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Outubro - Hora de enfrentar a urna

há 3 minutos
2 min de leitura
Outubro: Hora de enfrentar a urna

Outubro não chega apenas como um mês no calendário. Ele chega como um chamado. Um chamado que atravessa o barulho das narrativas, o cansaço das crises, a descrença que tantos tentaram plantar. Ele chega como um lembrete de que o destino de um país não se escreve sozinho e que o silêncio de alguns sempre acaba se tornando o poder de outros.

As eleições se aproximam, e com elas surge uma verdade que muitos evitam encarar: quem não escolhe acaba tendo que aceitar a escolha dos outros. E aceitar, depois, não é um gesto de maturidade. É apenas o preço da omissão.

Por anos, tentaram convencer o brasileiro de que votar era um detalhe. Que não mudava nada. Que não valia a pena. Que a política era um território sujo demais para merecer a presença dos honestos. Mas outubro chega para desmontar essa mentira. Chega para lembrar que a omissão não é proteção. É entrega. É abrir mão da própria voz. É permitir que o futuro seja decidido por quem, muitas vezes, não carrega as mesmas dores, não enfrenta os mesmos desafios, não vive a mesma realidade.

E é aqui que surge uma reflexão que muitos esquecem: ir votar é, sim, um ato de fé.

Fé no país que ainda pode ser.

Fé na responsabilidade que cada cidadão carrega.

Fé na ideia de que a verdade, quando defendida, transforma.

Fé na convicção de que a história não está escrita. Ela está sendo escrita.

Fé na coragem de não se esconder atrás do “tanto faz”.

Votar é acreditar que sua presença importa.

É acreditar que sua consciência tem peso.

É acreditar que sua escolha é semente e que sementes, quando plantadas com coragem, sempre germinam.

O trabalhador que acorda antes do sol sabe que votar é defender sua dignidade.

A mãe que sustenta sua casa sabe que votar é proteger o futuro dos filhos.

O jovem que busca oportunidades sabe que votar é reivindicar seu espaço.

O idoso que carrega memória sabe que votar é honrar o caminho percorrido.

Cada um deles entende que a fé não é passividade. É ação.

E que ação, em outubro, começa na urna.

A Bíblia nos lembra: “A fé sem obras é morta.”

E no Brasil de hoje, a obra mais simples e mais poderosa é comparecer.

É levantar a cabeça.

É assumir a responsabilidade.

É recusar o papel de espectador.

É impedir que outros escrevam sua história enquanto você assiste de longe.

Outubro é o mês em que o país precisa entender que a omissão não é neutralidade. É consentimento.

E consentir com o que não representa você é abdicar da própria consciência.

Ir às urnas é um ato de fé porque é um ato de coragem.

É um ato de confiança.

É um ato de responsabilidade moral.

É um ato de quem sabe que o futuro não se entrega. Se conquista.

Outubro chega para lembrar que o silêncio cobra seu preço.

E que o Brasil já pagou caro demais.



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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 70 edição de Setembro de 2026 – ISSN 2764-3867

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