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 49 – Edição de Dezembro de 2024 - ISSN 2764-3867
- A maratona eleitoral brasileira
Os combates ideológicos nas redes sociais, o novo campo de batalhas da contemporaneidade, tem mostrado muito claramente as falhas de estratégia do que entendemos como “movimento conservador”. Vivemos possivelmente uma guerra de guerrilhas, onde o adversário lança-bombas incendiárias todos os dias, obrigando os bravos soldados a atuarem como bombeiros. A consequência disso é que os avanços são menos consistentes do que poderíamos esperar. Mesmo diante das acachapantes motociatas, dos números expressivos de seguidores dos influencers de direita, da empolgação provocada pelas falas de Jair Bolsonaro no “cercadinho”, em geral assistimos cada “incêndio” ser debelado e suspiramos aliviados a cada narrativa e notícia falsa derrubada. Temos sido reativos, assim como nossos representantes nas casas legislativas, que precisam empregar material humano de seus gabinetes e muito tempo útil em defesas, que apesar de resultarem na vitória da verdade, os obrigam a adiar a apresentação de novas propostas e articular eficientemente uma base parlamentar mais compacta e proativa. Os números de 2018 ainda rondam algumas mentes: Bolsonaro teve 39% dos votos dos eleitores habilitados, Haddad teve 32%, brancos, nulos e abstenções totalizaram 29%. Ainda que existam suspeitas quanto aos números de votos recebidos de parte a parte, o que poderia ter dado a Bolsonaro a vitória ainda em primeiro turno, os não votantes são visíveis demais para serem ignorados. Aproximadamente 62 milhões de eleitores disseram não aos dois lados ou, estavam tão desiludidos que sequer deixaram seus lares para votar. 62 milhões é um número tão expressivo que qualquer pensamento de “já ganhou” seria considerado algo como suicídio eleitoral. É sobre a perda de tempo envolvida nas defesas em redes sociais (algumas apaixonadas), que nos paralisam a marcha na direção dos 62 milhões de indecisos que queremos refletir. Mas afinal, onde queremos chegar? Não dizemos que defender o justo e o certo sejam atitudes erradas, mas o desperdício de tempo com o eleitorado de esquerda, este sim pode ser inútil, pois aparentemente não mudaram nem mudarão de lado, mesmo em face da verdade. São visões de mundo diametralmente opostas, que produzem natimortos eleitorais. O professor Olavo de Carvalho já alertava, se referindo à questão dos debates e foi preciso quando disse: “ Essa situação do debate é definida sobretudo pela pessoa do adversário, quer dizer, o que que ele está procurando no debate, qual é o objetivo dele e como você deve tratá-lo. Aristóteles já recomendava, quer dizer, foi o sujeito que melhor equacionou as regras da confrontação de provas. Ele dizia que não se deve discutir jamais com quem não conhece ou quem não respeita as regras da prova. Então isto fica como um preceito universal”. Em relação aos indecisos ou desiludidos, estes sim, devem nos interessar, mas não com memes ou ‘contra-memes’, mas com educação, informação e estratégia. Assim, voltemos ao início do século V a.C. para conhecer algo sobre uma guerra em particular e seu paradigma. As estratégias de batalha campal, de modo geral consistiam no enfrentamento homem a homem de modo quase caótico. A vitória e a glória em um campo de batalha eram possíveis ao exército com maior número de soldados, assim, a frieza dos números importava muito quando era necessário decidir entre lutar ou aceitar uma desonrosa rendição. Por outro lado, o valor individual de alguns soldados também era importante. Bravura, força física e uma boa espada ou lança poderiam fazer a balança do destino pender favoravelmente para o lado de um exército menor. O paradigma das guerras mudou definitivamente no final daquele século e influenciou a mente de muitos generais a partir de então. As Guerras Médicas puseram em confronto dois adversários com características expansionistas: Grécia e o império Persa ou Medo-Persa (este último na região onde hoje se localiza o Irã). O controle da Jônia, região pertencente à Turquia atualmente, e em especial da cidade de Mileto, dariam aos vitoriosos o controle de importantes rotas comerciais terrestres e abriria portas para o controle do comércio via Mar Egeu, Estreito de Bósforo e finalmente o Mar Negro. Mais que uma questão de expansionismo militar, era antes de tudo uma luta pela subsistência dos povos da Grécia e Pérsia. O poderoso reino Persa do rei Dario I, sob o