top of page

Meu adorável imbecil

Meu adorável imbecil

O filme chamado Os Suspeitos (The Usual Suspects), lançado em 1995, apresenta uma trama contada por uma perspectiva diferente da usual, de forma que toda a narrativa é construída com base nos depoimentos do personagem Roger “Verbal” Kint, um golpista deficiente interpretado por Kevin Spacey, sobrevivente de uma ação criminosa que eliminou a tripulação de uma embarcação, apresentada ao espectador na forma de flashbacks. Verbal é tratado como um criminoso de menor importância, contratado para uma empreitada pelo perigoso Keyser Soze, responsável pelos assassinatos.

Durante o interrogatório o personagem Verbal se coloca como uma figura frágil, descrevendo os eventos, entretanto, apresenta Keyser Souze como um ser quase místico, um assassino cuja existência é quase fantasmagórica, sendo, por vezes, até questionada. O temido vilão elimina gradualmente seus alvos e acaba deixando Verbal sobreviver por considerá-lo insignificante.

Segundo a versão do interrogado, sua vida não foi poupada por um motivo especial, mas por ser alguém que não poderia se opor ao terrível Soze e poderia testemunhar acerca de seus feitos, logo, Verbal teria a função de promover a fama do vilão, fazendo com que o temor alcance até mesmo aqueles que duvidam de sua existência.

Verbal utiliza informações para ludibriar o investigador, algo que só é percebido quando seu depoimento termina e ele é dispensado, uma vez que, sem a atenção focada na narrativa, o agente consegue perceber que algumas das coisas ditas por Verbal foram extraídas de objetos que se encontravam na sala. Na cena final, o suposto criminoso deficiente segue caminhando de forma debilitada e vai corrigindo sua postura à medida que se afasta do departamento de polícia, revelando-se com o verdadeiro Keyser Soze.

O criminoso desejava que sua fama se espalhasse sem ter de expor sua verdadeira identidade, logo, Soze seria temido e desconhecido, não sendo um alvo fácil para seus inimigos e policiais, tornando-se uma verdadeira sombra.

Ao usar palavras capturadas na sala de interrogatório, o vilão não se limita a esconder sua identidade, mas faz pouco caso do interrogante, sabendo que o investigador estava focado em sua narrativa, ele chega a brincar com o risco de ser identificado para se provar intelectualmente superior ao seu interlocutor, como se fosse um prêmio a mais em razão de tamanha ousadia.

Não se trata da incapacidade de Soze em construir uma boa narrativa, pois seus objetivos acabam sendo bem pontuados, contudo, tal figura debocha do perigo para se projetar como ainda mais audaz. O quê o vilão se propõe ao construir uma versão tão frágil é, justamente, provar que domina o embate entre interrogado e investigador, haja vista que, o suposto deboche, dá a ele uma ampla vantagem sobre o rival, salientando o seu domínio como um adversário que pode se dar ao luxo de desdenhar do rival.

O toque de bola sem propósito direto com o fim de tripudiar do time adversário, o chamado “olé”, assim como um pugilista que dança no ringe após perceber que o rival está enfraquecido, são estratégias que podem mexer com a confiança do oponente ou deixando evidente que não há chances em caso de um confronto.

Outra forma de desdém é conceder uma clara vantagem ao adversário, insinuando que será possível superá-lo mesmo quando há assimetria de regras e, caso aquele que iniciou em desvantagem acabe vencendo o confronto, restará sagrado como superior, evitando que ocorra uma revanche ou novos desafiantes se habilitem a enfrentá-lo.

No campo da narrativa, por muito tempo, a mídia mainstream não tinha com o que se preocupar, pois, como Verbal na sala de depoimento, sabia que não havia como os receptores de sua mensagem pudessem confrontar suas versões em relação aos fatos. Não havia problema para as redações de jornais, documentários e outras obras pudessem propagar suas visões de mundo sem quaisquer resistências, pois se comportavam como verdadeiros cartéis da informação, distorcendo informações e inserindo mensagens de acordo com suas agendas na dramaturgia, por mais que fossem flagrantemente dissonantes das versões originais.

Mantendo a massa relegada à ignorância, os senhores da informação puderam mentir descaradamente sem maiores consequências, considerando o fato de que suas versões não eram confrontadas. A imprensa tradicional se acostumou a manipular as informações e, cada vez mais, perdia o pudor em apresentar narrativas mentirosas, posto que, deixou de tentar convencer os destinatários de sua mensagem através de um teatro bem elaborado para, simplesmente, apresentar qualquer versão, por mais esdrúxula que fosse a sua fábula, como a única válida.

