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Liberdade de expressão

  • 23 de fev.
  • 6 min de leitura

Somente para quem concordar comigo

liberdade de expressão

Chegamos em 2026: ano de eleições, de decisões importantes, de mudanças necessárias e urgentes para a nação. Porém, existem valores que devemos preservar, e o mais básico é o direito a ter voz.

Eu sou conservadora, direitista e bolsonarista. Comecei a meu interessar por política ainda na adolescência, acompanhando as eleições americanas. Lembro-me de não gostar muito de George W. Bush, mas o considerava melhor do que seu oponente à época, Al Gore. Eu já era de direita e não sabia (risos).

A política brasileira me desanimava um pouco. Meu tio, militar, nunca gostou de Lula e nem da esquerda. E eu, em minha ignorância, não entendia por que não existia uma oposição à altura. Sinceramente, para mim era muito difícil entender Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros serem amigos do adversário. Somente anos depois que descobri que, de fato, eram amigos, mais até do que eu imaginava.

Eu observava as eleições americanas, as comemorações de 4 de Julho, o Dia de Ação de Graças. No meu íntimo, eu pensava: “Em todos os lugares e eventos a bandeira americana se faz presente. Existe um patriotismo real. Por que no Brasil somos obrigados a vestir vermelho? Por que usar as cores da bandeira ofende?”. Meu questionamento não era sem propósito: o Brasil estava mergulhado em uma severa hegemonia progressista. Ninguém ousava questionar Paulo Freire, regime militar ou o próprio Lula.

Até que eu vi um deputado austero na televisão, acho que foi no antigo CQC (“Custe o que Custar”, um programa cujo modelo foi comprado da Argentina e era comandado no Brasil pelo Marcelo Tas). Este programa tinha vários repórteres e um deles era do Danilo Gentili. De vez em quando, Danilo fazia matérias com os parlamentares.

E foi assim que conheci Jair Bolsonaro.

Sinceramente, nunca tinha gostado de um político específico. Ah, gostava sim, do Eneias Carneiro! Meu pai também gostava muito dele e dizia que teria sido um ótimo presidente se não fosse a “ideia da bomba atômica”. Não era bem isso, mas meu pai não sabia. Na verdade, quase ninguém sabia. A mídia “tradicional” fez questão de ridicularizar a imagem de Eneias e fazê-lo passar como louco.

Essa mesma mídia tentou novamente, desta vez, com Jair Bolsonaro. Mas o plano não funcionou.

A produção do CQC descobriu que a imagem de Bolsonaro gerava audiência e por isso ele sempre era entrevistado. E a cada depoimento, redações inteiras sofriam uma síncope. Mas por quê? Porque pela primeira vez, a população presenciava um político sem o tradicional politiquês. Bolsonaro falava de forma direta aquilo que o cidadão brasileiro pensava.

E a partir de 2010, Jair Bolsonaro fez a maior denúncia de sua vida pública: expôs o tal seminário LGBT infanto-juvenil e os filmetes produzidos pelo Ministério da Educação da época, que seriam exibidos nas escolas, para normalizar a agenda entre as crianças. E isso fez com que a população brasileira começasse a perceber o que de fato estava acontecendo.

Ao longo dos anos, o nome de Bolsonaro ganhou força para ocupar a cadeira presidencial. Pela primeira vez, o brasileiro estava escolhendo com genuíno prazer o seu candidato. Jair fez sozinho o que ninguém esperava: quebrou a ditadura do discurso único e mostrou que é possível amar as cores verde e amarelo sem ser execrado por isso.

Jair Bolsonaro se tornou um símbolo da liberdade de expressão, sendo eleito presidente da República em 2018.

Contudo, começou a acontecer um movimento estranho: quem apoiava Bolsonaro passou a adotar a ditadura do discurso único. Isso não aconteceu de forma abrupta, mas em doses homeopáticas. Confesso que comecei a achar essa movimentação um tanto quanto estranha. Afinal, a direita sempre pregou a chamada liberdade de expressão.

Começou a se tornar comum dizer “Eu entendo de articulação, eu sei de política”. Mas, para mim isso soava absurdo. Eu não conhecia aquelas pessoas antes do Jair. Salvo raríssimas exceções, todos os analistas e intelectuais do que conhecemos hoje como direita surgiram DEPOIS de Bolsonaro. E o motivo era óbvio: nenhum destes teve a coragem de enfrentar a hegemonia progressista como ele.

Junto a Jair, muitos se elegeram. Pessoas completamente desconhecidas, mas que somente conseguiram uma vaga graças a ele. Espero que o leitor não entenda mal, esta minha fala, não digo isso com desprezo. Vários bons nomes foram eleitos, como o Márcio Gualberto e a Chris Tonietto. Porém, desconhecidos.