comando do general Mardônio, avançou em direção a Jônia, tendo recuperado Trácia e Macedônia onde diversas rebeliões punham em risco o controle estratégico daquelas regiões. Em 490 a.C. uma segunda campanha, pelo mar Egeu já sob o comando de Dátis e Artafernes, o império persa seguiu a retomada de controle e visava atacar Atenas. A defesa a este ataque impediu, ainda que temporariamente, a vitória persa sobre Atenas. Na famosa Batalha de Maratona o exército grego comandado pelo general Milciades, conseguiu vencer os persas que se encontravam em ampla vantagem. Segundo alguns historiadores as forças gregas contariam com 10 a 15 mil homens enquanto os persas somavam mais de 20 mil homens quando desembarcaram na Baía de Maratona. Algumas fontes chegam a indicar os persas com forças que chegariam a 50 mil homens. A desproporção entre as forças gregas e persas deixava óbvio que, em um combate corpo a corpo, homem a homem, os persas venceriam com facilidade. Entretanto uma nova estratégia foi utilizada e mudou completamente o cenário: a infantaria com formação em falanges. Com organização compacta, cercada e protegida por escudos intercalados por longas lanças, os soldados persas não conseguiam usar sua cavalaria, não tinham chance de se aproximar em função das longas lanças, suas espadas curtas eram inviáveis e assim, foram forçados a recuar até a praia onde desembarcaram. Os persas foram vencidos, mas de uma maneira completamente inesperada. A organização compacta, treinada, disciplinada e persistente era a novidade. Vencida a batalha, Milcíades envia Fidípides de volta a Atenas para comunicar a vitória. Aproximadamente 42 quilômetros de distância, em uma corrida heroica e ao mesmo tempo dramática. Segundo consta, Fidípides cumpre sua missão informando: “alegrai-vos atenienses, nós vencemos!” e desaba morto pelo esforço. Verdade, mito romantizado? Não sabemos. O fato é que o suposto esforço de Fidípides inspirou uma das provas olímpicas mais difíceis, a maratona. Neste ponto as histórias se articulam. Entre os eleitores convictos de Bolsonaro e os 62 milhões de indecisos, existe uma turba enfurecida de militantes que como dissemos, utiliza da estratégia de guerrilha com fake news, distorções, memes e vídeos depreciativos que tiram o foco e a atenção do “movimento conservador”. Como podemos chamar “movimento” algo que ainda se assemelha aos combates corpo a corpo da antiguidade, dispersos e caóticos? Somos atacados individualmente a cada notícia e memes recebidos, tantas vezes perdemos o equilíbrio emocional, desperdiçamos energias respondendo, buscando convencer quem não quer ser convencido. Outras tantas vezes escorregamos em notícias plantadas entre nós que, por mais absurdas que possam parecer, soam como música aos nossos ouvidos. Compartilhamos e em seguida somos rotulados de veiculadores de notícias falsas por agências de checagem de fatos (agências impossíveis de serem checadas). Enquanto tudo isso acontece, o tempo passa, as eleições se aproximam e ainda comemoramos os mais de 57 milhões de votos recebidos. Queira Deus que as palavras ora dirigidas ao eleitorado bolsonarista sejam apenas excesso de zelo. Todavia, nunca é demais estimular a criação de grupos sérios de estudos das atividades de deputados e senadores, elencar suas propostas, seus votos e associações. Os postulantes a novas cadeiras na “casa do povo”, devem também ser alvo de nossa atenção, para evitar os erros e enganos cometidos em 2018. Tão importante quanto reeleger Bolsonaro é formar uma maioria sólida e encouraçada no Congresso, que nos livre da necessidade de governar apoiados pelo chamado ‘centrão’, políticos mercenários que via de regra apoiam a si mesmos enquanto cedem apoio àqueles que ocupam o poder. Falanges formadas nas câmaras em nível Federal, nos estados e municípios, além do Senado e no Supremo, somadas a uma base de eleitores informada, consciente e participativa, darão os instrumentos que Bolsonaro não tem atualmente para governar dentro das quatro linhas da Constituição, conforme ele sempre defende. As eleições legislativas são o fundamento para um governo conservador bem-sucedido. Para vencer verdadeiramente a nossa maratona, nossa infantaria precisa ganhar corpo e formar falanges compactas. A educação, pautada nos princípios e valores clássicos é o nosso escudo, nosso exemplo cotidiano daquilo que defendemos é a nossa lança mais longa, a verdade fere mais que mil flechas inimigas. Ainda que a morte seja o louro da vitória daqueles que correm para anunciar a vitória de um povo, a liberdade é o nosso prêmio final mais desejado. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 09 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867