O aquecimento global, atualmente rebatizado como mudanças climáticas, era uma dessas “verdades” mimetizadas, sendo tratada como uma premissa inconteste, o quê lhe conferiu o status de descoberta científica, impondo a seus opositores, ou mesmo questionadores, a pecha de negacionistas ou teóricos da conspiração, sem, contudo, fossem apresentados argumentos ou provas que pudessem afastar as objeções às políticas de enfrentamento ao fenômeno nunca comprovado.

A mentira a respeito do alegado aquecimento global deveria restar evidente quando um dos maiores ativistas das medidas que se propunham a frear tal fenômeno decidiu adquirir uma bela mansão no litoral da Califórnia, não se importando com a elevação dos níveis dos oceanos que ele mesmo alardeava, entretanto, alguns insistiam, desistindo da lógica, em ignorar tal fato. Quando não se tornou impossível sustentar a narrativa, diante de eventos climáticos que indicavam no sentido oposto, como temporadas de temperaturas extremamente baixas, além da comprovação da farsa do buraco na camada de ozônio, a narrativa de aquecimento global foi convolada em mudanças climáticas, apenas para que ficasse de pé quando nitidamente desmontada.

Talvez, nem o fictício personagem Keyser Soze tivesse tanta ousadia em sustentar sua mentira, haja vista que, os ativistas apenas deram outro nome a sua falsa causa e começaram a procurar outros alvos, alegando que a criação de bovinos contribuía para as mudanças climáticas e que mais políticas deveriam ser adotadas para que o mundo fosse salvo da ameaça que eles inventavam. Evidente que muitos políticos e a autoridades análogas aproveitaram a oportunidade de se promover e adquirirem mais poderes abraçando o discurso, podendo impor medidas cada vez mais autoritárias sem que sua tirania fosse questionada, afinal, eles estavam apenas salvando o mundo da humanidade, como quem salva a democracia do povo.

A pandemia da virada da década foi outro experimento curioso, pois deu a oportunidade aos tiranos para testar até que ponto podiam avançar sobre as massas e a capacidade dos indivíduos de questionar tais medidas. O pânico foi usado para que o grau de percepção das pessoas fosse reduzido e a desinformação serviu, não só para elevar o estado de pavor, mas para justificar medidas autoritárias inaceitáveis aos que ainda mantinham seus cérebros em funcionamento.

Isolamento de gondolas de supermercados, proibição de caminhadas na orla e reuniões de família eram tratadas com naturalidade e aqueles que se recusavam a aceitar, sem uma justificativa plausível, tais arbitrariedades, eram tratados como criminosos ao passo que os coletivos lotados, as redações de jornais, os locais de votação funcionaram normalmente. Não era preciso convencer os cidadãos que tais medidas tinham eficácia real, mas apenas declarar que as autoridades assim queriam para que todos tivessem de cumprir as regras mais absurdas. Até o toque de recolher com base em horários foi imposto, como se o vírus fosse uma criatura noturna, sem qualquer constrangimento por parte das autoridades ou indagações por grande parte da população.

Os indivíduos foram reduzidos a animais que seguiam o toque do berrante sem saber para qual direção eram levados, abrindo mão de qualquer sendo de lógica e assumindo que suas vidas estavam nas mãos de seus governantes como se fossem personagens em jogos de simulação de cidades. Honestamente, talvez os tais jogos não sejam tão fáceis de controlar os cidadãos.

As medidas autoritárias nunca foram objeto de questionamento, pois, em conluio a mídia e as plataformas de redes sociais censuraram qualquer um que ousasse falar contra os abusos, buscar as justificativas ou sugerir alternativas. A mesma regra foi aplicada ao tratamento por medicamentos já existentes, criando narrativas contra a sua administração e até perseguição aos profissionais de saúde que os indicavam, todavia, a política dos respiradores e hospitais de campanha, alguns sequer foram disponibilizados, foram defendidas como únicas repostas plausíveis à crise.

Por fim, tivemos a impossibilidade investigar a origem do vírus, que posteriormente se confirmou como sendo uma das suspeitas iniciais, sendo um vazamento ocorrido em um laboratório chinês, todavia, ainda paira o mistério se foi um acidente ou uma ação intencional.

