Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós
- Juliette Oliveira
- 19 de nov.
- 3 min de leitura

“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!” — esse verso, eternizado no samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, não é apenas uma celebração histórica. É um clamor por justiça, dignidade e respeito. A liberdade que cantamos é aquela que protege, que acolhe, que garante o direito de viver sem medo. Mas essa liberdade só se sustenta quando é vivida com responsabilidade.
A liberdade é essencial, mas não absoluta. Ela precisa ser exercida com respeito aos direitos dos outros. Quando alguém usa sua liberdade para ferir, humilhar ou explorar, especialmente os mais vulneráveis, essa liberdade se transforma em abuso. É por isso que o princípio “a liberdade de um termina onde começa a do outro” é tão importante para a convivência democrática.
Um Alerta Urgente
O influenciador Felca escancarou uma realidade revoltante: crianças sendo exploradas por seus próprios pais nas redes sociais. Adultos que deveriam proteger estão, na verdade, lucrando com a exposição dos filhos — tirando deles a inocência, a privacidade e a liberdade de viver a infância longe dos holofotes. É inadmissível que quem deveria estar defendendo esteja vendendo.
A repercussão do caso gerou projetos de lei como o PL 561/2025, conhecido como “Lei Felca”, que busca restringir a exposição de menores online. A intenção é válida, mas há um ponto ainda mais urgente que precisa ser dito com todas as letras: filho é responsabilidade. E quem tem filho não pode terceirizar essa responsabilidade para o Estado, para a escola, para a internet ou para likes.
Mais do que criar leis para regular redes sociais, o que precisamos é de pais presentes, equilibrados e conscientes. Criança não é conteúdo. Criança não é moeda de engajamento. Criança é vida em formação — e merece ser protegida com afeto, limites e atenção.
A ausência de responsabilidade parental não pode ser compensada por censura estatal. O problema não está apenas nas plataformas, mas na cultura de exposição desenfreada e na falta de discernimento de quem deveria ser o primeiro guardião da infância.
A indignação causada pelo caso Felca é legítima. Mas precisamos ter cautela para que essa comoção não seja usada como pretexto para criar leis de censura. Projetos mal formulados podem sufocar a liberdade de expressão, punir injustamente criadores de conteúdo e permitir perseguições ideológicas.
Regular redes sociais pode parecer uma solução rápida, mas não resolve o problema na raiz. O que resolve é educação, presença e responsabilidade familiar.
O Risco da Tirania
A tirania pode surgir tanto do excesso de liberdade quanto do excesso de controle. Quando o Estado ou plataformas decidem o que pode ou não ser dito, sem diálogo ou critérios claros, a democracia corre risco. Da mesma forma, quando indivíduos usam sua liberdade para agredir ou manipular, o resultado é igualmente destrutivo.
Caminhos para o Equilíbrio:
- Educação digital nas escolas e famílias
- Pais mais presentes e conscientes
- Leis bem formuladas e debatidas, sem censura
- Participação cidadã ativa
A liberdade é um direito precioso — e frágil. Proteger nossas crianças é urgente, mas não podemos permitir que o medo ou a indignação sejam usados como ferramentas para silenciar vozes. Como canta o samba: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós” — mas que essas asas voem com consciência, respeito e equilíbrio.
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 59 edição de Outubro de 2025 – ISSN 2764-3867





















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