Bom, como disse ouvir coisas como “Eu que sei” em relação à política me irritava, mas eu não demonstrava. Eu vi e ouvi pessoas menosprezando quem ainda estava engatinhando nessa seara e arrogando para si o direito de saber mais do que os demais e que simplesmente enxotava quem pensava de modo diferente. E eu percebi que a situação começou a piorar na gestão Bolsonaro.

Jair foi deputado por quase vinte e oito anos, mas pela primeira vez sentava na cadeira do Executivo. Obviamente que são funções diferentes e ele cometeu erros, isso é normal. Jair, embora tenha acertado muito mais do que errou, ainda assim errou, porque é ser humano. E a turma do “Eu que sei”, em vez de sentar com Jair e ajudá-lo, preferiu o “Não me ligue mais”.

De repente, Jair Bolsonaro “não sabia de nada” para os intelectuaizinhos da direita. Foi chamado de “frouxo”, “traidor das pautas conservadoras”, tudo porque não queria adotar a tática progressista do discurso único. E assim o bolsonarismo começou a minar por dentro.

A hegemonia, quebrada por Bolsonaro, havia retornado. Mas agora passava a imperar no meio direitista.

Ao longo do mandato, Bolsonaro pensou que tinha uma base com quem contar. Coitado! Ficou mais sozinho do que quando era deputado e eu atesto isso com profunda revolta! No final de 2022, quando mais precisou de sua base, foi abandonado!

Eu me lembro de que, quando Bolsonaro venceu em 2018, Gleisi Hoffmann, que era presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) concedeu uma entrevista coletiva e disse: “A esquerda precisa fazer uma autocrítica”. Nunca votarei em quem quer que seja da ala progressista e não concordo com nenhuma de suas medidas, mas Gleisi tinha razão. Eles engoliram a derrota, voltaram a prancheta e começaram a trabalhar. E o resultado já é de conhecimento de todos.

A esquerda admitiu seus erros. A direita os jogou para debaixo do tapete.

Hoje, temos uma direita dividida porque todo mundo quer arrogar para si o direito que possuir o “guarda-chuva” da moral e dos bons costumes, quando, na verdade, o “guarda-chuva” dos valores foi dado por Jair Bolsonaro! É aquele velho ditado que nossos avós dizem: é muito cacique para pouco índio.

O fato é que todos querem ter a popularidade do Jair, mas não querem ser como ele, e isso é severamente impossível! A direita brasileira (re)nasceu graças à liberdade de expressão que Bolsonaro exerceu com maestria! Hoje, aqueles que tomaram carona na onda – sejam políticos, influenciadores ou pseudojornalistas – querem ditar regras típicas de um Kim Jon-Un: quem não concorda, é enviado para os “campos de trabalhos forçados” ou “fuzilado” socialmente.

Infelizmente, exemplos não faltam.

A deputada Ana Campagnolo, recentemente, discordou da ideia da candidatura de Carlos Bolsonaro a uma vaga no senado por Santa Catarina. Em uma entrevista, ela alegou que nenhuma liderança do estado foi consultada para saber se a decisão era de comum acordo. Para minha surpresa, Ana foi achincalhada e xingada de todos os nomes possíveis: “traíra”, “feminista” e até de “comunista”! E por tabela, o deputado Nikolas Ferreira acabou apanhando.

Alguns disseram que Ana deveria ter falado isso no privado. Concordo. Porém, o que fizeram com ela foi indesculpável!

O leitor que possui mais tempo na política vai lembrar que a militância digital do PT atuava contra seus desafetos com ações que variavam desde promoção de boicote até exigência de demissão, e que Danilo Gentili foi uma das principais vítimas.

Pois bem, foi exatamente isso que fizeram com a Ana. Diversos perfis DE DIREITA copiavam e colavam ataques contra uma mulher DE DIREITA unicamente por esta mulher expressar sua opinião contrária a uma estratégia política.

Meu Deus! O que houve com a direita?

Liberdade de expressão, pluralidade de ideias, isso tudo é só teoria, então? Ou só vale para atacar a esquerda com a mordaça que ela tenta nos colocar? Então, se a mordaça for da direita, tá valendo?

Eu sinto em dizer, mas a direita brasileira é formada, em grande parte, por pessoas com pensamentos revolucionários. É difícil admitirmos isso, mas encarar a realidade é fundamental para que possamos nos corrigir. As eleições de 2026 exigirão de nós maturidade e capacidade de escutar o que o colega tem a dizer. Ou fazemos isso ou teremos mais quatro anos da esquerda no poder.  

 


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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 62 edição de Janeiro de 2026 – ISSN 2764-3867


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