Ainda no contexto da pandemia, surgiu a ideia de utilizar a terapia gênica como forma de enfretamento ao vírus, e, para tanto, nomearam tal tratamento como vacinação, fazendo com que as pessoas aceitassem tal medida por engano, pois acreditavam que se tratava de algo que para muitos era seguro, como as vacinas tradicionais. Ao mesmo tempo, qualquer um que recusasse ou questionasse a utilização de terapia gênica como forma de prevenir a doença, seria tratado como ativista aintivacina, logo, além de aplicar uma terapia questionável sem o consentimento real dos indivíduos, pois a informação era distorcida, fizeram daqueles que alertavam para o perigo e a mentira negacionistas e os empurraram para um grupo ao qual não pertenciam, atacando os verdadeiros ativistas antivacina como se fossem responsável por cooptar e induzir os que duvidavam a atacar um tratamento confiável, quando tudo era parte de uma narrativa engenhosamente colocada em prática por autoridades, meios de comunicação e acadêmicos.

Na prática, imputaram aos antivacina a falsa pecha de cooptar os que se opunham à terapia gênica, ao passo que acusavam todo aquele que questionava tal medida como se fosse opositor às vacinas tradicionais e engaram os que não tinham consciência de estarem sendo inoculados com algo diverso do quê acreditavam ser uma simples vacinação. Por fim, lutaram para esconder os efeitos colaterais da terapia gênica, acusando de negacionista até mesmo os enlutados, como foi o caso de Arlene Graf, que precisou lutar por conta própria para provar que seu filho, Bruno Graf, à época, com vinte e oito anos, morrera devido aos efeitos colaterais da terapia gênica falsamente batizada como vacina, produzida pelo laboratório AstraZeneca.

A imprensa tradicional ainda não tratou o caso de Bruno Graf e outros tantos com a seriedade devida, mantendo na obscuridade os males causados pela terapia gênica, de maneira que, se o indivíduo se restringe à mídia mainstream como único meio de informação, fatalmente ainda acredita que não há efeitos colaterais e que a “vacinação” é segura. Não houve uma campanha para expor os riscos na mídia convencional e, apesar de muitos países já terem admitido que a terapia gênica foi uma medida, no mínimo, temerária, no Brasil, tanto o poder público quanto a imprensa restam calados.

A proatividade com que o autointitulado consórcio de mídia criado para informar durante a pandemia, que na verdade se mostrou um verdadeiro cartel de mídia criado para desinformar e manipular as massa durante a pandemia, atuou, sendo na instauração do pânico generalizado, na instigação à subserviência irracional e na perseguição dos que questionavam as práticas arbitrárias durante aquele período, talvez seja o que os mantém calados, pois se recusam a admitir que estavam errados, ou ainda pior, não pretendem que descubram sua consciente participação na trama diabólica.

Quando a internet propiciou que outros pudessem transmitir suas opiniões a informação tornou-se descentralizada e os argumentos, antes escondidos pela mídia mainstream, surgiram e começaram a desmontar suas narrativas. Era como se o detetive pudesse olhar ao redor e percebesse que Keyser Soze mentia desde o início.

A mídia mainstream não teve alternativa e decidiu que era preciso calar as outras vozes, pois o preço de ser confrontada ser admitir que manipula através da desinformação, por isso, autoridades e seus parceiros que controlavam a informação criaram três linhas de enfrentamento.

A primeira linha era desacreditar qualquer um que pudesse apresentar argumentos e provas que pudessem pôr em risco a narrativa oficial, o que foi feito na pandemia quando trataram todos como negacionistas. Também foi a metodologia usada nas chamadas agência de checagem, que se provaram instrumentos de manipulação com clara inclinação ideológica.

A segunda linha era envernizar a sua narrativa com ar de cientificismo, chamando indivíduos de renome ou títulos, ainda que fossem farsantes, como doutores que se graduaram por alinhamento e submissão e famosos que usavam de uma confiança adquirida em razão de personagens que interpretaram na dramaturgia, angariando a simpatia do público menos lúcido, para convencer através da empatia.

Por último, restou a última linha, utilizar de medidas coercitivas proporcionadas pelo mecanismo estatal para reprimir através de multas, censura e ameaças à liberdade todo aquele que não se adequasse a narrativa pretendida. As narrativas que interessavam ao poder, quase sempre há um acordo entre autoridades e mídia, que passaram a ser imposta como se fossem premissas incontestáveis e qualquer um que ousasse questioná-las, seria alvo de sanções como se criminosos fosse, ainda que, para tanto, fosse necessário inventar crimes de opinião ou condenar a fase cognitiva do iter criminis.

Não bastando o fato de desinformar, a imprensa mainstream faz questão de dificultar que suas mentiras sejam expostas e não tende a retratação, mantendo, em regra a mentira circulando de forma geral. Um exemplo gritante foi o chamado caso das joias, amplamente explorado pela imprensa, mas que, ao se revelar um engodo, não teve sua verdade exposta com igual fervor, deixando aqueles que não mergulham mais fundo em busca de mais informações acreditando que o ex-presidente se apropriou indevidamente de patrimônio público.

