Como o feminismo deu à luz ao movimento red pill
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Em todo ano, no mês de março, presenciamos o velho discurso feminista no Dia Internacional da Mulher. Em virtude dos últimos acontecimentos noticiados de atos violentos contra a mulher, a data este ano recebeu maior carga de militância do que o habitual.
É fato que a mulher, sendo a parte mais frágil (1º Pedro 3.7), necessita de proteção e amparo, não nego isso. Contudo, o feminismo faz exatamente o contrário, ao dizer asneiras como “todo homem é um estuprador em potencial”.
O movimento feminista espalha falsamente que a mulher não possuía NENHUM “direito” no passado, e que surgiu para trazer justiça social e equidade. Embora haja relatos de que alguns grupos consideravam a mulher como inferior, não é correto generalizar. A própria Bíblia, aquele livro tão repudiado pelas feministas, elenca diversos direitos em favor da mulher ditados por Deus a Moisés. Citemos alguns.
Feministas inflam seu ego afirmando que conseguiram o “direito ao divórcio”, que foi uma de suas “maiores realizações”. Contudo, foi Deus quem concedeu. E vejam que curioso: o Todo-Poderoso fez isso para proteger a mulher de homens maus! A "Carta de Divórcio" (Deuteronômio 24:1-4), instituída no Antigo Testamento, foi permitida por Deus para proteger a mulher, dando-lhe legalidade para se casar novamente sem ser considerada adúltera.
“Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento” (Marcos 10.4)
Um outro direito concedido à mulher foi o de propriedade. A Bíblia relata a história das filhas de Zelofeade, cinco irmãs chamadas Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. Seu pai pertencia ao clã de Manassés, um dos filhos de José, na linhagem de Hebreus. Quando o pai delas morreu no deserto, sem deixar filhos homens, elas buscaram uma solução para garantir que a herança familiar não desaparecesse.
Apresentaram-se diante de Moisés, do sacerdote Eleazar e dos líderes do povo, reivindicando o direito à herança do pai. Elas explicaram que o genitor não havia morrido por rebelião, mas por seu próprio pecado. Por isso, seu nome não deveria ser esquecido ou excluído da terra do clã.
“Moisés levou a causa delas perante o Senhor.
Disse o Senhor a Moisés:
As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente, lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai e farás passar a elas a herança de seu pai.
Falarás aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém morrer e não tiver filho, então, fareis passar a sua herança a sua filha.
E, se não tiver filha, então, a sua herança dareis aos irmãos dele.
Porém, se não tiver irmãos, dareis a sua herança aos irmãos de seu pai” (Números 27.5-10).
Uma das maiores falácias do movimento é em relação ao trabalho. Feministas dizem que “libertaram as mulheres das amarras do patriarcado ao conquistar acesso ao mercado de trabalho”. Elas ignoram solenemente que a mulher sempre trabalhou, e por necessidade. E, mais uma vez, a Bíblia nos mostra isso.
Noemi, hebreia, tinha dois filhos, Malom e Quiliom. Seu marido, Elimeleque, mudou-se de Belém para a terra de Moabe. Lá, seus filhos se casaram com mulheres moabitas, Orfa e Rute.
Todos os homens da família faleceram. Então, Noemi despediu suas noras e pretendia voltar para Belém. Rute, contudo, decidiu ficar com sua sogra:
“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rute 1.16).
Ao regressarem para Belém, Rute decidiu trabalhar para sustentar a casa. Não era uma “conquista”, uma “satisfação” ter de sair de casa para colher espigas. Se Rute não o fizesse, ambas morreriam de fome!
E agora, um fato interessante que faço questão de “esfregar na cara” das integrantes do movimento feminista: ao trabalhar colhendo espigas, Rute foi ajudada e protegida por um HOMEM. Mas que coisa, não?
“Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele que mo favorecer. Ela lhe disse: Vai, minha filha!
Ela se foi, chegou ao campo e apanhava após os segadores; por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o qual era da família de Elimeleque.
Eis que Boaz veio de Belém e disse aos segadores: O Senhor seja convosco! Responderam-lhe eles: O Senhor te abençoe!
Depois, perguntou Boaz ao servo encarregado dos segadores: De quem é esta moça?
Respondeu-lhe o servo: Esta é a moça moabita que veio com Noemi da terra de Moabe.
Disse-me ela: Deixa-me rebuscar espigas e ajuntá-las entre as gavelas após os segadores. Assim, ela veio; desde pela manhã até agora está aqui, menos um pouco que esteve na choça.
Então, disse Boaz a Rute: Ouve, filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás com as minhas servas. Não dei ordem aos servos, que te não toquem? Quando tiveres sede, vai às vasilhas e bebe do que os servos tiraram” (Rute 2.2-9).
