Outubro - Hora de enfrentar a urna

Outubro não chega apenas como um mês no calendário. Ele chega como um chamado. Um chamado que atravessa o barulho das narrativas, o cansaço das crises, a descrença que tantos tentaram plantar. Ele chega como um lembrete de que o destino de um país não se escreve sozinho e que o silêncio de alguns sempre acaba se tornando o poder de outros.
As eleições se aproximam, e com elas surge uma verdade que muitos evitam encarar: quem não escolhe acaba tendo que aceitar a escolha dos outros. E aceitar, depois, não é um gesto de maturidade. É apenas o preço da omissão.
Por anos, tentaram convencer o brasileiro de que votar era um detalhe. Que não mudava nada. Que não valia a pena. Que a política era um território sujo demais para merecer a presença dos honestos. Mas outubro chega para desmontar essa mentira. Chega para lembrar que a omissão não é proteção. É entrega. É abrir mão da própria voz. É permitir que o futuro seja decidido por quem, muitas vezes, não carrega as mesmas dores, não enfrenta os mesmos desafios, não vive a mesma realidade.
E é aqui que surge uma reflexão que muitos esquecem: ir votar é, sim, um ato de fé.
Fé no país que ainda pode ser.
Fé na responsabilidade que cada cidadão carrega.
Fé na ideia de que a verdade, quando defendida, transforma.
Fé na convicção de que a história não está escrita. Ela está sendo escrita.
Fé na coragem de não se esconder atrás do “tanto faz”.
Votar é acreditar que sua presença importa.
É acreditar que sua consciência tem peso.
É acreditar que sua escolha é semente e que sementes, quando plantadas com coragem, sempre germinam.
O trabalhador que acorda antes do sol sabe que votar é defender sua dignidade.
A mãe que sustenta sua casa sabe que votar é proteger o futuro dos filhos.
O jovem que busca oportunidades sabe que votar é reivindicar seu espaço.
O idoso que carrega memória sabe que votar é honrar o caminho percorrido.
Cada um deles entende que a fé não é passividade. É ação.
E que ação, em outubro, começa na urna.
A Bíblia nos lembra: “A fé sem obras é morta.”
E no Brasil de hoje, a obra mais simples e mais poderosa é comparecer.
É levantar a cabeça.
É assumir a responsabilidade.
É recusar o papel de espectador.
É impedir que outros escrevam sua história enquanto você assiste de longe.
Outubro é o mês em que o país precisa entender que a omissão não é neutralidade. É consentimento.
E consentir com o que não representa você é abdicar da própria consciência.
Ir às urnas é um ato de fé porque é um ato de coragem.
É um ato de confiança.
É um ato de responsabilidade moral.
É um ato de quem sabe que o futuro não se entrega. Se conquista.
Outubro chega para lembrar que o silêncio cobra seu preço.
E que o Brasil já pagou caro demais.
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 70 edição de Setembro de 2026 – ISSN 2764-3867





















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