Há inúmeros casos em que a narrativa se adequa às pautas progressistas, linha ideológica que a maior parte da imprensa decidiu aderir, sendo que poucos confessam tal inclinação, fingindo preferi a neutralidade. No caso da falsa acusação de estupro que resultou na absolvição de um jovem por não se comprovar que ele teria reduzido a capacidade cognitiva da suposta vítima, enquanto um grupo irresponsável com viés progressista aventou a tese de “estupro culposo” com base em um corte da sentença, o restante não deu grande importância e não houve uma comoção em razão da injustiça, apenas para manter as pautas feministas avançando.

Narrativas usadas contra Israel que revidava após o ataque abjeto do grupo terrorista Hamas também ganharam o mundo e foram desmontadas em razão da informação descentralizada, bem como, os ataques irracionais contra Donald Trump e outros casos que, graças ao contraponto de comunicadores independentes ou de viés conservador.

Ainda há muito o quê descortinar no teatro das narrativas dos revolucionários, entretanto, no campo da informação, a contraposição aos antigos detentores do monopólio da informação está avançando e, apesar dos esforços de tiranos, que também seguem sendo expostos, por mais que seu parceiros não o façam, sofrendo sanções e se perdendo em mentiras para se manterem no poder, não haverá a volta do monopólio, posto que, boa parte dos indivíduos já experimentaram a liberdade de informação e lutarão para levar a verdade aos que ainda dormem.

A mídia mainstream ainda tem um trunfo, o entretenimento, que, por mais que alguns não valorizem, é capaz de criar um elo entre a obra e o seu admirador, como aqueles que realmente se inspiram em heróis da ficção como fonte de ensinamento e exemplos, motivando-os e dando momentos de alegria.

Capturar a cultura como se um campo de batalha fosse é indispensável à guerra, haja vista que, a influência da dramaturgia é inegável e, por isso, cada vez mais, os líderes progressistas, através da agenda “woke” corrompem personagens que são caros ou criam narrativas que se prestam ao fomento de suas pautas. Não seria errado promover suas crenças através da cultura, não fosse pela flagrante distorção de obras consagradas ou pelo discurso que impede a crítica, apontando que aquele que não gosta ou enxerga como nocivo, é um agressor, algo falso.

Não foi por acaso que diversas produções tentaram macular as imagens de Donald Trump ou Jair Bolsonaro utilizando do entretenimento, pois sabiam que na realidade as narrativas seriam desmontadas, tendo a maior emissora de televisão se rebaixado e, uma de suas novelas que parecem que nunca passaram de meros instrumentos político-ideológico, inserindo uma cena de discurso panfletária no capítulo final. Filmes e séries também estão sendo criados ou reeditados para passarem a mensagem cada vez mais direta e sem refino.

As notícias e a dramaturgia, há tempos, são usadas com o único fim de convencimento dos indivíduos, todavia, a falta de sutileza sugere que as redações de jornais e de peças de ficção se tornaram incompetentes para formular uma narrativa capaz de enganar, incapazes de confrontar a informação descentralizada ou, em um cenário ainda mais grave, estariam direcionando suas mensagens a indivíduos tão desprovidos de capacidade cognitiva que sequer respeitam tais destinatários.

Parece que comunicadores, das mais diversas áreas, se consideram tão superiores e seus seguidores tão limitados que não se dão ao trabalho de tentar convencê-los, atirando qualquer coisa nas telas e folhas por acreditarem que boa parte seguirá suas narrativas como os cegos desesperados durante a pandemia, portanto, ousam, cada vez mais, debochar do intelecto de espectadores e leitores como se estivessem convencendo seus zumbis cativos a seguirem o som do berrante.

Decisões judiciais que não precisam ser explicadas, leis que não convencem o povo e a máxima de que os cidadãos são incapazes de decidirem por eles mesmo, em que pese insistam em chamar de democracia, ao passo que proíbem o povo, a quem apelidaram carinhosamente de pequenos tiranos, de questionarem ou criticarem instituições e procedimentos por elas adotados.

Não há como negar diante de tantos absurdos que autoridades e a mídia perderam totalmente o respeito por seus adoráveis imbecis que, sabe-se lá o motivo, ainda insistem em segui-los.



Nos ajude a continuarmos publicando artigos como este, participe da nossa vaquinha virtual.

Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. IV N.º 59 edição de Outubro de 2025 – ISSN 2764-3867


Comentários


Posts Em Destaque
bottom of page