O Estado Democrático de necessidade e seus deficientes

Diz-se que vivemos num estado democrático de direito, define-se Direito por: “Conjunto de regras, normas e princípios que organizam a sociedade”.
Num Estado democrático de direito, as leis devem servir para todos e a todos, inclusive os governantes que devem se submeter ao império das leis.
Até aí, tudo bem, pois numa sociedade ideal assim deve ser para a harmonia dos indivíduos.
O problema é quando troca-se a definição pelo conceito – O que é bem comum e facilmente manipulável - pois para manter a estrutura que garanta o direito, o próprio cidadão deve contribuir, muitas vezes com mais do que pode.
É bem comum ver membros da estrutura estatal que acabam tendo mais direitos que os próprios cidadãos.
Bem, o ponto fundamental do texto não está em apenas questionar o conceito, mas refletir sobre o lugar de cada um e de cada coisa.
Pela falta de objetividade na definição das coisas ficamos quase sempre com o conceito, basta ver a quantidade de pessoas que nem mesmo sabem definir Justiça, Política, Arte, Saúde e etc…
Conceito é o que a minha mente concebe que algo seja, ou o que eu acho que algo seja.
Definição é a descrição de algo, de forma que esse algo não se confunda com nenhuma outra coisa.
No conceito somos deficientes, já na Definição, somos eficientes.
O problema é que aí abre-se uma brecha para transformar necessidades em direitos;
Qual o problema disso? Necessidades são naturais e individuais e cada ser humano deve ser educado a suprir as suas, com seu próprio esforço, autonomia e liberdade (Palavras que parecem perigosas para alguns grupos).
Se transformamos necessidades em direitos, logo teremos que bancar uma estrutura que nos garanta as necessidades supridas, ou seja, ficamos nas mãos de um sistema que com sutileza nos tira a autonomia, esforço e liberdade; Isso nos parece comum? Penso que sim.
Façamos um exercício de imaginação, em que uma criança, à medida que vai crescendo vê a NECESSIDADE de ter autonomia para ir ao banheiro sozinha, comer, caminhar, vestir-se, comunicar-se , entre outras necessidades que sem esforço, autonomia e liberdade, nunca serão alcançadas e a medida que vai crescendo vê esse tripé cada vez mais fortalecido e dando-lhe condições de ficar INDEPENDENTE, até que a carência dos pais seja suprida e ela se torne um indivíduo saudável e capaz de seguir em frente dependendo apenas de si mesma enquanto indivíduo.
Porém, se seus pais (estado) fazem de suas necessidades apenas direitos, essa criança estará sempre dependente e alguém terá que bancar uma estrutura para mantê-la em sociedade, já que não consegue sequer suprir ela mesma sua necessidade, assim é um deficiente.
Este erro vemos várias famílias cometendo com seus membros. No campo sociopolítico, se cometido, cria-se uma sociedade de deficientes em que o estado deve então mantê-los, e como sempre, alguém paga pela estrutura que agora tornou-se necessária, já que os cidadãos não são indivíduos com sua devida autonomia, liberdade e por fim, independência.
Outro problema, maior ainda é quando aqueles que estão para garantir que sejam supridas as necessidades da sociedade, também foram formados com deficiência.- como está escrito nas escrituras : Como pode um cego, guiar outro cego? - por certo, cairão os dois num buraco, buraco esse que podemos chamar de ignorância, mãe da corrupção e todos os males.
Em resumo, quando nos colocamos em um estado em que até para ver suprir nossas necessidades precisamos de alguém ou de algo, como um cuidador ou uma muleta, então isso deixa claro que somos deficientes, pois é assim que os deficientes vivem.
Em síntese, quando colocamos nossa capacidade de suprir nossas necessidades nas mãos de quem quer que seja e não assumimos nosso protagonismo na vida, nos tornamos deficientes no básico e somos enganados pela zona de conforto, mas isso tem um preço muito alto: A dependência…
Uma vez dependentes, seremos escravizados no pior nível possível, que é o mental.
Este é o campo onde as ideologias tomam o controle do intelecto e nos torna incapazes de raciocinar sobre qual posição estamos e a que distância do ideal, ou seja, que somos nesse caso, deficientes…
Então o estado nos oferece uma “Solução”
Suprir nossas necessidades, e o preço? Nossa dignidade.
Como sempre, em meus textos, não tenho a intenção de propor nenhuma solução de cunho revolucionário, mas de levantar uma reflexão para que a partir de dentro possamos achar um. caminho humano, que lembro ser a imagem e semelhança de Deus, que nos coloque novamente (se um dia estivemos) no caminho da suficiência, e um bom começo será buscar conhecimento e cidadania.
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 69 edição de Agosto de 2026 – ISSN 2764-3867





















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