- Medicina e Pandemia
Medicina e Pandemia na Constituição x Suplício de Prometeu Quando a noite produzia seu mais denso negrume, ouvia-se o estalido da imensa vara dourada de Hélio açoitar o ar, o estalido acordava seis vigorosíssimos cavalos cor de caramelo com crinas e caudas douradas. Hélio os atrelava a uma carruagem monumental, tomava as rédeas e novo estalido se ouvia, os cavalos partiam puxando a Carruagem do Sol, pelo mais alto do céu, para atravessar a Terra rumo ao poente. Assim amanheciam os dias, na Grécia, para revelar a beleza do mundo. No Olimpo era festa, os Deuses, autossuficientes, produziam sua própria vitalidade, deleitavam-se com ambrosia e néctar por puro prazer, não precisavam deles para existir. No mundo dos homens, as manhãs revelavam sofrimento e humilhação, eles tinham que extrair energia da natureza para viver, possuíam uma subvitalidade, deveriam alimentar-se constantemente para manter a vida, não eram autossustentáveis, precisavam comer. Ocorre que os humanos eram mais frágeis que os outros animais, precisavam cozer os alimentos para evitar doenças, mas Zeus havia retirado o fogo da terra. De início, o fogo vivia na copa dos Freixos, onde os homens o alcançavam facilmente, Zeus o havia escondido na Carruagem do Sol, tornando-o inatingível para os homens que nunca foram capazes de voar. A falta do fogo adoecia os humanos, seus corpos definhavam até a morte por causa do frio e dos males que a ingestão de grãos e carnes cruas lhes causava. Viviam abatidos, humilhados incapazes de desenvolver sua mais bela habilidade: aprender por associação de ideias para criar bem-estar. Prometeu, compadecido com tanto sofrimento causado pelas doenças humanas, e sendo ele descendente dos Titãs, tinha poderes extra-humanos. Colheu um galho de funcho, que é verde por fora mas seco por dentro, subiu disfarçadamente ao céu, aonde passava o Carro do Sol, colheu uma fagulhai, a escondeu dentro do galho de funcho e a entregou aos homens. À noite, Zeus viu todas as moradas humanas iluminadas, subjugado o frio, fogueiras acessas, a cozer alimentos e a transformar em cinzas todas as doenças que maltratavam o ser humano. Era a chegada da prosperidade. Enfureceu-se com o acinte de Prometeu que, movido pelo amor, havia contrariado suas ordens, aplicou-lhe tormentosa penalidade: viver acorrentado a uma pedra onde um abutre lhe devorava o fígado diariamente, pois o órgão se regenerava logo após a devora. Suplício interminável. Tal qual Prometeu, a medicina se move pelo amor ao ser humano, busca livrá-los, do sofrimento provocado pelas doenças. Este amor também levou o poder constituinte originário a inserir, na Constituição brasileira, o direito/dever de promoção da saúde. Para garantir que o socorro da medicina esteja ao alcance dos cidadãos, a Constituição conferiu, à saúde, o grau de relevância pública, na forma do artigo 197. Ademais, estruturou um minucioso sistema de planejamento e de ações, a ela relativas, que se completa com a legislação infraconstitucional assecuratória de liberdade de exercício da medicina. Segundo a Constituição, os serviços e ações de saúde são desempenhados em sistema de unidade e de forma hierarquizada, como estabelece seu artigo 198, porque interessam, de modo uniforme, a todo o território nacional. Em cumprimento do princípio de unidade dos serviços instituiu-se o Sistema Único de Saúde, para cumprimento do princípio de unidade, relativamente às ações, estabeleceu-se sua coordenação pelo Ministério da Saúde, obedecidas as normas constitucionais de fixação de competência político/administrativas e o regramento único das carreiras profissionais, nomeadamente a dos médicos. A concretização do princípio de unidade da saúde, quanto ao regramento do exercício da medicina, se concretizou através da instituição do Conselho Federal de Medicina e da edição do Código de Ética médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) tem estrutura hierarquizada ao qual se subordinam os Conselhos Regionais de Medicina (CRM). É dizer: os Conselhos Regionais executam as deliberações do Conselho Federal, a discricionariedade deliberativa de que dispõem se circunscreve a decisões dentro dos parâmetros estabelecidos pelo CFM e pelo Código de Ética Médica. O mesmo se aplica a qualquer outra entidade