Um tempo depois, Boaz pediu Rute em casamento e esta se tornou a bisavó do rei Davi, entrando na linhagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Salomão, filho de Davi, ao escrever sobre a mulher virtuosa, diz que esta trabalha. Mas, diferente do que as feministas defendem, a mulher descrita pelo rei é louvada justamente porque o faz pelo bem de sua casa, sua família, e não para competir com seu marido.
“Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos.
É como o navio mercante: de longe traz o seu pão.
É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas.
Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.
Cinge os lombos de força e fortalece os braços.
Ela percebe que o seu ganho é bom” (Provérbios 31.13-18)
Com a vinda de Jesus Cristo a este mundo, a mulher foi elevada em sua dignidade e espiritualidade, sendo considerada tendo o mesmo valor que o homem. A difusão do cristianismo levou aos povos bárbaros e pagãos o entendimento de que a mulher não era um objeto sexual ou mercadoria, e sim um ser como alma.
Mas, sendo o movimento feminista revolucionário em sua gênese, é de praxe que rejeite o cristianismo, mesmo com todas as provas de que foi ele o responsável pelo respeito à mulher. Antes, preferiram a “resistência” e lutar contra o sexo masculino, inclusive inventando mentiras.
O objetivo nunca foi, é ou será luta por direitos, fim da violência ou coisa que o valha, mas sim a revolução sexual. Ana Caroline Campagnolo escreve em seu livro – “Feminismo, perversão e subversão” - que as feministas anarquistas afirmavam que era um desserviço lutar por direito ao voto. Ou seja, “liberar geral” sempre foi mais importante do que incluir mulheres na política, por exemplo.
Em doses homeopáticas, o movimento feminista veio destruindo a mulher, tornando-a novamente um objeto sem alma:
- retirar do cristianismo e da família a autoridade moral
- retirar a fé em Deus e focar no racionalismo e na “educação”
- inserção compulsória da mulher no universo masculino na Revolução Industrial
- a luta pelo “direito ao voto” escondia ataques aos homens e ao cristianismo
- “luta” pela emancipação sexual e ataques à família tradicional em sua segunda onda
- “luta” em “defesa” do aborto
- ascensão do movimento lésbico como ato político e de “resistência” contra os homens
E é aqui que nasce o movimento red pill.
O movimento tem sua origem no filme Matrix (1999), onde o protagonista Neo (Keanu Reeves) precisa escolher entre a pílula vermelha (que revela a realidade dolorosa) e a azul (que o mantém em uma ilusão confortável). A metáfora foi adotada por comunidades online para descrever o "despertar" dos homens para uma realidade onde seriam oprimidos pelas mulheres e pela sociedade moderna.
Sua gênese foi dotada com “boa intenção”. Após anos de lavagem cerebral feminista que colocou mulheres contra homens, agora eles resolveram se defender dessas atrocidades. Então, começaram a difundir algumas “dicas” de como se defender de mulheres más.
Confesso que algumas ideias do início do movimento não me soavam tão mal. Entre elas:
- Realismo social: “enxergando o mundo como ele realmente é”, sem ilusões progressistas
- Masculinismo: valorização de traços considerados tradicionalmente masculinos, como força, liderança, racionalidade e controle emocional;
- Críticas ao feminismo: feminismo teria ultrapassado sua função original de promover igualdade, favorecendo mulheres em detrimento dos homens.
Porém, devemos lembrar que, assim como o feminismo, o red pill também não aceita a ideia de Deus com centro de sua vida, apelando somente para a força física, racionalidade e capacidade de enriquecer. E obviamente que quando Deus é tirado da equação, a tendência de que tudo dê errado é de 100%.
O discurso anterior era:
- Cuidado com mulher que não quer compromisso
- Cuidado com mulher que não respeita os pais
- Se ela tem filho(s), verifique se é/são do mesmo pai e em quais circunstâncias se deu essa separação
- Cuidado com mulher que valoriza baladas, bebedeiras ou coisas do tipo.
Agora o movimento diz:
- Não se envolva com mulher, não tenha relacionamento sério. Pagar uma garota de programa é mais barato
- “Toda mulher é vagabunda até que se prove o contrário”
- “Quem trabalha é a mulher feia”
- “Não peça mulher em namoro/casamento”
Qualquer semelhança com o feminismo não é mera coincidência. Um mal gerou outro mal e agora estão se digladiando entre si. E os mais prejudicados são aqueles que não aderiram a nenhum dos movimentos, que procuram seguir uma vida digna e correta.
E agora, a situação está escalonando para o nível de morte, para ambos os lados. Do lado feminista, aquelas que dizem “Elize Matsunaga já deu a dica”; do lado red pill, os que afirmam “Prefiro matar a ser chefiado por uma mulher”.
Novamente, quando Deus é retirado da equação, é isso o que acontece: uma guerra dos sexos que impede o crescimento da sociedade e a formação de famílias.
Mas, como sempre, a Bíblia tem resposta para isso e coloca cada um no seu devido lugar:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Efésios 5.25-28)
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 64 edição de Março de 2026 – ISSN 2764-3867





















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