representativa de médicos ou especialidades da medicina, que estão proibidas de posicionamentos coletivos contrários às decisões hierarquicamente superiores do Conselho Federal de Medicina. No caso de calamidades públicas, como é o caso da atual pandemia de Corona Vírus, toda esta estrutura normativa se vincula à expressa determinação constitucional de competência única da União para planejar e promover a defesa, do interesse público de saúde, bem como realizar a mobilização nacional para sua superação. É o que dizem os incisos XVIII e XXVIII, art. 21 da Constituição da República. Encurtando as razões: Conselho Federal de Medicina desenvolve competência da União para normatizações e orientações em medicina, e o faz de forma exclusiva, única e hierarquizada, as ações de qualquer outra entidade representativa de médicos estão subordinadas as suas diretrizes. A atual pandemia de Corona Vírus materializa situação de excepcionalidade, em face do desconhecimento técnico do vírus e da enormidade de vítimas que ele faz. Neste contexto, o CFM editou o Parecer nº 4/2020, que propõe, aos médicos, considerar o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, para o tratamento da COVID 19 em pacientes com sintomas leves, no início do quadro clínico. O parecer concretiza de modo específico a competência da União para o trato de calamidades e o princípio constitucional de unidade das ações de saúde, ademais, se impõe a todos os Conselhos Regionais de Medicina e entidades médicas, pois estas lhes são subordinadas hierarquicamente. Qualquer ação de entidades médicas que desatendam à orientação do Conselho Federal de Medicina, além de passíveis das penalidades disciplinares internas, caracterizam usurpação de competência deste colegiado, portanto, se assim procederem seus representantes agem com abuso de autoridade. Violam a lei institutiva do CFM. Estas ações abusivas desacatam, também, o princípio de legalidade administrativa, inserto no artigo 37, da Constituição da República, o que coloca as respectivas autoridades vulneráveis a ações de improbidade administrativa que, a depender das circunstâncias, pode revelar, inclusive, desvio de finalidade das atribuições dos cargos e funções. A contradita do parecer CFM nº 4/2020, por entidade médica de âmbito local ou regional, pode ainda, a depender das circunstâncias, caracterizar constrangimento ilegal ao livre exercício da medicina em afronta ao Código de Ética Médica. Em face da imposição de barreira inconstitucional, ofensiva à divisão de competências da federação, bem como aos princípios de unidade e hierarquia das ações de saúde. Tais barreiras são, simultaneamente, ilegais por desacato ao dever de subordinação às deliberações do CFM, normativamente estabelecida. Ademais, a instituição de barreiras ao livre exercício da medicina por autoridades constitucionalmente incompetentes e normativamente carentes de atribuição para tanto, constitui assédio eticamente inadmissível. Este assédio obstrui os valores de liberdade e solidariedade sociais, insertos no artigo 3º da Constituição de 1988, sobre os quais se ergue o sistema normativo constitucional da República Federativa do Brasil, portanto, além de reprimendas disciplinares internas, sujeita-se a responsabilizações judiciais. Os que juraram empenhar suas vidas na salvação das vidas alheias, por amor ao ser humano, não merecem ser punidos com o mesmo suplício imposto a Prometeu. Espero que os que se empenham em fazer valer as liberdades constitucionais, inclusive a liberdade da medicina, igualmente por amor ao ser humano, também não sejam merecedores deste infame tormento. Nomeadamente porque Hércules, que libertou Prometeu da tortura injusta, adormeceu profundamente desde a antiguidade e não pode nos valer agora. Tomara que o princípio de supremacia da Constituição da República Democrática do Brasil seja capaz de fazer as suas vezes, pelo bem do direito de liberdade e do princípio constitucional de justiça que são a base da prosperidade. Sem respeito ao princípio fundamental de supremacia constitucional, não existe democracia. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 09 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867
- A folha e Siegfried
O mitológico herói nórdico Sigurd, conhecido como Siegfried, após matar a besta Fafnir, cuja existência nada mais era que a condenação pela ganância que o levou a cometer parricídio e apoderar-se do ouro de seu pai, o rei anão Hreidmar. Após destruir a criatura, Siegfried banhou-se em seu sangue tornando-se imortal, entretanto, uma pequena folha cobria seu ombro, evitando que o sangue do dragão Fafnir tocasse aquela parte de seu corpo. Da mesma forma que Aquiles teve não teve seu calcanhar banhado pelas águas do Rio Peleu, tornando seu ponto fraco, o herói nórdico ficou desprotegido na região coberta pela folha. Após casar-se com a princesa Crimilda, uma vez que fora enfeitiçado, cumpre a sobre-humana missão de resgatar a valquíria Brunilda de um círculo de fogo, para que a mesma se casasse com o irmão de sua esposa, Guntário. Na ocasião, Siegfried assumira a forma de Guntário para que a valquíria acreditasse ser ele o homem digno de a desposar. Em data posterior, quando Brunilda e Crimilda discutem a respeito de um anel de valor inestimável, a esposa do herói afirma que seu marido era o homem mais poderoso e a farsa promovida para permitir o matrimônio da valquíria é, por ele, descoberta. Siegfried, liberta-se do feitiço da mãe de sua esposa e relembra seu amor por Brunilda, mas esta não aceita ter sido enganada e pede que seu cunhado mate o herói. Sabendo do ponto fraco, o irmão de Guntário e Crimilda, aproveita-se do momento que que Siegfried pescava para atingi-lo mortalmente com uma lança no ponto que fora coberto pela pequena folha quando o herói se banhara no sangue de Fafnir. Não atentar para a fragilidade é um erro que pode ser cometido por qualquer um, especialmente quando o indivíduo considera-se inatingível, haja vista que será acometido pela soberba, como acontecera com tantos outros. Assim como Aquiles, Siegfried tinha um ponto fraco e, uma vez exposto, foi sua ruína. Tal qual todos os homens, não há como ignorar nossa pequenez perante o universo, sendo certo que, sem a vontade de Deus, qualquer herói tombará e nenhum mal será derrotado. Siegfried expõe a natureza frágil daquele que se vê surpreendido e, principalmente, que ignora seu ponto fraco. Em sua lição, o mito nos remete ao dilema de vigiar aquilo que nos é caro, como a liberdade e a fé, não podendo-o ser humano se descuidar por um piscar de olhos, tendo em vista que, o inimigo da liberdade sempre estará a espreita e a crença em uma existência maior é igualmente escravizadora e libertadora, tornando o homem servo de um só senhor, não restará espaço para servir os tiranos. Ainda que o homem se julgue protegido ou intocável, estará limitado à natureza de seu ser, não viverá e não dobrará o universo à sua vontade. Do maior dos heróis ao pior dos tiranos, sempre haverá a folha para lembrar que há limites, seja ela qual for. A tirania dar-se pela força, ainda que busquem o convencimento, em um determinado momento a fraqueza de um déspota será exposta, sendo necessário recorrer ao poder coercitivo, calando e ameaçando quem ouse falar a verdade, como no recente episódio em que afirmam ser descontextualizadas as frases de uma autoridade que, ao ser perguntado sobre as próximas eleições e a possível derrota da esquerda nas urnas, sendo a indagação formulada por uma política que integra um partido que hasteia a bandeira do socialismo, na qual fala-se em medo da reeleição do atual Presidente da República, o magistrado da mais alta corte responde. “Nós somos muito poderosos, nós somos a democracia. Nós é que somos os poderes do bem e ajudamos a empurrar a história na direção certa. O mal existe, é preciso enfrentá-lo, mas o mal não pode mais do que o bem. Porque, se pudesse, nada valeria a pena. Eu acredito nos valores que nos unem e que eles vão prevalecer”. Infelizmente o que deveria ser a mais alta casa da Justiça do país, como de costume, confunde sua missão com a de deuses olimpianos e, embargada pelo néctar da ambrosia progressista, deixou de aproveitar a oportunidade de calar-se ou mesmo censurar as infelizes declarações de seu membro, preferindo fazer ameaças àqueles que a divulgam como se estivessem propagando desinformação. Basta assistir o vídeo e poder-se-á ver a parte que a folha cobriu, a total desmoralização de uma corte que governa apenas pela força. A mitologia em torno da morte do quase imortal Siegfried nos ensina a admitir nossa frágil existência e observar que toda a prudência pode ser pouco, contudo, também nos ilumina com a esperança de vencer até mesmo aquilo que se apresenta como indestrutível, uma vez que, aquele que se considera inatingível é, em algum ponto, vulnerável como todos. Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. I N.º 09 – Edição de Abril de 2022 - ISSN 2764-3867











